Raise your glass
5 Capítulo 5-Bilhetes
Notas iniciais
Quando eu acordei, livre de pesadelos pela primeira vez em semanas, eu me senti mais leve que uma pena.
Eu cocei os olhos, bocejando e escaneei a Sala Comunal. Ninguém havia acordado ainda, então eu estimei que ainda era antes das 5:30, que era quando Molly acordava em dias de aula.
Eu olhei para os dois na minha frente, Sirius se fez ainda mais confortável no colo de Remy, tomando quase todo o espaço. Uma mão de Moony continuava nos longos cabelos pretos do menor, enquanto a outra agora descansava na cintura de Sirius. Eu sorri tão largamente que minhas bochechas doeram, era adorável, no mínimo. Os dois pareciam tão relaxados e felizes que só de pensar em acordá-los, uma tristeza pairava sobre mim.
Eu me levantei, sentindo a dor corroer todos os meus ossos e músculos, eu estava com um torcicolo horrível, além de um pé dormente. Eu olhei para a desconfortável poltrona em que eu dormi.
"Você está ficando mal acostumada Pietra" eu pensei, "Você já dormiu em lugares piores".
E era verdade, mas aquilo parecia tão longe, tão longe de quem eu sou agora, de onde eu vivo agora. Aquela vida não parecia ter sido minha, parecia um filme borrado que eu vi há muito tempo. O real agora parecia aquilo que estava ali na minha frente, as duas pessoas que me acolheram e que agora acolhiam uma a outra. Eu queria que aquele momento fosse eterno, então eu fiz um esforço para marcar toda aquela sensação na minha memória.
"Será que eles ao menos sabem que se gostam?" Eu pensei e dei um sorriso. "No fundo, todos sabem".
Eu me aproximei deles e fiz um carinho leve no ombro de Remus, ele abriu os olhos vagarosamente e ao me ver deu um pequeno sorriso.
—Romeu, -Eu disse com a voz mais suave que eu consegui. -Você não acha melhor levar sua Julieta lá pra cima?
Os olhos ainda semi-fechados de Moony se arregalaram e ele olhou para baixo, apenas para ver um Padfoot muito a vontade no seu colo.
—E-Eu... Quer dizer... Ele e eu... Nunca, nós... -Remus começou a falar rápido, me olhando desesperado.
Eu coloquei minha mão sobre a boca dele, calando-o.
—Vocês não precisam se justificar para mim, nunca. Estamos entendidos? -Ele concordou por debaixo da minha mão. -Agora eu vou lá em cima arrumar minhas coisas para a aula, vocês dois vão fazer o mesmo e é isso, vida que segue. -Eu tirei a mão de sua boca e fui em direção as escadas.
—Wormy, -Ele me chamou, quase sussurrando.
—Hm?
—Obrigado.
Eu lhe dei uma piscadela e um sorriso e subi em direção ao meu quarto.
Eu entrei no quarto, que ainda estava escuro graças as cortinas pesadas e andei até a janela.
Eu agarrei as cortinas e as abri com força.
—BOM DIA FLORES DO DIA! -Eu gritei a plenos pulmões quando a luz invadiu o quarto.
Molly já estava acordada, pelo que eu pude notar, ela apenas me dirigiu um olhar indignado, mas Alice e Lily foram pegas de surpresa.
—QUE É ISSO?! -Alice falou assustada, sentando na cama.
Eu ouvi Lily xingando da cama dela.
—Isso, é o que vocês ganham quando deixam Trevo e Madame Nor-r-r-a transarem na minha cama!
Eu vi um travesseiro voando pelo quarto e atingindo Alice no rosto.
—A culpa é sua! -Lily falou depois de jogar o travesseiro. Ela estava enfiada nas cobertas, tentando sem muita eficiência fazer com que a luz não a atingisse.
Eu vi que Alice estava pronta para discutir, ou gritar, comigo, mas ela desistiu.
—Eu não me exalto antes das oito. -Ela falou bocejando.
Molly se levantou e foi até a minha cama.
—Awn, -Ela disse colocando as mãos nas bochechas. -Eles dormiram de conchinha!
—Tiveram uma noite melhor que a nossa pelo menos. -Lily disse se sentando, zangada.
Eu pensei na minha noite, sinceramente, eu não trocaria aquele momento por nada.
Nós quatro nos arrumamos e descemos para o café da manhã.
Ao chegarmos no Grande Salão, eu me despedi delas e fui em direção aos garotos sentados na ponta da mesa. Eu ouvi Alice falar algo como "vai com eles mesmo!", eu apenas dei risada e continuei meu caminho.
—O QUE VOCÊ QUER DIZER COM VÃO JOGAR COM OUTRA CONFIGURAÇÃO?! -Prongs gritava para um pálido Dick Creswell. Todo o time parecia apreensivo.
Eu me aproximei devagar e sentei ao lado de Moony.
—'Dia Don Juan. -Eu falei, mas Remus não gostou da minha brincadeira. Eu apenas levantei as mãos em sinal de rendição e nós dois voltamos a encarar o tumulto ao nosso lado.
—E-eles mudaram Potter, para no-nos atrapalhar. -Dick falou muito nervoso, eu admito que Prongs se tornava um pouco assustador quando irritado.
James procurou por todo o Grande Salão até encontrar o objeto da sua raiva. Sentado bem no meio da mesa da Corvinal, conversando com Indina Chersnott e Xenophilius Lovegood estava Yan Chang, o capitão do time.
—CHANG! -Prongs gritou com raiva. Yan apenas olhou-o de cima a baixo e notando a raiva que emanava dele, deu um sorriso.
Isso foi de mais para James, empurrando seu prato ainda intocado de ovos e pão, ele se levantou e foi em direção a mesa da Corvinal. Mas Ludo e Sirius foram mais rápidos e seguraram Prongs antes mesmo dele passar pela mesa da Lufa-Lufa.
—Prongs deixa de ser um babaca estúpido. -Pads falou entredentes.
—A McGonagall tá bem ali Potter. -Ludo falou puxando o corpo de James mais para perto e o segurando em um abraço de urso.
—ELE NÃO PODE FAZER ISSO!
—Quem disse isso Prongs? Eles fazem a estratégia que quiserem. Deixa de ser chorão, seu porra.
James parou de se debater e Ludo afrouxou o abraço. Na mesa um patamar acima do nosso, os professores os observavam com olhares atentos, mas vendo que o problema foi contornado, voltaram a conversar.
Prongs dirigiu um último olhar irritado para a mesa da Corvinal e voltou a se sentar.
—Deviam mudar o animal da Casa para um porco. -Ele falou bufando.
—O que aconteceu? -Eu perguntei para eles.
—Semana passada os corvinos disseram que Antoine Tronte tinha se machucado na aula de defesa pessoal, -Crouch falou monótono como sempre. -Isso mudava todo o estilo de jogo deles, ja que eles estavam com um atacante a menos.
—Mas ao que parece eles inventaram isso só para nós treinarmos com a tática errada.
—Foi o Yan. Foi o Yan, eu sei disso. Yan, eu sei. -Prongs falou, o olhar vidrado.
—Devo me preocupar? -Eu disse olhando para Prongs. Ele parecia perturbado ao extremo.
—Provavelmente não, vamos ver como isso vai evoluir. -Pads falou, se debruçando sobre a mesa, pegando um pedaço de pão e colocando no prato de Moony, sem ele ao menos pedir.
—Obrigado Pads. -Remy falou sorrindo para Sirius, mas ele logo desviou o olhar, como se tivesse levado um choque.
Eu e Padfoot notamos isso.
—x-
James se recuperou enquanto estávamos a caminho da aula da McGoo, a primeira do dia.
—Nós vamos destruir esses babacas da Corvinal. "Olhe como somos inteligentes!" Ele disse fazendo uma imitação ridícula, mexendo os braços sem parar. -Inteligentes o cacete. Babacas de jogo sujo.
Eu apenas olhei para os meninos e eles me mandaram seguir em frente, sem dar muita atenção ao Prongs.
Quando chegamos a sala 410, McGonagall ja estava sentada em sua mesa, como sempre.
—Listas na minha mesa. -Ela disse, sem levantar os olhos de um exemplar de um livro que eu tive quase certeza ser sobre gatos.
Eu coloquei a lista na mesa e fui até meu lugar, na última cadeira na fileira do centro, Moony se sentou ao meu lado.
—Você o está evitando. -Eu falei baixo, enquanto a sala ainda estava enchendo de gente, as aulas da McGoo eram divididas com os Lufanos, assim como a aula seguinte, do Kettleburn.
—Não que isso seja da sua conta? -Moony falou irritado, encarando seu livro de álgebra III recém tirado da mala.
—Por que nós não podemos ser só uma garota e seu amigo compartilhando problemas e indecisões da nossa vida amorosa? -Eu disse dramatizando como Pads ou Prongs.
—Wormy pelo amor de Deus, você quer que eu te responda em ordem cronológica ou alfabética?
—Mais alguém sabe? -Eu disse com um meio sorriso.
—Sabe o que?
—Você sabe o que Moony, não se faça de bobo.-Eu falei sussurrando quando Anne Abott e Ranchy Stutgart, da Lufa-lufa se sentaram na nossa frente.
Ele revirou os olhos do jeito que ele sempre fazia.
—Devíamos mudar seu nome de Moony para Rolling Eyes.
—Não. -Ele disse como quem exala uma fumaça tóxica.
—Rolling Eyes é ruim? Podemos mud...-Eu comecei, mas ele me cortou.
—Não estou falando do apelido e sim da pergunta anterior.-Ele mordeu o lábio inferior. E continuou falando ainda mais baixo. -Ninguém mais sabe que eu sou, hm, gay.
Eu coloquei meus braços o mais alto possível para poder abraçá-lo, ele ficou parado por um segundo e então me abraçou de volta, Moony cheirava a loção pós barba e uma coisa mais profunda, como carvalho.
A nossa frente, a professora McGonagall pigarreou. Todos nós paramos qualquer coisa que estávamos fazendo para olhá-la.
—Como tratado nas últimas aulas, -Ela se virou para a lousa e começou a escrever, mas eu já não estava prestando mais nenhuma atenção. Eu nunca prestava e hoje em especial, eu estava muito mais interessada em conhecer mais sobre Remy, que era um dos garotos mais fechados que eu já conhecera.
Eu agarrei uma folha do meu caderno e rabisquei com minhas caligrafia horrorosa.
Me conte mais sobre você. Por favor? :(
Eu arranquei a folha do caderno e passei para ele. Ele leu e me encarou com olhar incrédulo. Então ele pegou a folha e respondeu.
Nós muito NÃO VAMOS fazer isso.
Ahhhh Moony, por favorrrrrr.
Pelo amor de Deus Wormy, quantos anos você tem?!
Eu te conto um fato sobre mim, você conta um sobre você, que tal?
Não
Por favor Remyyyyyyy
Tá, que seja
Eu olhei para ele e dei um sorriso, peguei a folha e voltei a escrever
Minha cor favorita é verde
A minha também —ele escreveu passando a folha para mim com um sorriso fraco.
Minha primeira paixão foi meu vizinho, Jason Todd e eu tinha 8 anos.
Minha primeira paixão foi Amanda Pierce, mas eu não demorei muito para perceber que eu gostava mesmo é do irmão dela Andy, eu tinha 10.
Ele era bonito?
Jason era bonito?
Por Deus, NÃO. Ele era estranho e gostava de amarrar coisas pegando fogo no rabo dos gatos da vizinhança.
Maldito psicopata.
Eu sei!
Andy era bonito, mas era bem mais velho e um pouco babaca.
Ele percebeu que você gostava dele?
Eu acho que sim, por que a Amanda parou de falar comigo depois de um tempo.
Não sabem o que perderam.
Ele sorriu ao ler essa mensagem, escreveu mais alguma coisa e passou para mim.
Meu primeiro beijo foi aos 13 anos e foi com uma garota, e se você tivesse tido o meu primeiro beijo, também seria gay.
Muito ruim?
Babado e o pai dela chegou logo depois.
Ugh, muito ruim.
E o seu?
Eu parei alguns segundos, encarando a folha, sem saber se eu realmente queria responder essa pergunta, mas eu queria que Remus fosse sincero, então eu seria sincera.
11 anos. Garoto mais velho. Eu precisava de um dinheiro.
Ao receber a folha de volta, Moony leu e releu algumas vezes. Eu senti meu coração batendo contra o peito, pedindo para sair do meu corpo.
Remy olhou para mim, os olhos verdes tão penetrantes encarando os meus e colocou sua mão sobre a minha, apertando forte.
Eu fechei os olhos apenas por um segundo e puxei a folha de volta.
Primeiro garoto que você beijou?
Moony pareceu bem menos hesitante agora.
Charlie Maximillian, um menino que eu conheci no fliperama perto de casa, nas férias do ano passado.
Valeu a pena?
Com. Certeza.
Hmmmm, foi tudo isso?
Não é que tenha sido o momento mais esplêndido da minha vida, mas ao mesmo tempo, eu não me senti estranho ou deslocado, aconteceu e eu estava bem com aquilo.
Isso ultrapassou todos os limites de fofura de hoje. Mas indo logo para onse eu quero chegar, quando você percebeu que gostava do Pads?
Você precisa responder uma pergunta minha antes.
Eu olhei para ele e revirei os olhos do mesmo jeito que ele fazia.
Ok, vai lá.
Você gosta do Pads?
Eu encarei a lousa cheia de números que eu nunca iria entender e passei um tempo pensando.
Nah. Mas ao mesmo tempo eu não posso negar que ele é MUITO gostoso.
Touché. Sobre sua pergunta, eu acho que foi no segundo ano, quando nós ficamos próximos de verdade. Não se pode ficar muito tempo perto do bastardo sem que se acabe tendo uma leve queda por ele.
Leve queda?! Remy você quase baba pelo garoto.
Ele me cutucou nas costelas com o cotovelo, eu soltei uma risada fraca, mas foi o suficiente para receber um olhar reprovador de McGonagall.
—Será que os senhores que estão tão entusiasmados aí atrás poderiam me dar a resposta dessa inequação? -Ela disse encarando ora eu, ora Moony.
Eu vi os olhos de Remy esquadrinharem toda a lousa e depois se fecharam por alguns segundos, seus dedos se moviam rápidos pela mesa. Então ele os abriu e deu um sorriso.
—A é maior ou igual a -4.
McGonagall não perdeu a classe. Ela nunca perdia.
—Perfeitamente, senhor Lupin, mas o fato do senhor ser excepcionalmente inteligente não te dá um passe livre na minha aula. -Ela se virou e voltou a explicar a matéria.
Eu peguei o papel, ja cheio de bilhetes.
Ela quis dizer excepcionalmente nerd.
Você me deve uma.
Coloca na lista, não será a última vez. Agora sobre o bastardo gostoso, o que você vai fazer sobre? Por que sendo sincera, dormir abraçado com ele e depois ser uma vadia fria não vai ajudar.
Primeiro: nós não dormimos abraçados
Segundo: eu não sou uma vadia fria
Terceiro: eu não vou fazer nada sobre isso por que o garoto é mais hétero que uma mistura de água e óleo
Isso foi uma coisa bem nerd para se dizer.
Nós podemos passar dessa fase onde toda vez que eu falo uma coisa nerd, você diz "nerd"?
Nunca.
Não sou mais seu amigo.
Você não deve contar mentiras.
Me imagine revirando os olhos bem na sua cara agora. Ah, é mesmo! Eu posso fazer isso!
Ele pegou meu rosto pelo queixo e virou-o na direção dele, revirando os olhos.
Eu tive de colocar o rosto entre meus braços, abaixada na mesa para poder rir sem ser percebida e ter que resolver um daqueles exercícios que eu não saberia fazer, nem que minha vida dependesse disso.
Quando eu me levantei, meu olhar cruzou com o de um garoto de cabelos negros compridos, que estava desesperadamente tentando prestar atenção em tudo que nós fazíamos.
Não olhe agora, mas você deixou um certo alguém com ciúmes.
EU DISSE NÃO OLHE AGORA MOONY, PORRA.
Desculpa, desculpa, mas eu fiquei nervoso!
Você viu a cara dele?
Ele não estava com ciúmes, Pietra.
Isso é o que você diz.
Wormtail você pode parar com isso por favor? Nós estávamos indo tão bem!
Ok, você venceu. Vamos voltar ao papo chato e que não envolve um possível casal lindo e fofo.
Ele pegou a folha e ameaçou amassá-la, eu agarrei-a rapidamente e escrevi.
JÁ PAREI OK?!
Já que nós estamos indo nesse caminho (por sua culpa), você gosta de alguém?
Gosto tipo gosto ou qualquer pessoa que eu ache incrivelmente atraente, inteligente, engraçada e meiga vale?
A segunda opção vale também.
Ah, sendo assim, então eu gosto de você.
Isso foi bem fofo.
é, eu sei.
Não era aí que eu queria chegar.
Mas foi aí que chegamos.
Você está sendo igualzinha a mim, fugindo do assunto.
Chato isso, né?
Ele deu uma risada fraca e baixa.
Ok, eu sou chato e nerd. Podemos ir em frente?
Me deixe pensar sobre isso.
Eu agarrei outra folha de papel e quando McGonagall virou-se para pegar seu livro, arremessei ela na mesa que estava na nossa diagonal. Prongs com seus reflexos de atleta, agarrou a bolinha antes mesmo que Moony se desse conta do que eu acabara de fazer.
Enquanto James e Sirius liam e respondiam meu bilhetinho, Moony arrancou nossa folha de minhas mãos e escreveu furioso.
Se você tiver escrito qualquer coisa idiota/comprometedora eu vou totalmente te esfaquear à noite.
Você pode tentar, mas eu sou um lince negro no escuro, você nunca vai me surpreender.
Isso foi babaca, assim como a porra do bilhete que você mandou para eles.
Você escreveu "porra".
Porra, caralho, cacete, vai se foder Wormtail.
Você não tem tipo uma cota para esse tipo de coisa?
Que. Você. Escreveu?
Veja por si mesmo, Remyzinho.
Prongs arremessou a bolinha no meu pé, aproveitando que McGoo estava virada para a lousa, eu agarrei a folha, li e dando risada, fiz uma última anotação e entreguei-a a Moony.
Vocês considerariam Moony:
[ ] Chato.
[ ] Nerd.
[✔️✔️ ] os dois, com certeza.
Ps: nós vamos trocar bilhetinhos agora? Que 2006.
Pss: eu gostei da ideia.
Psss: se a McBoo ver isso nós somos pessoas mortas.
Psss':"Mcboo" nunca vai pegar. E pior, estaremos mortos e de detenção.
Psssss: ela não nos liberaria da detenção caso morrêssemos?
Psssssss: claro que não Prongs, em que porra de mundo mágico você vive?????
Psssssssss: Rude.
Pssssssss: Moony não fique triste com a resposta. Tem pessoas que estão super interessadas nessa moda "Hipster Nerd Chic Conceitual".
PS2: Por exemplo um tal de Sirius Black.
O sinal tocou e Pads e Prongs logo vieram para nossa mesa. Remy pegou a folha, amassou-a e colocou entre as pernas com rapidez excepcional.
—Bilhetinhos no meio da aula. Tsc, tsc. Que feio. -Sirius disse apoiando as mãos no tampo da mesa na frente de Moony, e eu pude ver sua dog tag balançando com um tilintar característico.
—Dog tags? -Eu disse puxando para perto para ver, ele não estava com elas ontem quando (atrevidamente, diga-se de passagem) se apresentou sem camisa na Sala Comunal. Elas traziam "Padfoot" escrito em letra de máquina de escrever.
—Hmhum. -Prongs disse. -Dei para ele no segundo ano, de aniversário. Ele quase chorou de alegria.
Pads encarou Prongs com um olhar frio e depois se voltou para nós.
—As mensagens vão continuar?
—É a intenção. -Eu disse sorrindo.
—É? -Moony perguntou com uma sobrancelha arqueada.
—Minha dupla na próxima aula é a garota Abott. -Pads falou depois de se assegurar que ela estava longe. -Eu preciso conversar com pessoas normais que não comam cola.
—Ela come cola? -Moony perguntou.
—Olha a cara dela por favor, é a típica comedora de cola. -Sirius falou com seu sorriso que sempre beirava o maquiavélico.
—Minha dupla é Amos Diggory. -Eu disse, o estômago embrulhado me lembrando do nosso encontro em Hogsmeade.
—Outro babaca.
—x-
A aula do Kettleburn correu bem mais rápido conversando com os garotos. Ele enfim devolveu as dissertações, no qual eu tirei um B+, que era muito mais do que eu já tinha tirado numa aula dele.
Vocês salvaram minha vida.
Como sempre Wormy.
Eu ando com vocês a dois dias.
Isso é uma vida pra quem saber aproveitar.
E nós totalmente sabemos aproveitar não é mesmo?
O que você está sugerindo com isso Remus Lupin?
Nada de mais.
Moony você que começou, agora termine.
Deixem de ser um pé no saco.
Eles estão certos...
Até tu Brutus?
Moony, ninguém entende suas referências.
O/ eu entendo.
Nerds.
Ugh.
Voltando ao assunto... O que você quis dizer com aquilo Moony?
Ah eu não sei... É que tipo, nós fazemos umas pegadinhas, bombas de bosta na sala da Sonserina, assustamos Severus, teve a enchente na sala do Slughorn e coisas do tipo. Mas é só isso...
Entendem o que eu quero dizer?
Amém.
Você tem toda a razão.
Tenho?
Com certeza. E é por isso que nós vamos fugir sexta feira.
Oi?
Oi? X2
Oi? X3
é exatamente isso que eu disse.
Escreveu.
Isso.
Padfoot, a intenção de estar em um colégio interno é estar, hm, interno.
Exatamente Wormy e eu odeio essas intenções pretensiosas.
Vocês enlouqueceram.
Não é uma ideia tão ruim.
Cala a boca Prongs.
Eu tô escrevendo.
Eu vou ignorar vocês, até vocês deixarem de ser idiotas.
Moony, você não conseguiria.
NÓS SERÍAMOS EXPULSOS!!!
Viu o que eu disse?
Escreveu*
Pessoal, um pouco de foco aqui por favor. Nós saímos na sexta, pela saída dos professores, passamos uma ótima sexta fora desse inferno e então voltamos.
Esse plano tem tantas falhas que u vou chamar de Operação Market Garden, Padfoot.
HAHAHAHAHAH ~eu entendi a referência.
Isso foi mais uma piada histórica que ninguém entende além de vocês dois?
... foi...
Moony quis dizer que o plano tem muitas falhas, tem tudo pra dar errado.
E é por isso que é perfeito. McBoo, Slug, Flit e a outra lá estão pensando em planos muito elaborados para simplesmente imaginarem o óbvio!
Você falou que McBoo não ia pegar!
Padfoot você tá falando sério que estuda a quatro anos aqui e ainda não sabe o nome da diretora da Lufa-Lufa?
Sim... ?
Sprout, Pads.
AHHHHHH SIMMM. Fofinha, adora plantas né?
Ela deve te adorar.
Eu devo ter faltado em todas as aulas dela.
Você faltou.
DE VOLTA AO PLANO!
Não tem plano, só tem você ferrando com a gente.
Até que não é uma ideia tão ruim.
Prongs, se jogar da ponte não parece uma ideia tão ruim se nós formos com você.
EU ESTOU TENTANDO ESTABELECER UMA CONVERSA NORMAL AQUI!
Padfoot, são bilhetinhos, na aula do Kettleburn, não é uma conversa normal.
Touché.
Essa fala é minha!
Touché.
O sinal bateu e agora nós tínhamos a primeira separação do dia. Prongs e Moony iam para as aulas avançadas do Flitwick, enquanto eu e Padfoot tínhamos de ir para a torre norte para as aulas da professora Trelawney, de ensino religioso, que na verdade eram apenas ela falando incansavelmente sobre o alinhamento dos planetas, signos e coisas do tipo.
Se arrependimento matasse, eu estaria enterrada à sete palmos por ter escolhido essa optativa. E eu logo percebi que Padfoot sentia o mesmo.
Nós nos despedimos e seguimos para rumos opostos do colégio, mas não sem antes Moony dizer para Sirius abandonar a ideia de fugir sexta feira. O que eu tenho certeza que Pads apenas ignorou.
Nós estávamos andando lado a lado, falando sobre a fuga. Eu tentava apontar todas as falhas do plano, até que ele me interrompeu.
—Quantas aulas você já matou na vida?
—Huh... Nenhuma...?
—Hoje é seu dia de sorte.
—Ela vai perceber que nós não estamos lá Pads.
—Ela não sabe nem nossas caras.
Isso era verdade, Sybill Trelawney era de longe a pessoa mais avoada que eu já conhecera na vida.
—O que eu tenho a perder, além claro de todo aquele conhecimento sobre como os planetas estão alinhados para me matar é claro.
—Me segue. -Sirius disse sorrindo e começou a correr.
Nós corremos juntos pelos corredores até finalmente chegarmos em uma das passarelas que levavam aos jardins. Pads desacelerou o passo até encontrarmos um canto remoto entre um carvalho grande e uma das pilastras da passarela.
Ele se sentou e eu me sentei ao seu lado.
—Eu nunca deveria ter escolhido essas aulas da Trelawney. -Ele falou encostando na pedra fria da pilastra.
—A proposta parecia boa, no geral. -Eu não estava mentindo, ao olhar o plano de aulas de ensino religioso, não parecia tão ruim, o problema é que esse plano não foi seguido de forma alguma.
—Eu conseguia me livrar dos sonserinos por mais uma aula, me pareceu válido. -Ele disse de olhos fechados. As aulas do Flitwick eram divididas com os sonserinos enquanto as da Trelawney eram com os corvinos.
—Toda sua família é da Sonserina não é? -Eu perguntei e vi a boca de Pads se contorcer em desgosto.
—Você não precisa falar sobre isso se não quiser. -Eu disse, esperando que ele abrisse os olhos para falar comigo. Ele apenas fez um maneio de mão e respondeu minha pergunta.
—Cada um deles, todos os Black, desde os tempos imemoriais.
—Isso deve ter sido duro.
—Eu tentei me esconder nos alojamentos da Sonserina na primeira noite, achei que se eu ficasse lá tempo o suficiente, ninguém se lembraria que eu era um grifino.
—Mas o que aconteceu?
—James Potter.
—Uh...?
Ele sorriu, nostálgico, o cabelo se movendo levemente com o vento.
—Na minha não-muito-silenciosa tentativa de sair do nosso dormitório e ir para o da Sonserina eu acabei acordando o Prongs; ou ele nem estava dormindo, quem vai saber? Enfim, ele olhou para mim, carregando minhas malas, meu cachecol da Grifinória jogado no chão e o rosto mais triste que uma criança de 11 anos pode exibir e perguntou se eu queria ajuda para carregar tudo aquilo. Nada de olhares curiosos, nada de julgamentos. Ele apenas me ofereceu ajuda. Ninguém nunca tinha me oferecido ajuda antes. Eu concordei e lá fomos nós, andar pelo colégio na madrugada, procurando os malditos quartos da Sonserina. No caminho nós conversamos, muito, e a cada segundo eu me sentia mais à vontade com ele e menos disposto a largar aquilo.
Quando o dia começou a raiar e nós ainda não tínhamos encontrado os dormitórios, ele me perguntou se eu queria voltar com ele. -Ele abriu os olhos, me olhando profundamente. -Ele não perguntou se eu queria voltar para o quarto, ou para a Grifinória, ele perguntou se eu queria voltar com ele. É esse tipo de diferença sutil que as pessoas não entendem. O resto é história.
—Eu entendo.
—O que você entende?
—As diferenças sutis. Eu sei que você só me aceitou quando eu finalmente contei algo sobre mim. Lá no Três Vassouras.
—Não me leve a mal, é só que...-Eu o cortei.
—Eu não levo, você tem um problema com confiança, eu tenho um problema com confiança. Nós só tínhamos de achar um jeito de mostrar para o outro que nós valíamos tudo isso.
—Você vale tudo isso Wormy.
—Você também Pads.
Nós passamos um longo tempo em silêncio, apenas sentindo o meio ao nosso redor, o vento, o farfalhar das folhas no carvalho a nossa frente, os pássaros escassos, mas barulhentos, tudo aquilo que eu já não sabia apreciar.
Sirius então se levantou, me dando a mão para me levantar também e nos levou até o pé do carvalho.
—Eu quero fazer uma coisa que eu nunca fiz. -Ele disse se deitando na grama com um sorriso no rosto.
—E isso seria?
—Ver formatos nas nuvens.
Eu não pude impedir o sorriso sincero que transbordou de mim. Às vezes eu ficava tão presa aos meus demônios e me esquecia que cada pessoa, cada uma delas, luta com os seus próprios. Eu não era exclusiva.
Então se Padfoot queria ver formas em nuvens, uma vez que fosse, eu me esforçaria para que isso fosse o mais gratificante possível para ele.
Eu me deitei ao seu lado, meu ombro colado no dele e observei o céu nublado do interior da Inglaterra. Alguns segundos depois ele falou muito excitado.
—Cachorro! -E apontou para uma nuvem que definitivamente parecia mais com um camelo, mas se para ele aquilo era um cachorro quem era eu para negar?
—Coelho. -Eu disse depois, apontando uma nuvem mais cinzenta.
—Cachorro de novo!
—Barco.
—Cachorro!
—Sapo.
—CACHORRINHOS!
—Padfoot você tem algum tipo de complexo?-Ele me olhou tão indignado que eu deixei o assunto passar.
Nós passamos mais vários minutos assim e quando estávamos finalmente prontos para voltar para a aula, nós ouvimos a aproximação de um grupo de pessoas.
Eu não precisava nem ao menos levantar minha cabeça para saber de quem aquela risada debochada vinha.
—Merda. -Eu murmurei, me levantando. Sirius fez o mesmo.
—Ora, ora, ora. -Lucius Malfoy falou lentamente. Ele se virou para sua corja, formada por duas das irmãs Black, Narcissa e Bellatrix, além de John Goyle, Marcus Sinnit, Blide Joe, Clare Abby, Janet Martin e por fim Regulus Black. -Se não são os vira-latas de Hogwarts, já não bastasse andar com ela, agora você está fodendo essa garota? -Naquele momento eu pude jurar que a raiva de Sirius emitiu um som e era algo horrível. Eu por outro lado já tinha ouvido pior, de pessoas piores.
—Olá Lucius. -Eu disse, sorrindo um sorriso duro. -Sem problemas para caminhar hoje?
—Escuta aqui sua garotinha baixa... -Ele começou, mas eu levantei uma mão, o calando.
—é o seguinte Malfoy, você veio em um grupo bem maior e obviamente esperou me encontrar em um momento que meu grupo estivesse o menor possível. Eu entendi sua estratégia e já aceitei ela. Então será que nós podemos pular todo esse seu discurso decoradinho, que eu tenho certeza que você demorou dias para bolar, (todo o mérito é seu por isso). Mas podemos ir logo para a parte em que eu te chuto nas bolas mais uma vez e você sai chorando? -O rosto de Malfoy estava vermelho, e eu tinha certeza que uma veia horrível que surgira em sua testa ia explodir a qualquer momento. Ele abriu sua boca enorme mais uma vez, mas eu continuei.
—Em Hogsmeade eu pedi que Sirius não interferisse, não para poupá-lo ou por que eu achasse que aquilo era uma briga "minha" e sim por que eu não estava interessada em lidar com vocês sangrando. Mas agora que vocês estão aqui, se voluntariado para uma surra, eu não vejo sentido em pedir que Sirius fique de fora. Não é mesmo Sirius?
Se eu não conhecesse Padfoot, eu não diria que aquele ao meu lado era ele. Seu rosto estava contorcido na carranca de um sorriso, todos os dentes a mostra, os punhos tão cerrados que os nós de seus dedos estavam esbranquiçados, o corpo levemente curvado, encarando cada uma das pessoas a nossa frente.
—Eu não perderia isso por nada. -Ele rosnou.
Meu sorriso se alargou e eu voltei a fitar os olhos cinzentos de Malfoy.
—Maravilhoso! Podemos começar então?
Sirius deu um passo rápido para frente, projetando seu corpo em direção ao de Lucius, mas parou a poucos centímetros de distância. Malfoy não percebeu que era um blefe e se jogou para trás, na tentativa de desviar do golpe inexistente, mas seus amigos estavam muito próximos dele, uma proximidade que qualquer pessoa que já brigou de verdade sabe que é prejudicial.
Malfoy, Narcissa e o brutamontes Goyle caíram no chão como um saco de batatas.
—O próximo? -Pads falou entredentes, com seu rosnado habitual.
—Sabe Malfoy, -Eu disse enquanto ele tentava se levantar, ainda enfrentando dificuldades. -Você precisa parar de cair aos meus pés toda vez que nós nos encontramos. Quem vê por esse ângulo vai achar que você não consegue manter a compostura perto de mim. E você sabe como as histórias correm nesse colégio.
Ao dizer isso, eu ouvi passos atrás de nós e ao me virar, me deparei com o rosto vermelho e suado de Horace Slughorn.
—Senhores, posso saber o que vocês fazem aqui? -Ele perguntou rompendo a barreira visual que eu e Sirius oferecíamos e enfim vendo os sonserinos no chão. -O que vocês fizeram?!
Padfoot e eu apenas respiramos fundo enquanto todo aquele grupo falava incansavelmente rápido. Nós dois tínhamos plena certeza de que mesmo que nós déssemos a mais verdadeira versão dos fatos para Slug, ele acreditaria no seu grupo de protegidos, até por que Regulus estava lá, mesmo que em silêncio como nós e ele era um dos favoritos do professor, assim como o próprio Lucius. Enquanto eu e Pads... Bem, eram poucos os professores da Soserina que nos tinham em grande estima e Horace era nada menos que o diretor da Sonserina.
Em resumo, a ópera pareceu tocar a seguinte canção:
•O senhor Black e a Senhorita Bouler deliberadamente tramaram uma estratégia que consistia de reunir um grupo de sonserinos e atacá-los apenas para demonstrarem seu ódio para/com eles.
•Eles não contavam que o grupo de sonserinos ficaria maior pouco após o ataque que feriu gravemente o Senhor Malfoy (a cara de dor fingida de Malfoy seria hilária, se eu não estivesse tão interessada em arrancar a face dele do resto do corpo com uma faca).
•Esses sonserinos, como os seres civilizados que são, diferentemente dos membros da Grifinória, acalmaram o Senhor Black e a Senhorita Bouler e os convenceram de que aquele era uma briga sem fundamento e que não levaria a nada.
•E foi neste momento que o distinto Senhor Professor Horace Slughorn chegou.
E por mais incrível que pareça, Slug pareceu imediatamente disposto a aceitar aquela versão da verdade, fazendo apenas uma pergunta.
—Senhor Black? -Ele chamou, e Sirius o olhou intrigado, mas não era com ele que Horace estava falando e sim com Regulus, que ainda estava em silêncio sepulcral. Regulus levantou os olhos de forma vagarosa, e por um breve relance, eu vi o quão parecido com Sirius ele era, apenas mais magro e menos radiante. Eu nunca o vi sorrir, nem uma vez sequer.
—Sim professor? -Ele disse, não com uma voz rouca como a do seu irmão e sim com uma voz tão suave quanto o canto de uma sereia.
—Sobre o que seus amigos relataram, foi assim que se deram os fatos?
Por um único instante, eu vi Regulus olhar bem fundo nos olhos do seu irmão, o garoto que por anos o segurou em seus braços até que ele dormisse, para que nada de mal lhe acontecesse, nunca. Aquele que por anos, foi a única pessoa que o amparou. Sangue do seu sangue.
Ele desviou o olhar tão rápido quanto ele aconteceu e com a mesma expressão impassível que sempre lhe cobria o rosto, respondeu.
—Sim senhor, foi exatamente assim.
Eu temia que Sirius se exaltasse, brigasse com cada um deles, inclusive nosso professor, mas tão logo eu pensei nisso, eu notei que a pessoa que queria bater em todos eles, fazê-los pagar por tudo aquilo, era eu e não Padfoot.
Sirius por outro lado manteve seu olhar fixo em seu irmão, o rosto sereno.
Enquanto Slughorn descrevia como seria nossa punição, que envolvia limpar o laboratório de química toda semana por um mês, pedir desculpas naquele momento à todos os sonserinos que de alguma forma nós machucamos e a perda de 50 pontos, cada, para nossa Casa; Padfoot olhou para mim e sorriu levemente e toda aquela raiva, aquela necessidade de brigar com cada um ao meu redor passou.
Slughorn terminou a lista da nossa punição com uma repreenda, dizendo que nunca esperaria um comportamento tão bárbaro de alunos civilizados, se virou e saiu andando apressado pelos jardins, com Lucius ao seu lado.
Cada um dos sonserinos que restaram, à exceção de Regulus, que foi embora logo depois, nos dirigiu uma risada e uma ofensa. Sirius apenas abriu caminho entre eles, por onde nós dois passamos e nós nos dirigimos a torre sul, para nossa próxima aula.
Nós passamos a maior parte do caminho em silêncio, cada qual perdido nos próprios pensamentos. Mas quando já nos aproximávamos dos corredores da torre sul, eu puxei a mão de Padfoot para que ele parasse de andar e me olhasse.
—Ninguém escolhe a família de sangue que temos, mas todos escolhemos nossos amigos e eles também são uma família.
Sirius ficou um segundo em silêncio, apenas me olhando nos olhos, então ele soltou uma risada baixa e passou o seu braço ao redor dos meus ombros e nós voltamos a andar.
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