Raio de Sol

7 Saída da Faculdade


Notas iniciais
Eu ainda não escrevi os próximos capítulos, mas sou uma autora precavida e tenho capítulos já prontos, yey... Espero realmente que estejam gostando ^-^ ~~Boa leituraaa

Capítulo 7 – Saída da faculdade.

Ela não se importaria se ele saísse um pouco não é? Talvez não se importasse, mas ir até a faculdade dela seria demais e Ismael sabia disso, mas já eram cinco da tarde e ela não havia voltado.

Ligou para o celular dela, mas estava desligado. Ontem ela teve faculdade, mas era quatro da tarde e ela já havia chegado, onde poderia estar? Não queria admitir, mas estava preocupado com ela. Ismael soltou um longo suspiro e tomou uma decisão.

Chegou à faculdade dela em vinte minutos. Ela havia dito por acaso que estudava ali e ele sabia o caminha por apenas coincidência, enquanto esperava lembrava-se do rosto dela, ela parecia brilhar para ele. Mas que idiotice você está pensando Ismael?

Ele parou em frente à entrada do campus e sentiu suas mãos soarem frio, as limpou na calça enquanto se chamava de estúpido por estar tão nervoso ali foi quando se lembrou dele. Ele era um professor de uma faculdade como essa não era? Ele desviou o olhar ao sentir seu coração acelerar e no mesmo instante se arrependeu de ter saído do apartamento.

– Se eu voltar agora a Raiane nem irá perceber... – pensou consigo mesmo.

– Nem irei perceber o que... Pirralho? – ele se virou e encontrou uma Raiane de braços cruzados e um olhar furioso, ela estava apertando os lábios e parecia que queria matá-lo. Então isso é realmente uma mania dela... – Hein? Ficou mudo? Na verdade, o que está fazendo aqui?!

Ela estava um pouco diferente. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo e ela usava óculos finos de armação preta, em suas mãos carregava dois livros e um estojo e pendurada em seu ombro estava sua bolsa. Em sua orelha pendia um fone de ouvido e seu celular deveria estar no bolso da calça.

– Ismael? – ela chamou o nome dele. Ele soa bem. Mas o que?!. Raiane suspirou enquanto Ismael estava perdido em seus pensamentos. – Eu pedi para que ficasse no apartamento, não pedi?

Ismael assentiu com a cabeça e pela primeira vez falou.

– É... É que você estava demorando muito mais do que os outros dias e...

– Isso é por que eu estava no trabalho, garoto – Raiane suspirou e pegou seu celular e fez alguma coisa nele. – Eu trabalho depois da faculdade numa biblioteca aqui.

– Ah – e essa foi à última coisa que falou. Sua expressão era tão desolada que Raiane começou a ficar com dó.

– Já que está aqui... – Raiane falou guardando tanto o celular como o fone de ouvido na bolsa. – Vamos comer algo, não estou com disposição para fazer comida quando voltarmos.

– O-ok! – ele disse e sorriu abertamente.

Eles foram a uma galeria que tinha por perto e Raiane perguntou o que queria, assim que ele disse ela pediu para que procurasse uma mesa que iria buscar a comida.

Sentou-se em uma mesa próxima ao restaurante que servia massa e esperou por Raiane. Ela voltou com os dois pratos e começaram a comer em um silêncio que não sabia se era desconfortável ou não mesmo assim sorriu ao vê-la comendo seu nhoque com uma expressão aborrecida.

– Do que está rindo? – ela disse suspirando e ele apenas deu de ombros não conseguindo controlar seu sorriso. – Você estava preocupado? – ele quase engasgou com o refrigerante. – Ei! Cuidado! Foi só uma pergunta, calma...

– É muito chato estar dentro daquele apartamento e você estava demorando muito, só isso – ele limpou a boca com o guardanapo e pegou uma garfada do macarrão. E então caiu tudo encima da camisa dele. – Ah cacete...

Raiane então explodiu em gargalhadas. Ismael olhou assustado para ela e ela continuou a rir, mas conseguiu falar.

– O que foi? É hilário você com essa pose toda dizendo que não estava preocupado comigo e ter se sujado todo – disse acabando a sentença com um sorriso.

– Não é por isso que estou surpreso – ele disse pegando mais guardanapos para se limpar. – É que do jeito que você age parece que nunca ri – e sorriu. Isso não é exatamente verdade, já que ela riu de mim quando... Mas não completou seu pensamento.

O sorriso de Raiane se esvaeceu e franziu a testa. Ismael a chamou, mas ela estava perdida em seus pensamentos. Eu... Nunca rio? Na verdade, qual foi à última vez que me diverti de verdade... Raiane tomou um gole do seu refrigerante e suspirou voltando ao seu antigo semblante.

– Já terminou? – perguntou olhando as horas no seu celular, ela colocou os fones de ouvido e olhou para ele.

– Bom, depois dessa nem irei mais comer – ele suspirou e se levantou.

Depois de limparem a mesa saíram da galeria andando lado a lado e Ismael achou aquilo realmente desconfortável. Ele a olhou várias vezes e ela tinha um brilho diferente nos olhos e murmurava baixinho a música que ouvia. Então Ismael simplesmente arrancou um dos fones de ouvido dela.

– Ei! – ela protestou e ele começou a escutar a música. – Me devolve!

– O que é isso? – era algo parecido com rock, mas não era nem em português nem em inglês. – Em que língua está isso?

– Não te interessa – e tirou o fone dele. – Idiota – murmurou e apertou o passo.

– Desculpa Raiane – ele disse com um sorriso meio incrédulo. – Não sabia que iria a incomodar tanto, é que parecia estar curtindo tanto a música que quis saber qual era.

Raiane suspirou.

– Tó – e estendeu um dos fones para ele.

– O que? – ele piscou algumas vezes.

– Você não queria ouvir? – ela disse parando de frente a ele. – Então pega! Só que nenhum comentário!

Ismael estava confuso, em um momento ela surtava por que ele pegou o fone e em outro o oferecia para ele. De qualquer forma, achou melhor não contrariar e colocou o fone o que os aproximou ainda mais já que o fio era curto.

A música era realmente um rock, mas não era apenas em uma língua estrangeira Ismael percebeu, eles alternavam entre o inglês e o que fosse aquilo. Queria perguntar, mas tinha receio que ela fosse surtar novamente e nem precisou ela falou sozinha.

– Se chama One Ok Rock... – ela virou o rosto para o outro lado. Estava corando? – É uma banda de rock japonesa, não gosto que outras pessoas escutem comigo, por que nunca entendem e ficam fazendo piadinhas – suspirou. – Desculpe por ter surtado, creio que te pegou de surpresa.

Nem Raiane nem Ismael falaram mais nada depois daquilo. Ismael por que estava muito surpreso com o pedido de desculpas dela e por realmente estar curtindo a música, e Raiane por realmente não saber mais o que falar. Seguiram o caminho assim.

Em pouco tempo chegaram ao apartamento e bem quando abriu à porta o telefone fixo tocou. Raiane colocou os livros e sua bolsa em cima da bancada da cozinha e atendeu ao telefone. Ismael apenas observava as mudanças de expressões de Raiane.

– Alô?

– Filha? Aqui é tua mãe.

– Sim? – seu tom era formal e não se atrevia a falar mais do que isso quando se tratava de sua mãe.

– Já marcamos quando vai ser o velório de Tália... – Raiane ficou em silêncio e sua expressão se fechou mais ainda. – Será amanhã no mesmo cemitério em que enterramos sua avó. Poderá ir certo?

Ismael não sabia o que significava a expressão de Raiane apenas percebeu que qualquer brilho que havia em seus olhos sumiu.

– Sim.

– Filha? – a voz agora era definitivamente de seu pai. ­– Sei que pode não ligar para velórios, mas espero que venha com o coração...

– É O VELÓRIO DA MINHA IRMÃ! – Raiane explodiu no telefone e Ismael viu sua mão começar a tremer. – Vocês não sabem bosta nenhuma sobre mim para dizer se ligo ou não para velórios. Eu vou está bem?

E desligou o telefone.

– Raiane? – Ismael tocou seu braço de leve e percebeu que ela toda estava tremendo, quando ela o olhou achou que estaria chorando, mas não. Seu olhar, na verdade, não tinha expressão alguma.

– Se importa de eu ir tomar banho primeiro?

Ismael negou com a cabeça e soltou seu braço. Raiane seguiu em direção ao banheiro, mas parou no meio do caminho.

– Ismael? – ela o chamou e ele foi até ela perguntando o que aconteceu. – Você... Amanhã vai ser o velório da minha irmã.

Ah, deveriam ser os pais dela no telefone, pensou Ismael olhando para uma Raiane quase sem vida. Nunca imaginaria aquela explosão de raiva dela e ainda estava surpreso por isso.

– Eu não... – ela andou até a porta do banheiro e praticamente sussurrou. – Eu não posso ir sozinha, pode ir comigo? – ela se virou e olhou realmente, talvez pela primeira vez, nos olhos dele. – Por favor?

– Mas... – Ismael não conseguiu desviar o olhar, ela estava pedindo com intensidade e parecia suplicante. – Mas é claro que sim – e viu o que achou ser alívio nos olhos dela.

Depois disso, Raiane foi tomar banho e Ismael para a sala pegar algum livro. Aquela noite, para os dois, foi muito difícil para dormir.

Notas finais
Deixem reviews se gostaram e deixem se não gostaram também ^^ Preciso de um feedback, certo?? Beijos e um ótimoooooo fim de semana! PS.: Viram? Cinco dias certinho :P kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk