Raining Blood: O Príncipe Das Trevas
1 Capítulo I - Prólogo: ''Doce Donzela''
Notas iniciais

— Socorro, alguém! Pelo amor de nosso Cristo, deixe-me em paz!
A floresta estava escura, selvagem e exalava um ar tóxico. O céu estava demasiadamente escuro e havia nuvens espessas encobrindo as estrelas, a névoa deixava a paisagem ainda mais mórbida, fazendo com que a garota não enxergasse nada á um palmo de distancia dos olhos. Seu longo vestido rosado de seda e lã bem trabalhada estava totalmente enlameado e rasgado, ela se enroscava nos galhos pontiagudos das árvores secas e mortas, o que fazia sua roupa se transformar em farrapos.
O ar gélido a fazia respirar com muita dificuldade e dor, estava completamente exausta e não tinha noção de direção. Naquela altura ela era como uma mosca entrelaçada nas teias de uma aranha, sendo observada e examinada, cada suspiro, suor ou súplica enquanto o predador se deleitava. Ele estava apenas aguardando a hora exata, o ápice do medo e de vulnerabilidade. Era assim que ele gostava de fazer, do modo que mais assombrasse e causasse tormento.
— Eu te suplico, deixe-me retornar para minha família! Quem é você que me persegue e me aterroriza?
— Se eu lhe contar meu nome, não poderei deixa-la ir. — dizia uma voz masculina suave, calma e enigmática.
— Ó meu senhor, tenha piedade. Pense no amor do Santo Cristo, me liberte.
— Eu não costumo pensar no amor, nem no Santo Cristo. Alguém me disse que não devemos suplicar a alguém que se encontra em tamanha distancia de nosso mundo.
— Deixe ao menos ver seu rosto, para que eu peça á Deus que lhe perdoe por teus atos. — a garota havia parado de correr, e entregado sua vida á fé.
Nada podia ser visto em meio aquela cortina fumacenta, a jovem não sabia dizer se seu perseguidor se encontrava ali a frente dela, o que a assustava exorbitantemente. Um vento gelado soprou em suas costas, por segundos ela ficou estática temendo o que encontraria atrás de si. Poderia ser um monstro deformado ou até o homem lobo que diziam existir nas florestas do Cárpatos. Sentiu dedos frios e tenros tocar sua bochecha com delicadeza.
— Vire-se para mim. Meu rosto está aqui para você olha-lo.
Lentamente a menina virou seu corpo para trás, mas seus olhos estavam fechados, temia muito que veria a sua frente algo aterrador. A figura disforme aproximou o corpo e pegou sua mão, levando para o peito dele. Ela sentia em seus dedos um tecido suave, com bordados em alto relevo e um perfume de alpino rosa, uma flor rara das montanhas, onde somente nobres e abastados poderiam ter a essência dela.
— Quem é você, algum lorde? — indagou a menina com a voz trêmula.
— Sou apenas um homem, e quero que me olhe. — a voz havia se tornado mais nítida, o homem tinha a dicção perfeita e sugestiva.
Os olhos da jovem se encontraram com outros, acima dos seus. Eram expressivos e penetrantes, e traziam um tom de seriedade. Era realmente um homem, assim como a voz dissera, mas ele não era aterrorizante. Tinha uma beleza lasciva e deleitante, a pele macia e pálida sem defeito algum, traços finos e lábios carnudos e corados e era extremamente gelado. O homem a puxou para perto de seu corpo, seus rostos quase se tocavam, ele estava a seduzindo, deixando-a fraca e submissa. Era extremamente narcisista, amava a própria imagem e adorava usa-la a seu favor, para convencer e manipular. A moça logo mostrou sua fraqueza e ingenuidade deixando que ele a envolvesse e a tocasse. Ele a olhava incontinente, dentro de seus olhos exalando sua vontade de persuadir. Seus lábios tocavam suavemente a bochecha rosada da garota, fazendo-a suspirar de vontade, mas também de receio e desconfiança.
— Lamento por ter lhe afugentado doce donzela, queria apenas desfrutar da sua companhia. — sussurrou o homem no ouvido da garota.
— Me liberte, por favor. Se quiseres desfrutar de minha companhia visite-me em minha casa e peça permissão a meus pais.
— Não deixarei que volte! — a voz se tornou firme e bruta.
Os braços firmes do desconhecido a apertaram com mais força que antes e havia perdido sua delicadeza, seu corpo estava completamente envolto e preso, não haveria escapatória. O homem a girou fazendo-a tropeçar e cair sobre o chão de terra úmida, seu peso foi completamente jogado em cima dela. Ele logo foi tomado por uma vontade incessante e se pôs a rasgar a parte de cima da roupa dela, deixando seu colo totalmente a vista. Os olhos dele faiscavam e ele salivava, beijando o pescoço e apertando com violentamente os pequenos seios da jovem.
— Por favor, pare! — gritou a garota histericamente.
— Eu sou um príncipe! Ninguém pode mandar em mim doce donzela.
Ele segurou com força o fino pescoço dela, ela se debatia tentando se livrar das mãos severas, mas seu esforço era inútil, sua força era imensa comparada a dela. Seu peito estava suplicando por um pouco de ar, estava ficando tonta e seus sentidos estavam desorientados. As unhas dele começaram a perfurar o pescoço fazendo o sangue escorrer, ele pareceu fareja-lo no ar, como um animal. De seus lábios saltaram duas enormes presas brancas e afiadas, a garota tentava encontrar um sopro de ar para gritar, mas não conseguia.
— Adeus, pobre menina. Agradeço por me deixar se regozijar de seu doce néctar.
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