Raining Blood: O Príncipe Das Trevas
4 Capítulo IV - Desejos Proibidos
Notas iniciais

Estrada para Valáquia – Romênia.
As noites estavam ficando cada vez mais enevoadas e geladas, mal se enxergava as poucas estrelas que brilhavam no céu. As árvores já haviam perdido suas folhas e adotado uma imagem melancólica e sem vida. O inverno estava cada vez se aproximando e deixando a paisagem mais sombria. O ar era completamente estranho e pesado e parecia afetar aos outros, principalmente Grigore que cada vez estava mais cansado e seu rosto redondo vinha perdendo a cor rosada que tinha anteriormente. Parecia que Dragos estava presente em cada pedaço, em cada lugar que Elisabetha passava, isso agravara ainda mais a sensação de obscuridade. Cada detalhe a lembrava do irmão, os ventos gélidos como sua pele e seu sopro, na neve pálida e os céus negros e obscuros como seu olhar. Sua presença estava sempre a acompanhando e vez ou outra pensava ouvir sussurros de sua voz.
Todas as noites o velho gordo roncava estridentemente a fazendo ficar acordada, como se não bastasse a desconfortável viagem de carruagem. Mal conseguia falar e sempre que ele a perguntava coisas ela respondia apenas com acenos e murmúrios. Às vezes ele colocava a mão sob sua perna e a acariciava, com sua respiração barulhenta e pesada ele dizia a ela o quanto a desejava, como queria ver seu corpo desnudo em seus braços. O estomago dela se embrulhava cada vez que ele se insinuava, torcia para que Dragos cumprisse sua palavra e não deixasse que aquele porco se deitasse com ela.
Às vezes, nas poucas que conseguia dormir, acampavam em clareiras na floresta, Mihas e Ciprian sempre dormiam em volta da fogueira que acendiam para aquecerem-se, Grigore permanecia em sua confortável cama móvel, era muito velho e dolorido e não podia se dar ao luxo de dormir no chão e ao relento. Elisabetha desfrutava da companhia de Ciprian, que parecia muito afim de conversar e sempre encontrava um modo de se aproximar dela. Até que esta atenção não a lhe desagradava, pois sentia falta de alguém com quem pudesse conversar naturalmente, alguém agradável e educado como o jovem Valcovici.
— Sinto muito que isto tenha lhe acontecido senhora Elisabetha. — disse Ciprian com sua voz falha e baixa.
— Por favor, não me chame de senhora. — respondeu ela acanhada, observando a face gentil do jovem príncipe.
Apesar de ter mais de 20 anos o jovem ainda não tinha feições masculinas. Seus traços eram finos e delicados demais e não tinha nenhuma penugem aparente em seu rosto. Havia herdado as características de sua mãe, ao contrário de Mihas que era másculo e forte, uma mistura da beleza da mãe e da masculinidade do pai quando jovem.
— Farei de tudo para que se sinta bem em nosso castelo, sei que é difícil deixar Brasóvia, sua mãe e seu irmão. — ele estava bastante à vontade enquanto falava, era muito extrovertido e mostrava-se apto a contatos físicos.
— Sim, sinto muita falta dela.
— E de seu irmão também, certo? Ele é como uma figura paterna para você.
— S... Sim, é como uma figura paterna.
— Bem, não há como mentir e lhe dizer que meu pai é um cavalheiro — ele olhava para baixo enquanto falava, como quem parecia hesitar no que dizia — Senti um pesar enorme quando teu irmão nos convidou para o castelo, quando ele disse que ofereceria sua mão para meu pai.
— Dragos faz o que acha correto.
— Certamente. O admiro muito, mas creio que ele não conheça o verdadeiro caráter de Grigore. — ele a encarou por uns momentos, de olhos arregalados, visivelmente assustado — Prometa que nunca contarás isso à ninguém! Não é de bom tom um filho difamar o pai desta forma.
— Não direi uma palavra.
— Costuma sempre responder a todos tão vagamente? Posso parecer um tanto falador, mas tu de fato te mostras bem reservada.
— Estou apenas assustada Ciprian, assustada.
— Entendo. E não lhe direi que não há nada a temer, não serei mentiroso a este ponto.
☩
Dragos necessitava seguir sua desejada irmã em sua viagem até a Valáquia, mas precisava de um motivo para ausentar-se do trono, algo que não levantasse suspeitas. Dissera a Ekaterina, e aos súditos e auxiliares, que desejava visitar o reino da Polônia para visitar o pai de sua antiga amante Roksana, naturalmente sua mãe acreditou em sua desculpa para se ausentar do castelo e seguir sua desejada irmã. E assim a seguiu, espreitando por dentre as árvores, sempre estava a observar de longe, como se quisesse proteger a Elisabetha das mãos imundas de Grigore. Ela o pertencia, e não permitiria que um velho decrépito lhe tirasse um de seus tesouros valiosos e inviolados.
Nem ele entendia o porquê do desejo desmedido que sentia por ela. Talvez fosse pelo fato de compartilharem o mesmo sangue. Mas era perceptível a sede carnal de Dragos, sempre fora um garoto muito físico e quando descobriu os mais variados prazeres sexuais encontrou o que mais gostava de fazer, superava até mesmo sua ânsia e fascínio em matar. Sua irmã era uma moça bastante atraente, tinha curvas delicadas e um belo par de seios que chamavam a atenção de qualquer lorde para quem ela se curvasse. Seus cabelos eram longos e negros assim como seus olhos e a pele morena clara, lisa e brilhante. Era um tanto exótica, a maioria das romenas costumava ser alvas de cabelos claros. Essa singularidade atiçava ainda mais a curiosidade de Dragos.
Ele não gostava nada de ver como o franzino príncipe Ciprian se aproximava dela, mas ficava satisfeito ao ver que ela sempre se mostrava introvertida e acanhada, diferente de como agia com todos em Brasóvia. Talvez aquele homem em corpo de menino não tivesse despertado nenhum interesse nela. De toda forma não o agradava ter que competir com outro homem, sabia que Grigore nunca conseguiria fazer ela o amar e muito menos teria forças para se deitar com ela, estava fraco e começando a ficar moribundo assim como Dragos desejou.
Nas poucas noites que Elisabetha conseguia dormir, Dragos se aproximava e ficava observando-a. O modo como seus lábios ficavam entreabertos deixava-o tentado a beija-la, o movimento que seu busto fazia quando ela respirava e os cabelos soltos e desarrumados que dava a ela um ar de desleixo. Às vezes sussurrava palavras em seu ouvido, a chamava, mas ela parecia achar que tudo não se passava de um sonho ou talvez um pesadelo.
Tudo o que ele desejava ela leva-la de volta para Brasov e ali toma-la para si. Em muitos lugares ainda era permitido o casamento entre irmãos, mas a igreja ortodoxa jamais permitiria que tal absurdo fosse praticado. Ele até preferia ter algo secreto com ela, não se importava com o casamento aos olhos de Deus, para ele tudo se baseava na necessidade mais primitiva do ser humano que ainda estava viva nele.
☩
Estrada para Valáquia – Romênia.
— Elisabetha acorde! — sussurrou Ciprian.
— O que aconteceu? Dragos está... — ela ainda parecia dormir seus olhos ainda estavam inchados e semicerrados.
— Dragos? Não, ele não está aqui minha querida.
— É uma pena. Ele me levaria de volta a Brasov.
— Sei que sofre princesa. Precisa fugir agora, não pode esperar. — percebia-se a urgência em sua voz e o nervosismo e sua face, que o fazia enrubescer e transpirar demasiadamente.
— Esperar pelo que? Do que está falando?! — indagou ela despertando, não imaginava que teria de fugir nem por qual motivo isso deveria ser feito.
— Tem que ir agora, eu lhe conto tudo, mas tem que partir já! — ele olhava para ela com seus olhos enormes e lacrimejantes — Não fique parada, irá se arrepender se não for.
— Dragos me deu para seu pai, não posso desaponta-lo. Não posso, ele não permitiria.
—Meu pai, ele é cruel não pode continuar aqui. — ele quase a levantava com sua força —Tem de ir, agora.
— Todos os homens são cruéis Ciprian, todos eles.
— Meu pai é um assassino, tem que partir agora! — sua voz carregava um intenso tom de pesar, ele relamente se preocupava com o que aconteceria com Elisabetha, sabendo dos costumes e da personalidade do pai temia que ela tivesse o mesmo fim de sua mãe. — Tente me levar a sério e pare de teimosia!
Ele a puxou pelo braço violentamente fazendo-a levantar de uma vez. Em suas costas havia uma grande bolsa de couro. Havia colocado todo tipo de coisa que a moça necessitaria em sua jornada, provisões, peles para ela se proteger do frio incessante, lamparinas, mapas. De fato ele estava realmente preocupado e havia planejado tudo em questão de horas.
— Eu não posso te levar muito longe, terá que seguir sozinha. — jogou uma capa de pele de coelhos nos ombros de Lisa e lhe entregou a bolsa — E só seguir perto da estrada e logo estará em Brasóvia, diga a seu irmão que não deseja fazer isso, conte a ele a verdade pois eu não poderia fazer isso.
— Dragos não aceitará!
— Ele é seu irmão, sem duvida te ama muito para deixar que se case com um bruto assassino. Vá agora! — ele parecia um pouco irritado com a relutância de Elisabetha — Corra o máximo que puder, não ande no meio da estrada, pois meu pai pode sair para procura-la, fique na vegetação em volta dela, mas não vá muito longe para que não se perca.
— Temo por minha vida, mas irei. — ela o abraçou timidamente, não costumava ser muito comunicativa e comumente não sabia como agir diante de despedidas — Obrigada por sua dedicação príncipe Ci...
— Vá agora! — gritou ele, interrompendo ela.
Fale com o autor