Raining Blood: O Príncipe Das Trevas

5 Capitulo V - ''God guide your way''


Estrada para Brasóvia, Floresta de Prahova– Romênia.

O ar frio fazia suas narinas arderem, estava extremamente cansada por ter corrido durante horas a fio, tentando ganhar espaço e vantagem caso a procurassem. O sol já começava a despertar timidamente em seu tom laranja, o que a deixava ainda mais aflita. Assim que Grigore acordasse e perguntasse por ela seus serviçais perceberiam que era havia fugido e logo o pesadelo começaria. Elisabetha por vezes pensou em retornar, mas não saberia o que faria. O seu marido logo morreria, de fato, mas sem duvida ela seria posta de lado e humilhada por ser viúva e de outra família menor que a dos Valcovici. Voltar a Brasov lhe dava certo receio, não saberia como Dragos agiria. Ela havia ido contra a vontade dele. Tinha de alguma forma conseguir acalmar a fúria do irmão e o único modo seria se aproveitar da atração que ele sentia por ela. Mentir para ele dessa forma poderia ser algo que lhe custaria à vida, mas não iria desistir sem tentar.

☩☩☩

Estrada para Valáquia, Acampamento dos Valcovici – Romenia.

As serviçais já estavam levando bandejas de prata para o interior da carruagem de Grigore, que continuava deitado com a face abatida e sem cor. Mihas, assim que se levantou percebeu a falta de Elisabetha, que não estava deitada nas peles estendidas no chão.

– Ciprian! Acorde, rápido! – disse Mihas dando leves chutes para que o irmão acordasse.

– O que? O que foi? – ele fingia que estava adormecido, mas já sabia o que o irmão diria.

– Elisabetha sumiu! – disse ele olhando em volta como se a procurasse – Eu já olhei tudo, ela estava deitada aqui ao nosso lado, e veja, não há nada ali além de peles.

Cirpian levantou e olhou em volta, estava tudo calmo como deveria estar. Somente Mihas parecia inquieto e ativo, todos ainda estavam despertando e fazendo suas refeições. Naquela altura Elisabetha já estava a alguns quilômetros dali, e saber disso acalmava os ânimos do príncipe.

– Se acalme irmão. Ela pode estar junto de nosso pai, ou em alguma carruagem. Procure-a com atenção!

– Já procurei Ciprian. Ela não está aqui mesmo. – Mihas se mostrava bastante nervoso, suas mãos tremiam e sua expressão era dura – Ela só pode ter fugido!

– Para onde? Onde essa pobre iria encontrar auxilio?

– Nos braços do irmão. Não vê? Está mais que lógico que ela voltou para ele, senti algo entre os dois naquele jantar.

– Não diga tamanha blasfêmia Mihas! – trovejou – Dragos é um príncipe devoto, respeitoso e Elisabetha uma senhorita. Sem duvida sentiu algo entre os dois, o forte laço de fraternidade que os unem!

– Tu és mesmo um ingênuo Ciprian! Que deus lhe abençoe e lhe dê sabedoria. – ele se virou e foi em direção aos cavalos, sabia que tinha que encontrar a princesa.

– Espere Mi! – chamou Ciprian dando um pulo de sua cama improvisada – Irei com você procurar a princesa!

☩☩☩

Dragos observava com interesse a fuga desesperada da irmã. Sentia um pouco de raiva por saber que ela havia descumprido suas ordens, o casamento com os Valcovici era extremamente importante para aproximar as duas famílias. Assim que Grigore morresse, Elisabetha se tornaria a senhora do castelo de Valcov e Dragos poderia então governar através da irmã conseguindo regalias para si e para sua família, mas agora estava tudo arruinado por conta do medo e da insolência de Elisabetha e da maquinação de Ciprian.

Ele sempre ficava atrás dela, observando-a. Cada vez que ela caia de exaustão ele desejava ajuda-la e então interroga-la, mas aquela punição o divertia. Se ela quisesse conforto e descanso que tivesse ficado no acampamento, mas ela escolhera fugir e se aventurar no meio dos galhos e da lama.

Sem dúvida ela voltaria a Brasov, e isso o deixava bastante satisfeito. Aquela atitude só mostrava o quanto Lisa inconscientemente procurava-o e preferia estar perto dele a ir para um lugar desconhecido e estranho. O casamento com Grigore era a chance que ela tinha de se afastar daquilo, do irmão possessivo e misterioso, mas ela preferia voltar a ficar com outro homem.

☩☩☩

Mihas entrou na carruagem onde estava o pai. Parecia que estava a beira da morte, centenas de vezes pior do que no dia anterior. Seus olhos estavam profundos e amarelos, as veias estavam escuras, marcando a pele do rosto de Grigore, a respiração era lenta e pesada e ele apenas sussurrava.

– Pai, desculpe lhe incomodar. Sei que está cansado, mas preciso lhe avisar algo.

– Diga meu filho. – piou ele, com sua voz rouca e falha.

– A princesa Elisabetha sumiu. – ele passava os dedos nos cabelos alaranjados, fazia aquilo sempre que se encontrava em uma situação angustiante – Sinto muito pai, a procuramos em todo lugar, andamos quilômetros pela estrada, nem se quer pegadas há nela.

– Como isso foi aconteceu? Por que a deixaram ir?! – tentou falar o mais alto possível, mas sentia uma dor tremenda no peito para continuar a falar.

– Não a deixamos, estávamos dormindo a seu lado. Parece que algo a levou.

Grigore não conseguia mais falar, uma tosse incessante havia invadido sua garganta. A cada vez que forçava a falar sentia um ardor. Mihas sabia que o pai pensava que a culpa era sua, e que deveria ter cuidado e vigiado a princesa. Aquilo fazia o odiar ainda mais, ele sempre fora rígido e sempre cobrara demais dele. Esperava que o filho fosse forte e imponente como ele, mas Mihas não havia nascido com a perversão e o egoísmo que o pai detinha. Ele sabia que havia sido ele que assassinara sua mãe, ele e Ciprian sempre souberam, apesar de todos dizerem que fora uma criatura diabólica que adentrara nos aposentos da mãe e a degolara e a deixara ali para que todos a vissem.

– Desculpe-me pai. Vou retomar a busca juntamente com Cirprian. – ele cerrava os punhos de raiva, sempre tentava esconder seus sentimentos na frente das pessoas, mas certas vezes não conseguia se contiver.

Nem ele mesmo queria achar Elisabetha. Apesar de o pai estar quase morto havia uma chance de que ele melhorasse. Ele já havia ficado doente ou gravemente ferido muitas vezes, mas sempre conseguia se erguer e voltar a exercer sua função. De inicio queria encontra-la, sabia que o pai o julgaria e provavelmente o castigaria, como se já não houvesse cicatrizes demais em seu corpo, seu pai lhe daria novas, ou mandaria alguém fazer. Também temia pela garota, sozinha na floresta escura, havia animais e pessoas perigosas, mas agora tudo que queria era deixa-la ir, mesmo que algo lhe ocorresse seria bem melhor do que viver sobre o teto de Grigore.

– Ciprian, venha! – gritou ele.

– O que foi? O que nosso pai disse? – ele parecia ansioso e preocupado, seus olhos estavam saltados e brilhantes como quem implorava por uma resposta – Ele deve estar possesso.

– Sem dúvida. Está cada vez mais decadente, mal conseguira falar.

– Decerto que vamos continuar a busca. – Ciprian baixava o olhar, desejava que a moça estivesse realmente longe o bastante para que não a alancassem.

– Vamos pela estrada.

– Mas já procuramos por lá Mi, não vamos retornar e perder nosso tempo.

– Vamos pela estrada, sei que já olhamos e que nada vamos encontrar lá, por isso devemos seguir.

– O que queres dizer irmão?

– Deixe que Elisabetha vá. Talvez a floresta seja mais segura para ela do que os braços de nosso pai.

– Terei de concordar com você, temia pela integridade da princesa.

– Que deus guie o destino dela, que a proteja e a deixe em segurança. Que seu irmão nunca a entregue novamente para Grigore.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.