Raise your glass

2 Capítulo 2-Boa noite?


Notas iniciais
Bom, agora os capítulos começam a ficar mais longos e melhores (eu acho). Snivellus é a forma pejorativa que os marotos se referiam ao Snape. Eu gostaria de dedicar esse capítulo ao Alan, nosso eterno Severus. Além obviamente da @jamespottrer Espero que gostem da leitura ♥

—Vejam bem, rapazes. -Levei uma mão aos cabelos, enquanto a outra ainda segurava a boxer azul. -Eu levaria tempo demais para explicar todo esse grande mal entendido, não é mesmo? -Eu sorri na procura de um suporte inexistente. -Que tal se eu nos poupar de todo este trabalho e voltar por onde eu vim?

—Bouler, -James disse, com a sobrancelha arqueada. -Deixe a graça comigo.

Cheque mate. Eu olhei para baixo, encarando a cueca. Levantei a mão entregando-a ao dono original. Sirius agarrou-a bruscamente, ainda me encarando.

—Bem, o objetivo inicial nem ao menos era pegar uma cueca sua, Black. -eu disse entregando os pontos, eu não tinha como escapar e mentir não era minha especialidade.

Mas eu sabia contorcer coisas, ah sim, mudar levemente histórias para elas parecerem favoráveis a minha pessoa? Sim, nisso eu era especialista.

—Ah, agora tudo faz pleno sentido. Não sendo a cueca do Sirius posso dar esse assunto por encerrado? -James revirou os olhos enquanto falava. Sujeitinho irritante.

—Olha, eu precisava tirar uma pessoa de um lugar e por mais que eu tenha tentado de tudo, o que inclui ter passado batom, falado com a McGonagall, esperneado um pouco e gritado também. Eu não consigo fazer com que a pessoa saia do lugar que ela tem que sair. Então meu plano era simplesmente mandar essa cueca para a pessoa e deveria ser uma cueca do Potter, mas as suas coisas, Sirius, estão espalhadas por todo esse chiqueiro. -Uma risada contida escapou de Remus enquanto ele tentava disfarçar com a mão na frente da boca.

—Agora você foi longe dema...-Sirius começou mas James o interrompeu.

—Detalhes, Bouler. Eu preciso de alguns detalhes para poder te ajudar.

Eu e Sirius encaramos James. Sirius deixando toda a contrariedade transparecer.

—Quem disse que eu quero sua ajuda, Potter? -claro Pietra, ótimo momento para ser orgulhosa, eu pensei.

—Exato, Potter. -Sirius emendou. -Nós não vamos ajudar nenhum rato invasor.

—AH, ESCUTA AQUI BLACK!

—CALEM A BOCA PELO AMOR DE BUDA!-James falou colocando uma mão no ombro do amigo, meu rosto que antes queimava de vergonha agora ardia de raiva. Rato?! Rato?! Era só o que me faltava.

—Bouler, você foi pega por nós três invadindo um dormitório e roubando coisas, é o suficiente pra te colocar em uma detenção pelo resto do semestre, ou pior... -Potter me encarou com um olhar cheio de significado, todos sabíamos o que era o "pior" a que ele se referia. -Estou te oferencendo uma alternativa, explica sua história direito e nós te ajudamos.

—Vamos, Pietra. -Lupin se manifestou. -Seja razoável.

Eu titubeei. Sinceramente? Nunca precisei da ajuda de ninguém e nas poucas vezes que alguém me ofereceu uma mão, eu acabei me ferrando. Mas, querendo ou não, eu fiquei sem saída.

—Que seja, -eu disse, sem mostrar qualquer alívio ou gratidão, eu não estava exatamente contente com tudo aquilo. -Sabem a dissertação que o Kettleburn passou para fazermos enquanto ele está nos seminários?

O rosto dos três garotos se contorceu em desgosto, é claro que eles se lembravam, ninguém esquece uma dissertação de no mínimo 20 páginas sobre o Reino Funghi, não é mesmo? Bem, eu esqueci.

Kettleburn era nosso professor de biologia, um biólogo aposentado e tudo, e graças ao seu cargo antigo ele foi chamado para apresentar uma série de seminários durante uma semana, o que ele aproveitou para deixar a dissertação como lição. Na sexta feira de manhã deveríamos entrega-la pronta para o monitor de biologia, Kettleburn corrigiria no fim de semana e a nota viria na segunda. Compondo uma parte grande da nota, uma parte enorme.

—Vamos supor, -Eu continuei. -Que eu tenha aproveitado essa semana para colocar minha nova "agenda do sono" em dia, e por um acaso tenha me esquecido de fazer a dissertação a tempo. Eu precisaria colocá-la discretamente na pilha, junto com as outras não é mesmo?

—Um dia e meio. Você quer entregar a redação com um dia e meio de atraso? Kettleburn vai te matar. -Sirius falou.

—Eu perguntei pra McGonagall, ele não voltou ainda, um problema com a passagem ou algo assim. Então eu virei a noite e terminei a redação.

—Nossa é mesmo? Não pude notar seu rosto cansado por trás dessa cara de zumbi que você já tem.-Sirius falou, maldito serzinho irritante.

—Esse é seu melhor Black? Esperava mais vindo de você.

—Ah, então...

—Calem a boca, de novo. Eu não vou falar mais uma vez. -James falou encarando Sirius, que levantou os braços, mãos espalmadas em sinal de rendição.

—Como quiser, mamãe.

—Como isso tem a ver com a cueca?

—Eu estava chegando nesse ponto antes de ser rudemente interrompida pela propaganda de shampoo com pernas. -Eu disse apontando para Sirius.

Sirius abriu a boca para voltar a discussão, mas James o interrompeu pela terceira vez.

—Só termina a história Bouler, eu tô começando a me arrepender de tentar te ajudar.

Eu respirei fundo.

—O monitor do Kettleburn, fica enfiado na sala dele depois do período fazendo sabe-se lá o que, eu não posso entrar na sala e colocar a redação na sala se ele estiver lá. Então eu pensei em enviar uma cueca sua, -eu apontei para o Potter. -Com uma cartinha bem exdrúxula para ele, e dada a sua relação com ele, e a necessidade que ele tem em contar tudo que acontece para os professores no mesmo instante, eu imaginei que ele sairia da sala por tempo suficiente para eu me safar. É isso. Eu juro que tentei planos melhores, mas nada funcionou.

—Mas espera, -Remus falou. -O monitor de biologia não é o...

—Snape. -Eu completei, concordando.-Sim, ele mesmo.

Uma risada alta cortou o momento. Era Sirius.

—TUDO ISSO, -ele parou para rir mais um pouco. -TUDO ISSO ERA PRA IRRITAR O SNIVELLUS SNAPE? -ele se acalmou um pouco.-Ah, cara. Você devia ter dito antes.-Eu ignorei os comentários.

—Mas vocês dois...?-James falou olhando para mim. Então ele arregalou os olhos, provavelmente se lembrando dos eventos recentes. -Oh. -ele completou.

—É, -eu disse. -"Oh" resume muito as coisas. -eu continuei antes dele tentar se desculpar, odeio pessoas se desculpando, me deixam desconfortável. -Vocês vão me ajudar então?

—Mas é claro que sim, Bouler! -Sirius falou animado. -Tudo por uma velha amiga!

—x-

Snape estava sentado debruçado sobre a bancada, uma lupa grande na frente do rosto e os mais diversos papéis espalhados por todos os cantos, no chão, em seu colo, na mesa, ele rabiscava frenético enquanto murmurava de tempos em tempos.

—Como eles pensaram em tudo isso em tão pouco tempo? -Eu perguntei a Lupin quando nos afastamos sem fazer barulho da porta da sala de biologia, onde estávamos espionando Snape.

—Eu não me faço mais essa pergunta, custou muito do meu tempo tentar imaginar como eles pensam o que pensam, e eu não cheguei em lugar algum.-Ele respondeu sorrindo.

—Pessoas perigosas, esses seus amigos.

—Você acaba se acostumando, e depois de um tempo percebe que eles não são quem aparentam ser.

Depois de terem me dito que iriam me ajudar, James me mandou voltar para o meu dormitório e agir como se nada tivesse acontecido. Eu deveria voltar ao dormitório deles às 22h para receber instruções sobre qual seria minha participação no plano.

E eu fiz tudo aquilo, só não esperava que eles realmente teriam um plano, e um bem mais complexo que cartinhas e cuecas.

Estavamos atrás de uma pilastra agora, no fim do corredor a sala de biologia era a única luz em todo o andar. Ninguém deve perambular pelo colégio após as 21 horas, a não ser os monitores, eles podiam realizar as tarefas após o horário comum. E agora já passavam das 23h.

—Tecnicamente, -Lupin disse depois de alguns instantes. -Eu não estou infracionando nenhuma regra.

—Huh?-eu perguntei distraída, pensando no plano dos garotos.

—Eu sou o monitor de história. -Ele disse com um sorriso vago. -Não que alguém se importe.

Eu encarei Remus.

—Você é o monitor do Binns?

—Assim ele me disse no começo do ano passado.

—Eu nem sabia que o Binns sabia como o sistema de monitorias funcionava.

—Bem, foi uma surpresa tão grande para mim quanto para você.

—E por que você aceitou?

—Como eu te disse, neste exato instante eu não estou quebrando o toque de recolher.

—Esperto. -O rosto de Lupin estava ainda mais pálido na pouca luz que nos cercava, algumas cicatrizes podiam ser vistas marcando suas bochechas e pescoço. Mas ele tinha um rosto suave, anguloso, agradável de muitos jeitos.

Antes que eu continuasse, a luz da sala de biologia apagou. O andar inteiro ficou um breu.

—É agora. -Remus disse, desbloqueando a tela do celular e colocando no aplicativo que Sirius nos mandou baixar.

Confesso que quando ouvi o plano, não o quis colocar em prática logo de cara. Mas eu precisava desesperadamente daquela nota, e Severus não se mostrou meu maior amigo nos últimos tempos.

Não me leve a mal, eu não queria me vingar dele, mas minha consciência estaria menos pesada sabendo que era ele na sala e não outra pessoa.

Nós andamos juntos até ficarmos a alguns passos de distância da porta, eu seguia Remus de perto. Como ele andava com tanta graciosidade no escuro completo? Um feixe de luz ás vezes passava pela porta, o que significava que Snape tinha ligado a lanterna do celular. Passos ecoaram dentro da sala.

—Os garotos podiam ficar por isso mesmo, não é? -Eu sussurrei para Remus. Não que eu estivesse com medo, mas a sensação não era agradável.

—Severus trancaria a sala e você ficaria sem a nota. E você sabe que eles não parariam só com isso.

Mesmo no escuro eu podia apostar que Remus estava sorrindo aquele sorriso fraco dele, sempre parecendo saber mais que todo mundo, mas sem parecer metido, ele apenas parecia conhecer um segredo que ninguém conhecia. Sereno demais, isso me dava nos nervos.

Fui puxada para fora dos meus pensamentos quando uma voz vinda dos meus mais profundos pesadelos ecoou pela sala de biologia. A voz era grave, profunda, e ribombava nos ouvidos e chamou o nome de Snape.

—VOCÊS NÃO VÃO ME ASSUSTAR! -Severus gritou. -POTTER?! BLACK?! SÃO VOCÊS?!

Outra voz ecoou.

—Chegou sssssua hora Sssssseverussssss.-Uma voz reptiliana falou, eu senti arrepios correndo por toda minha espinha.

—CA-CALEM-SE! E-EU VOU CHAMAR A PROFESSORA MCGONAGALL!

Foi a vez de Lupin, ele falou no microfone do celular enquanto o aplicativo transformava sua voz em uma sutil voz de mulher.

—Severus, querido, somos apenas eu e você aqui, ninguém vai te salvar.

—SNAPE! -A primeira voz gritou.

Os passos agora eram frenéticos. A luz fraca da lanterna apontando para todos os lados.

Foi quando eu ouvi a primeira pancada. A sala de biologia possuía grandes janelas que davam para os jardins do colégio, mas Severus havia fechado todas as cortinas. Alguém estava batendo nas janelas.

—SSSSSSSSSEVERUSSSSSSS!-a voz repitiliana chamava, como se a própria voz se arrastasse para perto de você. Os arrepios corriam por todo meu corpo agora.

Lupin colocou uma mão no meu ombro.

—Você não precisa...

—Mas eu quero-eu respondi, ríspida, levando a mão aos cabelos já amarrados. Severus fez questão de esclarecer que não era mais meu amigo.

Aproximei o rosto do celular e falei.

—Corra Severus, corra. Ninguém vai te ajudar. Ninguém vai te salvar. -Minha voz soou como a de uma criancinha, uma menina pequena. Eu gostei de como soava. -Corra Severus!-Eu gargalhava e minha risada também parecia infantil. Uma coisa que se aprende vendo muitos filmes de terror, é que a voz de uma criança pequena gargalhando no meio do momento de maior tensão, não melhora muitos as coisas.

As batidas voltaram e então Snape gritou, um grito alto, fino e entrecortado como se o ar tivesse lhe fugido do peito mais rápido que suas pernas podiam tirá-lo dali.

E no segundo seguinte nós vimos a sombra que era Severus Snape correndo no sentido oposto do corredor, para onde eram os dormitórios da sonserina, em Hogwarts, os alunos eram divididos em casas, para facilitar os horários de aulas, atividades extras e campeonatos. E também manter uma rivalidade "saudável" entre os alunos. Eu e os garotos éramos todos da Grifinória, já Severus era da Sonserina.

—Rápido agora. -Remus falou se colocando de pé e correndo para a sala, eu o segui.

Com a lanterna do celular em mãos eu fui direto para a pilha de trabalhos, a sala estava uma bagunça, todos aqueles papéis que cercavam Snape estavam no chão, a cadeira tombada. Coloquei meu trabalho no meio dos outros e me virei apenas para ver Remus gargalhando enquanto olhava pela janela, quando eu firmei os olhos na escuridão que estava nos jardins não pude conter uma exclamação de susto. Um monstro com de rosto decomposto e cheio de larvas acenava para Remus. O monstro tirou a máscara e se mostrou ser apenas Sirius, no momento scooby doo do dia.

—Vamos, -Lupin falou andando até a porta.-Filch vai chegar a qualquer momento. -Filch era o zelador principal do colégio.

Andamos pelos imensos corredores com um silêncio que era cortado apenas por eventuais risadas. O Internato Hogwarts era um dos maiores e mais antigos colégios do Reino Unido e até quatro anos atrás tratava-se de uma escola exclusivamente masculina, mas as regras foram alteradas pela primeira vez em séculos quando Alvo Dumbledore se tornou diretor; assim como 90% da população da Inglaterra, Dumbledore não entendia a necessidade de uma regra tão arcaica. Isso faz de mim e mais uma centena de garotas, as primeiras estudantes de Hogwarts. A mudança foi bem aceita pela maioria, mas eu consigo me lembrar distintamente no primeiro ano de ouvir Lucius Malfoy, um garoto loiro com cara de cavalo, e modos não muito diferentes, da sonserina, comentando com seus amigos que:

"Mulheres não deveriam estar em Hogwarts pelo simples fato de que elas não merecem, metade do que fazemos elas não conseguem, e a outra metade não é serviço delas para começo de conversa."

Eu não dei um tapa na cara de Malfoy naquele dia, eu deveria, mas não dei, era meu primeiro dia em Hogwarts e eu achava que minha forma de honrar estar naquela escola chique era me manter na linha, esse pensamento durou uma semana no máximo, quando eu discuti com Bellatrix Black e notei que a melhor forma de honrar o colégio era fazer minha estadia ali a mais memorável possível, ao menos para mim. Eu não bati em Lucius naquele dia, mas eu também não me esqueci. Eu não esqueço essas coisas facilmente.

Mais alguns passos e nós chegamos aos dormitórios, Remus entrou primeiro, e vendo que ninguém estava na sala comunal, o espaço destinado a socialização dos alunos de uma mesma casa, fez menção com a cabeça para que eu também entrasse.

Quando chegamos no quarto dos garotos James já estava lá, sentado na cama com um sorriso maior que o rosto.

—Vocês ouviram aqueles gritos!? FOI BRILHANTE!

—Fale baixo Prongs. -Remus falou, mas ele mesmo também sorria.

—Ele durou mais do que eu imaginava. -Eu falei baixo e a porta atrás de mim se abriu.

—SNIVELLUS GRITA COMO UMA GAROTA! -Sirius falou dramaticamente, a máscara ainda pendia em sua mão.

—Padfoot. -Remus falou ríspido.

—O.K. O.k., eu vou me acalmar. -Sirius corria as mãos pelos cabelos pretos longos, saídos diretos de uma propaganda de shampoo. Seu bonito rosto(não sou eu que estou dizendo e sim 90% da população feminina de Hogwarts) se contorceu em um sorriso canídeo, ele me lembrava um cachorro em muitos momentos, seu jeito de rir, de andar, de se portar. -Vocês viram como ele gritou quando viu a máscara? -ele disse levantando a máscara e mostrando para nós. -Eu achei que não ia conseguir segurar a risada! Cara, foi perfeito.

—Por falar em perfeito, -eu disse. -Como vocês fizeram tudo aquilo?

—Ah, -Potter disse, agarrando uma garrafa de Gatorade depois de limpar seus grossos óculos pretos, cego como um morcego ele era. Ele coçou a nuca enquanto falava, seu cabelo sempre desarrumado. -Não foi tão difícil. O aplicativo é um clássico, rápido e eficiente para sustos. Sirius ficou do lado de fora, batendo na janela. Antes ele tinha ido até a sala do Filch, o quadro de força fica lá. E eu fiquei na outra porta da sala de biologia, fazendo as vozes. Muito legal aquele de réptil não?

—Mas espera, -eu falei, minha cabeça a milhão. -Como vocês entraram na sala? Como Filch não pegou vocês?

—Eu descobri que o quadro de força ficava lá no primeiro ano. -Sirius falou. -Filch tentou me dar uma detenção por pixar o banheiro. Acabou que eu apenas descobri suas maiores falhas de segurança naquele dia.

—Nós copiamos a chave da sala dele no segundo ano. -Remus falou timidamente, andando até sua cama.

—E ele não estava na sala?

—Organização é a chave, Bouler. -Sirius disse. -Nós sabemos o horário de cada um dos funcionários daqui, inclusive a ronda noturna do Filch.

Eu franzi o cenho pensando em mais perguntas, eu não tinha nenhuma.

—Devo admitir cavalheiros, -Eu disse me curvando. -Que os senhores são os melhores.

—Conte-nos uma novidade. -Sirius falou dando uma risada, as risadas de Sirius lembravam latidos, graves e ríspidas, ele agarrou o Gatorade de James e deu um gole.

—Como foi o nome que você deu a tudo isso? -Eu perguntei a Sirius.

—Operação Nightshade. -Ele disse orgulhoso.

—Declaro que a operação Nightshade foi um sucesso! -Eu completei e todos batemos palmas e trocamos high fives.

—Foi um prazer trabalhar com vocês. -Eu disse abrindo a porta.

—Bouler? -James chamou antes que eu saísse. -Obrigado por trazer a oportunidade e bom trabalho.

Eu sorri e saí porta afora.

Chegando ao meu dormitório tentei entrar sem fazer nenhum barulho, minhas três colegas de quarto já deveriam estar dormindo a pelo menos uma hora.

O quarto estava escuro, eu passei pela beliche em que Molly Prewett e Alice Jones dormiam, ouvindo o leve respirar das meninas, então, apenas tirando o jeans, deitei na parte de baixo do beliche que eu dividia com Lily Evans.

Mas logo que eu fechei os olhos eu ouvi Lily sussurrar.

—Boa noite?

Eu sorri pensando na noite inacreditavelmente satisfatória que eu tivera.

—Boa noite. -Concordei.

—Que bom, então durma bem Pietra. -Ela disse bocejando.

—Você também Lily.

Eu gostava das minhas colegas de quarto, gostava de verdade, elas sempre foram simpáticas comigo e sempre tentaram me enturmar. Eu só... Não sei, eu não conseguia manter amigos, nunca consegui. Então eu apenas existia, nos primeiros anos, as meninas me chamavam de fantasma, eu quase nunca aparecia, e quando aparecia, estava ouvindo música no meu velho walkman. Eu gostava de ouvi-las conversando, entretanto, sobre suas famílias, os garotos que gostavam e os que detestavam. Eu só não sabia como ser parte do grupo, então eu acompanhava tudo da margem.

Bem, isso até a operação Nightshade. Eu gostei da sensação de estar ali, de participar.

Adormeci pensando em todas essas coisas, uma felicidade infantil que eu não sentia há muitos anos.

Notas finais
Eu realmente não sabia que sobrenome colocar para a Alice, então foi Jones mesmo. Sim, eu sei que a Molly é bem mais velha que o pessoal da marauders era, mas eu acho ela tão amorzinho que tive que colocar na história. Caso você seja da novíssima geração Z, um walkman é um dispositivo portátil que toca fitas, assim como o do Star Lord em Guardiões da Galáxia. Bom, espero que vocês tenham gostado. Até quinta! :3