Raining Blood: O Príncipe Das Trevas

2 Capitulo II - Dragos Bathory Draculea


Notas iniciais
Contando a história básica de Dragos e de sua família. A ação virá nos próximos, espero que acompanhem e gostem. Capítulo reeditado em 10/11/14 - Há poucas mudanças, nada tão relevante.

O castelo de Brasov se encontrava sobre um pequeno monte dos Cárpatos, nos planaltos da Transilvânia, cobertos por uma extensão de árvores de carvalho e algumas coníferas. Ele pertencia à família de Petri Draculea, irmão do famoso Vlad o Empalador da dinastia Drakulya, conhecido por ser um grande príncipe valáquio e por sua personalidade pouco afável. Petri comandava o condado de Brasóvia, onde viviam seus filhos e mulher, fazendeiros, criados e comerciantes. Sua esposa, Ekaterina Bathory, vinha de uma importante e grandiosa família húngara, era uma mulher muito esguia e frágil, que tivera muita dificuldade para criar seus dois filhos, Elisabetha e Dragos. A menina sempre era mantida ao seu lado, de personalidade exatamente igual à mãe, sendo sempre tenra e gentil, demonstrava tamanha inteligência mesmo sendo tão pueril. Já menino sempre acompanhava o pai em suas viagens pelo reino da Transilvânia, Hungria, Polônia e Moldávia, para aprender como se devia cuidar de um castelo e de seus habitantes. Ele era muito observador e perspicaz e costumava tratar a todos com cortesia e gentileza.

Vlad conhecera o jovem menino em uma visita que o pai fizera ao castelo de Bram, que ficava a certa distancia de Brasóvia. O pai, que era obrigado a visitar o irmão frequentemente por vários motivos, achava a companhia dele um tanto desconfortável, mas devia tratar com respeito e fidelidade à família, independente de gostos pessoais. Certa feita, o tio mostrou um interesse singular pelo menino, para ele, que costumava viver sozinho e rejeitava a companhia de crianças, aquele fora um evento muito anormal. Para agravar mais ainda a situação, solicitou a Petri que deixasse Dragos morar em seu castelo e fazer dele seu pupilo, que desejava doutrina-lo para que o legado da família Draculea nunca se perdesse. Com tamanha insistência e tendo certo medo em recusar o pedido de Vlad, o pai aceitou o tão excêntrico pedido deixando que o menino permanecesse por anos em Bram.

— Deixe que o menino permaneça em meus aposentos. Um dia ele poderá suceder o trono e quero que seja bem doutrinado, que aprenda cada detalhe sobre governar. — solicitava Vlad, com a voz rouca e severa, era impossível negar algo a aquele homem, suas palavras soavam como ordens e sua expressão era comumente estarrecedora.

Mesmo com toda distância, e vendo cada vez o menino se tornar uma cópia fiel do irmão, Petri o visitou, toda vez que pudera. Apesar de tudo, ficava feliz em perceber que ao menos estava crescendo bem e estava sendo educado corretamente. Por conta de suas viagens constantes e o relacionamento forte que tinha com o rei húngaro o afastou de Dragos e do resto da família, e por anos ele deixara de visitar o filho em Bram. O rei pedira a ele que ficasse para ajuda-lo a manter o trono e a decidir, pois era um homem sábio e influente, como sempre buscava a ascensão ele aceitou sem hesitar.

De fato Vlad ensinara tudo que sabia ao menino até que ele se transformara num homem ou num monstro, seja qual for a definição, de fato Dragos era muito instruído e cortês. Ensinou como persuadir e perseguir alguém, o modo como deveria caçar e agir e quais presas eram as melhores. Vlad era bom no que fazia e evitava criar outros vampiros, mas com Dragos foi diferente. Ele havia visto um potencial naquele pequeno prodígio. Transformar um adulto era completamente errôneo, ele poderia ser falho e acabar enfraquecendo a espécie. Mas disciplinar uma criança até que se torne um adulto, a preparar durante toda sua vida e depois disso a transformar, isso era algo novo, excitante. Uma experiência pela qual valia a pena correr riscos.

Dragos obtinha cada característica de seu tio, a força e a inteligência, a habilidade e a perspectiva, mas tinha algo que ele não dispunha e que lhe dava muita vantagem e poder. Ele era realmente estonteante e atraente, tinha um jeito de encantar e seduzir e de provocar o desejo. Seu maior pecado era a luxúria, sempre procurava atrair o máximo possível de atenção feminina, e sempre recebia o que queria e isso o enchia de orgulho e admiração exacerbada por si. As mulheres então, se tornavam vítimas fáceis, sendo frequentemente usadas para saciar a sede carnal e sanguinária do príncipe.

— Tu és minha obra prima caro jovem, espero que um dia seja meu sucessor e que dê continuidade á nossa espécie. — elogiava Vlad sempre que Dragos fazia algo que o agradava.

— Verá minha ascensão senhor! — respondia ele e peito inflado.

Assim que aprendeu tudo e se tornou, de certo modo, um vampiro responsável e cuidadoso, Vlad permitiu que Dragos pudesse sair de sua tutela e retornar para casa, ou para onde desejasse ir. Ele decidira visitar sua antiga moradia, sentia um deleite exorbitante pelo castelo de Brasov, de suas câmaras e entradas secretas, sua aparência melancólica e sombria e das florestas gélidas e enevoadas. Mas claro, as belezas naturais de Brasov não eram o principal motivo para que ele deixasse a Valáquia. O fato é que ele estava ficando bastante suspeito nas redondezas do castelo de Bram, havia morrido muitas jovens e todos desconfiavam do pupilo galanteador de Vlad, pois ele sempre ela visto na companhia das moças que de tempos em tempos apareciam mortas.

Certa vez Dragos seduziu a jovem filha de um importante lorde polonês, Roksana Janowicz. A menina se apaixonou perdidamente por ele, que dava atenção especial e sempre mostrava coisas novas para ela, coisas estas que uma jovem devota nunca deveria aprender. Não demorou muito para ela ceder seus encantos mais ocultos deixando-o domina-la completamente, o corpo dela pertencia totalmente ao doce e gentil príncipe Dragos.

— Meu amor, meu príncipe, eu desejo estar ao seu lado por toda a eternidade. — piava a menina com a voz baixa e calma.

— E eu te desejo minha donzela. Desejo que me pertenças, desejo seu amor, sua carne... Seu sangue, desejo tudo que podes me dar. –— disse ele em meio a beijos molhados e lascivos.

— Então lhe darei o que queres. Serei sua, completamente. — seus olhos lacrimejavam e exalava a pura inocência de quem não conhecia a face de um monstro — Cada parte de mim, cada gota de sangue, cada batida do meu coração é sua, meu Dragos.

Mal a mísera garota sabia que era apenas uma encenação, ele era completamente frio e não sentia amor ou empatia, por ela ou por qualquer outro ser humano a não ser Vlad. Após aproveitar de todo prazer que poderia obter com a ingênua moça, Dragos a exterminou sem hesitação. O corpo dela foi encontrado completamente pálido, seu pescoço estava retalhado, o sangue estava marrom e seco e havia hematomas em seus braços e na parte interna das pernas. Ele não pensou no que fazia em nenhum segundo, não teve pena nem fizera questão de deixar o corpo apresentável. Ele se gabava inteiramente de ter conseguido com que Roksana lhe desse tudo, de bom grado, o que inflava ainda mais seu ego.

O pai, Lorde Jan, desconfiara muito de Dragos, pois ele sempre estivera com a ela, os dois andavam sempre juntos e ela parecia adora-lo. Não seria possível que alguém atacasse daquele modo sua filha sem que o príncipe estivesse presente. Ele até havia pensado em unir a sua família com a de Petri e casa-los, Roksana sempre insistiu a ele que a deixasse se casar com Dragos, o que no momento lhe pareceu algo muito favorável. Apesar de Dragos parecer terrivelmente triste e lamentar quando o corpo foi velado, o nobre polonês sentia uma desconfiança e um desconforto para com o jovem vampiro, não estava completamente convencido de seu luto. Para reforçar a suspeita de Jan, ele foi visto com outra donzela dos arredores de Bram, rindo e celebrando assim como fazia com Roksana, como se nada houvesse ocorrido.

Assim que retornara a Brasóvia, todos o receberam calorosamente e clamavam por sua nomeação para senhor de Brasov. Com seu pai ausente e como filho homem e primogênito, Dragos assumira o trono e se tornara o conde de Brasóvia. Sua mãe alegremente o cedeu de mãos abertas o comando, mal sabendo que ele não era mais a criança que havia deixado seu colo, colocando o destino de sua família e de um reino todo na mão de um tirano. Assim começou o reinado de terror de Dragos Bathory Draculea, imponente e incansável príncipe da Transilvânia, que sempre procura engrandecer seu condado e sua família e deixar seu nome na história.

Por anos ele conseguira enganar e agradar a todos. De fato Brasóvia estava se tornando muito rica e atraindo muitas pessoas de vários reinos. Desde russos até ingleses, que se pareciam muito com Dragos, tanto na aparência quanto no modo de agir. A influência da pequena família Bathory Draculea se expandia cada vez mais e o jovem príncipe orgulhava a todos. Mas nem todo mundo achava que ele era tão magistral e íntegro, sua irmã Elisabetha, que sempre percebeu alguns costumes estranhos, tentou por muitas vezes convencer a mãe de que o irmão estava diferente fisicamente e que por vezes ele se mostrava extremamente cruel e impiedoso com seus súditos, mas a mãe não conseguia enxergar se quer um defeito em seu filho, o admirava plenamente e justificava todos as falhas dele. Dragos, se sentindo ameaçada por ela, decidiu então lhe ameaçar para que ela nunca mais tentasse avisar ou convencer alguém de que ele não fazia bem para Brasóvia. Tentou ser o mais inesperado e convincente possível, para que ela percebesse que estava falando seriamente e que não hesitaria em puni-la caso seus esforços de tirá-lo do poder continuassem.

Numa noite, onde sua irmã estava a ler manuscritos de pergaminhos velhos na sala escura e mal iluminada, Dragos entrou e ficou a observa-la por algum tempo. Ela logo percebeu que o irmão se encontrava ali, mas preferiu apenas olha-lo e permaneceu calada.

— Lisa, se aproxime. — propôs ele, com seu olhar sugestivo.

Ela previa o que ele desejava, de certa forma ela sabia dos riscos que corria tentando avisar o maior numero de pessoas sobre suas suspeitas. Esperava que ele a interrogaria e provavelmente lhe castigaria, como costumava fazer a aqueles que o desagradavam.

— O que desejas irmão? –— ela se aproximou com receio, tentando mostrar confiança — Quer que eu lhe traga algo para comer ou beber?

—Não irmã, não é minha serviçal. É uma princesa da Brasóvia e não deve servir comida ou bebida ninguém, nem mesmo a mim. — ele tocou o rosto dela com as pontas gélidas dos dedos, com delicadeza.

—Então o que desejas, diga-me Dragos? – pedia ela, recuando o olhar.

— Você tem que parar Lisa! Vai parar! — num gesto rápido Dragos desceu a mão para o pescoço de Elisabetha o apertando com rigidez, tentava não faze-la perder o ar e nem sofrer muito — Você é uma princesa da Brasóvia Lisa, mas pode não ser se eu quiser. Pare de envenenar a mente das pessoas!

— Irmão, pare... Por favor... Pare! — ela tentava se desvencilhar, mas Dragos a segurava pelo braço, fazendo com que ela não pudesse o ignorar.

— Eu poderia lhe matar Elisabetha, queria e poderia. Ouse me trair novamente e não sobrará uma gota de seu sangue. Será que quem o mesmo gosto que o meu? Eu fico bastante tentado. — ele a soltou e logo seu semblante de calma retornou, como sempre era a mesma expressão falha e dissimulada — Bem irmã, durma bem esta noite. — ele se aproximou novamente do rosto de Lisa, beijando-a ternamente.

— Bo... Boa noite irmão, durma com Deus.

— Não se esqueça de que sou seu irmão e não deixaria que nenhum mal que ocorra, a não se que eu permitisse.

— Entendo. — ela entendia o sarcasmo e a ameaça por traz daquelas palavras, ele fizera questão de deixar claro — Espero que descanse bem.

— Sim, irei minha irmã.