Raisin bomb
1 Bomb!
Hello, daddy! Hello, mom!
I'm your ch-ch-ch-ch-ch-cherry bomb
Hello, world! I'm your wild girl!
I'm your ch-ch-ch-ch-ch-cherry bomb
Cherry Bomb, The Runaways
Era quase dez horas da noite da véspera de Natal, as crianças estavam assistindo algum especial de Natal que já havia sido reprisado várias vezes nos anos anteriores. Com suas vozes estridentes e pequenas mãos ansiosas para abrir os presentes quando fosse meia noite, os jovens “anti sociais” com seus celulares e distantes um do outro porque não se suportavam, os adultos conversando sobre trivialidades com os outros adultos e os idosos esperavam o show do Roberto Carlos.
Todos esperavam a ceia, onde podiam se empanturrar de comida com suas roupas novas e depois ficar na sala fazendo a mesma coisa que estão fazendo agora. Era assim todos os anos naquela típica família brasileira, a família Andrade.
O relógio deu dez e meia, finalmente eles podiam se reunir na enorme mesa que não tinha cadeiras o suficiente para todos, alguns comeram na sala e claro que isso não os impediu esses de participar da conversa do jantar. Aquela de sempre: como tal fulana de uns 15 anos cresceu e está mocinha, como aquele fulano que é primo ou irmão e tem mais ou menos a mesma idade está indo na escola, cadê as/os namoradinhos(as)? Se algum desses jovens que são primos e irmãos já estão pensando na faculdade, se já namoram, o que os pais acham disso? E nem vamos falar das crianças! A conversa sobre elas era sobre como cresceram e se são levadas ou obedientes, notas boas ou não e histórias de travessuras feitas por qualquer um que tenha feito uma memorável.
Era a mesma conversa todos os anos, era a época onde os parentes distantes vinham e confraternizavam uma vez no ano, também era praticamente a mesma comida todos os anos, com algumas exceções aqui e ali. Mas esse ano teria algo diferente, outro feito memorável.
Dez e quarenta e cinco, todos já estavam com seus pratos feitos, conversavam e comiam animadamente. Até uma das crianças de 7 anos, Clara, meiga e magricela reclamar da uva passa no arroz. Sua mãe, Lúcia, a repreendia e pedia desculpas a sua mãe, a matriarca da família, por tal comportamento. Contudo Clara não ia aceitar ser obrigada a tirar as passas uma por uma para poder comer em paz, sua mãe sabia que não gostava de passas, oras!
— Não quero esse arroz!
— Já falei, Clara! Tire as passas, come e cala a boca! — O olhar de Lúcia para sua filha de lindos cabelos castanhos e vestido florido, era flamejante. Já seu marido se preocupava com a vergonha que as duas o estavam fazendo passar.
Agora sua irmã mais velha, Manuela, revirava os olhos com a frescura de sua irmã. Só queria que desse meia noite para abrir os presentes e poder sair daquela mesa.
— Fresca.
— Eu não sou! E não vou comer!
— Querida, quer pegar outro prato com o vovô? — Seu Zé não queria que houvesse outra discussão familiar, só queria comer tranquilamente.
— Quero!
— Não vai! Não vai abrir os presentes até comer! — esbravejou Lúcia — E não quero mais falar nisso.
Em reuniões de família assim é sempre constrangedor quando isso acontece, todavia as mães sempre esquecem o que seus filhos mimados e encrenqueiros podem fazer, mesmo que sejam muito fofos com seus cabelos encaracolados e vestidos floridos. Clara é igual sua irmã mais velha, já levou muitas advertências por travessuras.
Teimosa como era a discussão não ia acabar ali. Pegou um punhado de arroz com passas, apoiou na colher e mirou em sua mãe. Atirou e teve dois efeitos colaterais: os gêmeos temperamentais, Christian e Clarissa, que irritados jogaram purê na menina de 7 anos. Clara chorou, sua mãe gritou e sua irmã riu. Seu Zé e Dona Maria entraram em choque, os primos Eduardo e Leandro começaram a jogar comida um no outro, acertando sua tia Luana.
— Clara Andrade! — O grito de Lúcia foi abafado pelas risadas das crianças e gritos dos jovens que discutiam e jogavam comida um no outro. Os demais adultos tentavam amenizar a situação, porém tiveram que entrar na guerra de comida quando suas roupas novas foram atingidas.
Dona Maria começou a rir e alguém, possivelmente um dos gêmeos, sacudiu uma Coca-Cola lacrada e abriu sujando a sala de jantar com refrigerante. Tia Luana berrou, sua roupa clara estava suja e se não colocasse para lavar agora seria R$ 80, 00 jogados fora. O tio agregado Diego começou a rir e usar seu enteado Lucas como escudo, o encorajando a jogar pedaços de chester nos seus primos mais velhos.
Onze horas, sala de jantar suja até as paredes, gritos e risadas com a música do Roberto Carlos de fundo. Uma hora para o Natal e já estava sendo um dos melhores por vários anos. No meio da guerra de comida, as pequenas mãos de Clara tornavam as passas em bombas, mas foi interrompida de jogar passas na testa de sua irmã quando seu outro tio agregado, Anderson, gritou bem alto e fez todos pararem.
— O que está acontecendo aqui?! — gritou sério e depois riu — Cadê as fotos em família, vamô lá gente! — Sacou o celular — Pose pra selfie.
Todos foram, inclusive Dona Maria que era meio rabugenta que nem sua filha Lúcia. Se reuniram e tentaram fazer todos aparecem na tela. Depois disso, podia se ouvir murmúrios como: “deixa eu arrumar meu cabelo”, “eu pisquei tira outra”, “tô feio tira outra” e entre outros.
Meia noite e dezesseis, as crianças sujas de refrigerante e com purê de batata nos cabelos bem penteados abriam os presentes e competiam para ver quem tinha ganhado o melhor presente, enquanto umas três pessoas lavavam a louça na cozinha e o resto realizava o amigo secreto. Com discursos falsos e embriagados, todos se divertiram até mesmo os jovens “anti sociais” que não se suportavam.
As fotos estavam ótimas e uma das crianças estava correndo por aí com o celular do pai tirando fotos de momentos constrangedores, que mais tarde seriam reveladas e mostradas.
Ano seguinte, dez e quinze da noite, reunidos na sala com os jovens um ano mais próximos de serem adultos e as crianças um ano mais próximas de serem adolescentes cheios de hormônios, que odiarão uns aos outros por serem primos ou trocar umas bitocas por serem exatamente isso, primos. Dez e dezessete, Seu Zé pegava o álbum de fotos e via as fotos de sua esposa que faleceu no começo do ano e relembrava a última vez que a viu tão alegre antes de sua doença piorar.
Mas apesar disso, se sentia feliz por ver todos de sua família mais unidos do que nos anos anteriores, seus filhos que brigam feio há anos pareciam bons amigos e seus netos lhe enchia de felicidades. Clara de sete anos ficou de castigo por uma semana, mas isso não quer dizer que sua mãe tenha ficado realmente brava.
Era uma ótima história que Seu Zé contava agora e que sua mãe iria contar outras vezes, a menina de cabelos castanhos e blusa florida agora era uma “raisin bomb”.
Notas finais
E eu não consigo ler essa fic sem cantar cherry bomb jskdksks enfim eu detesto escrever especiais de Natal, talvez seja pq eu n gosto do Natal ou pelo clichê que tem nos especiais, mas qnd vi o s pomplots especialmente esse eu tive que escrever ♡ obg Gerlanne
Espero que vcs tenham gostado pq eu adorei escrever essa one short, até pq eu fiz a capa com o editor do Instagram e estou muito orgulhosa de mim por isso beijos
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