Raining Blood: O Príncipe Das Trevas

4 Capítulo IV - Desejos Proibidos


Notas iniciais
GENTEEE! Desculpa pela demora, ando muito ocupada mas não irei abandonar essa fic de forma alguma! Questão de honra. Enfim por favorzinho me avisem se acharem erros, sério. Eu to estudando muito ultimamente e to escrevendo as coisas muito rápido sem revisar, me desculpem por isso mas é que não quero ficar sem postar. Espero que gostem desse ep

Estrada para Valáquia – Romênia.

As noites estavam ficando cada vez mais enevoadas e geladas, mal se enxergava as poucas estrelas que brilhavam no céu. As árvores já haviam perdido suas folhas e adotado uma imagem melancólica e sem vida. O inverno estava cada vez se aproximando e deixando a paisagem mais sombria. O ar era completamente estranho e pesado e parecia afetar aos outros, principalmente Grigore que cada vez estava mais cansado e seu rosto redondo vinha perdendo a cor rosada que tinha anteriormente. Parecia que Dragos estava presente em cada pedaço, em cada lugar que Elisabetha passava, isso agravara ainda mais a sensação de obscuridade. Cada detalhe a lembrava do irmão, os ventos gélidos como sua pele e seu sopro, na neve pálida e os céus negros e obscuros como seu olhar. Sua presença estava sempre a acompanhando e vez ou outra pensava ouvir sussurros de sua voz.

Todas as noites o velho gordo roncava estridentemente a fazendo ficar acordada, como se não bastasse a desconfortável viagem de carruagem. Mal conseguia falar e sempre que ele a perguntava coisas ela respondia apenas com acenos e murmúrios. Às vezes ele colocava a mão sob sua perna e a acariciava, com sua respiração barulhenta e pesada ele dizia a ela o quanto a desejava, como queria ver seu corpo desnudo em seus braços. O estomago dela se embrulhava cada vez que ele se insinuava, torcia para que Dragos cumprisse sua palavra e não deixasse que aquele porco se deitasse com ela.

Às vezes, nas poucas que conseguia dormir, acampavam em clareiras na floresta, Mihas e Ciprian sempre dormiam em volta da fogueira que acendiam para aquecerem-se, Grigore permanecia em sua confortável cama móvel, era muito velho e dolorido e não podia se dar ao luxo de dormir no chão e ao relento. Elisabetha desfrutava da companhia de Ciprian, que parecia muito afim de conversar e sempre encontrava um modo de se aproximar dela. Até que esta atenção não a lhe desagradava, pois sentia falta de alguém com quem pudesse conversar naturalmente, alguém agradável e educado como o jovem Valcovici.

— Sinto muito que isto tenha lhe acontecido senhora Elisabetha. — disse Ciprian com sua voz falha e baixa.

— Por favor, não me chame de senhora. — respondeu ela acanhada, observando a face gentil do jovem príncipe.

Apesar de ter mais de 20 anos o jovem ainda não tinha feições masculinas. Seus traços eram finos e delicados demais e não tinha nenhuma penugem aparente em seu rosto. Havia herdado as características de sua mãe, ao contrário de Mihas que era másculo e forte, uma mistura da beleza da mãe e da masculinidade do pai quando jovem.

— Farei de tudo para que se sinta bem em nosso castelo, sei que é difícil deixar Brasóvia, sua mãe e seu irmão. — ele estava bastante à vontade enquanto falava, era muito extrovertido e mostrava-se apto a contatos físicos.

— Sim, sinto muita falta dela.

— E de seu irmão também, certo? Ele é como uma figura paterna para você.

— S... Sim, é como uma figura paterna.

— Bem, não há como mentir e lhe dizer que meu pai é um cavalheiro — ele olhava para baixo enquanto falava, como quem parecia hesitar no que dizia — Senti um pesar enorme quando teu irmão nos convidou para o castelo, quando ele disse que ofereceria sua mão para meu pai.

— Dragos faz o que acha correto.

— Certamente. O admiro muito, mas creio que ele não conheça o verdadeiro caráter de Grigore. — ele a encarou por uns momentos, de olhos arregalados, visivelmente assustado — Prometa que nunca contarás isso à ninguém! Não é de bom tom um filho difamar o pai desta forma.

— Não direi uma palavra.

— Costuma sempre responder a todos tão vagamente? Posso parecer um tanto falador, mas tu de fato te mostras bem reservada.

— Estou apenas assustada Ciprian, assustada.

— Entendo. E não lhe direi que não há nada a temer, não serei mentiroso a este ponto.

Dragos necessitava seguir sua desejada irmã em sua viagem até a Valáquia, mas precisava de um motivo para ausentar-se do trono, algo que não levantasse suspeitas. Dissera a Ekaterina, e aos súditos e auxiliares, que desejava visitar o reino da Polônia para visitar o pai de sua antiga amante Roksana, naturalmente sua mãe acreditou em sua desculpa para se ausentar do castelo e seguir sua desejada irmã. E assim a seguiu, espreitando por dentre as árvores, sempre estava a observar de longe, como se quisesse proteger a Elisabetha das mãos imundas de Grigore. Ela o pertencia, e não permitiria que um velho decrépito lhe tirasse um de seus tesouros valiosos e inviolados.

Nem ele entendia o porquê do desejo desmedido que sentia por ela. Talvez fosse pelo fato de compartilharem o mesmo sangue. Mas era perceptível a sede carnal de Dragos, sempre fora um garoto muito físico e quando descobriu os mais variados prazeres sexuais encontrou o que mais gostava de fazer, superava até mesmo sua ânsia e fascínio em matar. Sua irmã era uma moça bastante atraente, tinha curvas delicadas e um belo par de seios que chamavam a atenção de qualquer lorde para quem ela se curvasse. Seus cabelos eram longos e negros assim como seus olhos e a pele morena clara, lisa e brilhante. Era um tanto exótica, a maioria das romenas costumava ser alvas de cabelos claros. Essa singularidade atiçava ainda mais a curiosidade de Dragos.

Ele não gostava nada de ver como o franzino príncipe Ciprian se aproximava dela, mas ficava satisfeito ao ver que ela sempre se mostrava introvertida e acanhada, diferente de como agia com todos em Brasóvia. Talvez aquele homem em corpo de menino não tivesse despertado nenhum interesse nela. De toda forma não o agradava ter que competir com outro homem, sabia que Grigore nunca conseguiria fazer ela o amar e muito menos teria forças para se deitar com ela, estava fraco e começando a ficar moribundo assim como Dragos desejou.

Nas poucas noites que Elisabetha conseguia dormir, Dragos se aproximava e ficava observando-a. O modo como seus lábios ficavam entreabertos deixava-o tentado a beija-la, o movimento que seu busto fazia quando ela respirava e os cabelos soltos e desarrumados que dava a ela um ar de desleixo. Às vezes sussurrava palavras em seu ouvido, a chamava, mas ela parecia achar que tudo não se passava de um sonho ou talvez um pesadelo.

Tudo o que ele desejava ela leva-la de volta para Brasov e ali toma-la para si. Em muitos lugares ainda era permitido o casamento entre irmãos, mas a igreja ortodoxa jamais permitiria que tal absurdo fosse praticado. Ele até preferia ter algo secreto com ela, não se importava com o casamento aos olhos de Deus, para ele tudo se baseava na necessidade mais primitiva do ser humano que ainda estava viva nele.

Estrada para Valáquia – Romênia.

— Elisabetha acorde! — sussurrou Ciprian.

— O que aconteceu? Dragos está... — ela ainda parecia dormir seus olhos ainda estavam inchados e semicerrados.

— Dragos? Não, ele não está aqui minha querida.

— É uma pena. Ele me levaria de volta a Brasov.

— Sei que sofre princesa. Precisa fugir agora, não pode esperar. — percebia-se a urgência em sua voz e o nervosismo e sua face, que o fazia enrubescer e transpirar demasiadamente.

— Esperar pelo que? Do que está falando?! — indagou ela despertando, não imaginava que teria de fugir nem por qual motivo isso deveria ser feito.

— Tem que ir agora, eu lhe conto tudo, mas tem que partir já! — ele olhava para ela com seus olhos enormes e lacrimejantes — Não fique parada, irá se arrepender se não for.

— Dragos me deu para seu pai, não posso desaponta-lo. Não posso, ele não permitiria.

—Meu pai, ele é cruel não pode continuar aqui. — ele quase a levantava com sua força —Tem de ir, agora.

— Todos os homens são cruéis Ciprian, todos eles.

— Meu pai é um assassino, tem que partir agora! — sua voz carregava um intenso tom de pesar, ele relamente se preocupava com o que aconteceria com Elisabetha, sabendo dos costumes e da personalidade do pai temia que ela tivesse o mesmo fim de sua mãe. — Tente me levar a sério e pare de teimosia!

Ele a puxou pelo braço violentamente fazendo-a levantar de uma vez. Em suas costas havia uma grande bolsa de couro. Havia colocado todo tipo de coisa que a moça necessitaria em sua jornada, provisões, peles para ela se proteger do frio incessante, lamparinas, mapas. De fato ele estava realmente preocupado e havia planejado tudo em questão de horas.

— Eu não posso te levar muito longe, terá que seguir sozinha. — jogou uma capa de pele de coelhos nos ombros de Lisa e lhe entregou a bolsa — E só seguir perto da estrada e logo estará em Brasóvia, diga a seu irmão que não deseja fazer isso, conte a ele a verdade pois eu não poderia fazer isso.

— Dragos não aceitará!

— Ele é seu irmão, sem duvida te ama muito para deixar que se case com um bruto assassino. Vá agora! — ele parecia um pouco irritado com a relutância de Elisabetha — Corra o máximo que puder, não ande no meio da estrada, pois meu pai pode sair para procura-la, fique na vegetação em volta dela, mas não vá muito longe para que não se perca.

— Temo por minha vida, mas irei. — ela o abraçou timidamente, não costumava ser muito comunicativa e comumente não sabia como agir diante de despedidas — Obrigada por sua dedicação príncipe Ci...

— Vá agora! — gritou ele, interrompendo ela.