Random Hearts
1 01. Squirtle, I Choose You?
Notas iniciais
Eram seis da manhã, o sol acabara de aparecer no horizante. Angeline corria a todo vapor, não vendo à hora de chegar ao laboratório do Professor Oak. A garota era a única caminhando pelas ruas de Viridian. Estava um silêncio absoluto e não dava para se ouvir nada a não ser o som do canto dos Pidgeys selvagens e os passos rápidos de Angeline.
A garota passara a noite toda pensando em qual seria seu Pokémon inicial, embora já tivesse em mente qual seria há muito tempo. Estava decidida a ter um Bulbasaur.
Ao chegar no laboratório, Angeline nem se preocupou em bater na porta ou tocar a campainha, simplesmente abriu a porta rapidamente, entrou correndo no local e soltou um grito desesperado.
– Estou aqui!
Ninguém a respondeu. Impaciente, Angeline começou a vasculhar o laboratório. Era um lugar meio bagunçado, mas muito interessante. Havia vários livros nos quais Angeline julgou ter informações sobre pokémons. Apesar da luz do local estar acesa não havia ninguém ali.
Talvez o Professor não tivesse acordado ainda, mas Angeline estava ansiosa demais. Sua mãe havia a avisado o horário correto que os treinadores deviam ir pegar seus pokémons iniciais, mas a garota não se importou em sair uma hora mais cedo.
Tentando encontrar o que procurava, ela parou e olhou em volta. Não viu as Pokébolas, nem mesmo as famosas Pokédex. Impaciente, a garota começou a andar de um lado para o outro, esperando que alguém chegasse, que alguém pudesse ajudá-la. Como se alguém tivesse ouvido suas preces, a porta de entrada rangeu. Ela parou e ficou olhando na expectativa.
Quando a porta se abriu, um garoto da sua altura, com cabelos bem pretos e uma bolsa pendurada ao lado do corpo, entrou. Ela ficou o olhando por um momento, e ele retribuía o olhar, sério. Gentilmente, Angeline sorriu e estendeu a mão na direção do garoto.
– Olá, meu nome é Angeline.
O garoto ignorou Angeline e sentou-se em uma cadeira que havia ali. Angeline desviou o olhar para o nada. Ela já estava acostumada com esse tipo de reação das pessoas.
Haviam se passado alguns minutos e o era silêncio profundo. Angeline não estava mais suportando aquilo, queria logo pegar seu pokémon e sair daquele lugar.
O garoto de cabelos negros continuava sentado na cadeira, lendo o que parecia ser um guia. O dia estava ficando mais claro e o barulho da porta se abrindo deu esperanças á Angeline.
Lá estava o tão famoso Professor Oak. Ele olhou para os jovens, espantado. Ele não esperava encontrar pessoas tão cedo por ali.
Sempre disposto, o Professor entrou alegremente no laboratório, sorrindo e dando um bom dia para Angeline e o garoto. Ele trazia consigo uma grande mochila branca, a qual segurava com muito cuidado. Foi até uma mesa e colocou a mochila sobre ela, virando-se para os jovens.
– Então, vocês são os novos treinadores por aqui, não é? — indagou o Professor — Podem me dizer seus nomes?
– Eu sou Angeline, Professor. É realmente um prazer te conhecer.
O garoto dos cabelos negros fechou o guia e levantou-se, caminhando para perto dos dois, então falou num tom baixo e frio:
– Gray, prazer, Professor Oak.
– Muito prazer em conhecê-los Gray e Angeline. Vocês estão realmente ansiosos em escolherem seu primeiro pokémon, hein? — O Profesor indagou, virando-se para a mochila e a abrindo.
– Estou super ansiosa para pegar o meu Bulbasaur, Professor! — Angeline confirmou sua ansiedade e grudou os olhos na mochila que o Professor havia trazido consigo.
– Então você irá escolher um Bulbasaur? Ele é um ótimo pokémon para se começar uma jornada.
Angeline sorriu, acenando com a cabeça.
– E você, Gray? Com que pokémon irá começar sua jornada? — O Professor indagou, percebendo que o garoto era muito calado. Completamente diferente de Angeline que era energética.
– Charmander. Ele combina exatamente com a minha personalidade. — respondeu Gray.
Angeline olhou para o garoto por um momento, o achando meio esquisito. Logo virou-se para o Professor, dando pequenos pulinhos de alegria. De dentro da mochila, o Professor pegou três Pokébolas, as colocando sobre a mesa. Ele escolheu a do canto esquerdo e entregou-a para Angeline.
– Aqui está seu Bulbasaur.
Depois pegou uma das duas que havia sobrado e entregou para Gray.
– E aqui está seu Charmander.
Os jovens ficaram olhando para as Pokébolas em suas mãos. No meio daquela tranquilidade, alguém abriu a porta. Era um vulto pequeno e de cor marrom. Um Zigzagoon. Ele correu até perto dos três, bateu neles e na Pokébola que sobrara encima da mesa, fazendo todas as Pokébolas caírem no chão e se misturarem.
– Olha só o que esse Pokémon idiota fez! — Gray resmungou, olhando as Pokébolas caídas no chão.
– Não xingue ele. Você não sabe que Zigzagoons são Pokémons agitados? — Angeline indagou, olhando para o pequeno Pokémon que corria entre suas pernas.
– Desculpe, mas apenas estudo sobre Pokémons de Kanto. — Gray disse ríspido, cruzando seus braços.
Uma pequena garota loira entrou abruptamente no laboratório. Ela estava muito cansada, parecia ter corrido uma maratona inteira.
Todos no laboratório desviaram o olhar para a garota quando o Zigzagoon correu até ela.
A pequena garota segurou o seu Zigzagoon, então viu que todos ali estavam com a atenção virada para ela. A garota corou e saiu correndo do laboratório com o Pokémon nos braços.
– O que foi que acabou de acontecer aqui? — Disse Professor Oak, rindo.
Angeline abaixou-se e pegou duas Pokébolas do chão, ficou com a que acreditava ser de seu Bulbasaur, enquanto entregou a outra para o Professor. Gray também pegou uma Pokébola do chão, a de seu Charmander.
O garoto já ia saindo do laboratório, quando o Professor pediu para que ele ficasse, pois tinha mais uma coisa a entregar para os dois. Ele mexeu mais um pouco na mochila, pegando duas Pokédex e entregando uma para cada um dos novos treinadores.
Angeline pegou sem delonga a sua Pokédex. Acenou com a cabeça, e então agradeceu ao Professor:
– Muito obrigada, Professor.
– Não precisa me agradecer, Angeline. Essa é a minha obrigação. Só espero que você cuide muito bem de seu Pokémon. — O Professor disse gentilmente.
– Pode acreditar nisso, Professor. — Angeline respondeu, olhando para a sua Pokébola, pensando em tudo que conseguiria junta á seu Pokémon.
– Bem, eu estou indo embora. — Gray disse, caminhando em direção á porta.
– Eu também tenho que ir. Será que podemos ir juntos? — Angeline perguntou, esperando que Gray se virasse e lhe desse uma resposta, mas o garoto apenas continuou caminhando, como se a garota não houvesse dito nada.
Ela ficou olhando ele sair do laboratório silenciosamente. Apresentou um semblante tristonho, mas logo voltou a sorrir.
– Garoto misterioso, não é? — disse o Professor.
– Ah.. É sim. — respondeu Angeline — Eu queria lhe agradecer novamente, Professor.
– Não precisa agradecer, minha jovem. Agora vá, sua jornada começa agora.
Com um belo sorriso de orelha à orelha, Angeline saiu correndo feliz do laboratório. Ela correu até debaixo de uma árvore, imaginando ser um bom lugar para conhecer seu primeiro Pokémon. Abaixou-se, deixando a Pokébola no chão. Ficou olhando para a mesma com aquele sorriso, então disse baixinho:
– Pode sair agora, amiguinho.
A Pokébola se abriu, projetando o brilho de uma criaturinha pequena. Ali estava o Pokémon inicial de Angeline. Azul, com um casco e lindos olhos brilhantes. Um Squirtle. Angeline ficou parada olhando para o Pokémon, não acreditando no que via, enquanto o pequeno Squirtle sorria alegremente para ela.
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