Raio de Sol

12 Ismael "para sempre"


Notas iniciais
Maior enfoque no Ismael :3

Capítulo 13 – Ismael “para sempre”

Sim, eles acordaram no mesmo quarto e, sim, na mesa cama. Bom, ele acordou.

Piscou os olhos algumas vezes e demorou um pouco para perceber o que realmente tinha acontecido. Ele não conseguia acreditar. Colocou as mãos nos olhos e percebeu que era, naquele momento, o homem mais feliz do mundo. Resistiu à vontade de gritar e sentou-se na cama.

Percebeu que Raiane não estava mais ali. Olhou para o pequeno despertador dela e imaginou que pelo o horário ela já teria saído. Colocou os pés para fora da cama procurando por suas roupas e entre elas havia um pequeno bilhete.

“Saí para comprar alguns materiais, estarei de volta logo. – Beijos, Raiane... PS.: Não fique se achando ò.ó!”

Ele riu com a carinha que ela desenhou e foi tomar um banho crente de que ela já estaria de volta assim que terminasse. Fez o seu máximo para acreditar no que havia acontecido, para realmente perceber o que havia acontecido. Apesar de sua felicidade, ele ainda tinha o angustiante sentimento de medo e obrigação. Ela tinha o direito de saber tudo, mas não conseguiria contar.

Teve então uma brilhante ideia. Resolveu escrever o que havia acontecido com ele durante todos os anos que se passaram. Ela tinha direito de saber e conhecer o cara que amava. Riu com esse pensamento, ela disse para ele não se achar, mas não tinha como não fazer isso.

Depois de sair do banho e colocar a roupa de cama para lavar, Ismael percebeu que ela estava demorando um pouco. Pegou seu celular ligando para ela.

– Ah, oi Ismael. – ela estava ofegante e ele queria saber por que. ­– Sei que estou demorando, mas eu quis aproveitar e ir ao banco. Parece que não foi uma boa ideia.

– Está presa no banco? – foi até a cozinha pegar alguma coisa pra beber.

– Na verdade estou presa no caminho, peguei um trânsito infernal!

– Ei, que materiais você saiu para comprar? – seu tom demonstrava curiosidade e Raiane ficou um pouco surpresa com isso.

– Bem, são coisas como cola para madeira, placas de PVC, tecido... É para o cartaz que fiquei encarregada de fazer para a biblioteca. Eles disseram que iam me fornecer, mas teve tantos problemas com a papelada que resolvi fazer por mim mesma. ­– ela respirou fundo. ­ – Meu Deus, que calor está aqui.

– Que dó de você – ele disse distraído e riu com a resposta atravessada que Raiane lhe deu. – Ok, ok! Já entendi! Ei, onde tem um caderno que posso usar?

Houve uma pequena pausa até Raiane dizer que podia pegar qualquer um que estivesse no quarto dela. Ele agradeceu e se despediram. Tinham muitos cadernos e livros ali. Ismael não pegou o decorado por Tália, achou que não seria uma boa ideia. Tinha um bem simples, 90 folhas pautadas.

Começou como uma carta, talvez estivesse sem criatividade para escrever. Não é preciso de criatividade! Apenas escreva! Repreendeu a si mesmo.

Raiane,

Você merece saber mais sobre mim e não me parece certo ficar escondendo isso de você. Por favor, me desculpe minha falta de habilidade com as palavras, não costumo escrever muito sabe XD. Sei que também não devia colocar carinhas, mas eu não me importo.

Minha mãe é atriz. Nasci de um caso com um atorzinho qualquer – pode parecer duro, mas quando você cresce escutando isso não parece tão ruim. Tive inúmeros padrastos até os meus sete anos de idade. Minha mãe começou a namorar um professor.

Isso me pareceu muito estranho, ela sempre namorava diretores ou outros atores, mas não me incomodei. Ele era legal na verdade e não implicava comigo como os outros. Minha mãe sempre dizia que era bom eu fazer de tudo para agradar ele, um homem como aquele não se achava. Lembro-me de que ela gostava mais do dinheiro do que dele... Mas isso já era de se esperar, não?

De qualquer forma, ele começou a ficar estranho... Não vou descrever o que ele fazia até porque minha mente deu um jeito de enevoar essas lembranças (obrigada mente!). Ele tomava café toda hora e aquele cheiro ficou encrustado nele. Sua roupa, cabelo e hálito cheiravam a cigarro e café.

Uma noite ele resolveu que estava na hora de fazermos coisas “mais legais”, lembro-me muito bem das palavras dele. Eram nojentas e asquerosas, sabe? Eu estou escrevendo por que não conseguiria falar nada disso... Foram meses assim. Eu tentava não gritar, mas era impossível.

Até que um dia eu me recusei. Estava cansado, dois anos daquele jeito era demais para mim. Acho que para qualquer pessoa, né? Eu contei para a minha mãe. Ela me bateu. Ele foi embora e ela me batia sem parar.

Acho que ela dizia que era para fazer tudo que o agradasse, ele que estava nos sustentando. Me perguntei (ou seria “perguntei-me”?) se ela já sabia do que ele fazia.

Ismael não estava chorando, ele não tinha acabado a carta, mas sabia que se não tinha chorado ali, não precisava se preocupar em manchar nada. Colocar tudo aquilo em palavras não foi tão ruim como tinha pensado, mas não sabia se teria coragem de mostrar aquilo para Raiane. Continuou.

Outros passaram depois disso, mas nenhum nunca descobriu o que havia acontecido. Na escola me perguntavam o que tinha acontecido comigo, sempre disse que foram pancadas e brigas, mas não sei se acreditavam... Isso não importa mesmo -.-‘’

Com quinze anos ela arrumou um diretor. Casou com ele, mas ele curtia me bater... Eu acho. Se bem que ela não dava a mínima para isso e ele a convenceu de que precisava de mais um ator. Seria eu se eu não fosse tão ruim nisso.

Minha mãe resolveu que eu deveria entrar em um curso. O diretor era rico – ainda é – arrumou tudo para que eu pudesse entrar. Fiz durante quatro anos... Ou três e meio XD. Quando recebi uma carta da professora de teatro para que eu parasse de fazer aquilo eu achei que estaria livre.

Infelizmente as coisas não são bem assim, não é? Eles me disseram que eu era um inútil e ele me bateu mais. Foi então que fugi e liguei para você o/

Por sua causa estou bem agora. Você cuidou dos meus machucados, me abrigou e ainda me fez feliz. Obrigada por existir Raiane. Espero que nunca nos separemos ;*

Com amor, Ismael... É assim que se termina uma carta? Ah, foda-se.

Ele olhou para a carta.

– Mas que merda isso ficou – ele suspirou. – Nunca vou mostrar isso para ela.

Olhou no relógio e viu que passou mais tempo fazendo aquilo do que imaginara. Seu celular tocou. Correu para atender e todo feliz atendeu.

– Ei Raiane, você volta logo!?

– Raiane? – era uma voz masculina. – Então esta com uma garota? Não é tão idiota quanto eu pensei Ismael.

Era ele. Ismael desligou o telefone e disse a si mesmo que era um covarde. Como se eu ligasse para isso. Até que ouviu o trinco da porta abrir.

– Cheguei... – Raiane apareceu na porta totalmente exausta. – Ismael, você fez algo para almoçar? Estou faminta e... – ela olhou para ele e viu que tinha algo errado. – Aconteceu alguma coisa?

– Não! – ele disse rápido demais. A carta esta bem na vista dela. Por favor, não veja.

– E para que você queria o caderno? – ela pareceu ignorar o tom de voz dele. Colocou a bolsa e as sacolas na bancada e apertou os lábios com a demora. – Ismael? Você tá suando?

– Eu? Suando frio? Da onde você tirou essa ideia absurda hahahaha – ele estava chegando perto da carta, só o que precisava fazer era pegar sem que ela visse.

– O que é isso? – Raiane perguntou apontando duas folhas de papel em cima da mesa. – Você que escreveu? – quando se aproximou para pegar Ismael pegou os papéis. – O que foi? Não posso ver?

Seguiu-se então uma cena bem... Infantil. Ismael levantava os braços e como era mais alto Raiane ficava pulando tentando pegar. Só que ela se irritou e deu um chute nas costelas dele. Não era tão baixa assim.

– Há! – pegou o papel. – Isso está endereçado a mim?

–Tá! – ele disse com uma careta de dor. – Mas me deixa ir pro quarto!

– Ué, por que...?

– Por que sim! – e saiu da sala deixando Raiane totalmente confusa.

– Que estranho... Pirralho – sorriu e começou a ler, seu sorriso foi se apagando pouco a pouco. Quando terminou levou a mão a boca surpresa com tudo o que tinha lido. – Ismael! – ela gritou e foi para o quarto – Abre esta porta!

– Não quero! – ele gritou do lado de dentro.

– Mas o que você é? Um pirralho de cinco anos? Me deixa entrar agora! – ela gritou e ele abriu uma frestinha. Ela respirou fundo. – Ismael...

– Tá, eu já entendi! – e abriu a porta ficando de frente para ela.

Os dois se encararam. Raiane tentou buscar os olhos dele, mas estava complicado. Não teve escolha a não ser pegar o rosto dele com as duas mãos deixando a carta cair. Os olhos dele estavam evitando os seus, mas não demorou a encará-la. Pareciam de chocolate. Raiane levantou um pouco os pés e o beijou.

– Obrigada por ter me contado – ela sorriu. Seu sorriso é tão lindo, meu deus. – O-obrigada...

– Hum? – ele franziu a testa.

– Você disse que meu...

Ismael jogou a cabeça para trás e quis gritar. Ele realmente precisava parar de fazer isso. Raiane riu e ele a olhou, os dois acabaram rindo. Como ainda era tarde e não tinham almoçado, Raiane fez arroz enquanto ele arrumava a mesa e lavava a louça do dia anterior.

– Ei Raiane – ele disse. – Quando faz aniversário?

– Hum, o meu já foi – resolveu devolver a pergunta. – E você?

– Eu? – ele piscou algumas vezes. – Que dia é hoje?

– Oito, por quê?

– Meu Deus! – ele riu e olhou para ela. – Faço aniversário amanhã!

Notas finais
Desculpem-me se tem palavras erradas ou se comi alguma coisa... Estou sem tempo para revisar -.-' Deixem reviews, certo?