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4 4 - Como Uma Maldição


Lá fora, a neve caía. O mundo frio e branco como o seu coração desde que ele partiu. Seu corpo estava morno frio, seu hálito fazia um círculo embaçado na janela, lembranças de um passado feliz assolavam sua cabeça. Sentia falta do corpo quente que a envolvia nos dias frios, sem que precisasse pedir.

Por que isso aconteceu? Era a pergunta que mais se fazia desde então. O que ela era agora? Nada além de uma assassina solitária. Nunca pensou que um dia estaria nessa situação. Realmente, o destino prega peças.

As lembranças de momentos felizes com as duas pessoas que mais amava intercalavam-se com imagens de corpos inertes, sangue e cheiro de pólvora. Sentiu na pele que sentimentos podem ser piores que drogas ou bebidas.

Desde criança, convivia com Matt e Tommy e eles eram seus melhores amigos. Os três eram inseparáveis. Com o tempo, Matt tornou-se mais próximo e a amizade foi transformando-se em paixão, mas Tommy não foi isolado nem perdeu a atenção dos amigos, como era de se esperar. Apesar disso, Tommy começou a se afastar por conta própria, com um misto de raiva e ciúmes crescendo dentro de si.

Um ano se passou e após brigar com os pais e ser expulso de casa, Matt foi buscar abrigo na casa dela, o que acabou oficializando sua relação como namoro. Formavam um casal feliz, pareciam feitos um para o outro. Quanto a Tommy, desapareceu subitamente, não dando mais notícias.

Meses depois do sumiço de seu ex-melhor amigo, estavam dormindo quando subitamente foram acordados de madrugada por um forte estrondo, seguido por passos pesados percorrendo a casa. Quando um vulto surgiu na porta do quarto, Matt abraçou-a instintivamente, mas não teve tempo de dizer nada antes de ser atingido por uma bala certeira. Ela saiu correndo e escapou de ser atingida fatalmente, mas seu braço ardia em brasa e ela sentia um líquido quente escorrendo por ele. Ao chegar à cozinha, acendeu a luz e viu um tiro de raspão no braço esquerdo.

Ouviu as pesadas botas aproximando-se e pegou uma faca na gaveta, escondendo-se atrás da porta. O grande vulto vestido de preto passou sem percebê-la, e ela acertou seu braço em um ataque por trás. Com isso, o homem caiu no chão e derrubou seu revólver. Habilmente, a garota arrancou sua máscara e não conteve um grito de espanto ao ver um rosto que conhecia bem, desatando a chorar. Tommy.

— Por que você fez isso? Por que o matou? — sussurrou ela, entre lágrimas.

— Porque eu te amo — disse ele, com uma voz rouca, e continuou — e você é a próxima.

Ela percebeu que ele se esticava no chão e se aproximava da arma. A garota correu e foi mais rápida, pegando a arma e atirando em Tommy. Suas últimas palavras eram como uma maldição que a acompanharia pelo resto da vida.

— Você nunca vai se livrar dessa culpa.

Notas finais
reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.