Rakuen PROJECT I ~ FIRST STAGE [BETA VERSION]

3 OUTSIDE PROLOGUE ~ Missions and Passions


Notas iniciais
Os OUTSIDE CHAPTERS são bônus de Rakuen PROJECT ~ FIRST STAGE. O foco destes extras é mostrar o outro lado da moeda, ou seja, mostrar pela visão das garotas como elas estão se sentindo e passando, além de ter cenas extras, fora da visão de Shizuka Arashi, mas que complementam a história, como o passado de algumas garotas. Espero que gostem.

Visão de Yami Tsuki

Eu nasci para casar com Shizuka Arashi. No momento em que revelei isso a ele, o tal achou que era mentira minha, mas é a mais pura verdade. Desde os meus quatro anos, eu fui ensinada e criada para amá-lo. Faziam diversas formas de lavagem cerebral e tratamentos psicológicos para eu amar uma pessoa que nunca havia visto pessoalmente e que morava milhares de quilômetros de mim, no outro lado do mundo. Tudo isso pelos sonhos de meu pai, Yami Kaien, que estava morrendo. Ele sabia que só sobreviveria até os meus dezesseis anos, então cuidou para que eu conhecesse pessoalmente o amor de minha vida, e assim, realizar o sonho de sua vida.

[31/03/2013 – SUNDAY – MORNING]

–Você tem uma missão, filha. – meu pai disse, me despertando.

–Iniciar o Rakuen PROJECT?

–Sim...

Era hora de botar o Rakuen PROJECT em ação. Primeiro de tudo: amaldiçoá-lo.

Visão de Noyogi Shoujo

[??/??/2004 – MONDAY – AFTERNOON]

Meu pai, praticamente amassando meu braço, me levava a escola a pé todos os dias. Noyogi Hashira, um homem bruto que não permitia ninguém ficar no seu caminho. Aquele que pisava em qualquer obstáculo que aparecesse e ficava bem, prosseguindo determinado. Eu o acharia um herói se ele não... fizesse aquilo comigo...

–Anda logo, sua puta! – ele gritou enquanto andávamos para a escola.

Naquele dia de sol escaldante, minha testa latejava, minha mente estava enevoada e meu corpo não respondia corretamente. E ele ainda me xinga? Eu só não revidei porque não tinha forças para isso. Meu pai, sem um pingo de consideração, me deu um tapa forte nas costas e gritou:

–Já disse pra andar mais rápido! Eu não tenho o dia todo!

Extasiada pelo astro dourado, nada fui capaz de responder. Irado, o homem socou minhas costas e nuca. Despertei com uma dor excruciante, e em seguida, comecei a correr. Alguém assistia a tudo, parado no meio da calçada. A evapotranspiração do mundo não permitia eu enxergar a pessoa direito, mas sabia que ela tinha seis ou sete anos, minha faixa etária na época. A escola ficava trezentos metros após a silhueta. Para adolescentes e adultos, muito perto. Para crianças, a coisa mais longe do mundo. Eu corria em desespero, e a poucos metros da pessoa minha consciência queria partir de meu corpo. Eu estava caindo, mas algo me impediu. Braços magros, porém firmes, não permitiram eu cair no chão. Encarei o asfalto, sem vontade de olhar mais nada, apenas de ouvir. O garoto que me salvara gritou com meu pai, que vinha em nossa direção:

–Quem lhe deu o direito de maltratar essa garota?

Os meus óculos caíram no chão, e o mundo se tornou mais turvo do que já estava. Os passos de meu pai estavam mais próximos. Ouvi uma risada vinda da garganta dele, que mais parecia vir do inferno, e após algum tempo ele respondeu:

–Eu sou o pai dela! Essa garota é minha responsabilidade, pirralho. Me passe ela, agora!

–Nem pensar! Se você trata ela assim, prefiro levar ela comigo!

–Como se atreve...!

A reação dele foi tardia. O garoto abusado já havia me colocado em suas costas e estava correndo, atravessando o portão da escola em três segundos. Enfurecido, meu pai correu em nossa direção. Pisou em meus óculos, esmagando-o, logo que começou a correr em nossa direção. Em poucos minutos o garoto já havia me deixado sentada na enfermaria e chamado a sensei. Ali dentro, meu pai não poderia nos pegar. Antes de sensei chegar e assim que ele me deitou confortavelmente na cama, perguntei:

–Quem é você? Sei que você estava na minha turma, mas não sei o seu nome...

–Tranquilo! – ele respondeu com o que parecia um sorriso, mas não consegui enxergar com clareza porque estava sem os óculos – Meu nome é Shizuka Arashi. Prazer em conhecê-la, errr... – ele estendeu a mão.

–Noyogi Shoujo! – completei – Prazer em conhecer! – peguei na mão dele, cumprimentando-o.

Desde desse dia nos tornamos grandes amigos. Ele sempre foi meu herói. Sempre o amei, mas ele nunca percebeu isso...

Visão de Shizuka Junko

Desde que eu me entendo por gente, a pessoa que mais me ajudou e compreendeu na casa foi meu irmão. Ele sempre é gentil comigo e me defende quando eu estou errada, me ensinou a ler e escrever e me ajuda nos exercícios de casa sempre.

[??/04/2009 – SUNDAY — AFTERNOON]

Sempre brincávamos juntos, eu, ele e Yui-chan. Porém, em um dia, eu caí enquanto corria atrás dos dois em um pique-pega.

–Você tá bem? – Onii-chan perguntou.

–S-sim... – respondi – Só... AI!

O ferimento no joelho começou a sangrar.

–I-isso é grave! Vou chamar um adulto!

–Não! – Onii-chan interrompeu-a – Deixe que eu faço isso. Acredito que você vai conseguir segurar o sangramento por enquanto.

–O-o quê?!

Ele tirou a minha camisa.

–O-o-o q-que você tá fazendo?! – Yui estranhou.

Ele não respondeu. Rasgou um pedaço da camisa e deu para Yui. O resto da camisa ele tacou longe.

–Cuide da minha irmã por enquanto. Conto com você!

–Mas o que eu faço?

–Amarre isso nela! – ele já estava entrando em casa quando gritou.

Yui suspirou e depois amarrou o pano rasgado em meu joelho. Ele logo ficou vermelho.

–Ahh!! Não tá adiantando nada! – Yui gritou desesperada.

–Calma! – pedi – O onii-chan logo vai estar aqui com ajuda! Não se preocupe!

–É verdade... – ela confirmou, distraindo-se com a blusa que ele jogou no chão.

–Algo de errado?

–Só... tenho uma imensa inveja de você.

Eu olhei espantada para ela.

–Como você pode ter inveja de mim? Você é bem mais crescida do que eu! Os garotos devem babar quando você passa!

–Ei! Pare com essas coisas indecentes! E... tenho inveja de você por um motivo: seu irmão...

–O que tem ele?

–Ele... é tão gentil. Por mais que não consiga expressar isso direito...

–Eu sei! Por isso eu amo ele!

–A-ama?!

Fiquei constrangida, pois percebi que Yui-chan pensou em besteira.

–Não nesse sentido, Yui-chan! Eu tenho um amor fraternal com ele!

–Ah, tá... Melhorou. Mesmo assim, eu gostaria de estar no seu lugar... Meu irmão é tão imprestável! Enquanto o seu é tão... maravilhoso...

–Yui-chan, por acaso você se apaixonou por ele?

–N-n-nada a ver com isso!! S-sério!

–Você está gaguejando.

Ela estava mais vermelha do que nunca. Depois de alguns segundos sem se mexer e respirar, respirou fundo, encarou-me seriamente e respondeu:

–Tá. Eu amo ele. Seu jeito é completamente diferente dos outros garotos. Eu quero...

–Pare. – ordenei – Você não pode mais ser minha amiga.

Yui-chan parecia confusa.

–Eu defenderei meu irmão de qualquer uma que quiser se aproximar dele! – argumentei – Ele...! – reuni coregem para declarar aquilo respirando fundo várias vezes – Ele é o único que me ajuda em tudo! Se ele tiver uma namorada, não ligará mais pra mim! Eu não quero ser largada assim! Não! Então, se afaste de nós!

–Mas... Junko-chan, eu...! – Yui-chan tentou dizer algo.

–Não interessa!

–Junko-chan! – ela clamou, aproximando-se de mim.

–Cala a boca! Se afasta de mim!

E aquilo aconteceu. Com minha perna boa, chutei o rosto de Yui-chan, que estava agachada e me ajudando momentos antes. Um corte terrível se abriu no canto direito da testa dela, e eu caí em lágrimas de arrependimento imediato. Naquele dia trágico, perdi minha melhor amiga por um motivo idiota, além de nós duas termos que ir ao hospital...

[2010-2013 EXPLANATIONS]

Não sei no que o sentimento pelo meu irmão se transformou. Ele cresceu e se tornou pervertido e insensível, e ficou extremamente fechado em seus jogos. Além disso, ele parou de me ajudar em tudo. Fiquei triste por muito tempo, mas só então entendi que ele já havia me ajudado demais. Agora era a minha vez de ajudá-lo! Decidi acordá-lo, fazer seu obento e recordá-lo dos compromissos todos os dias, mas senti que ele só ficava mais irritado com isso. Por que será? O que eu tenho que fazer para que ele reconheça a minha retribuição por seus favores gentis? Estou perdida. Não faço ideia do que fazer...

Visão de Chie Toshiko

[04/04/2011 – MONDAY – MORNING]

Eu não esperava que meu primeiro dia em sala de aula fosse tão especial. Primeiro dei aula para o último ano do primário*, como preparação. Lá uma aluna me chamou muito a atenção, chamada Shizuka Junko. Ela era tão gentil que ajudou os colegas nas atividades a aula inteira e não conseguiu concluir o próprio exercício! Além disso, eu tinha que carregar uma papelada enorme para meu armário ao término da minha aula, e não estava conseguindo pegá-la. Não é que ela me ajudou a carregar? Porém, no meio do caminho, um garoto nos parou. Ele fez um olhar repreensivo para Junko-chan, e depois disse:

–Você não pode carregar algo tão pesado, onee-chan! Deixe que eu levo!

–Mas eu quero ajudar a sensei! – Junko-chan respondeu determinada.

–Então eu ajudo ela por você. Sabe muito bem que... não deve se esforçar.

–O-o quê? – estranhei quando ele tomou os papéis da minha mão.

Ele carregou todos os papéis até o meu armário sozinho. Chegando lá, perguntei a ele:

–Qual é o seu nome?

–Shizuka Arashi, segundo ano do ginásio. E você?

–Chie Toshiko-sensei. Prazer...

–Prazer! – ele disse entusiasmado, pegando na minha mão de forma acolhedora.

Senti algo diferente dentro de mim. Ele é diferente... Com certeza..., pensei.

***

Chegou a hora de pegar a turma 2-B do ginásio, e então reencontrei Shizuka Arashi. Sua expressão, postura, aparência, comportamento e existência eram completamente diferentes dos outros alunos. Ele era dedicado, porém não muito inteligente. Mesmo assim, tentei ajudá-lo, assim como ele me ajudou.

[2011-2013 EXPLANATIONS]

Cada vez mais senti que deveria ajudar o misterioso aluno Shizuka Arashi. Ele tinha algo de diferente de todos, e isso de certa forma me... atraía. Marquei com ele de que em todas as terças e quintas iria em sua casa para ensiná-lo algo da língua japonesa. Ele tinha bastante dificuldade, principalmente com kanjis. Isso era normal até certo ponto, mas percebi depois de certa convivência que ele era realmente fraco na matéria. Usei isso como brecha e me aproximei. Quando percebi, eu ia quase todos os dias na casa dele. Estava cada vez mais próxima dele, e meus sentimentos ficavam cada vez mais confusos. Eu me sentia nervosa e feliz e triste perto dele.

Após refletir por várias horas sozinha em meu apartamento, cheguei a uma conclusão maluca. Eu estava apaixonada pelo Shizuka-kun, um aluno. UM ALUNO! EU ME APAIXONEI POR UM ALUNO! Mas para mim, ele não era apenas um aluno. Não mais. Talvez no início tenha sido apenas isso, mas nos tornamos amigos. Mesmo que eu seja dez anos mais velha, eu me sentia segura nele. Chegamos ao ponto de nos tornarmos confidentes um do outro. Eu contava meus problemas a ele, e ele fazia o mesmo comigo, e então trocávamos conselhos. Shizuka-kun foi o meu único aluno e pessoa conhecida que me compreendeu e me ajudou. Ele... é tão gentil... Entretanto nós não podíamos ficar juntos... Isso é tão imoral e... indecente. Chitsujo-san com certeza pensaria assim. E eu, de certa forma tenho ciúmes de Noyogi-san e Junko-chan. Elas estão sempre mais próximas a ele do que eu... Não! Eu deveria esquecê-lo! Shizuka-kun é apenas um adolescente! Não posso namorá-lo, não deveria nem imaginar a hipótese!

Mas como eu sou idiota, convidei ele para o meu apartamento...

[20/12/2012 – THURSDAY — EVENING]

Assim que acabou as aulas, eu o encontrei na sala sozinho. Seus amigos geralmente ficavam próximos a ele, mas nesse dia eles tiveram compromissos e voltaram para casa mais cedo, pois ele é meio lerdo e demora para guardar o material.* Além disso, aquele era o dia da recuperação...

–Shizuka-kun? – chamei-o

–O que foi, Chie-sensei? – ele questionou – Tirei nota vermelha na recuperação de japonês?

–Não! – até me assustei com a pergunta – Você passou por mérito! Parece que as aulas particulares realmente funcionaram!

–Sério?! – ele inquiriu, meio atônito – V-valeu por tudo, sensei... Eu nem sei como agradecer... Mesmo eu não merecendo, você me ajudou tanto... Não só com a matéria, mas... você sabe... Com a sempai...

–Mas você também me ajudou muito! Seus conselhos foram ótimos! E além disso... Eu...

Ele parecia estar confuso. Mudei de assunto de repente pigarreando:

–De qualquer forma, falta mais uma aula particular.

–F-falta? – ele parecia realmente confuso naquele momento.

–Sim... Te ensinarei algo além de japonês... No meu apartamento... Venha comigo...

Ele engoliu em seco. Ele não era tão burro assim, porque corou. Shizuka-kun percebeu minhas intenções e sentimentos, provavelmente, e ficou constrangido. Kawaii~, pensei enquanto andava. Ele me seguia sem falar nada. Espera! O que eu estou pensando?! Mas... por hoje posso pensar assim... He he he he he he he he he he he he he he he...

–Sensei? Você ainda tá aí?

–Eh?

–Você andou um pouco e parou de repente. Tem algo de errado?

–N-nada! Vamos para o meu carro!

–O-ok... – ele enrubesceu mais uma vez.

Ele iria entrar no banco de trás, mas eu o impedi e o coloquei no carona.

–T-t-tem certeza, sensei?

–Mas é claro! Vamos, vamos!

Ele suspirou e assentiu com a cabeça, entrando no carro e sentando no banco do carona, ao. Meu. Lado. Ele parecia desconfortável. Fez uma ligação, avisando a seu pai que estava comigo, estudando. Ri baixo. Se o Shizuka-san soubesse o que eu pretendo ensinar ao filho dele... hi hi hi hi...

–Sensei, cuidado com a pista!

Desviei de uma moto desgovernada por um triz. Suspiramos em conjunto.

–Essa foi por pouco! – ele comentou.

–É... – concordei – As rodovias de Tóquio estão cada vez mais movimentadas... Ah! Já estamos chegando em Setagawa*!

–Sua casa fica em Setagawa?

–Sim, por quê?

–Oh... Que incrível!

Sorri para ele. Chegamos ao apartamento cinco minutos depois, e ele olhava para todos os lados, maravilhado.

–Que apartamento grande! E esse mirante para a cidade... É incrível! Alguém mora junto com você?

–Não... – respondi, repousando meu olhar no piso. – Minha família mora em Hokkaido, e eu sou solteira...

–S-s-sério? Uma mulher... linda como você... Solteira?

–E-eu? – foi minha vez de ruborizar – Eu sou bonita?

–Mas é claro! Esses seus olhos cor de mel, cabelos louros e corpo... sempre... sempre... me encantaram...

Meus olhos encheram d’água. Sem hesitar, abracei Shizuka-kun e comecei a dizer:

–Shizuka-kun! Shizuka-kun! Obrigada!

Ele respirava com dificuldade. Provavelmente isso foi um choque para ele. Ri baixinho e o soltei. Depois dei um beijo na bochecha dele e disse, um pouco mais calma, com um sorriso no rosto:

–Obrigada pelo elogio, Shizuka-kun!

Ele estava com cara de que pensava Kawaii~, e eu estava feliz com isso. Usei um controle remoto para fechar as persianas do mirante e das outras janelas. Ele ficou confuso e perguntou:

–Por que está fechando as janelas?

–Hi hi hi... Estou fazendo isso para a nossa lição!

Ele franziu o cenho, mais confuso. Abafei uma risada pervertida com a mão. Quando ele viu essa ação minha, percebeu o que eu pretendia. Perplexo, ele questionou:

–Não é possível... Você não vai...!?

–Sim, eu vou, Shizuka-kun. Serei seu exemplo para a sempai. Agora serei sua parceira na cama.

Ele estava boquiaberto, incapaz de falar. Depois de alguns segundos, talvez quando ele começou a assimilar o que eu havia dito, começou a tremer. Eu estava sorrindo, apenas esperando uma resposta. Ele pousou uma mão na testa e começou a pensar. Depois de um tempo, ele respirou fundo, encarou-me seriamente e se impôs:

–Não podemos, sensei. Somos separados por dez anos. Além disso, eu sou um aluno, e você é minha professora. Desculpe ferir seus sentimentos, mas não posso aprender o que você quer me ensinar. Me perdoe.

Tentei segurar minha risada, mas foi impossível. Eu ria pateticamente, mas ele permaneceu sério. Quando consegui me controlar, respondi a ele:

–Você não é tão pervertido como todos falam... Você é gentil e agradável até nesse ponto... Está de parabéns! – fiz uma pose com a mão de Nice Guy – Passou na última lição!

–A última lição era te recusar?

–Não, seu bobo! A última lição era saber recusar ofertas amorosas no momento certo! E, bem, você ganhou a nota máxima! Sua reação foi tão... kawaii!

–Kawaii?! Como...—

Não deixei ele terminar e o beijei. Na boca. Ele movimentou o corpo um pouco para trás, mas usei meus braços e não deixei-o escapar. Minha língua invadiu a boca dele, e logo sua mente foi dominada pelo meu charme e gestos. Nossas línguas se entrelaçaram incontáveis vezes, e assim consegui despejar toda a minha ansiedade nele. Foi um momento de prazer absoluto e paixão que eu nunca esquecerei. Ele retribuiu meu abraço e disse após eu soltá-lo:

–O que está pensando, sensei?

–O quê?

Então percebi que o beijo não foi real e, na verdade, eu estava boiando e babando. Sequei a saliva de meu rosto e o encarei sorridente.

–Desculpe, é que eu... estava sonhando acordada... com você...

Ele começou a queimar de tão vermelho.

–S-s-s-sensei, aquela oferta foi verdadeira ou não, afinal?

–Vou lhe dar o benefício da dúvida, hi hi!

Ele desmaiou de tanta excitação e nervosismo. Apenas ri. Ele só não dormiu em minha casa porque o pai dele ligou furioso para seu celular. Deixei-o em sua cama e parti, solitária, esperando para que ele cresça, torne-se um homem e venha a se casar comigo...

Visão de Hikari Yuri

A última coisa que vi em minha vida foi o fogo ardente daquela explosão. Eu estava em uma das Torres Gêmeas, eu acho, e após aquele fogo, eu... morri. Imagei que estivesse morta até o momento que despertei naquele quarto escuro. Um renascimento no mínimo incomum, mas necessário. O homem que me ressuscitou estava a minha frente, com um sorriso triunfante em seu rosto.

–Quem eu sou? – perguntei ao homem.

–Não se lembra?

–Não... Minhas únicas memórias são as Torres e o fogo...

–Entendo... Vejo que até estas pequenas amostras estão com este defeito... Mas pelo que vejo, não há falhas além de suas memórias.

Após um momento de silêncio, questionei:

–Eu renasci para uma missão, não?

–Sim. Uma missão pelas minhas ambições altruístas.

–Ambições altruístas?

–Como você não é humana, nunca compreenderá. Deite-se na maca novamente.

Obedeci, e na mesma hora algo se plugou à minha nuca, e uma poesia se repetiu milhares de vezes na minha mente, forçando-me a compreendê-la.

Nasceste por minha ambição altruísta

Cresceste pelo meu desejo

Morreste por minha missão que do teu ser dista

Renasceste para concluir meu anseio

Após eu ser libertada, ele perguntou:

–Sabe qual a sua missão?

–Sim, em parte. Devo continuar sua ambição.

–Exatamente. Para isso, você deve eliminar o primogênito dos Shizuka, esta pessoa exibida na parede.

Uma foto de um garoto surgiu projetada na parede.

–Mate Shizuka Arashi e interrompa o Rakuen PROJECT. – ele ordenou.

–Sim, senhor... – respondi.

Sua vontade é absoluta. Não posso revogá-la. Ele é meu mestre, pois ele me criou, ele me desenvolveu, ele me matou e ele meu ressuscitou. Eu sou dele, e minha razão de existência é por ele. Naquele momento redescobri esta verdade, e então, determinada, me vesti com uma roupa ao lado do criado mudo e segui até o local que já estava em minha mente. Shizuka Arashi está em um prédio conhecido como “escola”. Está vulnerável. Seu fim está próximo.

Visão de Noyogi Shoujo II

[01/04/2013 – MONDAY — MORNING]

Primeiro dia de aula do meu primeiro ano do colegial estava se iniciando normalmente no auditório. Rapidamente os todos os alunos chegaram, menos dois do primeiro ano: Shizuka Arashi e Yami Tsuki. Fiquei nervosa ao saber que eles faltariam às apresentações, pois além deles não terem chegado a tempo, era justamente um casal com... Ara-kun. Após certo horário, a porta do auditório se fecha e ninguém mais pode entrar até o final da cerimônia de abertura. Aquela situação estava me deixando louca até vir um pensamento em minha mente: Eles não se conhecem. Não se preocupe!

A apresentação mais hilária do primeiro ano, obviamente, foi a do Tomo-kun. Ele, de uma forma muito louca e inesperada, faz todos rirem. Na minha vez, quase desmaiei de nervoso. Quando subi no palco na frente dos milhares de alunos, senti meu sangue latejar em minha testa, comecei a suar e tremer. Mas não travei porque pensei que, mesmo que ele não esteja no momento, está torcendo por mim. Consegui dizer meu breve discurso programado e saí do palco.

Uma garota, Hikari Yuri, do colegial, me surpreendeu. Sua apresentação foi bem rápida e fria. Ela só disse:

–Sou Hikari Yuri, e quando meu alvo for eliminado, sairei dessa escola.

Todos começaram a cochichar sobre a garota nova. Pensei que ela fosse apenas mais uma revoltada da vida, mas descobri depois que não...

Assim que a cerimônia acabou, vi Ara-kun chegando junto com uma garota de cabelos pretos e belo corpo... E depois do que a garota, chamada Yami Tsuki, disse que iria se casar com ele, meu coração foi destruído. Mas pelo menos ele desmentiu depois. Tomara que ele tenha falado a verdade.

[01/04/2013 – MONDAY — MIDDAY]

Não aguentei quando ouvi a conversa entre Ara-kun e Yui-chan. Por que ele fez isso? Por que ele a beijou?!, esse pensamento se repetia em minha mente incessantemente. Quando o professor fez aquela brincadeira comigo, fiquei furiosa na hora, justamente porque estava perdendo meu Ara-kun. Ele, o único que me compreendeu, estaria fora de meu alcance logo. Yami-san e Yui-chan pareciam de olho nele, mas algo me dizia que havia mais garotas... A situação não podia continuar como estava, por isso procurei por Tomodachi no segundo intervalo, no período da tarde.

–O que foi, Shoujo-chan? – ele perguntou com aquela cara de idiota que ele sempre faz.

–Yo, Tomo-kun... Você pode me dar um conselho?

–Sobre o quê?

–Ara-chan.

–Oh! Sim, fale qual é o problema, especificamente.

–Pois bem: eu estou perdendo o Ara-chan. Ele talvez me veja só como amiga, porque ele ficou com a Yui-chan no corredor e supostamente é noivo de Yami-san. Estou preocupada quanto a isso e não sei o que fazer com relação ao Ara-chan... Eu...

–Você o ama, não?

–Daria minha vida por ele.

–Então basta você fazer algo insano!

–Insano?

–Como o problema é amoroso, basta fazer algo pervertido!

–Ei! Quem você pensa que eu sou?

–Alguém que faria qualquer coisa para ser reconhecida pelo Arashi-chan, não?

Fiquei sem palavras. Ele estava certo. Logo depois montamos uma estratégia para eu estar sozinha com ele em seu quarto... Armamos diálogos... E deu tudo certo, pelo menos até a parte de eu estar junto com ele, por mais que Yui-chan e Yami-san estivessem na casa também...

Visão de Shizuka Junko II

[01/04/2013 – MONDAY – MORNING]

Era o primeiro dia de aula para mim e meu onii-chan, por isso, como sempre, decidi acordá-lo. Ele, como sempre, ficou bravo comigo. Saí do quarto rindo pateticamente, porém triste e sem jeito. O que eu tenho que fazer para ele perceber que eu só quero ajudá-lo?

Enquanto ele se arrumava, esquentei um obento preparado ontem à noite e iria entregar para ele, mas o idiota estava com o seu PSP na mão. Quando ele pega aquele vídeo game, se esquece do mundo.

–Onii-chan, seu obento...!

–Iterashai... – disse ele, despedindo-se indiferente e já saindo de casa.

Não consegui entregar o obento no final das contas.

Depois ele reclama que não tem lanche na escola...

[01/04/2013 – MONDAY – EVENING]

Quando minhas aulas acabaram, aguardei até meu onii-chan sair, três horas depois. Queria estar ao seu lado e conversar direito com ele, dizer diretamente que só o acordo de manhã e faço outras coisas, que para ele são chatas, porque o amo como irmã. Porém ele estava rodeado de amigos e com o maldito PSP na mão. Mesmo assim, tentei conversar:

–Yahoo, minna!

–O que está fazendo aqui, Junko-chan? – Shoujo-san perguntou.

–Ora, esperando o Onii-chan! É perigoso ficar andando desacompanhado nesta época do ano!

–OK, vamos logo. – Onii-chan ordenou friamente.

–Onii-chan, larga esse jogo! Odeio quando você fica com isso na mão!

–Foda-se. Não ligo para sua opinião de merda. – nessa hora, fiquei sem reação.

–O-o quê? O-onii-chan?

Meu coração rachou em dois. Eu estava fraca e tinha ódio de tudo e de todos. Dediquei metade da minha vida com ele e o tal fala isso. Não escutei mais nada e saí correndo em lágrimas de veludo*.

Notas finais
Decidi adotar o que Mandy-onee-chan me disse em um review e colocar os N/As nas notas finais!

* último ano do primário: equivale ao 6º ano do Fundamental II.

* ...pois ele é meio lerdo e demora para guardar o material: minha cara :P Sou sempre o último a sair de sala!

*Setagawa: Um dos maiores e o mais populoso bairro de Tóquio. Tóquio é dividido em 23 bairros, cada um com sua característica principal. Setagawa é o que concentra a população, comércio popular e atrações turísticas de Tóquio.

*lágrimas de veludo: tradução literal de Velvet Tears, nome de uma das minhas músicas favoritas de Aoi Eir, a mesma cantora de INNOCENCE (SAO, segunda abetura).