Raposa

13 Você me prometeu


Notas iniciais
Oie gente linda, tava com saudades, bem, essa manuntenção demorou um pouco então adiantei as coisas, o próximo capítulo já está pronto ~comemorandoooo~ aproveitem o último da Nymeria antes de mais dois da Fancy, afinal, to com saudades do Jon *w*

Nossa raposa estava tentando raciocinar, a voz do príncipe tomava sua mente, não de forma apaixonada, mas de forma autoritária enquanto as mãos apertavam a cintura da moça, ela precisava de uma distração, algo para parar Joffrey, mas o que? Sentiu uma pontada de ciúme do dono, ele tinha ótimas ideias e elas vinham justamente quando ele precisava ou até antes! Ela ouviu gargalhadas no salão e logo depois alguns gritos raivosos como em uma briga, prestava atenção na porta de carvalho escuro que permanecia intocada, Joffrey apertava suas coxas e a puxava para si. De repente a porta rangeu e Joffrey a empurrou abrupta, ela caiu sentada e encarou o chão, o loiro sorria de canto com a submissão da lady, mas seu sorriso desapereceu quando ouviu uma voz irônica murmurar:

–Veja só quem está aqui- Nymeria olhou para o anão, os olhos suplicantes contra os bicolores daquela monstruosidade que acabara de a salvar- Ora milady, creio que seu lugar não é no chão- Ele estendeu a mão e ajudou-a a levantar-se, a ruiva sorriu e agradeceu muda- Nosso honrado príncipe já cortou sua língua?

–Não meu senhor- Ela disse em uma pequena reverência

–Ótimo, ele está progredindo não é Joff?- Tyrion falou sugestivamente para o sobrinho que bufou e saiu a passos largos, o anão gritou para o mesmo- Essa aqui é propriedade de sua mãe, é melhor não querê-la.

–Obrigada- Ela falou aliviada

–Tudo bem- Ele disse com um sorriso- Creio que estava esperando alguém... Então ficarei aqui também, visto que fui expulso do salão, não se pode mais ser divertido por aqui.

–Por que diz isso meu senhor?

–Bem... Eu provavelmente disse à Cersei que se você fosse tão boa assim acabaria na cama de Robert já que ela adoraria ter uma substituta para tal tarefa tão árdua- Tyrion gargalhou e Nymeria sorriu, o anão era uma companhia agradável, mas ela tinha que sair dali, felizmente a porta rangeu novamente e a rainha saiu do salão com uma expressão sombria- Cersei! Estávamos justamente comentando de sua tão estrondosa beleza.

–Cale a merda da sua boca anão imprestável e lascivo

–Também te amo querida irmã- Tyrion sorriu, piscou para Nymeria e saiu bamboleando

–Pelo menos ele tem gingado Vossa Alteza- A moça arriscou sorrindo

–Deixe de ser tão agradável, isso me irrita, o modo como consegue ser tudo o que as pessoas querem que seja...- Cersei piscou com a conclusão- Se quiserem que você seja uma assassina de rainhas...

–Já disse a senhora que estou somente a seu serviço, fui ofertada como presente e creio que não tenha um posto mais protegido para mim- A ruiva falou baixo- Agora creio que a Senhora queira vestir-se adequadamente para trilhar o árduo caminho...

–Sim, venha comigo- Cersei disse autoritária

–Vossa Graça vai me perdoar, mas eu tenho que selar os cavalos e livrar o caminho- Cersei lançou um olhar nervoso á bota da ruiva que assentiu relutante

–Pois vá, se mentir...

–O que ganharia? Alguns trocados certamente, mas nada mais prezo que minha proteção- Nymeria falou seca, Cersei assentiu e foi para seus aposentos, a moça correu, seu dono talvez a ajudasse... Não, ele não a ajudaria, pois bem, hora de arregaçar as mangas, Nymeria estava nos estábulos, selou dois cavalos simples, sua capa já estava lá, cobriu-se com ela- Que os supostos Sete me protejam, já que eu nunca pedi nada...

Ela conduziu as montarias para o portão da cidade, uma mulher encapuzada estava lá, Cersei ainda estava reconhecível, mas isso só valia para a moça que fora treinada para decifrar, a rainha trajava um vestido escuro, com pequenos bordados a decorá-lo, uma capa cobria o traje, nos cabelos loiros uma faixa trespassava prendendo-o em uma trança elaborada e sulista, os olhos esmeralda faiscavam:

–Até que enfim!- Ela montou com a ajuda da ruiva e apressou-a com raiva- Vai me inteirar da situação ou terei que pedir-lhe?

–Majestade, as paredes tem ouvidos aqui, passarinhos vigiam nosso descanso, esperando um chamariz para bebericar dos sussurros e cantar melodias traiçoeiras- A rainha assentiu e as duas saíram da Fortaleza Vermelha silenciosas, depois de algum tempo a ruiva respirou fundo e olhou a loira- Se queres tanto saber algo, por quê não pergunta com exatidão e deixaremos as teias de palavras duplas de lado.

–O que realmente... -Cersei arquejou, a ruiva sabia o que ela iria perguntar, ela sabia o rancor que Cersei guardava, ela olhou a rainha com pena, talvez fosse a única que um dia viesse a entendê-la.

–Eu sei- Cersei olhou-a surpresa e com a boca entreaberta- O que Lyanna tinha que você não possui- A rainha arregalou os olhos como se estivesse sendo forçada a aguentar algo absurdo para seus pulmões- Robert amava Lyanna por ela ser cogitada, ela tinha uma única coisa, competição- Os olhos da loira brilhavam, as mãos vacilavam nas rédeas, a ruiva entendia plenamente, ela continuou melancólicamente- Lyanna tinha a razão de uma batalha, o estupor de um prêmio, não era extravagante e real como você, ela era a dama do inverno, a beleza melancólica, a flor da neve, a loba triste.

–Mas...- A voz de Cersei vacilou e ela secretamente agradeceu por ser a ruiva a ouví-la

–A senhora é dotada de uma beleza imposta, é bela assumidamente, educada, mas astuta, Lyanna era um dama de canções, sem noção de mundo, somente a espera de um cavaleiro em seu jardim de inverno eterno, bem, acho que todas sabemos que mulheres assim não são as mais espertas, Rhaegar a sequestrou, mas aposto minha vida que ela não o contrariou, ela o queria, a mais bela para o mais belo, ela nunca quis Robert, um homem bruto não seria bom para uma flor delicada.

Cersei sentia as trilhas das lágrimas queimando sua honra, ela sabia de tudo aquilo e isso doía, ela já havia sido prometida para Rhaegar, sonhara com ele, o cavaleiro honrado e melancólico, mas Aerys não a havia aceitado e assim criado uma richa com Tywin Lannister, depois fora ofertada para Robert Baratheon, um bruto que tentava resgatar a sua amada e ela não era Cersei, mas a mesma para quem havia perdido Rhaegar. Lyanna era o fantasma que assombrava seus pesadelos desde pequena, mas sempre burlava sua mente, afinal era a leoa de Rochedo Casterly, a ruiva suspirou e decidiu perguntar o que estava em sua cabeça:

– Você já percebeu que Robert deveria odiar ele mesmo?

–Como assim?- Cersei subitamente esqueceu o assunto anterior e levantou a cara para encarar a interlocutora

–Robert Baratheon I- A ruiva recitou tediosamente- Cujo avô paterno era um Targaryen, Rhaelle Targaryen para ser mais exata, se Robert tem tanto ódio por Targaryens, então por quê motivos ele ainda não odeia a si próprio e a família?

–Eu não sabia...-Cersei falou debilmente

–Não são todos que tem a paciência necessária para ler um livro antigo e empoeirado chamado "As linhagens e histórias das Grandes Casas dos Sete Reinos, com descrições de muitos grandes senhores e nobres senhoras e de seus filhos" pelo Grande Meistre Malleon, uma leitura terrivelmente tediosa, mas isso não é o importante, o que vale por agora é que chegamos- A ruiva ajudou Cersei a desmontar e as duas se aproximaram cautelosas do cais.

Aquela hora somente os bordéis estavam funcionando, um navio mais afastado que os outros tinha uma fraca luz brilhando em seu interior, aquele provavelmente era o Capitão dos Mares, o navio do qual o marinheiro havia vindo, Nymeria andou na ponta dos pés e instruiu Cersei a imitá-la, as duas chegaram á beira do navio, a ruiva virou-se para a rainha e fez um sinal para ela esperar, a loira assentiu relutante.

Nymeria respirou fundo, odiava água, sentou na beirada do porto e escorregou silenciosamente para o mar gelado, ela estremeceu e nadou até a corrente da âncora, aonde segurou aquela ferrugem pura, suas mãos escorregavam um pouco, ela respirou fundo e prendeu os indicadores nos buracos da corrente, alternando a mão que a impulsionava para subir, as pernas se agarravam à corrente, ela subia lenta, mas firme, em certo e derradeiro momento levou um escorregão, seu coração parou momentaneamente e as mãos ficaram com os nós brancos de esforço, ela balançou-se e agarrou novamente a corrente com as pernas, agarrou-a por um momento e parou para se acalmar, continuou subindo, terminou e desceu para o convés hesitante, as mãos trêmulas.

Ele estava deserto e escuro, a moça pegou a tábua que supostamente servia como rampa de acesso e a estendeu para fora do barco, com um aceno pediu para a rainha subir, coisa que ela fez rapidamente, Nymeria recolheu a rampa e pediu silêncio com um gesto, Cersei estava com o coração acelerado, a adrenalina era tamanha que esquecia-se de quem era, parecia mais uma maltrapilha a descobrir as surpresas do cais.

A rainha viu sua dama de compainha avançar silenciosa como uma sombra, mortífera como uma víbora ela brandiu a faca enquanto tapava a boca do homem, cortou-lhe a garganta sem cerimônia e fez um sinal para que a loira avançasse, ela o fêz hesitante, as duas desceram as escadas e viram-se em um compartimento com algumas mercadorias:

–São tapedes de Myr- Cersei falou em sussurro, ela reconheceria em qualquer lugar, ela e Jaime se divertiam inventado histórias sobre as criações dos tapetes, cavleiros, dragões, gêmeos Lannister descobrindo o mundo e lutando contra todos, sempre vencendo...

–Majestade- Nymeria sussurrou chamando a loira de seu devaneio- Eles não estão aqui, não teremos muito tempo a mais...

–Certo- Cersei assentiu, já sentia saudade do gêmeo, Jaime era o guerreiro, ela era só a princesa resgatada no final.

As duas subiram as escadas e se aproximaram da porta que levava à cabine do capitão, a ruiva pegou o punhal e arrombou a porta silenciosamente, Cersei hesitou quando a ruiva a perguntou se tinha certeza que queria fazer aquilo, ela queria? Agora que tudo estava ali na sua frente ela parava realmente para pensar, para que ela queria pegar Robert no flagrante? Vingança? Não teria sido melhor simplesmente ter sido fodida por Jaime? Seria mais prazeroso... A ruiva cutucou Cersei levemente, a loira assentiu, ela já estava ali, não iria hesitar na frente da moça.

Nymeria a encarou com aquelas orbes castanhas, Cersei se perguntava como olhos tão comuns poderiam ser tão diferentes, pareciam... Animais? Com uma ferocidade contida, como um animal selvagem usando uma coleira, simplesmente estranho. Cersei respirou fundo, ela fez um risco imaginário no pescoço com a mão e apontou para a porta, a ruiva assentiu e adentrou a porta que quando aberta revelou os ruídos asquerosos que fluíam de seu interior, gemidos e berros, além de um odor nauseante de vinho e suor misturados.

Ela fechou os olhos e respirou fundo novamente, todo aquele odor encheu seu pulmão e o ódio consumiu-a, o punho fechou-se e tremeu, só queria ver o cadáver daquela puta nova do seu marido, queria ele estraçalhado.

Enquanto isso Nymeria escondia o punhal e afastava as sedas que tampavam sua visão, Robert e uma mulher qualquer estavam risonhos e vermelhos, o rei muito mais que a mulher, provavelmente por conta das milhares de garrafas de vinho que estavam vazias do lado da cama... A ruiva se aproximou e ajoelhou atrás de uma mesa próxima à cama, ela tateou e pegou uma faca de peixe, um sorriso brotou em seus lábios, ela aguardou, Robert estava semiconsciente, a mulher estava sorridente, provavelmente mais uma vítima do rei,Nymeria sabia como ele fazia, seu dono a havia treinado, ela segurou uma lágrima, mas não por muito tempo, chorou silenciosamente enquanto esticava o braço e lançava a faca.

O fato de uma vida se esvair com aquele movimento simples era patético e injusto, mas não deveria ser considerado no momento, a ruiva viu a faca atingir o pescoço da mulher e suspirou, como o rei não percebeu ela nunca saberia, talvez a bebedeira fosse maior que a visão, o fato importante é que ele não percebeu nada, Nymeria levantou-se e aproximou-se do cadáver, o Rei já roncava quando ela finalmente arrastou o corpo para fora da cabine, Cersei a esperava com seu olhar penetrante, a loira não esboçou reação, só permaneceu ereta e com a face indecifrável, a rainha saiu do barco pela rampa colocada pela ruiva que também teve de rolar o cadáver pela mesma rampa, depois recolheu-a e saiu do barco pulando na água que tanto temia.

Saiu encharcada de novo, tremendo por conta da água gelada que penetrava nos ossos, ela arrumou o lenço que escondia seus traços animais e sorriu para a rainha que estava parada ao lado do cadáver, com um olhar silencioso a ruiva já soube o que fazer, arrastou a prostituta sem vida pelas vielas desertas da cidade e largou-a em um beco sem saída, depois disso voltou correndo para a loira que a esperava imóvel.

Cersei havia visto demais para um só dia, tinha provado poder, adrenalina, fragilidade e desespero na mesma mordida, essa mistura de sabores estava amargamente doce em sua boca, era inebriante de tão bom e mortal de tão doloroso, tudo junto e misturado, as duas subiram nos cavalos e foram à Fortaleza Vermelha onde a loira finalmente dirigiu a palavra à ruiva:

– Você está chorando... -A rainha observou ao ouvir um soluço da ruiva que cobria o rosto com os cabelos- Por quê?

–Não tem sentido matarmos a puta de Robert, devíamos matar logo ele e não quem ele paga para serví-lo...

–Bem, creio que matá-lo não seja viável, fora que elas fazem isso porquê querem e...

–Nada disso, Majestade, desculpe, mas elas não fazem isso por desejo, fazem isso por necessidade absurda de dinheiro, fora que viver pelas ruas daqui e ser uma mulher é dificil, você acaba estuprada recebendo dinheiro por isso ou não, é uma batalha por dia para manter-se viva e virgem.

–A pureza é...

–Pureza?- A ruiva perguntou soltando uma gargalhada que provocou um arrepio na nuca da rainha- Não existe essa palavra no vocabulário da sociedade fora dos portões da Fortaleza, minha rainha, não se iluda com tão pouca coisa, precisa ver a situação do povo que governa se quiser que eles te aprovem plenamente um dia.

– O que quer dizer com isso?

–Ninguém contou-lhe sobre a infelicidade da população?- A ruiva perguntou com um sorriso de canto

–Não é isso, a população pode fazer o que bem entender

–Mas ela é quem paga impostos, que sustentam Vossa Majestade

–Sem política agora, mas diga-me o que Pelos Sete a puta de Robert tem a ver com isso- A loira disse já impaciente

–Bem, ela é só mais uma vítima da sociedade, sem dinheiro, tornou-se prostituta e um de seus clientes foi o rei...

–E esse foi erro de sua vida, fim da história- Cersei completou ríspida

– Agora, vai pra seja lá onde você fique, eu vou para meus aposentos

–Deseja me ver amanhã?

–Obviamente- A loira falou arqueando uma sobrancelha

– O que faria se eu não precisasse de você?

–Atenderia os pedidos de outras pessoas- Aquele comentário pareceu inflamar a ira da rainha, o verde antes nebuloso agora faiscava

–Que outras pessoas?- Ela perguntou com os olhos transbordando de veneno

–Seu filho- A ruiva falou, Cersei cambaleou como se tivesse levado um murro

–O que meu filho iria querer de você?

–Com todo o respeito Vossa Alteza, ele quer me foder

Notas finais
E é isso, gostaram da resposta da Nymeria??? Eu amei *w* "com todo o respeito Vossa Alteza, ele quer me foder" hahaha eu amei escrever isso, mas foi dos diabos achar os dados e as árvores genealógicas... Os dados da família Baratheon estão corretos, ele realmente é descendente de um Targaryen... Próximo capítulo é da Fancy!!!!!!!!! AAAAAAAHHHHHHHH to tão feliz *w* E desculpem a demora, comentem por favor!!!!!!