Rainha De Copas
13 Capitulo treze
Capitulo treze
Pouparei a vocês a lua de mel, foi magnífica e eu sai mais encanta com o rei. Mas me da gastura de lembrar que me entreguei de bom grado a ele, que idolatrava o solo que ele pisava e que cada beijo era recebido com euforia. Eu era uma idiota apaixonada. Mas o príncipe encantado não é tão encantado assim e não demorou muito para que eu soubesse disso.
Foi no meu primeiro grande baile que seu outro lado apareceu.
Nesse baile eu estava maravilhosa, nunca tinha vestido algo tão fabuloso tirando o vestido do meu casamento, era um vestido branco com pequenas perolas presas por todo o vestido, milhares de perolas que formavam diagramas que enchiam os olhos, tinha sido feita exclusivamente para mim.
Após por o vestido prenderam meu cabelos para o alto em um coque apertado, eu mesmo pus a coroa em minha cabeça.
Meu príncipe encantado me aguardava na pequena sala de nossa ala, ele estava maravilhoso. Vestido de branco com dourado tinha em seu peito condecorações militares e em sua cintura levava uma espada de prata com a empunhadura de marfim. Quando me viu, levantou de imediato e sorrindo, veio em minha direção com passos firmes.
Pegou-me pela cintura puxando-me contra seu peito e beijou meus lábios de forma terna e cuidadosa.
—-- Você esta maravilhosa minha senhora. --- Sussurrou para mim. Enrubesci de imediato, ele era tão carinhoso. Sorrimos um para o outro.
—-- O senhor também está. --- Pegou minha mão e me guiou para fora da ala, estava na hora do baile.
O baile estaria lotado de gente da alta sociedade, praticamente toda a nobreza estaria lá para conhecer a nova rainha de copas. Meu coração martelava toda a atenção estaria em mim superando até a do próprio rei, todos iam querer ver a rainha de copas, como ela é? Será que é bela? Educada? Elegante?
Chegamos ao topo das escadas que se dividiam em arco em dois, o rei iria descer em um dos lados e eu no outro. O salão ficou em silencio quando foi anunciado a nossa presença.
—-- Apresento sua majestade o rei Feige e vossa rainha Ive.
Desci as escadas majestosamente cada passo com leveza e delicadeza que era esperado de alguém de minha posição, mas no ultimo degrau meu pé não o encontrou e um frio me atingiu quando vi o chão chegar perto rápido de mais.
Em um segundo estava no chão em frente a toda a corte, mas foi por pouco segundos pois Feige me pegou pelo braço e me puxou em pé, tinha um sorriso que não pude decifrar. Caminhamos até o trono com todos em silencio eu sentia os olhos deles me fuzilando e julgando minha capacidade de ser rainha com esse deslize.
O rei antes de soltar meu braço, apertou mais um pouco fazendo me olhar para ele, mas seu sorriso continuava lá como se não estivesse esmagando meu braço. Virando para a corte disse.
—--que as festividades comecem.--- a deixa foi dada, o som voltou com toda a força. Sentamos em nossos respectivos tronos e ficamos lá até a valsa.
Em nenhum momento fui perguntada se estava bem.
Quando a valsa chegou o rei olhou para mim pensativo, se aproximou e bem baixinho perguntou.
—-- Consegue me da uma honra de uma dança, mas sem uma vergonha? --- Na hora fiquei vermelha, não era minha intenção envergonhar o rei, acenei com a cabeça queria mostrar que eu não era algo para se envergonhar. Com isso o rei levantou sorrindo de orelha a orelha. O som parou.
—-- Me de a honra de uma dança minha senhora?--- Perguntou para que todos ouvissem, era um show.
—-- Sim meu senhor.--- Aceitei a mão que me era oferecida. Tinha aprendido a dançar quando nova, mas desde meu deslize eu não estava mais confiante. Parecia que deslizávamos pelo salão até meu pé encontrar o dele e a fluidez ser destruída, pequenos som podiam ser ouvidos na platéia, risos velados. A dança não demorou muito para acabar mesmo parecendo uma eternidade.
O rei mantinha um sorriso neutro e me guiando pela mão voltamos aos tronos. Depois de uma longa festa de comidas e bebidas parecia que meu embaraço fora esquecido, exceto pelo fato do rei não me olhar ou não falar comigo em nenhum momento. Cadê aqueles olhos de adoração que me dirigia na lua de mel?
Quando a festa acabou saíram primeiro eu e o rei, ele segurava minha mão com força que me fez estremecer pela força que tinha o agarro. Nos recolhemos aos aposentos reais.
Um quarto magnífico espaçoso decorado com branco e dourado, tinha o pé direito alto o que dava a sensação de entrar em um teatro e não um quarto.
Mal chegamos e já estava no chão com o tapa que me deferiu.
—--- Como se atreve a me passar uma vergonha daquelas? Aquele bando de abutres rindo da caipira que escolhi como rainha e com razão!
Meu rosto queimava seja de dor ou de vergonha, meu coração parecia estar quebrando e agonizava. O rei andava de um lado ao outro passando as mãos sobre os cabelos de vez em quando
Tentei me levantar apenas para ser agarrada pelos braços com força. Chacoalhando-me, olhava com raiva.
—--- Fiz algo que te desagradou para me retribuir dessa forma?
Queria responder mais ele não esperou resposta.
—--- Mesmo que fizesse você não tinha o direito!
Com uma raiva que parecia escalonar e uma traiçoeira coragem, sim vocês sabem como ela é eu abri a boca.
—--- Não fiz para te desgraçar, foi apenas um acidente e....
—-- Acidente? Acidente? Coisas como essa não podem se repetir jamais!
—-- E não irão....
—-- Cala a boca. --- Dessa vez foi um murro que atingiu meu olho esquerdo me derrubando mais uma vez. Comecei a chorar e isso pareceu apaziguá-lo um pouco.
—--- Você tem que entender, a culpa é sua, nada disso teria acontecido se você não tivesse me envergonhado flor.
Naquele momento desprezei o apelido carinhoso que me deu. Ele se aproximou e eu com medo me afastei arrastando-me para longe, ele parou.
—-- Você esta sendo ridícula! Deixe-me levantá-la, mulher!
Vendo os ânimos aquecendo de novo permiti que ele me levantasse, meu olho já não abria, tinha inchado e provavelmente ficaria roxo no dia seguinte. Quando me soltou olhou para mim com uma cara sofrida como se fosse ele que tivesse apanhado.
—-- Vamos dormir flor.
A primeira noite de muitas começou aí.
Ele se tornou meu pesadelo, trazia-me jóias e presentes após, na esperança de perdão, prometia não fazer novamente, pelo menos nas primeiras vezes, mas sempre voltava a fazer. Meu irmão sempre dizia que o homem, jamais, deve levantar a mão para a sua mulher, sempre levei isso no coração, mas o que poderia fazer quando o próprio sol de Wonderlande é que me agredia? A quem eu iria?
Admito que tentei fugir, preparei o cavalo e suprimentos para a viagem, eu tinha que ser rápida para escapar. De noite quando o rei dormia fui até os estábulos reais para apanhar meu alazão e voltar para meu irmão, mas o valete estava me esperando, sabia de alguma forma para onde eu iria: “o quê Leif poderia fazer contra Copas?” perguntou.
Era a pergunta que valia 100 moedas de ouro, “o quê” ele estaria apenas sentenciado novamente e eu também, seja voltar aqui ou a morte, não queria morrer.
Temi que o valete contasse a sua majestade meus planos e passei os próximos dias com medo de ser delatada, mas o valete nada falou ou o rei não se importou com uma tentativa fracassada de fuga. Nesses dias a historia que a rainha estava de cama foi contada ele não queria que vissem o que tinha feito, covarde.
A duquesa estava lá na festa e me encontrou alguns dias depois de minha “convalescência” pensei que fosse para ri de meu deslize, mas ela fez algo que ninguém além das servas que agora me tratavam com desdém fizeram, ela me ajudou. Astuta como era na hora percebeu meu motivo de afastamento, por algum motivo ela já conhecia o caráter do rei, foi direta, mas calma. Tentei negar não queria essa vergonha, mas ela não aceitou minhas desculpas esfarrapadas sabia muito bem e me tranqüilizou dizendo que seria apenas entre nós. Foi ela que me ensinou a mascarar as agressões e ela que me ensinou a tentar evitar, ensinou-me também as etiquetas que tanto me faltavam e acima de tudo me ensinou que eu era a rainha abaixo apenas do rei, quando percebeu o desdém das servas
—--a senhora é a rainha e a rainha não pede, manda!--- disse com seu tom severo de sempre.
“eu mando” foi uma revelação, eu era a rainha não deveria depender da boa vontade de outros. Eram esses que deveriam implorar pela minha boa vontade. Assim soube por a servas no lugar. 50 chibatada a pobre desavisada que me olhou torto e tudo foi resolvido.. Passei a ser temida e chamada de cruel pelas costas, é bom ser temida.
Ainda havia o rei que tinhas mudanças de humor como de uma mulher grávida, uma hora era carinhoso em outra, violento como um marinheiro dos mais toscos. Friamente tive que aprender a conviver com isso e aproveitava seu bom humor para pedidos como afastar-me do castelo e ir até a duquesa, minha melhor amiga então. Não precisava pedir por jóias, pois elas vinham depois de cada assalto como se fosse uma desculpa e compensações.
Foi em uma dessas visitas que eu me deparei com um coelho branco humanóide gigante. Que treinava na frente do palacete da duquesa. Seus movimentos eram fluidos e passava por cima da cabeça a lança era impressionante como não decepava suas orelhas ele tinha o controle de tudo. Fiquei encarando até a duquesa dizer “esse é um dos meus soldados pessoais.” Como se explicasse o fato dele ser um coelho ou algo do tipo.
Alguns anos mais tarde fui saber que ele já tinha sido um homem, e que coelho era seu apelido pelo estilo de luta que possuía. Era um soldado da guarda real, extremamente leal a sua majestade anterior. Por causa do seu estilo de luta foi apelidado de coelho, nome que assumiu com orgulho naquela época. Pessoas nem mais se lembram do seu nome verdadeiro. A situação mudou quando foi posto na comida da guarda real um tipo de veneno especial que foi feito especialmente para o coelho. Ao fim da refeição começaram a vomitar, todos menos ele.
Caído no chão passou a convulsionar-se e de sua pele negra pelos brancos cresciam rapidamente cobrindo seu corpo
Suas mãos se transformaram em patas, suas pernas encolheram e mudaram de forma saindo do sapato.
Mas a maior das transformações deu em sua cabeça, do topo surgiram longas e fofas orelhas, as humanas caíram como carne podre da mesma forma seu nariz, agora um focinho ficava no lugar. Seus olhos diminuíram e tornaram-se vermelhos sangue e por fim seus dentes ficaram afiados com dois protuberantes.
Não foi provado que foi o responsável, mesmo o coelho sabendo quem teria esse tipo de ironia, transformá-lo em um coelho branco. Não podia provar nada.
O rei não o quis mais na guarda real por causa do vexame, mas a duquesa apiedou-se e o aceitou como seu guerreiro. Desde então sua lealdade extrema passou para a duquesa e surgiu um desprezo enorme pela coroa.
Esse soldado até hoje é leal a duquesa, mas serve a mim nos dias atuais, algo para ficar de olho.
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