Rangers -ordem Dos Arqueiros -a Lealdade
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Capítulo 28
Will e Halt estavam sentados dentro da sela no subsolo do castelo Macindaw a dois dias. Durante esse tempo, Halt contara a Will que quando eles foram presos, ele havia visto uma escadaria que continuava a descida até... bem, Halt não sabia onde daria. Os dois passaram esses dois dias tentando pensar em hipóteses do fim do caminho, mas como o treinamento dos dois os ensinou, Halt e Will só iam aceitar uma sugestão, depois que comprovassem a verdade. Só que, nenhum dos dois sabiam como poderiam fazer isso sem por a vida do outro em perigo. Os escoceses foram bem claros quanto a isso “se um fugir, o outro vai pagar com a própria vida”, – disse o general em uma de suas breves visitas aos porões do castelo.
Agora, os dois estavam inquietos, andando pelo minúsculo espaço em que foram confinados.
-Droga! – praguejou Will. – Eles tinham passado quase o dia inteiro sem receber as duas refeições do dia.
-Droga – repetiu Halt. -O que eles pensam que nós somos?
-Assassinos ferozes – respondeu Will. -Vermes nojentos, animais. Ou pior, acreditam que nos alimentamos da carne um do outro.
Halt bufou de escárnio. Ele estava morrendo de fome e a ponto de se descontrolar, mas, estava se contendo para ajudar Will. “se eu me descontrolar, não vou estar ajudando ele em nada”, – pensou o arqueiro. Foi até um canto da sela e sentou resmungando:
-Idiotas. Será que não percebem que quanto mais eles fazem, com mais raiva eu fico?
Will se virou para ele cismado.
-Acho que a sua lista está aumentando – comentou despreocupado. – Halt deu um sorriso maldoso para ele, aquele sorriso que Will só tinha visto quando Halt quase teve a chance de matar o temível Morgarath.
-Sim, ela está – confirmou Halt.
Will continuou sua interminável caminhada por dentro da sela, até escutar um barulho que o fez parar de imediato. Ele olhou na direção de Halt e apontou na direção que o barulho havia vindo.
-Sim – disse o arqueiro mostrando as palavras nos lábios. -É só o que faltava para completar nosso dia.
-Comida – sussurrou Will confiante.
-Espero que você esteja certo.
Will foi até onde Halt estava e se sentou ao lado do arqueiro.
-Agora é só esperar nossas visitas.
Depois de alguns minutos, o barulho estava alto – dois pares de pés andando em direção da sela. – Will colocou dois dedos no braço de Halt – um método que ele havia aprendido a fazer e a entender, quando estivessem em situações que não pudessem usar a fala. – Halt devolveu o gesto e esperou.
Um segundo depois eles ouviram um molho de chaves, e depois ela estava virando dentro do cadeado que prendia as correntes das grades.
-De pé! – ordenou a voz conhecida de Jhond.
Os dois homens se levantaram e encostaram na parede áspera.
-Vim apresentar o novo amigo de vocês – continuou o homem. –Já cansei de olhar para vocês.
“Que coincidência, nós também estamos”, – pensou Will.
-O nome dele é Rodrick – Jhond continuou. -Rodrick, esses são os dois porcos que estamos esperando crescer para mandá-los ao matador. O arqueiro e o pequeno arqueiro.
-Cala a sua boca – respondeu Will com a voz perigosamente baixa.
-Não ligue para ele, Rodrick – falou Jhond sem dar atenção a interferência de Will. -Bem, eles são seus. Divirta-se.
-Não se preocupe. Tenho certeza de que vamos nos dar muito bem.
Halt e Will trocaram um olhar de alerta. Esse homem, Rodrik, estava mentindo. Will conhecia essa voz em qualquer lugar.
-Você... é... – mas antes que terminasse, Halt lhe deu um olhar o repreendendo.
-Desculpe...
O homem abriu a sela e entrou com uma bandeja de comida velha e fria.
-São para os dois – falou em voz alta para que Jhond o escutasse. -Comam logo e de boca fechada.
Will e Halt trocaram outro olhar. O jovem arqueiro olhou em volta para se certificar que ninguém estava escutando – então se virou para o seu novo amigo.
-Eu não vou comer essa comida de rato – disse ele fazendo cara de nojo para a comida.
-Eu também não, Erak – Halt disse baixinho.
O escandinavo deu um largo sorriso para os dois amigos.
-Eu nunca achei que iriam – disse ele retirando a tampa da bandeja. – Nessa hora, Will se virou com ânsia de vômito.
-Nem pense nisso – disse Halt segurando o ombro do jovem.
Erak colocou a bandeja para fora da grade, e para a felicidade de Halt e Will, retirou o pano de cima de um prato, revelando pernas de galinhas temperadas com limão e cebolas e com um leve toque de vinho, pão acabado de sair do forno, arroz e um cozido de batatas, cenouras, carne fresca e com vinho e, é claro, uma jarra de café.
-Meu deus... sussurrou Will tomando um grande gole da bebida favorita.
-Graças – falou Halt pegando uma perna de galinha. – Will viu a ação e segurou seu braço.
-Eu quero metade disso – disse ele dando uma mordida na carne.
-Tem mais lá! – disse Halt irritado.
-Não igual a essa – retrucou Will.
O arqueiro o olhou com incredulidade, mas resolveu comer antes que o jovem quisesse outro pedaço.
-Vocês estavam com fome mesmo – comentou Erak se divertindo vendo os dois devorando as comidas. Ele deixou os dois brigarem para limpar o fundo do prato com o último pedaço de pão, que acabou sendo dividido, e pigarreou para chamar a atenção deles.
-Talvez vocês queiram saber – começou Erak. – Os dois olharam para ele.
-Saber o quê? – perguntou Will tampando a boca e soltando um discreto arroto.
-Que Crowley e Horace estão treinando todos os homens que podem para invadir o castelo – continuou Erak. –Ah, tem trinta Escandinavos com eles.
-Que bom – resmungou Halt. –Só que daqui a oito dias chega mais cento e cinqüenta homens.
-Quanto a isso não se preocupem – tranqüilizou Erak. -Crowley está no comando de tudo.
-Tomara – falou Will. –Eu estou com tanta vontade de mandar esse Jhond e Thun para o quinto dos infernos.
-Eu também quero cumprir a minha palavra – disse Halt.
-Sua palavra? – Erak perguntou.
-Sim – respondeu o arqueiro. –Eu prometi ao general que ia apresentar a minha faca para ele.
Will deu uma risadinha, e o olhar fulminante de Halt caiu sobre ele.
-Eu... eu quis dizer... bem, eu não queria estar na pele desse sujeito abominável – disse ele achando as palavras certas.
-Eu também não – concordou Erak. –Se tem alguma coisa que eu aprendi, foi que a sua memória é longa, Halt.
O arqueiro sorriu e olhou para o prato, tentando achar algum resto do jantar.
-A propósito – ele tirou duas bainhas duplas de um saco e estendeu para eles. -Acho que isso pertence a vocês.
Os dois pegaram as facas e as esconderam de baixo de alguns panos.
-Obrigado – agradeceu Halt.
-Tudo bem – respondeu Erak. -Mas, vamos ter que tomar cuidado. Eu me infiltrei aqui para transmitir informações para Crowley,e para melhorar o cardápio de vocês. – Nesse detalhe os dois sorriram. -Tomem cuidado para não me descobrirem. Terei de ser mal, mas é para o bem de todos.
-Nós entendemos – disse Will.
-Pode contar com a nossa discrição – falou Halt. –Se continuar trazendo o café, você pode contar com a gente.
Erak sorriu e estendeu a mão para apertar a deles. Depois, olhou para o prato de comida.
-Será que vocês permitem que eu leve o prato?
-Leve – disseram os dois juntos. – Pela voz, Erak percebeu que eles queriam mais.
-Preciso ir. Tchau – disse ele saindo da sela e trancando as grades outra vez.
-Por segurança – disse ele. –Vai que tentam fugir durante a madrugada.
Mentalmente, Halt mandou o enorme Escandinavo para o inferno.
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