Raposa

18 E o que pretendia?


Notas iniciais
Demorei, aliás, sempre demoro, mas aqui está, aproveitem

O prato de caviar repousava intocado em frente à rainha, Cersei olhava descrente para o filho que conversava com o fantoche da rainha, Joffrey estava provando o que Nymeria havia dito na última noite para a rainha, a ruiva estava trajando um vestido leve de seda bege que era preso no pescoço e ajustado na cintura por um cinto de bronze, as costas ficavam desnudas, os pés eram semi cobertos por sandálias que emolduravam os calcanhares finos da moça, o vestido raspava levemente no chão, as mechas ruivas estavam presas por uma fita vermelha que cobria as orelhas animalescas, as bochechas levemente coradas estimulavam o ríncipe a se atrever cada vez mais, Cersei pigarreou:

–Joff, como está o caviar?- Perguntou com cortesia forçada

–Eu não provei o caviar- O loiro respondeu com um tom enojado- Preferi as torradas e ovos de faisão, estão muito bem temperados, não acha milady?- Ele perguntou para a ruiva que sorriu minimamente

–Vossa Alteza, não tive a oportunidade de provar tal iguaria- Ela respondeu baixo, Cersei se desligou da conversa, Joffrey fazia a moça provar o desjejum e tecia ricos comentários sobre cada prato, a rainha estava desconcertada, seu filho estava se engraçando com seu fantoche na sua frente

Mas o que ela perderia se mandasse Nymeria corresponder aos gracejos do filho? Ela continuaria tendo a moça em seu poder e ainda teria Joffrey para ocupá-la e evitar que a ruiva desse com a língua nos dentes, por quê não? Ela olhou longamente para a jovem que compreendeu e pareceu murchar, a rainha por fim se retirou com a desculpa de ter um compromisso. Joffrey esperou ouvir a porta bater e puxou a jovem para porta contrária:

–Vamos andar pelo jardim- Ele falou, não foi uma pergunta, não foi uma sugestão, foi uma ordem, Nymeria concordou com um sorriso o que animou ainda mais o príncipe

O loiro correu com ela por entre os arbustos, ela se escondia e o deixava procurar, os risos se perdiam no ar, ele a perseguia em um labirinto de cercas vivas, acabou por pegá-la em uma dessas perseguições e segurou sua cintura firmemente, o príncipe levantou o rosto da moça o suficiente para ver seus olhos que o fazia ser inundado de luxúria, puxou levemente o rosto da mesma e a beijou, um sentimento de triunfo tomou conta de seu corpo, finalmente beijava a criada da mãe, e pelos Sete! Que lábios macios e doces, ela mordia os lábios do príncipe e mexia nos cachos loiros dele que a apertava contra si, passeava as mãos pelas costas desnudas da jovem, ele beijou o pescoço de Nymeria que pareceu ronronar em seus braços:

–Por que és tão deliciosa?- Ele perguntou em um sussurro

–São seus olhos que são bondosos- Ela respondeu baixo, Joffrey desceu a mão para apertar a bunda ruiva que soltou um gritinho discreto- Majestade, não creio que esse seja o melhor lugar para tal ação...

–Bobagem, eu faço o que quiser e eles são obrigados a calarem a boca- Ele respondeu apoiando a cabeça nos seios ainda cobertos pelo vestido da jovem- Tão macios- Falou com a voz abafada pelo tecido

–Meu príncipe- Nymeria chamou enquanto acariciava o cabelo loiro de Joffrey- Por favor- Ele levantou a cabeça e fitou seus olhos longamente

–Tudo bem- Soltou em um suspiro, ela sorriu e o beijou demoradamente

–Obrigada Alteza, tenho que ir- Ela anunciou recebendo um tapa na bunda logo em seguida

–Vai voltar?- Ele perguntou sorrindo de forma sacana, ela concordou com a cabeça- Ótimo, se não fosse retornar eu mandaria os guardas para lhe capturarem- Ele terminou sorrindo e se afastando

–Pelos Sete Infernos- Ela praguejou entrando no castelo, rumava para os aposentos de seu dono, não demorou muito tempo, logo ele a estapeava por tê-lo deixado esperando quando sua ordem fora clara

–De qualquer forma- Ele falou puxando o cabelo ruivo da moça e a forçando à olhá-lo, ela sentia o couro cabeludo arder e as lágrimas se acumulavam em seus olhos- Vai me fazer um favorzinho hoje á noite, dois na verdade...

–Quais seriam?- Ela balbulciou contra a dor

–Primeiro, vai se certificar de que ninguém seguirá Lisa Tully quando ela se encaminhar ao bordel em que estarei hoje à noite

–Já conseguiu as Lágrimas de Lys?

–Evidente que sim- Ele respondeu a soltando e sorrindo- Segundo, Joffrey querer-lhe-á na cama, certifique-se de não atender seus pedidos

–Mas a rainha quer que eu o faça

–Não creio que o anão queira... Peça a ajuda de Tyrion, quem sabe a de Varys, não ligo, só arranje um jeito, você não é burra, agora vá logo embora, esta sua cara de piedade está me deixando irritado

–Como preferir senhor- Ela respondeu se levantando, mas antes de sair ele a puxou e a beijou

–Se você deixar ele te tocar, ele morre

–E o que eu perderia nisso?- Ela respondeu sussurrando -Acredite minha querida, você perderá muito- Ele retrucou selando seus lábios novamente, depois a empurrou

Ela seguiu para os aposentos da rainha, a fala de seu dono rondava seu âmago, Cersei estava sentada tomando uma taça de vinho, Nymeria nem se espantou, a rainha era tão previsível quanto o horário da missa:

–Você e Joff...- Ela falou agitando a taça para misturar o vinho

–Nada aconteceu- A ruiva respondeu cortando a rainha

–E os Targaryen ainda existem- Cersei rebateu sorrindo

–Majestade, se me permite dar as informações que preciso...

–Fale logo e suma daqui, não sou como meu filho, não aguento um cachorro me seguindo e latindo por atenção

–Pois bem, o rei não verteu uma única sílaba sobre sua aventura de ontem

–Seria raro se ele ao menos lembrasse- Cersei falou colocando mais vinho em sua taça

–Os rumores sobre a senhora continuam com mesma intensidade...

–Não dou a mínima atenção para o que os desocupados fofocam- A ruiva segurou um rolar de olhos, por quê ser tão ignorante?

–Hoje à noite precisará de mim?

–Não, tenho planos melhores, suma da minha vista- A loira soltou e fuzilou a ruiva com os olhos, esta caminhou para fora, tinha que ver Jon Arryn, ele não poderia suspeitar da ausência de sua esposa

Passou pela sala do Trono, para ela era sempre assustador ver aquele amontoado de espadas, sentia o sangue gelar o que só piorou quando percebeu que não estava sozinha no Salão, a pior pessoa que poderia encontrar, ele caminhou calmamente com um sorriso indecifrável no rosto, porquê sempre assim? Sempre parecia imponente, imponente demais para um velho... Lá estava Jon Arryn, Senhor do Vale, Mão do Rei, pai de uma criança enfermiça, marido de uma Tully louca, o terror de Nymeria, pelo menos um dos:

–Senhor- Ela falou em uma breve reverência, os Arryn eram conhecidos por serem convencidos, ele balançou a mão para que ela levantasse

–O que faz aqui?- Ele foi direto, direto demais para o gosto da ruiva, Jon Arryn estava... Nervoso? O que havia o deixado tão tenso? Ela sabia de suas recentes investigações, mas teriam elas o deixado tão ansioso?

–Estava me encaminhando para a cozinha senhor- Ela respondeu calmamente- A rainha pediu-me algo para abrir o apetite para o almoço

–Cersei pediu-lhe tal coisa?- Ele não havia mordido a isca- Nós dois sabemos que isso não é do feitio dela...

–Senhor?- Nymeria fez-se de desentendida

–Vou perguntar mais uma vez senhorita, o que faz aqui?- Ele tornou a questionar dessa vez a fuzilando com o olhar, a moça permaneceu com a expressão de dúvida, o terror consumia seu interior, o homem achava que era um bom jogador... Será de fato tão bom?

Notas finais
E então??? O que a ruiva vai fazer??? Como se livrar de Jon Arryn??? E como ignorar Joffrey???? Reviews galeraaa