Raposa
15 Dividida profundamente
Notas iniciais
Ela cobriu o rosto e se encolheu no chão quando a porta se abriu, a pessoa soltou um arquejo e deu passos vacilantes para uma Fancy encolhida e soluçante, ela sentiu quando braços fortes e reconfortantes a envolveram por trás, a cabeça do visitante repousou em seu ombro e ela sorriu em meio as lágrimas que haviam recomeçado a cair, o jovem sussurrou em seu ouvido fazendo-a arrepiar:
–Por que estás assim minha princesa do inverno?
–Eu...- A voz da meio ruiva falhava, como ele podia continuar sendo gentil depois do que ela fez?- Peço que me desculpe por hoje de manhã- Ela disse se encolhendo um pouco mais
–O erro foi meu Fancy, sou seu irmão, não deveria...- A moça virou-se e colocou o indicador sob os lábios finos do irmão
–Robb, não se culpe por tudo- O ruivo afastou gentilmente a mão da irmã que o mantia calado- Eu não deveria ter ficado tão horrorizada
–Você fez o que era certo- Ele assegurou sorrindo fracamente- E esqueceu sua capa- Robb colocou a capa da irmã sobre seus ombros tensos
–Por que és tão gentil comigo?- Ela perguntou procurando razão com seus olhos amendoados e com um brilho de tristeza
–Porque você é minha caçula- Ele disse sorrindo de canto e ajudando a irmã a se levantar
–Eu não sou caçula!- Ela respondeu rindo- Sou sua gêmea!
–Mas eu nasci primeiro- O ruivo explicou gargalhando
–Não vou ficar gastando minha voz com isso- A moça disse desviando o olhar sorridente do irmão
–Ah é mesmo, você vai cantar hoje, que bonitinha- Robb falava em um tom de deboche, mas logo sua voz tornou-se melancólica enquanto sua mão acariava a pele de porcelana da gêmea- Pode me dizer por quê estava tão triste?
–A senhora nossa mãe não respeita Jon assim como eu não respeitava, eu sinto tanto por isso Robb, ele sofre e continua aparentando alegria perto dos que uma vez o rejeitaram- Instintivamente as pequenas mãos da moça tocaram seus próprios lábios lembrando-se de mais cedo
–Fancy?- O irmão tentava fazê-la continuar a história, mas a gêmea virou-se para ele com os olhos brilhando de um jeito diferente- O que você tem...?
–Desculpe Robb- Ela sussurrou enquanto ficava na ponta dos pés, o ruivo balbuciou algo inteligível
Fancy roçou os lábios na boca do irmão gêmeo que arregalou os olhos, mas logo cedeu e envolveu a cintura da moça que retribui passando os braços pelo pescoço do ruivo que aprofundou o beijo, a meio ruiva sentia-se infinitamente tomada por estímulos elétricos que percorriam seu corpo conforme movimentava sua boca em perfeita sicronia com a do irmão, ela sentia sua cintura ser apertada e enterrava os dedos nos cachos ruivos do irmão, talvez o beijo tenha sido longo, talvez tenha sido curto, mas concerteza foi prazeroso. Os dois se separaram com custo:
–Por que fez isso?- Robb perguntou como uma criança que havia ganhado a corrida
–Eu gosto de você Robb- A moça sussurrou de volta
–E eu amo você minha irmãzinha- Ele disse beijando o topo da cabeça dela- Mas não podemos fazer isso
–É só fazer escondido- A meio ruiva respondeu rindo, ela puxou o ruivo pelo colarinho e o beijou
–Pedindo desta maneira...
+Enquanto isso no Bosque Sagrado+
O bastardo poderia estar, na verdade ele deveria estar treinando com a espada, mas lá estava ele, sentado no mesmo lugar em que conseguira falar com Fancy pela primeira vez, ainda doía lembrar daquilo e agora saber que ela havia o beijado por diversão, sem compromissos, ela não o queria da mesma maneira que ele a queria...
Além disso ele fingia não saber, mas a paixão de Robb não era mais fraternal em relação à irmã, isso era óbvio para alguém que se contentava em apenas observar, isso machucava Jon e machucava muito, seu irmão e melhor amigo gostando da irmã de ambos e ela provavelmente corresponderia ou será que simplesmente confundiria os sentimentos? Ele não ligava, qualquer coisa o machucaria, qualquer coisa menos o que aconteceu:
–JON!- Uma voz esganiçada o chamava, logo sua dona irrompeu correndo em sua direção
–Arya- Ele disse realmente surpreso- O que faz aqui?
–Você está sozinho- Ela disse como se fosse motivo suficiente, na verdade era um motivo ótimo para o bastardo que limitou-se a sorrir e conter as lágrimas- Quer construir um boneco de neve?
–Eu adoraria baixinha- Ele disse bagunçando os cabelos da meio irmã e começando a juntar um monte de neve
Arya era toda sorrisos, os dois se entendiam, os dois eram um tanto quanto renegados, o bastardo de Ned Stark atirava bolas de neve em Arya Cara-de-Cavalo, ela fez um forte de neve nem tão forte assim, Jon acabou caindo e com isso destruindo o forte que era fraco, Arya começou a jogar neve no meio irmão que gargalhava e tentava se erguer em meio à neve que o envolvia como um cobertor espesso.
Em um momento Bran e Rickon se juntaram à brincadeira, todos sorriam e se sujavam, pelo menos até Sansa chegar, para variar ela tinha os cabelos ruivos brilhando e sedosos, as roupas impecáveis, Arya torceu o nariz e puxou Jon pela capa para sussurrar-lhe:
–Dá sentir o fedor de perfeição á quilômetros- Jon concordou sorrindo
–A senhorita perfeita quer que a gente se arrume para o Septo- Bran disse tristonho, Rickon ainda brincava com um boneco de neve, Bran suspirou e continuou- Ela não conhece a gente, mas se acha tão superior...
–Mas Fancy é superior a ela- Arya disse convencida- Fancy é a próxima na linha de sucessão
–Depois de Robb- Jon lembrou taciturno- Os homens tem a preferência
–Fancy sempre odiou essa regra- Bran falou sorrindo- Ela sempre resmungou sobre como gostaria de saber usar uma espada, ela me ajuda a treinar de vez em quando, tanto na espada quanto no arco...
–Como ninguém sabe?- Jon perguntou arqueando uma sobrancelha
–Eu também quero!- Arya falou aumentando o tom de voz de repente
Bran se limitou a sorrir e dar de ombros, depois saiu em direção ao castelo, Jon pensou sobre seu meio irmão, Bran Stark provavelmente era o sonhador da família, mas ele tinha os pés no chão, não literalmente, mas ele sabia o seu lugar, sabia não chamar atenção, Jon gostaria de saber fazer isso, mas sempre que ele tentava se esconder ou ser esquecido parecia que as pessoas lembravam do fato de ele ser bastardo.
Sansa entrou no Bosque Sagrado como uma Lady, uma dama frescurenta e nojenta, o nariz arrebitado com arrogância, diferente de Fancy que tinha o nariz arrebitado com orgulho e sempre de forma travessa... Jon sacudiu a cabeça, estava começando a se irritar com essa paixonite:
–Sansa- Jon falou de forma respeitosa e recebeu um olhar fulminante de Arya, ele sorriu
–Jon- Sansa falou com frieza como se tivesse nojo de dirigir mais palavras à ele, Jon entendia, Sansa falava e agia como uma segunda Catelyn, uma enjoativa e jovem Lady Catelyn
–Veio brincar?- Arya falou sorrindo de canto com a possibilidade impossível
–Uma Lady não brinca- Sansa disse empinando ainda mais o nariz- Principalmente com esse tipo de pessoa
–Esse tipo de pessoa?- Arya falou ressentida, ela tomava as dores do meio irmão, tudo o que mais queria era voar na cara daquela ruiva asquerosa que tinha que chamar de irmã
–Qualquer dia você ainda esbarra em uma árvore- Uma voz divertida soou na entrada do bosque, Sansa virou-se e viu a irmã mais velha apoiada no muro- E nesse dia, minha querida irmã, eu vou rir da sua cara
–Não me importo- Sansa respondeu- Você vai estar sendo uma criança e não uma Lady, diferente de mim
–Sinceramente?- Fancy perguntou e todos olharam para ela que fingiu vomitar enquanto girava os olhos provocando gargalhadas em todos, menos em Sansa
–Você é nojenta Fancy
–Antes nojenta do que fantoche- Fancy falou cruzando os braços e se aproximando de Arya
–Sempre com entradas triunfais né Fancy?- A irmã menor perguntou e recebeu um olhar divertido da mais velha
–Fazer o que?- Fancy deu de ombros- Agora, temos que nos arrumar para ir no Septo
–Mas...- Arya suplicou para a meio ruiva que negou com a cabeça- Tudo bem, mas eu vou voltar depois Jon!- Ela disse correndo para o castelo enquanto acenava desajeitada para o bastardo que sorria tenramente
–Você também pode ir Fancy- Sansa observou torcendo o nariz para Jon que ignorou o fato
–Você também Sansa e pode levar o Rickon já que aparentemente eu não sou boa companhia- Fancy falou lembrando-se do que Catelyn tinha falado sobre ela ficar com Rickon
–Você estraga até um bastardo- Sansa lançou raivosa, Fancy deu de ombros enquanto Jon corou
–Inveja é assim mesmo ruiva
–Antes ruiva do que ferrugem né irmã?- Sansa falou sabendo que atingira Fancy e então levou Rickon para o castelo a passos largos
–Aquela...- Fancy sussurrou cerrando os punhos, fechando os olhos e sacudindo a cabeça
–Esse apelido ainda te atinge?- Jon perguntou colocando as mãos sobre os ombros da meio ruiva que concordou com a cabeça- Mas é um apelido legal
–No começo era um apelido legal- Fancy corrigiu- Até eu ficar doente e os boatos começarem a se espalhar, boatos de que o apelido significa que eu sou precoce e não merecedora do trono, que eu vou morrer jovem e acabada, ferrugem...
–E você liga? VOCÊ?- Jon perguntou sorrindo, a moça sorriu tristonha e meneou a cabeça
–Não dá pra ignorar pra sempre, você mais do que ninguém, sabe disso
–Eu sei- Jon disse a abraçando, sentia a meio irmã e sua fragilidade, ele beijou o topo de sua cabeça e a apertou em seus braços- Sei muito bem
–Jon, desculpe por tudo que eu te fiz- Fancy soltou em um arquejo abafado pela capa do bastardo- Eu fui tola o suficiente para crer nas palavras venenosas de minha mãe
–Quem não acreditaria? Você é a filha dela, a mais velha, uma vez que você a abandonou nessa infantilidade, depois que se tornou minha amiga ela acolheu Sansa como seu cachorrinho treinado- Jon falou com o ressentimento pingando de cada palavra, as sobrancelhas quase unidas, formando uma expressão carrancuda
–Eu tenho que ir- Fancy falou em um sussurro, por mais que não admitisse, a meio ruiva ficava um tanto ressentida com os comentários de Jon, ela concordava em parte, mas não era como Arya, ela ainda amava a mãe e Sansa, claro que se irritava facilmente com as duas, mas ainda as amava e fazia questão de demonstrar tal coisa, ela largou Jon e afastou-se com os olhos naturalmente arregalados em uma tempestade visível- Cuidado com o que fala- Ela falou séria e se afastou lentamente para o castelo.
Enquanto a Stark mais velha caminhava rumo à sua tortura particular, Robb se contentava em encarar o teto do quarto, ele também teria que ir ao Septo como Stark e outras formalidades inúteis, mas seu principal interesse era ver a irmã cantar, não Sansa e aquela vozinha mandona de criança, mas a sua gêmea, o ruivo estava completamente perdido em pensamentos quando batidas discretas murmuraram contra a madeira, ele nem as ouviu pensando pertencer à alguém não importante, a pessoa que era escondida pela porta desistiu e seguiu para seu aposento, logicamente a pessoa era Fancy.
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