Rangers -ordem Dos Arqueiros -a Lealdade
38 Capítulo 38
Notas iniciais
Capítulo 38
O pátio do castelo estava escuro e frio. Erak andava de um lado para outro com barris de piche e azeite para cima das muralhas. Quando tinha feito uma pilha perfeita com os barris, ele desceu e pegou alguns calderões que estavam guardados no depósito do castelo.
-Isso aqui irá servir – disse o Escandinav,o jogando um enorme calderão inferrujado em cima da pilha que iria subir até as ameias.
Erak despejou os barris de azeite dentro dos calderões e depois os colocou para ferver em cima de algumas fogueiras que ardiam para esquentar as sentinelas que estavam de vigia.
-Para que todo esse azeite fervendo? – perguntou um guarda que tinha vindo para dentro do raio da luz do fogo.
-O general mandou – Erak respondeu.
-Para quê? – o guarda perguntou. – Erak percebeu que ele estava desconfiado. “Será que estou dando na cara? Não. Estou fazendo tudo certo”, – pensou Erak.
-Não intereça – ele finalmente respondeu. -Se o General manda por o azeite para ferver, não é do meu interesse, e nem do seu, questioná-lo o porquê.
-Você está me desafiando? – rosnou o guarda. Seu rosto estava com a pele esticada sobre os ossos, que Erak teve a impressão que se ele erguesse o olho mais um centímetro a pele se rasgaria.
-Não – retrucou o Escandinavo.
-Não, senhor – repetiu o guarda, dando mais tom ao “senhor”.
-Não precisa me chamar de senhor – disse Erak sarcasticamente.
-O General mandou que ele fervesse o azeite – confirmou um outro guarda que tinha ouvido a conversa e simpatizava com Erak.
-Está vendo, idiota? – perguntou ao guarda. Sem esperar resposta do homem ele se virou e saiu de perto a passos largos.
Erak empilhou algumas tochas mergulhadas em piche ao lado do resto das coisas e desceu os degraus da torre. Quando entrou no salão dos guardas, a atmosfera estava pesada. O ar cheirava a cerveja e as traves do teto estavam negras de fumaça que saía da enorme lareira central.
-Rodrick! – exclamou um homem que ele reconheceu como um dos chefes da guarnição –, venha beber conosco!
-Como vai, Harren? – Erak perguntou depois de puxar uma cadeira para a mesa.
-Muito bem! – pela resposta, Erak percebeu que o homem estava pra lá de bêbado. “Quanto mais bêbados tiver, mais fácil será”, – pensou divertido.
-Onde está o resto da guarnição? – quis saber.
Harren deu de ombros e fez uma careta que pretendia ser um sorriso.
-Isso realmente importa? – quis saber, enchendo outra caneca de cerveja.
-É claro que importa – confirmou Erak se servindo da bebida.
-Alguns estão jogando, outros nas muralhas, outros com as serviçais e outros bebendo.
-Sim, esses eu posso ver – sussurrou Erak. Realmente, uma boa quantia dos guardas estavam sentados em mesas com canecas e canecas de cerveja. A outra parte, ele também sabia que era verdade. Com pouquíssimas mulheres presentes, os homens brigavam para ficar com as outras. Mas era a outra parte que o preocupava. Quantos homens teria de vigia nas ameias do castelo? Ele tinha que ver e fazer a estimativa de números.
-Vou ter de sair, Harren – informou ao homem bêbado sentado a sua frente. -Trabalho nas ameias.
-Claro – respondeu o homem sem tirar os olhos da sua caneca. -Boa sorte.
-Obrigado – respondeu Erak virando as costas.
Quando saiu para o pátio gelado, seu coração começou a bater mais rápido. Ele sabia que Halt e Will estavam se sentindo igual.
Os dois estavam em um silêncio profundo fazia um tempo. Cada qual pensava no modo em que iriam sobreviver a batalha sem os seus arcos.
-Porque tão calado? – Halt perguntou carinhosamente.
-Hum... eu... só estou com medo – respondeu o jovem fitando seus joelhos.
Halt o olhou nos olhos, e mais uma vez ele teve a impressão de que o arqueiro estava lendo a sua mente. Seus
Olhos se encontraram e Will os desviou rapidamente, para olhar algo interessante Por cima da cabeça de Halt.
-Não há vergonha em admitir o medo – disse ele de repente.
-Eu...
-O medo nos faz ter a coragem necessária para enfrentá-lo – ele continuou sem dar atenção ao comentário do jovem. -Eu já lhe
Disse várias vezes que um arqueiro sente medo da hora em que acorda a hora que vai dormir. Não foi diferente comigo e não será diferente com você.
Os olhos castanhos encontraram os escuros e desta vez Will sustentou o olhar.
-Pode ser corajoso se tiver medo? – ele perguntou em voz baixa.
-Essa é a única forma de ser corajoso – respondeu o arqueiro com a voz firme; a voz que Will precisava ouvir.
Do lado de fora do castelo as tropas de Horace e Crowley já estavam entrando em formação. Horace estava com o escudo no braço espuerdo e a mão no punho da espada. Ele estava de pé na linha de frente de seus guerreiros e dos arqueiros, que estavam em um silêncio mortal para escutar.
-Lutem! – bradou Horace. –Lutem pelas suas famílias, lutem por seus filhos, lutem para defender seu reino!
O grito que saiu das 250 gargantas poderia acordar a floresta no raio de 600 metros em 360 graus.
-Vamos abrir caminho para cima das muralhas, vamos derrotar o inimigo e vamos os expulsar de uma vez por todas do nosso reino! – mais uma vez os homens gritaram e a alegria invadiu o peito de Horace. -Vamos salvar Halt e Will! Vamos salvar o castelo que defende o norte de Araluem! Acreditem em vocês mesmos, mas, também confiem em quem está ao seu lado! Eles serão os seus maiores amigos durante a batalha. Agora é tempo de esquecer as brigas, as richas e a inimizade. Agora é hora de todos confiarem em todos! – o grito surgiu mais uma vez, e Horace viu mãos sendo apertadas por todos os lados. -Lutem juntos e fiquem hunidos e o inimigo não aguentará!
-Ele está certo! – berrou uma voz do centro da coluna.
-Vamos fazer isso mesmo! – gritou outra.
-E nós vamos ganhar! – esbravejou um dos arqueiros.
-Vamos expulsar esses invasores do nosso reino!
-Apoiado!
-Lutem! – incentivou Crowley com sua voz retumbante. –Lutem e vençam!
Horace puxou a espada e a levantou por cima da cabeça.
-Vamos! – ele gritou, fazendo com que todas as espadas deixassem o descanso de suas bainhas. –Por Araluen! Por Duncan!
E eles caminharam em direção a estrada que levava ao castelo, marchando no rítimo de suas espadas trovejando em seus escudos pintados.
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