Rascunho

1 Capítulo 1


Flexionou os dedos, novamente. Kawaki estava observando o antebraço recém-encaixado em seu corpo desde que o Nanadaime o fez funcionar com o próprio chakra.

— Certo... Pelo menos não fiquei sem um pedaço do corpo... — Murmurou olhando de soslaio para a porta da casa do Hokage. — O ruim é que agora minha mão direita depende de alguém estar acordado para funcionar.

O loiro o deixou ali e sumiu numa nuvem de fumaça. Mas antes disse sorrindo que precisava trabalhar e que não iria dormir nem tão cedo.

Andou apressado em direção as escadas. Estava começando a ficar irritado porque já carregava o “Karma” consigo e agora teria mais uma coisa que não o pertencia de verdade. Ainda olhava a mão, mexendo os dedos e o pulso, quando bateu de frente com alguém. Sabia que não era Himaware, pois a pequena estava com Boruto na rua. Olhou para cima e encontrou o rosto pequeno e corado da mãe de Boruto.

— Kawaki-kun, desculpe, te chamei e você não me ouviu — Disse ela com sua voz doce e, na opinião do garoto, bastante irritante. Não estava acostumado com tamanha gentileza e carinho. — Você está bem?

— Por que estaria? — Disparou a má criação sem pensar. — Se seu marido cochilar, não posso fazer nada com essa mão.

Estendeu o braço direito diante da cabeça de Hinata, mostrando a peça artificial feita para o Uzumaki. Os olhos cinzentos do portador “karma” se arregalaram quando, sem que querer, sua nova mão tocou na pele da bochecha feminina, fazendo um suave carinho e breve.

Hinata deu um passo para trás pelo contato inesperado do garoto.

— Que merda é essa? — Puxou a mão para trás do corpo. — Foi sem querer!

Desviou da morena e subiu as escadas correndo.

Se trancou no quarto de hóspedes e ficou lá o restante do dia. Mais tarde, quando fora obrigado a sair para jantar, Himawari insistiu para que o garoto desenhasse um pouco com ela. Como ainda se sentia em dívida com a menina por causa do vaso de flores que quebrou, aceitou o convite.

— Kawaki-kun, ainda não desenhou nada! — Reclamou a pequena enquanto fazia um monte de flores coloridas em volta do rosto malfeito do pai sorridente.

— Hm... Vou tentar desenhar, não sou bom com isso.

— Pense em algo agradável, que te deixa feliz. — A Uzumaki o instruiu com um sorriso enorme no rostinho inocente. — Sempre funciona comigo.

— Certo... — Disse ao pegar um giz de cera, aleatoriamente.

Começou a tracejar a folha em branco com a mão emprestada, mas não estava prestando atenção alguma no que fazia. Kawaki havia passado todo o jantar de cabeça baixa, evitava olhar nos perolados da esposa do Hokage. Mas por mais que a evitasse, o rosto corado não saia de sua mente. Tentou entender por que tocou a mulher tão de repente. A única coisa que conseguiu pensar era no chakra de Naruto que fazia sua mão funcionar. Recebeu a explicação de que funcionaria como se Naruto estivesse controlando um bunshin. Seria essa a razão? Não fazia nenhum sentido aquilo tudo. Sacudiu a cabeça, tentando não focar mais no assunto.

— Uau! — A empolgação da menina ao seu lado o tirou de seus devaneios. — Parece a mamãe, que desenho lindo!

Arqueou a sobrancelha e prestou atenção no que estava fazendo. Seus traços eram feios e tortos, piores que o da menina ali, mas estava nítido que era um desenho da Uzumaki. Rostinho pequeno emoldurado pelos cabelos curtos e a franja, os olhos arredondados e pintados de cinza. Xingou mentalmente, não se lembrava de ter trocado as cores do giz de cera! Amassou a folha às pressas e a escondeu no bolso da bermuda emprestada por Boruto.

— Impressão sua, Himawari. — Explicou-se, sem graça e carrancudo, ao se levantar.

— Então quem é a moça do desenho? — Como era curiosa aquela menina boba. — Se o fez, pensou em alguém! — A risadinha infantil o tirou a carranca.

Um sorriso miúdo e amargo se formou na face dele. Já carregava coisas que não o pertenciam, verdadeiramente... O “Karma” de Jigen e o antebraço com chakra do Hokage. Seu peito se aqueceu de forma esquisita e inédita.

— É só um rascunho, Himawari. — Subiu as escadas achando a sensação quente um pouco suspeita.

Que merda era aquela sensação?

Entrou no quarto e fechou a porta, se jogou na cama e abriu a folha amassada, olhando o desenho. Estava claro que passaria a carregar outra coisa que não era dele... O rosto meigo de Hinata.

Notas finais
♥ Eu gostei tanto do Kawaki. Tinha que escrever algo com ele.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!