Raphaella Harmon: A Volta De Um Velho Inimigo

4 Percy e Eu Brigamos Porque Eu Explodi Um Javali


Notas iniciais
Eis o quarto capítulo! Bem está meio/muito grande, mas não liguem para isso. Eu passei por um momento de tremenda inspiração.
Vcs não sabem: eu estou apaixonada pela Ginny Weasley. Tipo, não, eu não sou lésbica, mas, sei lá, ela é tão divônica e perfeita!!!! AMO ela.
Que lésbico.
Bem, espero que vocês se divirtam.
Juro solenemente que não vou fazer nada de bom.

Camp Half-Blood; Anfiteatro; Quinta-Feira; 21:12 da noite;

Estávamos na fogueira. Discutíamos sobre o desaparecimento de Will, Lee e Jenna. Nós, filhos de Apolo, estávamos com uma raiva absurda disso, e queríamos sair para encontra-los, mas Quíron não permitia. Os filhos de Hefesto, que eram nossos amigos, nos apoiavam nessa discussão. Os filhos de Poseidon também (considerando que eram apenas Percy e Tyson). Os filhos de Atena diziam que deveríamos esperar, mas eu já havia esperado demais. De repente uma voz surgiu em minha cabeça. Era a voz de Jenna. E estava gritando e ecoando. Pressionei minhas pálpebras bem forte e esfreguei minhas têmporas, tentando afastar a dor.

Percy: Rapha, você está bem?

Abri meus olhos e olhei para ele. Bem rápido. Fechei quase imediatamente.

Eu: Acho que eles não estão bem.

Uma imagem se passou em minha mente: Jenna estava... caindo. Caindo na terra. Em um buraco. Como em meu sonho. Mantive os olhos fechados enquanto falava.

Eu: Eles não estão bem. Ou não estão, ou não vão estar. Algo vai acontecer ou está acontecendo.

Quíron: Você... está vendo isso?

Me levantei.

Eu: Ainda não. Não é uma visão mesmo. É só um vislumbre. – abri meus olhos. – Mas se vocês quiserem, posso tentar ver alguma coisa.

Quíron: Você se importa?

Eu: Não. Claro que não.

Fechei os olhos e me concentrei. Will, Lee, Jenna. Fiquei pensando isso. Um fio de calor se passou pela minha espinha. Eu esperava que Michael, Percy e Connor se lembrassem do treinamento de emergência para visões que tivemos. É o seguinte: se eu tivesse uma visão na presença de todos, Percy e Connor iriam me segurar e Michael buscaria um banco ou coisa parecida para mim me sentar.

Eu: Sim, eu vou ter uma visão agora mesmo.

E foi naquele mesmo segundo que meu corpo perdeu as forças. Senti duas pessoas me segurando e me carregando em seus braços, como se fossem balanças. Ou seja, eles se lembravam do treinamento. Eles me colocaram em um banquinho, conforme combinamos. Percy pegou a minha mão e eles ficaram segurando as minhas costas, para eu não cair. Senti minha pele formigando, e logo em seguida, congelando. Abri meus olhos e tudo escureceu.

Em minha visão, eu via uma TV em um canal que dizia que estávamos no dia 19 de junho, o que seria no dia seguinte. A visão foi descendo... e descendo... até ficarmos debaixo da terra. Sim, a visão me mostrava um túnel subterrâneo. E esse túnel descia... e descia... e descia... e descia... desceu uns 650 quilômetros. Lá no final, havia uma sala, escura, com uma lareira, uma estante cheia de livros, vários globos de neve e três cadeiras. Havia também muita névoa lá. Nas cadeiras, estavam amarrados e amordaçados meus irmãos Will, Lee e Jenna. Apertei a mão de Percy mais forte. Senti um nó na garganta. Alguma coisa na escuridão sibilou e riu.

Xx: Ora, ora, ora. Se não são três filhos de Apolo aqui para mim. Vocêsss seriam uma deliciosa refeição, mas, infelizmente, se vocês não estiverem aqui e vivos, eu não irei atrair a filha favorita dele. E eu quero que ele assista a morte lenta e dolorosa de vocês três e da alma dela. Quem sabe, aquele filho de Poseidon e os outros que virão com ela não dão um bom ensopado.

Aquilo tinha uma voz de... não sei. Uma voz metálica que dava um frio na espinha. Soava como as unhas de uma professora malvada arranhando a lousa. Soava como... a voz de uma cobra, se uma cobra tivesse de falar. No caso, a voz que eu tinha em grande parte das minhas visões em que Percy estava morto. O monstro riu entre sibilos e entrou no outro túnel que havia lá. Eu ouvi sua risada ecoando. Jenna mexeu a mão, com dificuldade, e tirou uma dracma do bolso. Ela olhou para Lee, que fez sim com a cabeça. Eu não entendi nada. Lee se jogou para trás, até cair e seus pés ficarem no alto. Com o pé, ele procurou alguma coisa na estante que estava ao seu lado. Seu pé encontrou um globo de neve, que ele puxou e derrubou no chão. A neve derreteu e virou água, que se misturou com a névoa e formou um arco-íris.

Jenna: Ó, Íris, deusa do arco-íris – falou ela, com dificuldade por causa da amordaça. – Por favor, aceite nossa oferenda.

Com dificuldade, ela jogou a dracma no arco-íris.

Jenna: Mostre-nos Quíron, no Acampamento Meio-Sangue.

O arco-íris tremeluziu e mostrou uma imagem de Quíron, com o arco armado na mão, pronto para atirar, nos campos de arco e flecha. Um pouco mais à frente, estava eu, pronta para atirar. A Eu da Mensagem de Íris se virou para trás e viu a imagem, imediatamente alertando a Quíron, que se virou e arregalou os olhos.

Quíron: Pelos deuses do Olimpo, o que aconteceu com vocês?

A Eu da Mensagem de Íris chegou mais perto deles.

Eu da Mensagem: Deuses, onde vocês estão? Acharam o Espírito? O que aconteceu? Vocês estão bem? Ah, Raphaella Harmon, claro que não estão!

Jenna: Calma, Rapha! Não nós não estamos bem. Nós achamos o Espírito, mas não temos como pegá-lo. Está junto com quem roubou.

Will: O problema foi que o ladrão nos sequestrou e nos prendeu, e aqui estamos. E nós ainda não sabemos quem é o anfitrião.

Eu entendia eles com dificuldade. As amordaças atrapalhavam tudo.

Eu da Mensagem: Onde está Lee?

Jenna: Aqui em baixo. Ele teve que chutar um globo de neve no alto de uma estante para fazermos o arco-íris. Não se preocupe. Está tão mal quanto nós dois.

Quíron: Onde vocês estão?

Jenna: Estamos em...

E foi naquele mesmo momento que a visão tremeluziu e tudo ficou branco.

Pisquei forte e eu estava de volta no Acampamento Meio-Sangue. Ainda na fogueira. Percy ainda segurava a minha mão esquerda e as minhas costas. Connor ainda estava ao meu lado direito, segurando o outro lado das minhas costas. Os campistas ainda estavam todos em seus lugares. Todos. Campista por campista, chalé por chalé.

Annabeth: Viu alguma coisa importante?

Eu: Ah, vi. Muitas coisas importantes.

Quíron: Nesse caso, sugiro que façamos uma reunião para discutir sobre isso.

Camp Half-Blood; Sala de recreação; Quinta-Feira; 21:58 da noite;

Sentamo-nos ao redor da mesa de ping-pong, como fazíamos nas reuniões. Quíron estava em sua cadeira de rodas. Todos os conselheiros-chefes dos chalés estavam lá.

Quíron: Então, diga, o que você viu?

Eu: Em minha visão, Will, Lee e Jenna estavam em uma sala após um túnel subterrâneo. O túnel desce 648 quilômetros. A entrada para esse túnel é no estacionamento de um edifício. Enfim, os três estavam amarrados a cadeiras e amordaçados. Então, uma voz vinha da escuridão. Essa voz dizia que só não comeria eles, porque eles seriam a isca para me atrair. – decidi deixar de fora a parte de que eu sou a filha preferida de Apolo. – Depois, a voz dizia que Apolo veria a morte e deles três, e da minha alma que seria lenta e dolorosa. E que o “filho de Poseidon” e os outros que viriam conosco dariam um ótimo ensopado.

Um silêncio se fez.

Quíron: Só isso?

Eu: Não. Depois, eles mandavam uma mensagem de Íris para você, que na hora estava comigo, e contavam onde estavam. Mas antes de eles contarem, a visão acabou.

Quíron franziu o lábio.

Quíron: Isso quer dizer que mais de três pessoas vão.

Eu: Provavelmente. É o que eu imagino.

Quíron: Isso não é bom. Desfaz o equilíbrio.

Eu: Sim, mas é o que acontecerá. Afinal, o que quer que tenha sido, roubou o Espírito de Delfos. Seja lá o que for, tem muito poder. Muito. Muito, muito. Eu

acho que precisaríamos, sim, de bastante gente.

Quíron: Ainda não concordo. Não estou muito seguro disso.

Eu: Ah, Quíron, qual é...

Percy: Espere. Então, isso é uma armadilha para te atrair, e você vai na direção da armadilha.

Encolhi os ombros.

Eu: É a opção. Quero meus irmãos de volta.

Quíron: E o que você sugere?

Eu: Hã... Annabeth?

Quando estava no Acampamento e tinha dúvidas, mesmo que fosse sobre a minha própria opinião, arrastava para Annabeth. Ela sabia tudo.

Annabeth: Sugiro que esperemos essa tal mensagem de Íris de Jenna. Você sabe a data disso, Rapha?

Eu: Amanhã.

Annabeth: Ótimo. Então, saberemos logo para onde devemos ir. Outra coisa: eu acho que deveríamos levar semideuses para tudo. Pelo menos, um filho de cada deus.

Eu: Tipo, Percy, Katie, Clarisse, você, eu, Charlie, Silena, Luke e... sei lá... Castor ou Pólux?

Annabeth: Sim, mas devemos decidir entre levar um filho de Deméter ou de Dioniso. Eles fazem quase a mesma coisa, e quanto menos gente for, menos gente se machuca.

Silena: Eu diria para levarmos um filho de Deméter. Eles são melhores, lidando com a natureza.

Pólux: Mas nós podemos fazer videiras crescerem.

Katie: Mas nós podemos fazer videiras, parreiras, oliveiras, margaridas, macieiras, madressilvas...

Eu: Gente, sem briga.

Charlie: Eu voto em levarmos um filho de Deméter.

Silena sorriu para ele.

Clarisse: Eu prefiro um filho de Dioniso.

Annabeth: Deméter.

Pólux: Dioniso.

Castor: Dioniso.

Katie: Preciso falar?

Connor: Eu prefiro Deméter.

Travis: Eu prefiro Dioniso. Na verdade, eu prefiro que me levem ao invés de Luke.

Connor: Eu também prefiro isso.

Percy: Deméter.

Todos olharam pra mim.

Eu: A votação já está encerrada. Deméter: 6. Dioniso: 4.

Annabeth: Mas você é a líder da missão. Você manda.

Travis e Connor: Seu voto vale por três.

Eu: Sem ofensa, mas eu escolho Deméter.

Katie e os outros que votaram em Deméter vibraram.

Quíron: Acalmem-se. Calma. Então, vamos esperar a mensagem de Íris, amanhã, e logo após isso, vocês sairão nessa missão. Irão: Percy, Katie, Clarisse, Annabeth, Rapha, Beckendorf, Silena... Connor ou Travis?

Connor: Eu!

Travis: Eu!

Eu: Luke.

Travis e Connor: Ah...

Quíron: ... e Luke. Deixem suas malas prontas. Agora, vão dormir. Está tarde.

Eu: São dez da noite. Não está tão tarde assim.

Quíron: Mas está tarde. Eu tocarei a trombeta de concha quando receber a mensagem, e todos devem subir para a colina, já com as coisas.

Nos levantamos e fomos embora. Cada um para seu chalé.

Percy foi até a porta do meu comigo.

Eu: Você quer ir? Só falo, meus irmãos não gostam muito de você.

Percy: Eu quero ir. Missões são bem legais. E qualquer lugar para onde você for, eu vou junto.

Eu: Você é um amor.

Percy: Você devia ser a deusa da perfeição.

Eu: Na verdade, Apolo é. Eu sou a semideusa da perfeição.

Percy: É quase a mesma coisa.

Dei um beijo nele.

Eu: Esteja pronto.

Percy: Estarei.

E ele foi para o chalé dele. Entrei no meu, coloquei um pijama e fui dormir. Meus outros irmãos já estavam dormindo. Deitei em minha cama, e no mesmo segundo em que fechei o olho, eu dormi.

Em meu sonho, Lee, Will e Jenna estavam andando no túnel em que caíram. Parecia até que eles estavam descendo. Na verdade, estavam. Haviam degraus lá. Eles estavam descendo uma escada. E... haviam botões lá. Eles andaram/desceram uns... 25 metros. Até chegarem em uma sala. Aquela sala. A sala da visão.

Jenna: Uau. Até que não é uma má opção para se viver.

Lee: Os monstros ficam no subterrâneo, sua burra.

Jenna: Eu quis dizer para um mortal, seu trouxa.

Lee: Trouxa é você.

Jenna: Cale a boca! Eu sou a mais velha aqui. Você me deve respeito!

Lee: E não te devo nada!

Will: Gente, chega! Isso não pode estar certo.

E foi naquele momento que oito mulheres surgiram da parte escura da sala. É... meio mulheres. Porque as pernas delas eram... cobras. Sério. Meio mulheres meio cobras. Elas apontaram as lanças para os meus irmãos, que prepararam os seus arcos. Os três soltaram flechas fazendo três das mulheres-cobra (dracaena é o nome delas) virarem pó. E mais quatro dracaenae surgiram atrás deles, e deram pancadas nas cabeças deles, fazendo-os desmaiarem. A Voz da Escuridão falou.

Voz: Hum... trêsss filhoss de Apolo. Mas nenhum deless é a escolhida.

Dracaena: Masss minha sssenhora, um delessss é menina.

Voz: MASSSS NÃO É A FILHA PREFERIDA DE APOLO, SSSSESSS, SSSSUA BURRA!

A dracaena que se chamava Sess se encolheu.

Voz: A preferida é a que ssse chama Raphaella Harmon. Ela virá. Já esstá se preparando para issso. E ela trará uma boa refeição para nós. Vamosss essssperar. DROGA! EU ODEIO QUANDO ACABO SSSIBILANDO!

Meu sonho tremeluziu e tudo escureceu.

Abri os olhos. Eu estava de volta em meu chalé. O dia estava amanhecendo. E eu nem podia acordar Jenna para falar com ela. Algo a capturara. Me levantei e decidi preparar minha mala para a missão. Coloquei roupas, néctar, ambrosia, 3 dracmas, U$100,00 em dinheiro de mortais, sanduíches de peito de peru, algumas ataduras (para o caso de ferimentos) e o remédio dos mortais mais popular que existe: Merthiolate. Depois de deixar a mala pronta, eu não tinha mais o que fazer até a hora do café da manhã. Decidi dormir de novo. Mais tarde, alguém acordaria. Então eu pensei: “Como eu sou burra. Por que diabos nunca voltei a dormir?” Enfim, dormi de novo. Sabe com que eu sonhei? Com Percy dormindo. Muito sério. Queria sonhar com isso todos os dias. Depois, Michael me acordou. Fomos para o café da manhã. O que me surpreendeu foi que o café era frutas com torrada e mel e waffles com manteiga. Fora a parte dos waffles, foi exatamente o que Quíron e eu combinamos que Percy comeria. E então, tiveram as inspeções do chalé. Pelo que eu soube, nós ficamos com quatro. Depois, eu tinha aula de grego antigo, com Annabeth. Me encontrei com ela, na varanda da Casa Grande, onde ela costumava me ensinar a falar grego. Ela estava sentada em uma cadeira. E havia uma ao lado dela.

Eu: Aqui estou.

Ela se virou para mim.

Annabeth: Posso ver.

Me sentei ao lado dela.

Eu: E então... fez as malas?

Ela fez que sim com a cabeça.

Eu: E Luke? Ele... ele está pronto? Ele sabe da missão?

Annabeth: Sim, ele sabe e ele está. Luke está sempre pronto.

Sorri. Eu gostava de ver Annabeth feliz. Quando comecei a gostar de Percy, fiquei com medo de a gente dar certo e ela ficar magoada comigo. Eu realmente gosto da amizade de Annabeth e não queria perde-la.

Eu: Hã... Annabeth?

Annabeth: Sim?

Eu: Você é feliz com Luke? Feliz, tipo, mesmo?

Annabeth: Sou. Por que a pergunta?

Eu: Você gosta de Luke há quanto tempo?

Annabeth: Dez anos.

Eu: Desde os sete?

Annabeth: Desde os sete. Mas por que você quer saber isso?

Eu: Ah... nada. Pura curiosidade.

Annabeth: Ok. Essa eu vou deixar passar. Mas da próxima, eu quero uma explicação melhor. Agora, comecemos!

Eu: Claro!

E então, estudamos, estudamos e estudamos. Eu já era quase uma poliglota, considerando que há alguns anos, eu aprendi a falar espanhol e francês. Como? Em livros. Muitos livros. Depois da fantástica aula de grego antigo com Annabeth, fui para os campos de arco e flecha. Não podia mais esperar. Queria logo essa mensagem de Íris, nem que eu tivesse de ficar lá o dia todo. Lá, Quíron me ensinou mais técnicas para sempre acertar o alvo, apenas com a força necessária. Ele me ensinou a calcular a velocidade do vento, para dias de vento forte, me ensinou a fazer vários truques e showzinhos, também. Depois de um tempo, estávamos na pura simplicidade, fazendo um clássico atiramento de flecha, juntos. Eu armei Ópera. Quíron armou o arco dele também. Eu gostava de ver Quíron armado. Ele me lembrava... a mim. Somos parecidos nessa arte de tiro com arco. Olhei para trás, para vê-lo armado e eu vi. O momento havia chegado. A mensagem de Íris estava atrás de Quíron.

Eu: QUÍRON! OLHE PARA TRÁS!

Ele olhou e viu a mensagem de Íris, onde Jenna e Will apareciam amarrados e amordaçados.

Quíron: Pelos deuses do Olimpo, o que aconteceu com vocês?

Cheguei mais perto deles. Da mensagem, digo.

Eu: Deuses, onde vocês estão? Acharam o Espírito? O que aconteceu? Vocês estão bem? Ah, Raphaella Harmon, claro que não estão!

Bati em minha própria testa.

Jenna: Calma, Rapha! Não nós não estamos bem. Nós achamos o Espírito, mas não temos como pegá-lo. Está junto com quem roubou.

Will: O problema foi que o ladrão nos sequestrou e nos prendeu, e aqui estamos. E nós ainda não sabemos quem é o anfitrião.

Eu entendia eles com dificuldade. Suas vozes estavam abafadas. Ah, amordaças...

Eu: Onde está Lee?

Jenna: Aqui em baixo. Ele teve que chutar um globo de neve no alto de uma estante para fazermos o arco-íris. Não se preocupe. Está tão mal quanto nós dois.

Quíron: Onde vocês estão?

Jenna: Estamos em Bangor, no Maine. Há um hospital. St. Joseph Hospital. Nesse hospital tem um estacionamento. No estacionamento, há um buraco, que dá em um túnel de 648 quilômetros. No final do túnel, há uma sala. Nós estamos nessa sala.

Eu: Jenna... – Meu coração parou. Não podia ver meus irmão naquela situação. – Prometo que eu vou tirar vocês daí. E nós vamos recuperar o Espírito de Delfos, juntos. Todos nós. Estou indo.

Jenna: Não! Não venha! Seja lá o que for que nos capturou, quer que você venha.

Eu: Então, eu vou dar a isso aí que capturou vocês o que ele quer.

Will: Não, Raphaella, não venha! Eu te proíbo!

Eu: Vocês não podem decidir por mim.

Passei a mão na mensagem de Íris deles, fazendo-os desaparecer.

Eu: O que você acha? Devemos ir na van do Delphi Strawberry Service, ou Argos nos deixará em... sei lá... alguma estação de trem ou coisa do tipo?

Quíron: Acho melhor todos irem na van. Luke pode dirigir.

Eu: Percy e eu sabemos dirigir. Podemos revezar.

Quíron: Nesse caso... convoque todos os que achar imediatamente.

Eu: Ok.

E fui andando rápido para o meu chalé. No caminho, me encontrei com Katie, Charlie e Silena, e Clarisse, e avisei a todos para se prepararem e subirem a colina. Quíron tocou a trombeta de concha, avisando a todos o que fazer. Peguei minha nova aljava e a minha mala que eu havia deixado pronta. Eu finalmente teria a oportunidade de testar a aljava. Também peguei minha aljava clássica e prendi à minha coxa. E claro, fechei-a, para os mortais não verem as flechas. Teria muitas flechas para qualquer emergência. Fui para a Colina Meio-Sangue e a subi. Clarisse, Annabeth e Charlie já estavam lá.

Eu: No momento em que a gente entrar naquela van, não terá mais volta. É agora ou nunca para se decidir.

Annabeth: Você vai falar isso em todas as suas missões?

Eu: Vou. E você?

Annabeth: Eu vou. Não só vou te responder em todas as suas missões, como eu vou em todas as suas missões.

Eu: Ótimo.

Olhei para Charlie.

Charlie: Eu vou. Sem dúvida. Mexeram com meus amigos, mexeram comigo.

Eu: Legal, mas isso fica muito piegas. Clarisse?

Clarisse: Você não vai ficar com a diversão toda, Harmon. Eu vou, nem que eu tenha que te obrigar a me levar.

Eu: Esse é o espírito da coisa.

Foi quando Katie chegou.

Katie: O que estamos discutindo?

Eu: O quanto eu sou chata. Você tem certeza de que vai? Depois que entrarmos naquela van, não tem mais volta.

Katie: Eu tenho. Pare de falar isso!

Percy subiu.

Percy: Ela está fazendo aquele mesmo discurso clichê de quem tem ou não certeza de que vai, não está?

Todos: Arrã.

Percy: Nem me pergunte. Eu vou.

Eu: Quem está faltando?

Annabeth: Luke.

Charlie: E Silena.

E Luke subiu a colina.

Luke: Vamos?

Eu: Sile ainda não chegou.

Luke: Hum.

E ficamos esperando... por uns 5 minutos.

Eu: Ser filho de Afrodite deve ser um negócio fogo, hein?

Todos assentiram. E foi quando Silena chegou.

Silena: O que estamos esperando?

Eu: Você. Vamos!

Entramos na van do Delphi Strawberry Service. Mas entramos todos atrás.

Eu: Hã... alguém precisa dirigir, vocês não acham?

Percy: Ah, eu...

Luke: Eu posso.

Percy: Eu também.

Eu: Fique aqui comigo um pouquinho.

Agarrei o braço de Percy e dei um beijinho nele.

Percy: Luke, você pode dirigir?

Luke piscou e pulou pro banco da frente.

Eu: Annabeth, você pode ir na frente com ele, se quiser.

Ela encolheu os ombros e pulou pro banco ao lado de Luke.

Luke: Para onde vamos?

Eu: Hospital St. Joseph, Bangor, Maine.

Luke: Ok.

Ele pôs o pé na tábua.

Dessa vez, ao contrário da minha missão do verão passado, tinha bastante gente, então foi mais legal seguir nesse caminho. Podíamos conversar com todo mundo (menos Clarisse. Ela não gosta de conversa.) e era divertido. E claro, outra diferença da outra missão era que eu poderia ficar beijando Percy o quanto quisesse para passar o tempo. E você sabe o quanto eu gostava de beijar Percy. Além do mais, isso me ajudava a me esquecer que meus irmãos estavam em perigo, e que o vilão que os capturara apenas queria que eu mordesse a isca. O que era exatamente o que eu estava fazendo. Mas eu não tinha opção. Meus irmãos poderiam morrer, e eu precisava resgata-los. Não podia deixa-los sofrerem por minha culpa. E eu precisava ser forte. Ser forte para Percy. Ser forte para meus irmãos. Seguimos conversando por um bom tempo. Com sorte, chegaríamos no Maine em umas seis, no máximo sete horas. Tentei conversar com todo mundo, para me esquecer dos problemas. Até mesmo com Clarisse. Com ela, não tinha papo. Só não tentei com Luke. Ele estava dirigindo, precisava de concentração. Eu estava esperando que monstros aparecessem a qualquer momento. Éramos semideuses, e muitos. Eu duvidava muito que teríamos a mesma paz que tivemos na minha missão do verão passado. Afinal, 8 semideuses = muito cheiro de magia. Os monstros nos encontrariam logo. E eu estava pronta para qualquer coisa. Especialmente para proteger meu namorado. Estava sentindo algo sobre ele. Meu coração estava apertado. Sentia que algo ruim iria acontecer, e sentia isso ainda mais quando estava perto de Percy. E eu sou vidente. Você sabe. Meus pressentimentos...

Quando saímos do Acampamento Meio-Sangue, eram 10:43. Agora, eram 13:22. Por enquanto, nada. Por enquanto, Percy estava bem. Por enquanto. Me sentei ao lado de Silena. Ela e Charlie estavam sentados juntos desde que saímos, e eu achava que ele merecia um descanso das fofocas do Fantástico Mundo Olimpiano.

Eu: Charlie, vá dar uma voltinha, vai?

Charlie: Ok.

Ele se arrastou até onde eu estava sentada, ao lado de Percy.

Eu: Sabe, Sile, eu fiz um bom trabalho, não fiz?

Ela fez que sim com a cabeça.

Eu: Vocês estão felizes juntos.

Ela assentiu.

Eu: Não vai falar nada?

Silena: Desculpe. Estou pensando em uma coisa.

Eu: Em quê?

Silena: Sabe os deuses da primeira geração? Tipo, Urano, Gaia, Eros, Nix...

Assenti.

Silena: Eles ainda estão vivos?

Pensei na resposta por três segundos.

Eu: Sim, eles estão. Gaia é a Terra. Caos é o Universo. Pontos é o mar. Eles ainda estão vivos. E por aí.

Silena: E será que eles tem filhos semideuses?

Respirei fundo e pisquei.

Eu: Acho que não. Não sei. Provavelmente não. Quando tiver um tempo, vou pesquisar sobre isso.

Silena: Hã, Rapha, você se lembra que pode não voltar viva daqui?

Abaixei minha cabeça. Sim eu lembrava. Sim, eu estava tentando esquecer.

Eu: Lembro, Sile. Não posso esquecer disso. Por mais que eu queira – falei por entre os dentes.

Silena: Desculpe. Eu... eu não presto pra nada.

Ela afundou o rosto nas mãos.

Eu: Sile, você sabe que isso não é verdade. Você faz Charlie feliz. Você é minha conselheira amorosa. Você é minha amiga. Você é uma excelente conselheira-chefe. E, é a melhor amazona de pégasos que já foi campista desse acampamento.

Ela sorriu tímida e mordeu o lábio.

Silena: Eu sou todas essas coisas, mesmo.

Ri dela.

Eu: Está vendo? Essa é Silena Beauregard. A filha de Afrodite que é tudo de bom e sabe disso.

Ela respirou fundo.

Silena: Fico feliz que você pense assim de mim.

Eu: Só penso a verdade. Sou uma pessoa muito verdadeira.

Silena: E uma ótima amiga.

Eu: Eu sei. Realmente sou.

Rimos. E foi naquele a partir de lá que a nossa paz acabou.

Eu: Annabeth, onde nós estamos?

Annabeth: Rocky Hill, Connecticut.

Eu: Podemos parar para comer? Eu estou com fome.

Annabeth: Você não quer achar seus irmãos o mais cedo possível?

Eu: Quero.

Annabeth: Nesse caso, não.

Eu: E para fazer xixi?

Todos [menos Luke] olharam para mim, repreensivos.

Eu: O que foi? Sou uma criança. Era o mínimo que vocês podiam esperar.

Annabeth revirou os olhos.

Annabeth: Mãe, me dá paciência! Têm um shopping logo ali. Lá você pode descer para fazer as suas necessidades. Luke, pare ali naquele shopping, ok?

Luke: Ok.

Ele fez a manobra, passou a rotatória, e seguiu em direção ao estacionamento do shopping. Parou lá. Annabeth e eu descemos do carro e entramos no shopping. Achamos um banheiro. Entramos lá e eu fiz minhas necessidades. Quando saí do box, Annabeth ainda estava dentro do dela. Uma figura conhecida entrou no banheiro meu coração disparou. Minha pele formigou e eu a senti gelar. A figura era uma velhinha que devia ter alguma idade entre 50 e 65 anos. Cabelos grisalhos, saia longa, suéter verde com uma flor enorme tricotada ao lado esquerdo e chapéu verde de tricô. Sra. Dodds, pensei. Eu ainda tinha pesadelos com meus encontros passados com a Fúria. Não o do Mundo Inferior. O de antes. Na minha sala de aula. Ela sorriu. Parecia até ser simpática. Mas eu ainda me amedrontava. Eu até teria a matado, mas havia uma mortal lá, então eu não fiz nada.

Sra. D: Olá! Eu e minhas irmãs precisamos usar o toalete.

Engoli em seco. Meus lábios tremiam, involuntariamente. Irmãs?

Eu: Hã... à vontade.

Fiz um gesto com minha mão trêmula na direção dos boxes. E foi quando duas outras Sras. Dodds entraram no banheiro. Fiquei tão em pânico que não conseguia mais me mexer. Portanto, forcei muito um sorriso. Da última vez que nos vimos, eu não estava tão em pânico quanto estava agora. Devia ser porque estava com Percy. Mas dessa vez eu estava com Annabeth. Também era uma pessoa. Mas, sem querer dar forças para o movimento machista, Percy era homem. Ele era mais forte, mais alto, e até mais habilidoso. E com ele eu me sentia mais segura. Droga! Onde estava meu namorado quando eu mais precisava? Foi quando Annabeth saiu de seu box. Ela olhou tensa para mim.

Annabeth: Algum problema, Rapha?

Eu: Hã... n-não. C-claro que n-não. – minha voz estava trêmula.

Annabeth: Rapha, você está bem?

Eu: C-claro! P-por que estaria m-mal?

Apontei com a cabeça para as três Fúrias, o mais sutilmente que pude. O que é um problema porque eu sou sutil como uma bazuca. Annabeth assentiu. Acho que ela havia compreendido. Ela veio até o meu lado e colocou a mão na bainha de sua faca. Minha aljava clássica estava presa à minha coxa, então eu estava preparada para qualquer coisa.

Annabeth: O que são? – ela sussurrou para mim.

Eu: Benevolentes.

Annabeth: Olhe para elas.

Quando olhei, a mortal havia saído e elas estavam se transformando naqueles monstros que pareciam mais cérebros com asas de couro do que qualquer outra coisa. Era assustador. As veias eram muito visíveis. Se é que aquilo eram veias. E os dentes pontudos e tal... indescritível.

Alectó: Sentiu saudades de mim, Harmon?

Eu: De um monstro como você, Alectó? Prefiro ser prisioneira de Hades.

Alectó: Eu também senti, querida.

Eu: E essas suas irmãs? Sabia que elas são a sua cara? O problema é que as três são feias horrendas.

Alectó: Você continua sendo nada engraçada.

Eu: O que você quer desta vez?

Alectó: Vamos te levar a quem comanda tudo.

Annabeth: Hades está por trás disso tudo?

As três Fúrias riram.

Alectó: Hades apenas está dentro de tudo isso.

Eu: Legal. Hades está contra mim, de novo, para variar.

Minha amiga desembainhou sua faca. Arranquei Ópera de meu pescoço e joguei-o no ar. O problema foi que a Fúria da direita voou por cima de mim e pegou meu arco.

Eu: Ei! É o que eu faço de melhor! Não vale vocês usarem as suas asas e eu não poder usar o meu arco.

Annabeth gritou e correu na direção da Fúria da esquerda, com a faca empunhada. Ela tentou penetrar a faca no monstro, mas a Fúria desviou. Nocauteou Annabeth com um chute, o que pode ter doído, considerando que ela tinha garras. Ela caiu no chão, apagada. Estava com um corte do comprimento de uma banana na testa.

Eu: Annabeth!

Alectó agarrou meus braços com suas garras [nojentas] e começou a me levantar. A outra Fúria (que havia pegado meu arco) chegou por trás de mim e arranhou minhas costas. Preciso mencionar que isso rasgou a minha camiseta? Além do fato de que doeu muito, é claro, considerando que as garras estavam sujas, e provavelmente isso iria infeccionar. Depois, ela sacou seu chicote elétrico e começou a chicotear minhas costas. Considerando que Annabeth estava apagada, as três Fúrias estavam em cima de mim. Uma chicoteava minhas costas, uma me segurava, e outra ria. Senti meu sangue escorrer pelas costas. Eu estava com alguns pontos pretos na visão, e isso não é agradável. Foi quando eu meio vi Clarisse entrar no banheiro e arregalar os olhos.

Clarisse: Santo Ares!

Com um golpe, Clarisse pegou sua lança e penetrou na Fúria que não estava fazendo nada no momento, depois, na que me segurava, e já atravessou a outra Fúria, fazendo as três virarem pó. Eu caí no chão, de costas. Aquilo doeu, ardeu, queimou, qualquer tipo de tortura dolorosa que você pode imaginar aconteceu. Clarisse se ajoelhou ao meu lado.

Clarisse: O que aconteceu?

Eu: As Benevolventes. Elas apareceram e apagaram Annabeth e depois me chicotearam. Eu não sei quem está tramando tudo isso, e o que quer exatamente, mas Hades está no time do desgraçado.

Clarisse: Ótimo. Muito legal isso. E ele já não gostava muito de você.

Eu: Pois é. Me dei realmente mal nessa história.

Clarisse: Annabeth apagou. O que você tem?

Eu: Apenas cortes e feridas nas costas. E arranhões. Annabeth foi nocauteada.

Clarisse: Consegue se levantar?

Me forcei para cima, tentando me levantar, mas não consegui. Não tinha forças.

Eu: Não.

Clarisse: Ótimo. Qual das duas eu carrego primeiro para o carro?

Eu: Por enquanto, nenhuma. Traga apenas alguns casacos, gaze, néctar e aquele remédio de mortais, o Merthiolate. Tem tudo na minha mala. Se não tiver mais néctar por alguma razão, traga açúcar. Muito açúcar.

Clarisse: Duas coisas. Um: não posso deixar vocês aqui. Dois: onde vou arrumar açúcar?

Eu: Alô, isso é um shopping. Tem muito açúcar aqui. Tudo para vender.

Clarisse: Ainda não posso deixar vocês.

Eu: Pode sim. Vá rápido antes que eu perca as forças e apague.

Clarisse: Isso é um banheiro. Alguém vai aparecer.

Eu: Eu invento alguma coisa. Vá!

Clarisse: Você não vai conseguir andar. Trago alguém?

Eu: Acho que Charlie, Beckendorf, como vocês o chamam, é forte o suficiente para fazer isso. Chame ele.

Ela se levantou e se foi.

Eu já estava formulando a minha mentira na cabeça. Aproveitei a pia que os monstros tinham quebrado e criei uma boa ideia. A teoria era a seguinte: Annabeth e eu entramos no banheiro, e o chão estava molhado. Nós escorregamos e caímos. Quebramos a pia e acabamos nos machucando. Era isso.

Juntei todas as minhas forças, me arrastei até dentro de um dos boxes, e joguei pó de Fúria dentro da privada. Peguei dos três montes de pó. Dei descarga. Queria evitar que as Fúrias se refizessem ali mesmo. Felizmente, nenhum mortal apareceu. Clarisse chegou depois de uns cinco minutos com todos os suprimentos que eu havia instruído ela a trazer.

Clarisse: Beckendorf está aqui fora.

Ela seguiu minhas instruções e nós fizemos tudo o que estávamos limitadas a fazer. Passou néctar nos meus ferimentos, nos de Annabeth e pronto. Ela pegou Annabeth no colo. Vai entender a força dessa menina. Vestimos o longo sobretudo nela e eu vesti o outro casaco que Clarisse havia trazido. Considerando que havíamos limpado o sangue que conseguimos, feito ataduras e até arrumado um pouco nossos cabelos, eu diria que estávamos em um estado meio “apresentável”. Saí do banheiro quase me arrastando e Charlie me pegou no colo. Voltamos para o carro com nada além de alguns olhares tortos dos mortais. Eu até poderia dizer o que aconteceu, mas eu não sei, porque eu acabei apagando no caminho.

Quando abri meus olhos, eu estava dentro da van do Delphi Strawberry Service, com um dos braços de Percy passado por debaixo dos meus joelhos e o outro braço por trás dos meus ombros. Ele estava com os joelhos levantados, o que acabava me espremendo, mas eu sempre gostei de ficar espremida. Vai entender. Resumindo: eu estava espremida no colo do meu namorado. Olhei para o rosto dele e ele balançou a cabeça para cima e para baixo, como se assentisse a alguma coisa. Uma voz conhecida falou.

Xx: Eu sinceramente acho que ela é ume heroína muito corajosa.

Percy assentiu de novo.

Percy: Ela deveria ser a deusa da coragem, não deveria?

Xx: Deveria – disse a voz que depois eu identifiquei como sendo a de Luke. – E minha pequena e corajosa Annie acabou apagando.

Annabeth: Em minha defesa, ela me nocauteou.

Percy: Está tudo bem, Annabeth. A gente entende que você é mais fraca do que a minha namorada. Normal.

Annabeth: Então, você também deve entender que você também é mais fraco que a sua namorada, Cabeça de Alga.

Todos na van riram.

Eu: Bom dia – gemi.

Percy: Bom dia, Meu Pequeno Girassol.

Ele esfregou seu nariz no meu.

Eu: O que... o que aconteceu?

Percy: Depois que as Fú... Benevolventes atacaram a você e à Annabeth no banheiro, elas te chicotearam bastante nas costas e Annabeth apagou. Você se manteve acordada, minha guerreira forte.

Ele me deu um beijo na testa. Que coisa melosa. Mas até que eu estava gostando.

Percy: Depois, nós achamos que alguma coisa podia ter acontecido com vocês e como Clarisse é a melhor pessoa para isso, nós mandamos ela para ir ver como vocês estavam no banheiro. Ela matou as Benevolventes e te levou suprimentos para você curar vocês duas, mas você não tinha forças para isso, nem para andar. Então, ela fez o que você disse e depois enrolou vocês duas em casacos e trouxe Annabeth para cá, carregando-a. Beckendorf trouxe você no colo, mas você apagou no caminho.

Só então eu percebi que Charlie estava dirigindo.

Charlie: Desde então, ele está se referindo a você com nomes como “Meu Pequeno Girassol” e “Minha Guerreira Forte”.

Annabeth: E, nós chegamos à conclusão de que você é mais forte que ele.

Percy mostrou a língua para ela.

Fiz carinho na bochecha de Percy. Não que eu apoie o movimento machista (você já sabe bem disso) mas não deve ser muito agradável ser mais fraco do que a namorada. Não do meu lado. Na minha visão era bem agradável.

Percy: Suas costas ainda doem?

Eu: Um pouco menos do que antes. O néctar faz efeito, sabia?

Mesmo com a minha ironia, aquilo era mentira. Sentia como se meus cortes pegassem fogo e minhas pernas pareciam estar muito quebradas. Minha cabeça latejava e eu sentia como se tivesse uma batedeira em meu estômago. Meu coração batia em uma velocidade absurda. Minha respiração estava acelerada e eu sentia uma tontura louca. Eu estava me sentindo péssima. Mas eu não queria preocupa-los nem atrasar nada, então fiquei quieta.

Eu: Que horas são?

Ele pegou meu pulso e conferiu as horas no meu relógio.

Percy: 16:34.

Eu: Em que cidade nós estamos?

Charlie: Biddeford, Maine.

Respirei fundo.

Eu: Annabeth, no mesmo esquema de sempre, em quanto tempo chegaremos em Bangor?

Annabeth: Acho que umas duas horas. O Maine é muito mais perto do que o Canadá.

Eu: Eu que o diga.

Respirei fundo, novamente.

Eu: Percy, me espremer está tão legal assim?

Percy: Você está gostando.

Eu: Como sabe?

Percy: Eu leio pessoas.

Annabeth pigarreou e Percy revirou os olhos.

Percy: Annabeth lê pessoas e me disse que você estava gostando. Ficar espremida está tão legal assim?

Eu: Do meu ângulo está. E do seu?

Percy: Não está tão bom quanto do seu ângulo. Especialmente considerando que eu estou te espremendo há quase três horas.

Eu: Pode me soltar então, tá bom?

No momento em que eu disse a palavra “bom”, Percy soltou minhas costas e minhas pernas, e abaixou as dele, fazendo-me cair e bater a cabeça na porta da van. Isso não ajudou a minha dor de cabeça a melhorar. Não mencionei isso: ele estava sentado do lado da porta.

Eu: Precisava de tanta violência?

Percy: Desculpe. Você é muito pesada. Meus braços já iam cair junto com você.

Eu: Obrigada pela delicadeza.

Me levantei e me sentei no último banco da van, ao lado de Luke. Annabeth estava sentada no banco da frente.

Eu: Nós dois não conversamos nunca. Nem te conheço direito.

Luke: Eu até estranhei você ter me chamado para essa missão. Deveria ter chamado Connor ou Travis. Sei lá. Mas por que eu?

Eu: Annabeth ficou meio magoada da primeira vez que me viu com Percy. Ela disse que foram ciúmes do passado. Na época, vocês já namoravam. Quer dizer, eu acho. Ela, Percy e eu saímos em uma missão. E na missão, Percy e eu nos beijamos e começamos a namorar. Ela ficou segurando vela. Pelo resto do verão. Dessa vez, a missão poderia levar bastante gente, e julgando que você é namorado dela, eu achei que poderia fazer bem para ela ficar com você. E mesmo com as lendas que eu ouvi sobre você no acampamento, verão passado, você parece ser uma boa pessoa.

Luke: Devo parecer.

Ele respirou rápido.

Luke: Então... vamos nos conhecer um pouco. Me conte, como era a sua vida fora do Acampamento Meio-Sangue?

Tentei me lembrar da minha vida antes de descobrir que o meu pai é um deus grego. Parecia que foi há um bilhão de anos atrás.

Eu: Eu e minha mãe vivíamos em um pequeno apartamento, em Upper Manhattan. Apenas eu e ela. Nós não éramos nem próximas de classe média alta. Mas também não éramos tão pobres assim. Quando eu era pequena, ela foi demitida da padaria em que trabalhava, mas continuou no ramo. Ela abriu a própria padaria e confeitaria caseira. E, sabe, ela é bem popular em Manhattan. Isso sempre me sustentou. Pagou a escola, obviamente, a comida, e todas as coisas de que precisávamos para viver. Eu costumava acreditar que poderia existir um Deus onipotente que algum dia voltaria e nos levaria para as mansões celestiais. Agora, obviamente, não mais. Nunca fui muito religiosa, minha mãe também não era, mas assim foi. Não conte para ninguém, especialmente para qualquer filho de Apolo, mas meus pais estão namorando agora. Eu costumava andar sozinha na escola. Quando tinha dez anos, tentei me enturmar com as garotas populares, mas tive de fazer coisas horríveis, então eu desisti. Andei mais dois anos sozinha, até que uma garota chamada Joanne Jenkins entrou na escola. Nós andamos juntas até maio do ano passado. Depois, eu fui para o Acampamento Meio-Sangue, descobri que Joanne também era uma semideusa e tive de mata-la. Sofri muito por isso. Mas eu saí do Acampamento, voltei para fazer o 3º ano na escola e fiz outras duas amigas. Savanna e Kayla Lake. São gêmeas. Andamos juntas ano passado e esse ano e tal...

Percy olhava torto para nós a cada cinco segundos. Sem brincadeira. Ele achava que eu não estava notando...

Luke: Ironia. Tem uma filha de Apolo no acampamento chamada Kayla.

Meu rosto assumiu uma expressão de surpresa. Me senti a pior irmã do mundo.

Eu: Tem mesmo?

Luke: Tem.

Eu: Santo Apolo, eu sou a pior irmã do mundo.

O filho de Hermes riu.

Eu: Enfim, minha vida fora do Acampamento é essa. Agora, eu terminei a escola e provavelmente vou passar o resto do ano no Acampamento, a até julho do ano que vem, e depois vou tentar a vida lá fora. E vou morrer. Dolorosa e tragicamente como todo herói. E você? Como era a sua vida lá fora?

Ele coçou os cabelos cor-de-areia.

Luke: Não gosto muito de falar sobre a minha vida lá fora. Minha mãe era louca; fugi de casa aos nove anos; conheci Thalia lá fora, mas não gosto muito de falar sobre ela.

Pelo que eu sabia, Luke e Thalia tiveram um lance antes de Thalia ser morta pelas Fúrias e virar um pinheiro. Eles dois e Annabeth viveram aventuras lá fora, até que foram encontrados por Grover e levados ao Acampamento Meio-Sangue. Agora, Luke estava namorando Annabeth, então realmente não era bom eu comentar sobre Thalia.

Eu: Sei. Não precisa falar se não quiser.

Luke: Obrigado. Eu realmente não quero. Cheguei ao Acampamento Meio-Sangue quando tinha quatorze anos.

Eu: Uau. Você ficou cinco anos sozinho pelo mundo?

Luke: Pois é.

Pressionei meu lábio superior com o inferior e arqueei as sobrancelhas.

Eu: Pois é.

E foi naquele momento que alguma coisa bateu com força na lateral da van, fazendo-a virar e todos cairmos para o lado direito, amassando quem estava lá (incluindo a minha pessoa).

Charlie: O QUE DIABOS FOI ISSO?

Eu: Acho melhor sairmos do carro!

Percy: Ah, você acha?

Eu: VOCÊ QUER SER SARCÁSTICO BEM AGORA, PERCY? BEM AGORA?

Ele colocou a mão na maçaneta da porta da van.

Clarisse: Espere! O que quer que seja que está aqui fora, está do único lado que temos para sair! Se sairmos, isso vai tentar nos matar!

Silena: Estamos do lado de um precipício. Se isso empurrar mais, nós vamos cair!

A coisa empurrou mais um pouco.

Charlie: CLARISSE, NÓS VAMOS MORRER SE FICARMOS AQUI DENTRO!

Clarisse: NÃO ABRA ESSA PORTA, JACKSON! NÓS VAMOS SER ATACADOS!

A coisa empurrou mais um pouquinho em direção à beira.

Eu: NÓS VAMOS CAIR E MORRER AQUI, CLARISSE! ABRA. ESSA. PORTA!

Clarisse: NÃO! VAMOS SER ATACADOS!

Eu: ENTÃO LUTEMOS! ABRA!

Clarisse: NÃO!

Fomos empurrados novamente. Percy cedeu aos meus desejos e abriu a porta. Charlie e Silena saíram pela frente, armas em punho. Como estávamos no último banco, Luke e eu fomos os últimos a sair da van. Felizmente, minha aljava clássica ainda estava presa à minha perna. No momento, eu me esqueci completamente da aljava tecnológica que Charlie me dera. Quando saí, eu vi o que estava lá fora. Era um javali com uns dez metros de altura e presas do tamanho de canoas. Os pelos eriçados e os olhos pretos davam um ar selvagem a ele. Assustador.

Eu: Ah, meus deuses, o Javali de Erimanto?

Annabeth: O próprio!

O javali estava raivoso. Ninguém se mexia, e estavam fazendo certo.

Eu: Não. Façam. Movimentos. Bruscos.

Quando terminei a frase, Silena gritou, atraindo a atenção do javali para ela e enfurecendo o animal.

Eu: DROGA, SILENA!

O javali investiu na direção dela, mas eu corri em sua direção, agarrei ela e rolamos juntas para o outro lado. As presas do javali ficaram a milímetros de nós. O asfalto duro abriu alguns de meus cortes.

Eu: Ai... – gemi.

Silena: Ai, Rapha, me desculpe! Eu não queria gritar, mas o pânico...

Eu: Tudo bem, Silena! Você está bem?

Silena: Eu estou. E você?

Eu: Mais ou menos. Mas posso lutar.

Me levantei e preparei meu arco. Abri o zíper de minha aljava e tirei uma das flechas musicais especiais que ganhei de aniversário de meu pai.

Eu: Você vai morrer surdo!

No segundo em que soltei a flecha, ela fez um barulho agudo semelhante a um grito e foi na direção do javali. O problema foi que eu não mirei bem. A flecha bateu em uma das presas do javali e emitiu um estrondo parecido com um acorde de uma super guitarra conectada a um mega amplificador. Infelizmente, ela apenas quicou no dente do javali e caiu no chão. Meu queixo caiu e eu franzi o cenho, furiosariosa.

Eu: AH, QUAL É?

Mais infelizmente ainda, o estrondo apenas deixou o javali mais furioso. Ele veio correndo na minha direção e eu me virei e saí correndo. Eu tropecei em alguma pedra que estava no meio do caminho e caí de cara no chão. Doeu para caramba. Ópera caiu de minha mão, bem longe. Me virei para cima e vi o javali em cima de mim. Ele batia os cascos com força no chão e guinchava, raivoso. Ele passou uma das presas pela minha perna, arrancando a minha aljava e abrindo um novo corte. Eu não tinha como sair, porque ele estava muito colado comigo. Pelas frestas dos pelos do javali, vi Percy e Charlie, um de cada lado do javali, ambos penetrando suas espadas no monstro. E fez o mesmo efeito que a minha flecha. Ele empinou a parte da frente e guinchou muito furioso. Por um segundo, achei que eu morreria pisoteada, e protegi minha cabeça e meu tronco com os braços. O javali pousou seus cascos ao meu redor. Olhei para trás e vi que Katie estava perto do meu arco. Imediatamente, minha cabeça foi formulando um plano.

Eu: KATIE! PEGUE O ARCO!

Ela me obedeceu.

Eu: JOGUE PARA ANNABETH!

Ela jogou. Foi quando me toquei que ela poderia fazer qualquer planta que ela quisesse crescer ao redor do javali, o que me salvaria. Obrigada mesmo, Katie, por me ajudar nessa! Ainda bem que eu tinha um plano. Que tinha tudo para falhar e matar qualquer pessoa, mas era a opção.

Eu: CHARLES! PEGUE A ALJAVA QUE VOCÊ ME DEU! ESTÁ DENTRO DA VAN!

Eu não consegui ver a reação dele, mas acho que fez o que eu pedi. Eu vi uma pequena movimentação ao redor da van, então julguei que ele estava fazendo o que eu pedi. Finalmente, as pessoas estavam agindo. Annabeth, Percy e Luke tentavam matar o javali, penetrando as espadas/faca nele, mas apenas o irritavam mais. Ela estava com Ópera pendurado nas costas. Katie fazia alguma planta que eu não reconheci (não, eu não sei nada sobre plantas, tá bom? Atire a primeira pedra quem não tiver nenhum pecado.) crescer ao redor dos cascos dele, mas ele se empinava e rasgava as plantas. Silena tentava usar seu poder de persuasão, conversando com o javali e tentando convencê-lo a ir embora e não matar ninguém. Até agora, nada funcionava. Charlie pulou para fora da van com a minha aljava que ele me dera de presente de aniversário. Graças aos deuses, nas últimas duas semanas que eu passei lá, Charlie havia me ensinado a usar a aljava. A ativar, a escolher a função da flecha e tudo mais. As pontas estavam separadas por funções, então, eu só tinha de apertar o botão da flecha no lugar certo para a ponta ser inserida na flecha, e usada com felicidade.

Eu: PERCY, PEGUE A ALJAVA E O ARCO! VENHA POR DEBAIXO DO JAVALI ATÉ ONDE EU ESTOU!

Ele fez uma careta e fez o que eu mandei, muito hesitante.

Quando chegou às minhas pernas, não tinha mais como subir.

Percy: Esses pelos pinicam muito! O que eu faço agora?

Eu: Coloque minhas pernas em cima dos seus ombros. Depois, você vai precisar me empurrar forte para cima.

Percy: Você não poderia tentar fugir sozinha?

Eu: Não! Ele está furioso comigo por causa da flecha. Você é para fingir que sou eu.

Percy: Ok. Vou aceitar essa.

Eu: FAÇA ISSO LOGO!

Ele passou as minhas pernas por cima dos ombros dele, como se eu estivesse sentada lá, só que deitada.

Eu: Agora, me empurre.

Ele me empurrou, fazendo eu me arrastar pelo asfalto, o que deve ter aberto todos os meus outros cortes nas costas. Quando estava prestes a sair de lá, o javali cravou suas canoas pontiagudas no chão, e eu fiquei entre as duas presas. Elas quase me acertaram. Percy me empurrou um pouco mais e assumiu o meu lugar debaixo do javali. Corri para não muito longe. Precisava de um bom ângulo para atirar. Apertei o botão da flecha, o que inseria a ponta de bomba na flecha, e dava um timer de quinze segundos para mim atirar. Armei Ópera e no mesmo momento em que a flecha ia chegar no javali, ele abriu a boca para guinchar, e a flecha entrou para dentro dele.

Eu: PERCY, CORRA!

O javali se empinou ainda mais alto do que das outras vezes. Percy aproveitou a deixa e correu para longe. O timer contava Três, dois, um.

Eu: SE ABAIXEM!

Todos, inclusive Percy, menos eu, se abaixaram e se protegeram da explosão. Eu corri na direção dele e abracei seu corpo, tentando protege-lo. Acho que ele não estava longe o suficiente do javali para ter escapado dessa. Rezei para todos os deuses que me lembrei naquele momento para ele ter sobrevivido dessa. Quando a fumaça cessou, eu levantei minha cabeça e olhei para conferir se todos estavam bem. Os outros estavam. Percy deu sinal de vida e agradeci a todos os deuses que me lembrava de ter rezado para protegerem-no. Ele levantou a cabeça e olhou para os cantos. Me levantei e os outros que estavam lá fizeram o mesmo.

Percy: Ok. Eu quase morri.

Eu: Não foi a primeira nem a última vez.

Percy: Pior. Você quase morreu.

Eu: É... como eu disse. Não foi a primeira, nem a última vez.

O estranho foi que ele parecia realmente alterado.

Eu: Mas, o bom disso tudo, foi que eu tive a oportunidade de estrear a minha aljava nova! Ficou o máximo, Charlie! Você é o melhor, cara.

Andei até onde ele estava e nós batemos um high-five.

Percy: Você tem razão. Essa não foi a primeira vez. Então, só me responda. O QUE RAIOS VOCÊ ESTAVA PENSANDO, RAPHAELLA HARMON?

Franzi o cenho. Ele estava mesmo alterado.

Eu: Como assim o que eu estava pensando? Eu estava pensando em matar o javali enquanto ele estava ocupado.

Percy: OCUPADO TENTANDO ME MATAR?

Eu: Ele queria matar alguém! Eu já te expliquei! Estava enganando ele!

Percy: MAS POR QUE EU TINHA QUE SER A VÍTIMA? POR QUE NÃO ANNABETH OU LUKE?

Eu: PARE DE GRITAR, PERCY!

Percy: E AQUELA FLECHA EXPLOSIVA? O QUE SE PASSAVA NA SUA CABEÇA?

Eu: EU ESTAVA TENTANDO MATAR UM MONSTRO, OK? E DEU CERTO! ELE MORREU!

Percy: E QUASE QUE ELE NÃO FOI SOZINHO! VOCÊ QUASE ACABOU COM A VIDA DELE E A MINHA! PIOR AINDA, COM A SUA!

Eu: EU SALVEI A SUA VIDA! DE NADA!

Percy: Claro. Igual a quando você salvou a minha vida quando aquele telquine e eu caímos no mar.

Senti uma vontade enorme de atirar uma flecha com a poção da morte em Percy, mas uma parte de mim dizia que seria errado fazer aquilo.

Eu: VOCÊ SE ATRACOU E SE JOGOU NO MAR, LAGO, RIO, FERRE-SE O QUE ERA, COM AQUELE DEMONIO DO MAR! EU NÃO TENHO CULPA SE VOCÊ QUER SER UM HÉRACLES DA NOVA GERAÇÃO!

Percy: EU NÃO ME JOGUEI EM LUGAR NENHUM COM NINGUÉM! EU AGARREI AQUELA COISA E ELE SE JOGOU NO MAR! EU FUI JUNTO! E EU NÃO TERIA DE AGARRAR NADA SE VOCÊ TIVESSE CUIDADO SÓ DO SEU PROBLEMA E DEIXADO ANNABETH CUIDAR DO DELA!

Eu: Percy, o que está acontecendo? Até dez minutos atrás eu era seu Pequeno Girassol.

Percy: MAS, NÃO! RAPHAELLA HARMON TÊM DE CUIDAR DO PROBLEMA DOS OUTROS, DA ALIMENTAÇÃO DOS OUTROS, DA VIDA DOS OUTROS!

Eu: EU NÃO ESTOU TENTANDO CUIDAR DA VIDA DE NINGUÉM!

Percy: ÓTIMO! ENTÃO ME PAGUE UM CHEESEBURGER NO CAMINHO PARA CASA!

A raiva dominou meu corpo. Senti minhas orelhas esquentando. Acendi meu pé, em uma tentativa de me acalmar.

Percy se virou para o lado oposto ao lado que eu estava e começou a andar naquela direção.

Eu: VOCÊ SABE QUE EU FAÇO ESSAS COISAS PORQUE EU TE AMO, SEU IDIOTA! EU TE AMO E QUERO O SEU BEM, IMBECIL! PERSEU JACKSON, PARE DE ANDAR E OLHE NOS MEUS OLHOS ENQUANTO EU FALO COM VOCÊ!

Ele parou de andar, relutante, e olhou para mim. Seu cenho estava tão franzido que as suas sobrancelhas estavam quase juntas.

Eu: Claro, Percy. Eu te pago quantos cheeseburgers você quiser. Mas eu não vou ser a médica chefe da sua cirurgia de redução de estômago, ok?

Ele se virou, raivoso, e veio andando na minha direção. Charlie o segurou.

Charlie: Percy, o que está acontecendo, cara? Se acalme!

Eu: Não, Charlie! Não precisa segurar ele! Deixe ele me atacar. Vamos lá, Percy. Seu melhor golpe. Seu melhor poder. Deixe ele usar todos os poderes que o papaizinho dele deu. Deixe o filho preferido de Poseidon mostrar para nós do que é capaz.

Percy: Não me provoque! Quer saber o que está acontecendo, Raphaella Harmon? QUER SABER? EU VOU TE FALAR! A MINHA NAMORADA, A GAROTA QUE EU AMO, VAI ME MATAR! E COM UMA ESPADA! ELA É UMA ARQUEIRA!

Eu: EU VOU ESTAR POSSUÍDA!

Percy: Então, se possua pra lá, droga!

Ele deu um empurrão forte na van, que a fez ir um pouco mais para o precipício. Metade dela passou para o lado que não tinha nada. Um pouco mais da metade. Então, a van caiu, morro abaixo, e foi caindo em direção à floresta, onde eu consegui ver alguns animais. Todos os outros vieram ao nosso redor e observavam enquanto a van caia.

Eu: Obrigada, Percy.

Percy: Não. Fale. Nada. – ele disse por entre os dentes.

Silena parecia estar furiosa.

Silena: AH... LEGAL! JÁ QUE O CASAL FELICIDADE ACABOU COM A NOSSA CARONA, AGORA NÓS VAMOS MONTAR ACAMPAMENTO AQUI, ENQUANTO VOCÊS PENSAM EM ALGUM JEITO DE NÓS CHEGARMOS EM BANGOR! DEPOIS, NÓS SEIS DORMIMOS E VOCÊ, JACKSON, FAZ A PRIMEIRA VIGIA, E VOCÊ, HARMON, TENTA SER ÚTIL E VER ALGUMA COISA QUE PRESTE, PORQUE DESSE JEITO VOCÊS AJUDAM! ENQUANTO FAZEM ISSO, CONTINUEM A SE AMAR COMO VOCÊS FAZEM E DEPOIS QUE FIZEREM AS PAZES TENTEM ACABAR NÃO SE COMENDO, BELEZA?

Eu estava assustada. Engoli em seco. Apenas mexi a cabeça, freneticamente, assentindo. Sério, naquele momento eu criei um certo medo de Silena. Ela era grande e assustadora. E como ela era bonita, isso deixava ela um pouco mais assustadora. Então, eu decidi fazer o que ela manda. Percy fez o mesmo movimento com a cabeça que eu.

Silena: ÓTIMO! TRABALHANDO!

Para a felicidade de todos, nós havíamos pego nossas malas, quando saímos da van, então tínhamos suprimentos. E para a felicidade maior ainda, Clarisse e Annabeth haviam pego barracas para nós. Isso era bem legal. Então, teríamos duas barracas: uma para os meninos, e uma para as meninas. Como Percy e eu fomos escalados para a primeira vigia, também fomos castigados, tendo de ficar do lado de fora das barracas. E não se preocupe; armamos elas fora da estrada. Com o tempo, a noite caiu e Percy e eu ficamos do lado de fora. Meus cortes nas costas ardiam. Tudo ao meu redor parecia girar. Meus batimentos cardíacos estavam incrivelmente acelerados. Por mais que fosse verão, um vento cortante soprava no ar. Eu me acendi, em uma tentativa de me aquecer. O silêncio reinava. Mesmo acesa, eu ainda estava com frio. Não te expliquei como meu brilho funciona, não é? Aqui vai: meu brilho é feito de emoções. Quando sinto algo forte, seja um sentimento bom ou ruim, isso produz um efeito sobre mim, que me faz brilhar. É meio que uma queima de emoções. Pode ver que quando fico com muita raiva, eu acendo alguma parte desimportante para tentar me acalmar. Ajuda. O brilho só cessa quando minhas emoções saem por si próprias. Ou seja, quando saem sem brilhar. Lembra-se no verão passado quando eu beijei Percy e me apaguei? As emoções estavam saindo por si próprias, entendeu? É assim que funciona.

Nem Percy nem eu arriscávamos uma palavra. Eu ainda estava traumatizada com as coisas que ele havia falado. Ele tinha razão, quase morreu por minha culpa. E não fora pela primeira vez. Além do mais, Poseidon estava certo, a Visão amedrontava Percy. Eu realmente queria falar sobre isso, mas não tinha coragem. Eu acho até que meus olhos não estavam com aquele ar raivoso e selvagem que normalmente tinham. Estavam tristes. Pra completar muito bem eu estava com uma terrível sensação de que seríamos separados. Esse silêncio cortante não estava me ajudando a melhorar. Pela primeira vez, eu me senti realmente a mulher do casal. Eu não sou muito feminina, você sabe, e Percy é todo preocupado comigo, como normalmente a mulher do casal faz, então eu nunca me senti assim. Mas eu estava querendo discutir o nosso relacionamento. Isso é bem feminino. Porém eu queria ser a mulher do casal. Queria mesmo. Eu sou a mulher do casal. E eu me orgulhava de ser mulher. Então, eu tomei coragem para falar. Olhei para Percy com um olhar triste, e percebi que os olhos deles estavam com aquele ar raivoso e selvagem que os meus normalmente tinham. Esperava que ele tivesse piedade de mim.

Eu: Percy...

Percy: Não.

Ele nem desviou os olhos do chão para me responder.

Eu: Não o quê?

Percy: Não vou discutir o nosso relacionamento.

Eu: Percy, por favor...

Pela primeira vez desde que tinha derrubado a van precipício abaixo, Percy desviou o olhar do chão por um segundo e olhou para mim. Por um segundo.

Percy: Não.

Eu: Percy, eu nunca te pedi isso antes.

Percy: Você vai ficar falando o meu nome no começo de cada frase?

Eu: Vou! Eu gosto de falar o seu nome. Eu gosto de ouvir a minha voz falando o seu nome. Me lembra que eu ainda estou com você do meu lado. E nada me deixa mais feliz que isso.

Percy: Essas foram as palavras mais mulherzinha que você já falou.

Eu: É porque eu sou uma mulherzinha.

Eu estava sentindo uma dor um pouco profunda. Por fora também, mas principalmente por dentro. Cada palavra que saia da boca dele era como se ele penetrasse Contracorrente no meu coração.

Eu: Ok. Não vamos discutir o nosso relacionamento. E daqui a alguns dias, vamos estar discutindo porque eu não deixo mais você comer cheeseburger e tomar refrigerante e comer doces azuis porque eu quero o seu bem, e depois vamos discutir porque eu penso em como seria se eu e você nos casássemos e tivéssemos filhos – a partir daí, minha voz estava embragada. – E... e você não vê um futuro para nós, e quem sabe algum dia você acabe se casando com alguma mulher por quem você vai se apaixonar de verdade e... e eu... eu vou acabar sozinha em uma ilha tricotando suéteres e vendo o futuro dos meus mil trezentos e vinte e sete gatos e... e esperando que algum dia você se apaixone por mim de verdade e vá lá para me buscar e... – foi quando eu comecei a chorar. – Percy, não me deixe, por favor!

Eu afundei a minha cabeça em seu peito e deixei minhas lágrimas rolarem. Acho que eu nunca havia chorado de verdade. Não sou muito sentimental. Você me conhece. Sabe disso. Eu agarrava a camiseta dele, tentando segurá-lo para ele não fugir de mim. Aquilo era sério. Eu realmente estava achando essas coisas. Eu estava com uma forte sensação de que seríamos separados. E eu estava chorando. Eu nunca choro. Estava esperando Percy me empurrar e me atacar com palavras, mas ele não fez isso. Pelo contrário. Ele me abraçou e acariciou meu braço.

Eu: Por favor, não me deixe! Eu amo você muito! Amo você de verdade!

Percy: Calma, Rapha! Calma! Eu... eu não vou te deixar. Eu também te amo! Calma.

Ele deu um beijo na minha cabeça. Acho que ele realmente estava tentando me acalmar. Digo, ele estava. Realmente estava. E, claro, aquilo ajudava.

Eu: A minha vida é um desastre! Meus irmãos preferidos foram sequestrados e eu estou indo resgatá-los, diretamente com a minha possível morte, além do fato de que o meu namorado está com raiva de mim porque eu quase mato ele por qualquer coisa! Que ódio de mim!

Percy: Calma, Raphaella! Eu não estou com raiva de você! Pare de chorar, por favor!

Engoli o choro, me levantei e limpei minhas lágrimas.

Percy: Eu nunca vou te deixar. Te amo muito mais do que você me ama. Muito mais. Nunca vou te deixar. Nunca.

Eu: Promete?

Percy: Prometo.

Eu: Promete que nunca vai me deixar, a não ser que seja uma decisão de nós dois?

Percy: Prometo.

Tentei forçar um sorriso.

Eu: Então... nós estamos bem?

Ele sorriu e me puxou de volta para o seu abraço.

Percy: Essa foi a nossa primeira discussão de casal.

Eu: Mais ou menos. Tivemos aquelas discussões de quem ficaria no volante, na missão do verão passado.

Percy: Essas não contam. Estamos bem eternamente.

Dessa vez, sorri de verdade.

Eu: Agora sim.

Nos ajeitamos no abraço de modo que pudéssemos ficar assim por um tempo de maneira confortável.

Percy: Aquelas coisas que eu disse depois do javali explodir... eu estava com raiva e... e o nervosismo do momento, sabe? E...

Eu: Eu te perdoo. Te perdoo por tudo de mau que você já me fez e vai fazer. Te perdoo por cada palavra desagradável que você já falou para mim e vai falar para o resto da sua vida. Eu te perdoo, Percy Jackson.

Percy: Obrigado.

Ele beijou minha cabeça de novo. Depois, respiramos fundo no mesmo ritmo e ficamos em silêncio por um tempo.

Percy: Hã, Rapha?

Eu: Sim?

Percy: Você pensa com frequência na sua visão?

Eu: Que visão?

Percy: Naquela em que você e eu lutamos e...

Ele não precisava continuar. Eu já sabia do que ele estava falando.

Eu: Na verdade, não. Eu tento pensar o menos possível nela. Eu tento pensar que a hora, eu vou perceber que aquilo seria uma idiotice completa, e que eu preciso de você na minha vida, e domine o espírito que vai me possuir, e que todas aquelas visões que eu tive de um futuro sem você são ilusões, e a única que eu tive de um futuro com você é real.

Ele suspirou.

Percy: Você teve visões de um futuro em que eu estou morto e de um futuro em que eu estou vivo?

Eu: Tive. Geralmente, eu visualizo todas as possibilidades e tudo o que pode acontecer depois de cada possibilidade. Eu tive visões nas quais eu havia te matado, e eu tive uma única visão na qual você estava vivo.

Percy: Hum. E... como é o mundo onde eu... morri?

Retornei às visões onde Percy estava morto.

Eu: Triste. Sem vida. Sem cor. Eu ganho imortalidade e viro um tipo de governadora suprema junto com Hades. Mas não era eu. Era como se fosse... uma segunda pessoa. Nós dois governamos assim: eu fiquei com o subterrâneo, como Hades, Hades ficou com o mar, como Poseidon e com o céu, como Zeus. Os deuses menores continuam, mas os Olimpianos vão para o Tártaro. E nós dividimos o que eles tinham entre nós dois. Eu fico com o que era de Atena, Hefesto, Ártemis, Apolo, Hera e ironicamente Afrodite. E, claro, com o que era de Hades. Hades fica com o que era de Poseidon, Ares, Zeus, Hermes e Deméter. Clarisse e Chris fogem para o Alasca, onde eu não posso alcança-los, e montam uma família lá. Até que eles tiveram filhos bonitos. Annabeth, Pólux e outros semideuses viram meus escravos, até a morte.

Aquilo tudo me assustava. E muito. Por que raios essas visões me torturam tanto? E por que eu só tive visões do futuro em que Percy morria, e só uma do que ele vivia? O que essas visões queriam comigo? Acabar com a minha vida? Percy também não parecia muito feliz com o resultado.

Percy: E para onde eu vou, Rainha do Mundo Inferior?

Eu: Para o Elísio. Você não merece nada menos do que isso.

Percy: E quem será o rei do Mundo Inferior?

Eu: Pelo que eu me lembro, eu obriguei os gigantes Oto e Efialtes a se casarem comigo.

Ele fez uma careta. Acho que não conseguia imaginar aqueles gigantes estranhos casados comigo. Eu também não ia muito lá com a cara deles. Nem com essa ideia.

Percy: Que estranho.

Eu: Por favor, não me chame de Rainha do Mundo Inferior.

Percy: Tá bom. Não vou te chamar disso.

Depois dessa, ficamos em silêncio por algum tempo.

Percy: Você fica com Afrodite? – ele disse rindo.

Não pude evitar rir também.

Eu: Fico. Eu vou ser a deusa dos mortos e do amor ao mesmo tempo. Que ironia, não é?

Percy: Mas por que você ficou com o amor?

Eu: Porque eu sou a única garota. Garotas tem mais relação com o amor.

Percy: Então a Segunda Pessoa é homem.

Eu: Não. A Segunda Pessoa é uma criatura.

Ficamos em silêncio por algum tempo.

Percy: Bom, é por isso que eles querem que você vá. Depois de você ser possuída, você, Hades e a Segunda Pessoa vão mandar os deuses para o Tártaro e reinar.

Eu: Pois é. Mas eu me pergunto: por que eu?

Aninhei a minha cabeça no pescoço dele.

Percy: Não sei. Não tenho ideia mesmo.

Suspirei.

Eu: Provavelmente, vão matar a minha alma quando resgatarmos Will, Lee e Jenna. E então o tal espírito vai me possuir. Tente ficar longe de mim quando isso acontecer.

Percy: Nunca vou ficar longe de você. Nem que todos os espíritos do mal te possuam e tentem me matar ao mesmo tempo, eu nunca vou tentar ficar longe de você. Eu vou tentar te salvar deles.

Dei um beijo na bochecha dele. Percy era muito fofo. Como ele poderia ter duvidado de que eu achasse ele o melhor namorado do mundo? Ele era, e eu não tinha dúvida.

Eu: E você?

Percy: Eu o quê?

Eu: Você pensa com frequência nessa visão?

Ele não disse nada por uns 20 segundos.

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Percy: Rapha.

Eu: Eu?

Percy: Você está me queimando um pouco.

Mordi o lábio e me apaguei imediatamente. Eu esqueci que estava acesa e quente.

Eu: Desculpe.

Percy: Tudo bem.

Pegamos uns gravetos que tinham por ali e juntamos. Eu mandei uma corrente de calor de meu corpo para lá. Um fio de luz com aspecto amarelado foi passando pelo chão até chegar na nossa lenha, e então se fez a fogueira.

Percy: Esse é novidade.

Eu: Mais ou menos. É só a manipulação do brilho. Aprendi a fazer quando nós ficamos sem energia em casa e a minha mãe não conseguia cozinhar, então eu fiz isso.

Percy: Legal. Bem legal.

Nos sentamos de frente para a fogueira. Percy passou o braço por cima dos meus ombros e eu abracei as costas dele. Ficamos assim por um tempo, só observando o fogo.

Eu: Você não respondeu a minha pergunta.

Ele alternou o olhar entre eu e a fogueira umas três vezes.

Percy: Na verdade, sim. Eu penso até que bastante nessa visão. Mas, sabe, é inevitável. Sou eu quem morre, entende?

Fiz que sim com a cabeça.

Eu: Sério, eu acho mesmo que se você ficasse longe de mim a gente poderia evitar isso.

Percy: Não. Não, não e não. Nunca vou ficar longe de você. Já disse isso. Eu me recuso.

Sorri.

Eu: Às vezes, eu queria que você fosse menos fofo.

Percy: Ser fofo é uma arte.

Eu: Da qual você domina.

Percy: É tudo uma questão de treino, gafanhoto.

Eu: Ah, você treina?

Percy: Não. Quem nasce para ser fofo, é fofo.

Ri e abracei ele com mais força.

Percy: Você deveria tentar dormir.

Eu: Ah...

Percy: Rapha, você acordou muito cedo. Deixe que eu faço a primeira vigia.

Eu: Não, Percy. Elas nem vão me deixar entrar na barraca.

Percy: Durma aqui, Cabelo de Miojo.

Eu: Como? Do mesmo jeito que eu fiquei desmaiada na van? No seu colo para você me derrubar de novo?

Ele riu.

Percy: Eu prometo não te derrubar dessa vez.

Eu: Melhor não.

Ele deu um sorriso muito lindo. O rosto estava todo arranhado, um pouco sujo de lama, mas ele continuava sendo o garoto mais bonito que eu já havia visto. E de acordo com a Wikipedia, Apolo também é deus da beleza. Eu era a garota mais sortuda do mundo por ter um namorado tão bom.

Percy: Deite no chão.

Fiz uma careta.

Eu: Mas... o chão?

Percy: É. No chão.

Relutante, fiz o que ele mandou.

Eu: E agora?

Percy: Ponha a sua cabeça aqui.

Eu: No seu colo?

Percy: É.

Obedeci.

Percy: Agora, durma e sonhe só com coisas boas.

Eu: Hoje eu sonhei com você dormindo.

Percy: Ótimo. Sonhe com... Beckendorf dormindo.

Eu ri daquilo.

Eu: Tá bom. Vou tentar sonhar só com coisas boas.

Percy: Isso.

Ele ficou afagando os meus cabelos.

Eu definitivamente amava muito Percy. Ele me dava uma sensação de paz e tranquilidade. E foi ali, deitada no chão, no colo dele, que eu percebi que nenhuma das minhas dores havia passado. Pelo contrário, haviam piorado. E eu estava muito exausta. Achei que quando acordasse, me sentiria melhor. Parece que eu tenho o dom de achar errado.

Em meu sonho, duas dracaenae andavam em um túnel subterrâneo, carregando uma tora de uns seis metros de comprimento. Nessa tora, estavam amarrados inconscientes meus irmãos Will, Lee e Jenna.

Dracaena 1: E vocccccê acha que elesss vem atrásssss de nóssss?

Dracaena 2: Eu acho que sssse a vidente ver onde nósss vamosss, ela vai nosss ssseguir, masss a Rainha vai sssegurá-lossss.

Jenna murmurou algo sobre uma serpente gigante e terra e a dracaena 1 chutou a cabeça dela. Quando eu visse esse monstro ao vivo, juro pelo Rio Estige, daria um super chute na cabeça dele. Elas continuaram seguindo pelo túnel que parecia infinito, junto com os meus irmãos. Meu sonho tremeluziu e a cena mudou.

Eu estava na mesma sala da minha visão, na qual meus irmãos estavam amarrados. A voz da Terceira Pessoa sibilou e riu. Vinha da direção da escuridão.

2ªPess: Venha, filha de Apolo. Venha resssgatar seus amados irmãos. E lembre-se: não há como chegar a onde eles estão, sem passar pela minha humilde caverna!

E a 2ª Pessoa riu de novo. Riu tão alto que o teto tremeu.

2ªPess: Você já viu tudo. Você sabe que vai matar aquele seu namoradinho e eu, você e Hades reinaremos! Penssse na minha oferta. Você é uma garota muito inteligente. Eu odiaria dessssperdiçar a sua alma. Estou ansiosa para entrar no seu corpo, mas eu acho que você merece mais. O que foi? Ainda acha que aquela sssua primeira visão vai acontecer mesmo? Que vocês dois vão se casar e ter mesmo dois filhinhos que viveriam sobre a proteção de vocês? Há, há, há! Não enquanto você for uma semideusa. Mas você não precisa ser uma semideusa para sempre; pode se tornar uma deusa simplesmente passando para o meu lado.

Eu: Não tenho como passar para o seu lado – estranho. Nunca havia falado em um dos meus sonhos antes. – Eu nem sei quem você é. Além do mais, eu jamais lutaria contra meus irmãos. Muito menos contra Percy.

2ªPess: Ah, você vai lutar contra ele.

Eu: Nunca!

2ªPess: Protessstar não adianta. Você viu e vai acontecer. Aquela sua primeira visão foi uma ilusão.

Eu: Essa visão foi uma ilusão!

2ªPess: Essa visão está mais próxima do que você imagina. Não me faça jogar a sua alma fora. Ela pode valer muito. Tem mais almas disputando o seu corpo, então aceite por bem ou aceite por mal. Quanto a mim? Não se preocupe. Logo você saberá quem eu sou. Na hora certa.

Vi alguns traços que me pareciam um sorriso pela escuridão, e uma língua saiu para fora. Parecia a língua de uma cobra. Depois, a língua voltou para dentro. Agora era oficial: eu odeio a Segunda Pessoa. Meu sonho tremeluziu e tudo escureceu.

Abri meus olhos e me deparei com Annabeth me balançando pelos ombros.

Annabeth: Raphaella! Acorde!

Eu: Hã... ? Já... já está amanhecendo?

Annabeth: Não. Não está. É minha vez de fazer a vigia. Vá para dentro da barraca.

Eu: Hã... tá. Cadê o Percy?

Annabeth: Já está lá, na barraca dos homens.

Eu: Ok. Valeu.

Me levantei e fui aos tombos para a barraca das meninas. O ruim seria que a noite estava apenas começando. Eu ainda teria mais sonhos. Odeio sonhar. Entrei na barraca e lá havia um pequeno espaço no cantinho. Tínhamos muitas mulheres e poucos homens naquela missão. Me espremi no canto que havia lá e deitei. Não demoraram dois segundos para mim voltar a ter pesadelos. Não sonhos. Quando se é um semideus, são pesadelos.

Eu estava apoiada na grade de uma varanda de um apartamento. De onde eu estava, eu podia ver um anoitecer lindo. O céu era colorido e enfeitado pelas nuvens que pareciam ser pintura. Eu estava usando uma sapatilha de veludo preta acompanhada por uma saia azul marinho e uma blusa com um coração dos Estados Unidos. Ópera não estava no meu pescoço.

Xx: Meu trabalho é simplesmente lindo – disse uma voz tão doce que chegava a ser enjoativa. – Tudo o que eu faço é lindo, não é mesmo, Raphaella Harmon?

Olhei para trás e vi uma mulher deitada em uma espreguiçadeira. Ela tinha cabelos castanho-avermelhados, como eu, mas lisos, e presos em uma trança que lhe caia sobre o ombro esquerdo em um cabelo longo. Eu tinha cabelo curto, você sabe. Um pouco abaixo dos ombros. Ela até se parecia um pouco comigo. Só que parecia ter passado recentemente dos trinta anos. Usava um vestido paetê verde justo e saltos azuis marinho e estava segurando um Martini.

Eu: Hã... acho que é.

Apontei para a Lua.

Eu: É seu trabalho?

Ela fez que sim com a cabeça.

Eu: Então, você é Ártemis?

Ela franziu o cenho. Depois começou a rir. Eu ri também, mas de nervoso.

Xx: Entendi. Entendi. Você não me reconheceu. Eu até vou aceitar que você me confunda com Ártemis, só porque temos parentesco muito próximo, mas da próxima vez, me reconheça de imediato.

Então, raciocinando, eu cheguei a uma conclusão.

Eu: Você é Leto. Deusa do anoitecer.

Ela sorriu, como se aprovasse a minha ideia.

Leto: Bom. Muito bom. Agora, responda à minha pergunta: o meu trabalho não é lindo, minha neta?

Eu: É sim. Bem bonito. Sensacional, Lady Leto.

Leto: Por favor, me chame de vó. Me lembra de que eu sou muito muito velha, o que me lembra de que eu sou uma deusa. Eu adoro me lembrar de que eu sou uma deusa.

Eu: Claro, vó.

Leto: Agora, estou pensando em seu pai. Ele é um eterno adolescente. Gosta de ser chamado de pai porque isso lembra a ele que é velho, e que é um deus, e que é poderoso. Ah, Apolo... Às vezes ele faz coisas sem pensar.

Eu: Como o quê?

Leto: Como você.

Aquilo me ofendeu.

Eu: Como eu?

Leto: Não você, você, a pessoa, Raphaella Harmon. É só que você é feita de poder. O erro dele foi esse.

Me confundi. Ela deu uma golada em seu Martini.

Eu: Eu? Eu sou feita de poder?

Leto: Mais do que você imagina. Seu pai pode pensar como um adolescente, mas ele é o deus das profecias. Ele sabe das coisas. Porém ele cometeu um grande erro com você, ao escolher e conceder os seus poderes. Ele te fez poderosa demais. Você, meu Pequeno Pôr-do-Sol, é quase tão poderosa quanto a minha Pequena Deusa-Lua.

Eu: Ártemis, no caso.

Leto: Exatamente.

Me senti um pouco zonza naquele momento. Aquelas palavras não me faziam muito bem.

Eu: Eu sou tão poderosa quanto Ártemis?

Leto: Não, não. Só quase. Você só é tão poderosa quanto... – ela fez caretas e ficou estalando os dedos, como se procurasse a palavra certa. – Um Olimpiano.

Ela deu outra golada no Martini.

Eu: Ótimo.

Leto: Você é invencível. Pelo menos seus poderes são. Você pode fazer muito mais do que pode imaginar, meu Pequeno Pôr do Sol. Você acha que seus poderes obtém força nas suas emoções? Então, se você se estudar e criar controle sobre os seus sentimentos, vai descobrir um poder inimaginável, incrível e incontrolável. Poderia ser tão poderosa quanto Ártemis, sim.

Eu: Por que sou tão comparada à Ártemis?

Ela sorriu. Por um segundo, realmente pareceu uma avó, não uma estrela de cinema bêbada de 70 anos que já fez muitas plásticas para parecer jovem e que se preocupava um pouco com um ou outro neto.

Leto: Porque vocês duas são parecidas. Veja bem: as duas são arqueiras; as duas tem cabelos castanho-avermelhados...

Eu: Mas ela tem o cabelo que quiser.

Leto: Ela fica quase sempre em uma forma que tem cabelos um pouco mais avermelhados do que os seus, e o rosto é até parecido com o teu; vocês duas tem essa personalidade forte, determinada e protetora. Minha filha é muito parecida com você nesse aspecto.

Eu: Puxa. Eu diria que eu puxei isso dela, mas... ela não tem DNA. Nem você. Nem meu pai.

Leto: Exatamente. – ela deu uma golada em seu Martini. – Por isso escolhi esta forma para vir falar com você. Assim, fico parecida com a minha filha e com a minha neta. Você consideraria o seu pai um irresponsável?

Franzi o cenho. Tipo, aquela pergunta não tinha nada a ver.

Eu: Hã... acho que ele flerta demais com as garotas.

Leto: Tem razão. Ele sempre foi um tremendo pegador. Ficava com todas.

Eu: Uau. Isso é... estranho.

Leto: É... pode até ser.

Ela bebeu mais um pouco do Martini. Aquela bebida já estava me irritando um pouco.

Eu: Hã... vó?

Leto: Sim, querida?

Eu: Por que exatamente você veio falar comigo?

Ela riu. Minha avó é meio estranha.

Leto: Você é a neta mais engraçada que eu já tive. Agora, seus amigos estão te esperando. Ache seus irmãos.

Lágrimas surgiram nos olhos dela. Foi meio cortante para o coração.

Leto: Apolo e Ártemis são meus únicos filhos – disse ela com a voz embragada. – E Ártemis não tem filhos. Tudo o que me resta são os filhos de Apolo como netos. Você é a filha preferida de Apolo, então, é minha neta preferida. Seja uma excelente garota. Pelo menos, até a sua visão mais odiada se cumprir. Daí em diante, não será mais com você. Você já viu tudo. Quando for a deusa de um monte de coisas...

Não aguentava mais.

Eu: Eu não vou ser deusa de nada. Percy e eu vamos evitar que isso aconteça. Eu já vi ele adulto e vivo.

Leto: Foi uma visualização da possibilidade, Pequeno Pôr-do-Sol. Enfim, quando for a deusa de um monte de coisas, lembre-se de sua velha avó aqui. Meus únicos filhos são Olimpianos, e minha neta preferida também será. Que orgulho dos meus descendentes!

Ok. Eu estava começando a sentir pena da vovó.

Leto: Agora, acorde, resgate seus irmãos e honre sua família. Até mais, meu Pequeno Pôr-do-Sol.

Eu: Mas, vó...

E tudo escureceu.

Notas finais
Recomendações são bem vindas, comentários são OBRIGATÓRIOS mas o que importa é o entretenimento de vocês.