Ramificações de Cerejeira - 23

1 Reencontro entre Mestra e Aprendiz


Notas iniciais
Bom, eu tinha prometido trazer o outro lado da moeda disso e aqui está!
Demorou porque, como sempre, minha vida está um caos, mas acredito que vou sobreviver, como sempre sobrevivo! Enfim….
Já adianto que é melhor se preparar para ler e ter a mente aberta, porque o que tem aqui é o ponto de vista da Tsunade, sendo errôneo ou não, não esqueçam de que ela não sabe tudo e nem está perto de saber, ok?
Sejam compreensivas, por favor e, não esqueçam: amo vocês! Logo mais trago a Parte II lá em Pétalas de Cerejeira!
Boa leitura!*~
Obs.: Escrevi esse capítulo ouvindo em looping a música “Bound by Purpose” de Twelve Titans Music, Ascend the Starless Sky 2017. Sugiro que ouçam para trazer uma leitura mais imersiva e, por isso, deixarei nas notas finais o link caso queiram seguir minha sugestão.

CAPÍTULO ÚNICO

REENCONTRO ENTRE MESTRA E APRENDIZ

SPIN OFF DE PÉTALAS DE CEREJEIRA – CAPÍTULO 23

[…]

Dizer que estava destruída seria redundante.

Basicamente foi destituída do cargo de Hokage do jeito mais imundo possível;

E isso afetou de maneira negativa Konoha, seus habitantes e, sobretudo, todos aqueles que alimentavam ardentemente a chama e a vontade do fogo. Não duvidava de que seus Ninjas leais estavam em situação mais degradante que a dela;

Estava sendo perseguida, pressionada, testada de todas as formas e mantida isolada por sua própria nação;

Jiraya estava morto;

Sakura estava morta – concluiu isso após ficar sem nenhum respaldo da garota por quase cinco meses e, depois de enviar Kakashi para investigar melhor a falta de notícias em Kōtetsugakure— Vila Oculta do Aço –, local que Sakura havia relatado estar responsável pela retomada de poder, tiveram a confirmação de sua morte prematura após proteger a Vila em uma Guerra Civil. Até velório houve e também uma homenagem que durou sete dias.

Katsuyu estava incomunicável e, para um bom entendedor, meias evidências bastavam: se Sakura estava morta e Katsuyu incomunicável e ambas estavam juntas, morreram em batalha.

Era a única coisa que podia supor depois de tudo; mesmo sabendo que sua discípula era grandiosa e surpreendente e que Katsuyu era uma monstruosidade dócil que dificilmente seria derrotada por tão pouco.

Mas os tempos eram sombrios e os inimigos parcialmente desconhecidos.

Tudo podia acontecer, inclusive o pior.

E se alguém teve sucesso em matar aquelas duas, esse alguém era um potencial problema para Konoha. Um inimigo daquele porte poderia ser considerado outro perigo eminente para lidar.

Então, quando estava afundada até o último fio de cabelo na amargura do desespero, foi surpreendida:

Katsuyu não estava morta como supôs, apenas ilegível para a invocação e também para a invocação reversa – as duas únicas formas de contatá-la;

E, contrariando tudo o que soube até ali, Sakura estava viva, mas, diferente de Katsuyu que não estava morta como achou, ela estava viva, após voltar da morte, porque Kakashi se certificou de confirmar sua morte.

A única coisa que poderia ter acontecido era ter voltado da morte.

E aquilo era… não tinha palavras para definir o quão grave e assustador era aquilo.

Entretanto, não teve muito tempo para pensar sobre a “novidade”.

Muitas percepções vieram à tona enquanto encarava a lesma se portando evasiva e cautelosa.

— O que está acontecendo? — questionou, inevitavelmente em alerta e, talvez, até um pouco ríspida.

Nunca, jamais teve segredos entre Katsuyu e ela e, vê-la agir daquela forma suspeita, a deixava insegura.

— Posso tentar trazê-la para que tenha todas as respostas que precisa.

Daquela única frase, conseguiu extrair algumas informações:

“Tentar” e não apenas trazê-la. E, juntando aquela clara submissão com o fato de não conseguir fazer a invocação reversa, sentia que algo grande estava a caminho;

A invocação não lhe obedeceu quando ordenou que lhe desse respostas e isso era um grande alerta de que a cadeia de comando sobre ela, de alguma forma, havia mudado – mais uma vez isso ficou claro;

E, por último e não menos importante, a falta de cumplicidade que Katsuyu sempre teve consigo. A lesma disse aquilo e desapareceu em uma nuvem de fumaça, muito provavelmente para não ter que respondê-la.

Mas, até aquele instante, tudo estava se ajeitando dentro de si, se encaixando como peças de um quebra-cabeças, por mais que o processo estivesse lento e algumas peças, obviamente muito importantes, estivessem faltando.

Seus sentimentos calaram a racionalidade e, em vez de se concentrar em todas aquelas preocupantes evidências, mergulhou fundo na esperança de não ter perdido mais uma pessoa que era muito importante.

Tanto que sequer deu atenção quando Katsuyu, com um Kage Bunshin no Jutsu— Técnica Clone das Sombras – da Sakura, supôs, apareceram e fizeram algo enquanto Katsuyu a absorvia até que não pudesse ver nada; sua última visão foi o Kage Bunshin da Sakura ser absorvida por uma divisão da lesma e depois ser transformada numa réplica perfeita de si própria – como uma substituta, novamente supôs; coisa que não conseguiria fazer com Katsuyu mesmo que quisesse.

Ali já havia uma grande evidência de que algo estava acontecendo: além daquele feito, o quarto em que estava sendo mantida encarcerada tinham inúmeras Kekkaijutsu— Técnicas de Barreira – de alto nível e Katsuyu apareceu em seu quarto bastante calma e aparentando não ter tido nenhuma dificuldade; mesmo que a lesma fosse uma invocação formidável, no nível que estava, isso é: antes de acompanhar Sakura em sua jornada, não conseguiria. Podia afirmar aquilo com convicção e sem nenhuma dúvida.

Mas, novamente, tudo estava se ajeitando dentro de si, por isso não deu atenção devida aquilo.

E, depois de ver Sakura, de carne e osso em sua frente, qualquer racionalidade que tinha – ou resquício dela – se esvaiu como se nunca tivesse existido e só vieram lágrimas, uma após a outra.

Não tinha perdido mais uma pessoa.

Não estava mais tão sozinha.

Sua discípula, sua filha de consideração, estava ali viva, bela e saudável.

Abraçá-la foi instintivo. Continuar chorando uma consequência, mas não mais de tristeza como todos aqueles dias nos últimos meses e sim de alívio, felicidade e esperança.

Sakura estava ali.

Não foi responsável por mais aquela morte, pois ela estava viva.

Aquilo era tão libertador!

Só o que pensava era que, quando tivesse a oportunidade, finalmente poderia encarar Kakashi e Naruto e os demais membros do Time 7 de cabeça erguida e sem a culpa a assombrando.

Sakura estava viva.

Viva, linda, madura e forte… espere, viva?

Mas como?

Kakashi se certificou de que ela estava morta.

— Como está viva, Sakura? — repetiu, quando não obteve resposta na primeira vez que perguntou. O olhar esmeraldino, que sempre foi transparente, se mostrou blindado. Não lhe passava nada, nem mesmo um sinal do que estava sentindo e isso trouxe todas aquelas evidências à tona; — Sakura.

Silêncio e nada mais.

Foi isso que recebeu.

Nem um olhar mais afetado, nem um mínimo movimento corporal. Nada, nada mesmo.

— Como está viva, Sakura?

Exigiu. Porque ainda sentia que estava em posição “de”, principalmente porque a garota ainda a chamava como antigamente, como se a relação entre elas fosse como antes.

Mas não era.

E foi tola ao pensar que seria.

Jiraya a alertou. Kakashi também.

O que Kakashi lhe disse após voltar da primeira reunião com Sakura?

Acredito que… Godaime-sama, não sei como explicar isso, mas a Sakura que conhecemos está em algum lugar dela. Vamos ter fé.”

“… a Sakura que conhecemos está em algum lugar dela”?

Onde?

Vendo-a de costas para si, imóvel como uma perfeita estátua, não conseguia encontrar.

Um longo tempo se passou enquanto aguardava pacientemente por uma resposta, mas ela não veio, assim como nenhum movimento por parte de Sakura e isso a desestabilizou.

Sua discípula nunca foi daquele jeito.

Se estava contrariada, esperneava. Se estava acuada, agia, mas com cautela. Se estava com medo, tremia.

Mas aquilo? Aquela ausência de reação? Aquele controle absoluto sobre suas ações e emoções?

Não parecia em nada sua discípula.

Aquela conclusão a fez pressionar Sakura para ter alguma, qualquer uma, reação e isso se mostrou um erro sem precedentes.

Porque a reação não veio de sua discípula, veio de outra presente.

Ao segurá-la pelo ombro para virá-la para si – e assim poder olhá-la nos olhos para procurar alguma explicação sobre o que estava acontecendo –, Katsuyu avançou para cima de si com hostilidade e só o que a parou foi o braço estendido de Sakura.

E foi então que algumas peças finalmente se encaixaram…

Ainda não tinha respostas para todas as perguntas, mas ali, naquele instante, percebeu que Sakura e Katsuyu tinham uma ligação mais forte do que ela com Katsuyu.

Por quê?

O que houve para Sakura ficar acima dela na cadeia de comando?

Mais importante: o que houve para Katsuyu pensar, agir e sentir que, Sakura, tão mais nova e com menos tempo de contrato, tinha sua lealdade acima da dela, que era sua primeira invocadora?

O que aconteceu?

Como aconteceu?

Intercalou o olhar entre as duas buscando compreender, buscando ver o que parecia estar bem a sua frente, mesmo que não conseguisse enxergar.

— Está tudo bem, Katsuyu. — Sakura acalmou a lesma, quase que de imediato.

Acalmou de uma forma que tinha certeza de que não conseguiria acalmá-la se tentasse.

Naquele jogo, sentia que Katsuyu não era sua aliada, embora fosse de Sakura e isso a deixou estarrecida.

Estava prestes a questionar o que estava acontecendo quando percebeu algo…

“Katsuyu” e não “Katsuyu-sama” como deveria ser.

E foi aí que as outras peças, adquiridas no decorrer do reencontro, começaram a se encaixar, embora as principais, as que realmente precisava se encaixar, ainda estivessem ausentes.

Algo muito grave aconteceu.

Mas o quê?

Tinha os olhos arregalados, o corpo trêmulo com a descarga da adrenalina e o coração batendo erraticamente contra o peito.

Queria realmente descobrir o que aconteceu?

Buscou o olhar de sua discípula, encontrando-a com os olhos fechados, negando com a cabeça alguma coisa que sabia e que ela, tão mais velha e mais experiente, não fazia a menor ideia do que era.

Aquela garota… tão madura, tão controlada, tão obstinada…

Aquela garota não era sua discípula.

Acredito que… Godaime-sama, não sei como explicar isso, mas a Sakura que conhecemos está em algum lugar dela. Vamos ter fé.”

Onde?!

Ela queria ter fé, mas não conseguia, porque não via em lugar algum daquela garota que estava a sua frente a Sakura que conheceu.

Sakura abriu os olhos e a encarou de volta, mas o que quer que pretendia dizer desapareceu.

Silêncio.

Mais uma vez recebeu o silêncio.

Encarou Katsuyu, observando a lesma emanando algo sombrio, algo… hostil.

Katsuyu nunca foi hostil consigo.

Então sua experiência como Kunoichi— Ninja do sexo Feminino – captou algo que a fez intercalar o olhar entre sua discípula e sua invocação: a assinatura do Chakra das duas eram iguais.

Como as duas tinham a mesma assinatura de Chakra?

A menos que…

Por instinto, ergueu uma mão e deu um passo a frente para tocar sua discípula, mas a reação dela foi recuar ao mesmo passo que Katsuyu avançou, sendo parada novamente pela mão da garota, como se ela fosse algum tipo de escudo de defesa.

E, se tudo aquilo não serviu para dá-la a resposta que tanto evitou descobrir por si só, a frase posterior partida de Katsuyu lhe deu, como um tapa acertado em cheio:

— Sakura-sama?

Foi automático os olhos arregalarem ainda mais.

Sa-ma? — balbuciou, assombrada.

De alguma forma, estava até que aceitável Sakura não tratar Katsuyu devidamente, mas as coisas não pararam ali. A hierarquia foi alterada, invertida.

Como uma invocação monstruosa e poderosa se tornou subalterna de alguém como a Sakura?

Freou o próprio pensamento, no intuito de se impedir de tirar aquela conclusão… porque se tirasse aquela conclusão, poderia estar certa e, naquele caso específico, não queria estar certa.

A única forma de uma invocação monstruosa e poderosa se tornar subalterna de alguém, era encontrar alguém tão monstruoso e poderoso quanto ela.

Não… não tinha como Sakura ter se tornado essa pessoa.

Não tinha porque para ter se tornado essa pessoa, ela teria que ter recorrido a fins que certamente a machucariam.

Uma das peças principais se encaixou e no decorrer do que aconteceu nos próximos segundos, que foi Sakura abaixar com firmeza a regata cavada para mostrar um selo, as outras também se encaixaram.

Conhecia aquele selo.

Maldição… conhecia!

Não era possível… não podia ser!

Buscou o olhar de Sakura, mas, mais uma vez, não encontrou nenhuma resposta ou sentimento.

O olhar daquela garota estava blindado, se tornando impossível de penetrar ou decifrar.

— O que você fez? — sussurrou, sentindo um misto de emoções.

Silêncio.

De novo.

Silêncio, silêncio, silêncio…

Era ensurdecedor!

Os próprios lábios tremeram e foi preciso prender a respiração e morder o interior da bochecha para se distrair do que estava sentindo, pois estava prestes a sofrer um colapso.

— Sabe o que fiz, Shishou. — Sakura acusou, minutos depois de quase matá-la com o silêncio.

Mas o silêncio era melhor do que aquela acusação.

Porque ela realmente sabia, embora suspeitasse que não fosse nas circunstâncias que Sakura desconfiava.

Há muito tempo, anos após a deserção de Orochimaru, descobriu através de informantes do Jiraya que o ex-integrante do Time Hiruzen estava interessado em um Kinjutsu— Técnica Proibida – chamado: Isshō Keiyaku— Contrato Vitalício.

Não era especialista em Kinjutsu— Técnica Proibida –, mas, mesmo procurando sobre, tanto Jiraya como ela, não conseguiram encontrar nenhuma informação, até que, quando comentou com Katsuyu, teve todas as informações que precisava.

O Isshō Keiyaku— Contrato Vitalício – era um contrato, não de sangue e sim de alma. Um contrato irreversível e muito perigoso para ambas as partes, além de injustamente desvantajoso para o contratante e por isso foi classificado como um Kinjutsu— Técnica Proibida.

Desvantajoso porque, embora se tratasse de uma conexão compartilhada igualmente de Chakra e Chikara Jūyō— Energia vital –, a invocação sempre terá a escolha de substituir o contratante assim que se ver em prejuízo e isso acarretará na morte imediata do contratante. Além disso, com o Isshō Keiyaku— Contrato Vitalício – firmado, a invocação passa a ser um parasita no corpo do contratante e, se ela se tornar mais forte e mais poderosa do que o contratante, poderá controlá-lo e subjugá-lo como bem entender. Há também uma cláusula inegociável sobre o tempo de vida do contratante. Ele viverá pelo tempo que a invocação quiser. Nem mesmo se suicidar será possível, pois a invocação fará o possível e também o impossível para mantê-lo vivo, pois se o contratante morrer, ele também morrerá, a menos que o substitua em tempo hábil. Isso traz o fator chave daquele tipo de contrato, o fator que teve o interesse do Orochimaru: longevidade. Uma invocação tem cerca de vinte vezes mais longevidade se comparada a um contratante que sempre será um ser humano, mais especificamente um Ninja ou, no caso de Sakura, uma Kunoichi.

A problemática disso, para quem tem um mínimo de bom senso e humanidade, é que viver vinte gerações a mais do que um ser humano normal fará com que o contratante veja todas as pessoas de seu convívio morrer e ele não poderá fazer nada para mudar isso.

Somente uma pessoa insana como o Orochimaru não se importaria com isso.

Mas Sakura? Sakura não se importaria de ver todos aqueles que ama, todos aqueles que ela está fazendo de tudo para proteger, morrer com o passar do tempo?

Não… Sakura não era assim.

Então por que, mesmo assim, ela aceitou o Isshō Keiyaku— Contrato Vitalício?

Katsuyu omitiu aquela informação?

Encarou a lesma sem conseguir esconder o horror.

Nunca pensou que a invocação seria traiçoeira daquele jeito, mas, qualquer ser que respirasse estava passível de ser corrompida e não podia esperar o contrário dela, mesmo que para aquilo acontecer, teria que assumir que sua discípula, de alguma forma, teve o interesse da invocação.

— O importante aqui é que eu voltei e estou providenciando para que a missão volte ao curso inicial. Há uma divisão minha com uma divisão de Katsuyu a caminho da caverna principal da Akatsuki para retomar meu lugar. Assim que conseguir, envio uma confirmação por Katsuyu.

Sakura falou aquilo com uma naturalidade escandalosa e odiosa.

E, ao encará-la também, tão… distante e apática, foi inevitável cogitar outra opção: poderia ser Sakura a que foi corrompida?

A garota, diante dos seus olhos, provou estar tão… acostumada com a grandeza…

A grandeza de seu nível Ninja.

A grandeza de seu próprio poder.

E, dali para frente, a grandeza do poder provindo do Isshō Keiyaku— Contrato Vitalício.

Sakura já a tinha superado quando completou o Ninpō Sōzō Saisei: Byakugō no Jutsu— Arte Ninja da Criação do Renascimento: Técnica da Força de Uma Centena; era uma Kunoichi mais jovem, mais obstinada e mais inteligente, mas quando completou a própria técnica, o Fūinjutsu: Kisetsu Seitoshi – Técnica de Selamento: Estações da Vida e da Morte, ela excedeu qualquer expectativa.

Ela simplesmente abriu caminho para uma evolução sem precedentes.

Mas aquilo?

O que ela recebeu em troca do Isshō Keiyaku— Contrato Vitalício?

Não precisava pensar muito para chegar a conclusão que Sakura facilmente atingiu nível Kage mesmo sendo tão jovem.

E ter aquela consciência poderia corromper qualquer humildade e, sobretudo, humanidade.

Era patético, sabia disso, mas esperava que naquele encontro, depois de tanto tempo sem se verem ou se falarem, conseguisse sentir que aquela garota continuava sendo a garota que viu partir após aceitar uma missão impiedosa e exigente.

No entanto… enquanto beirava o colapso emocional, a garota parecia plena.

Plena e poderosa. No controle de tudo e, principalmente, no controle de si mesma. Como nunca antes esteve.

E ela só tinha quinze anos.

Sakura se aproximou calmamente e no segundo passo acenou para Katsuyu permanecer onde estava, pois a lesma ameaçou avançar hostilmente mais uma vez contra si.

E, só naquele instante, deu-se conta de algo que seus olhos já tinham reparado, mas sua mente ignorado devido ao caos interior: a lesma estava emitindo ondas de Chakra em pulsações regulares e perigosas. E um manto roxo-ametista se formou cada segundo mais sólido sobre seu corpo maleável.

O que era aquele Chakra? E aquela hostilidade selvagem?

Katsuyu a olhava como se calculasse inúmeras maneiras de atacá-la e o Chakra dela estava reagindo da mesma maneira primitiva.

Foi quando lembrou de algo, no mínimo, inusitado partir de Kakashi:

Sakura parecia afetada por um tipo de poder sombrio… um poder realmente assustador. Esse poder tinha cor e ela era roxo-ametista.”

Sentiu os olhos arregalarem, os ombros enrijecerem, os músculos tremerem.

Aquele era o poder da Sakura?

Katsuyu estava sendo corrompida pelo poder daquela garota?

Queria se convencer de que não, mas não conseguia.

Não observando o quanto Sakura estava consciente do poder que tinha e da influência que passou a ter sobre qualquer ação da invocação.

A única forma de uma invocação monstruosa e poderosa se tornar subalterna de alguém, era encontrar alguém tão monstruoso e poderoso quanto ela.”

Aquele pensamento voltou e, com força, se repetiu inúmeras vezes.

“… mas a Sakura que conhecemos está em algum lugar dela. Vamos ter fé.”

E nem mesmo as palavras do Kakashi conseguiu silenciá-lo.

Porque aquela era uma verdade absoluta: a única forma de uma invocação monstruosa e poderosa se tornar subalterna de alguém, era encontrar alguém tão monstruoso e poderoso quanto ela.”.

E sim, a garota que se aproximava a passos confiantes com uma calma surreal, se tornou aquela pessoa.

A questão era: Sakura se tornou aquela pessoa consciente disso ou de forma inconsciente?

Não teve outra escolha a não ser descobrir por si própria aquilo.

Afinal não era Jiraya ou o Kakashi que tinham aquela responsabilidade, mas sim ela mesma, que a acolheu como aprendiz e, não só isso, como a acolheu como filha, mesmo a colocando naquela missão desumana.

— Preciso te passar o relatório sobre a situação em Kōtetsu—…

Em um único movimento, avançou contra Sakura, mas não para atingi-la e sim para ver como Katsuyu reagiria e, infelizmente, a continuação daquela cena foi exatamente como imaginou: a invocação agiu por sua contratante, rebatendo o ataque e assumindo a batalha.

E a cada golpe que trocou com a lesma, sentiu algo dentro de si quebrar.

Mal conseguia se defender, porque estava sendo atacada sem a menor hesitação, pois aos olhos de Katsuyu, era mesmo uma inimiga declarada.

Como se nunca tivessem feito parte do mesmo lado de uma batalha.

Como se nunca tivessem sido companheiras.

E mesmo que a conhecesse como a palma de sua mão, não reconhecia aquela adversária, nem aquele novo padrão de ataque, muito menos aquele poder ilimitado e irrestrito.

Então se lembrou do começo daquele reencontro, onde Katsuyu provou ser capaz de fazer coisas que antes não conseguiria. Era o poder de Sakura se estendendo a ela.

Porque, por mais absurdo que fosse aquele fato, ela tinha se tornado mais forte que a invocação, mesmo após ser firmado o Isshō Keiyaku— Contrato Vitalício.

Foi quanto Sakura conjurou uma técnica, sem selos de mão ou palavras proferidas, fazendo enormes raízes secas e saudáveis rasgarem o chão e imobilizarem efetivamente Katsuyu, um pouco antes de ser alcançada.

E observando o poder misterioso agir sobre a lesma tão imponente, sentiu o corpo paralisar.

Sakura a imobilizou sem nenhum esforço e não parecia minimamente afetada fisicamente, o que só mostrava o quão forte estava atualmente.

Engoliu a seco, ouvindo ao fundo sua própria voz debochar de si mesma:

A única forma de uma invocação monstruosa e poderosa se tornar subalterna de alguém, era encontrar alguém tão monstruoso e poderoso quanto ela.”

E mais do que afirmar, se convenceu daquela realidade absurda. Sakura realmente se tornou alguém tão monstruosa e poderosa quanto a invocação.

Ela tomou as rédeas da situação.

Deu ordens a Katsuyu, lhe disse coisas superficiais e fez uma promessa, mas não conseguia assimilar nada, porque estava se perdendo naquele quebra-cabeça que estava completo e montado, lhe dando um vislumbre do futuro sombrio que vinha pela frente.

E da sua péssima escolha de colocar sua amada aprendiz e filha de consideração no protagonismo dele.

Será mais uma aposta que perdeu?

“… mas a Sakura que conhecemos está em algum lugar dela. Vamos ter fé.”

Esperava e torcia com toda a sua fé que Kakashi estivesse certo, pois não aguentaria perdê-la uma segunda vez.

Notas finais
Nessa nota direi apenas uma coisa: S?“ QUERO SABER O QUE ACHARAM!
Podem me fazer essa gentileza? Me contar com detalhes o que acharam e sentiram?
Não esqueçam que Tsunade tirou as conclusões que tirou devido a falta de respostas e reações por parte da Sakura, então peguem leve ao julgá-la, tá? rsrs
Conto com vocês!
Até a próxima!*~
Obs.: Segue o link da música:

https://music.youtube.com/watch?v=wibc6FGb0IU&si=n7SwoNxNy7-s2hYQ
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!