Notas iniciais
Apenas uma história que fiz no meio da aula de português. W-wait! Eu não estava matando aula para escrever histórias, não, imagina! *risinho que mais parece uma tossida*
Enfim, história baseada na música do Angra, Queen of the Night!
Boa leitura!

Um arrepio passava por meu corpo enquanto fitava seus olhos dourados, a neve de uma copa de árvore caiu próxima a mim.

Se aproximou de mim, os cabelos negros como o bréu e o manto da cor do céu noturno esvoaçando. Os lábios de tom avermelhado se moveram em um sorriso fechado e cheio de segredos jamais compartilhados, os dedos frios se entrelaçaram aos meus. Envolvi sua cintura trazendo-a para perto, seu pescoço fino atraindo minha atenção.

A dona daquele rosto misterioso se afastou, rodopiando pelo bosque – seus pés não pareciam tocar o chão. Parou de rodopiar quando chegou ao centro, ficando de braços erguidos. Um corvo pousou sobre seu antebraço, uma coruja piou.

Andei em sua direção enquanto olhava-a encantado. Sua pele pálida parecia brilhar sob o brilho fraco do luar, seu manto esvoaçava como se fosse parte da escuridão. A imperatriz da noite me olhava de cima enquanto apreciava a sinfonia dos animais noturnos.

Segurei firme seus quadris, uma de suas mãos apoiou-se na minha enquanto a outra envolvia meu pescoço, o corvo voou para meu ombro. Com um olhar intenso, selou nossos lábios – seu beijo me era um banquete de ilusões.

Eu te amo, eu queria que ela falasse. Queria ser seu rei e tê-la só para mim.

Sentando-nos sobre as folhas secas que cobriam o chão, beijei-a novamente. Enrosquei meu dedo em um cacho de seu cabelo e encarei os olhos azuis elétricos... Os cachos loiros estavam espalhados ao redor de seu pescoço, os lábios de tom rosado sorriam-me dóceis.

–-Eu te amo, querido. – disse Amaya com a voz amável enquanto passava as mãos em meus ombros – Esqueça tudo aquilo. Não dê ouvidos aos homens de branco, eles querem derruba-lo.

–-Eu te amo. – Respondi, fechando os olhos e selando novamente nossos lábios.

Ao afastar-me a procura de ar, encarei novamente os olhos dourados. A dona da alma fria, musa das estrelas, não respondeu e nem comentou sobre minha declaração à lembrança antiga. Voz nunca sairia dos lábios vermelhos da imperatriz da noite – nunca.

A noite de sonhos continuava, não parecia ter fim. A musa das estrelas ergueu-se, apresentando-me sua encantadora dança. As bijuterias de ouro balançavam e tilintavam ao se chocarem, o manto esvoaçava ainda mais e os longos cabelos também pareciam dançar. Seus quadris iam de um lado ao outro em movimentos lentos, as mãos finas e pálidas como neve movimentando-se com a delicadeza do vento.

Assim, com a graça destrutiva, assustadora e encantadora de um trovão, moveu-as contra o peito e apontou para mim. Eu te amo.

Um riso escapou de meus lábios – suas mentiras eram tão maravilhosas quanto ela mesma!

Fechei os olhos por um instante, contemplando o canto dos animais – uma luz forte surgiu, abri os olhos.

–-Vamos, Eduard, hora de tomar os remédios. – A mão calejada do homem já de idade estendeu os comprimidos e o copo de água.

–-Não preciso deles, já disse. – Retruquei achando graça na expressão tão séria do homem.

–-É claro, nenhum de vocês precisa deles – Grunhiu – Apenas tome-os logo, você não é o único nessa droga de lugar que eu preciso ver hoje.

–-Você precisa tirar férias, Sr. Grey! – Ri.

–-É Grelly – Corrigiu após um suspiro cansado.

–-Isso, Sr. Grelly! – Acertei enquanto pegava os remédios e o copo das mãos dele. Antes de por na boca, comentei – Sonhei com ela hoje de novo.

–-Mesmo? – De repente um pequeno sorriso carinhoso surgiu nos lábios do homem – E ela falou algo?

–-Não. Acho que ela nunca fala nada... – Abaixei o olhar em desapontamento.

–-Sim, ela nunca fala nada. – Pegando de volta o copo e virando-se para sair, parou na porta após um chamado meu.

–-Sr. Grey, o senhor tem noticias de minha amada Amaya? – Pergunto.

–-Já te disse que essa sua tal noiva não existe, Eduard. Esqueça ela e todas aquelas outras figuras, quem sabe assim você não sai logo daqui. – Lançando-me um último olhar severo, fechou a porta.

Encarei a porta ainda com toda minha alegria. Não me importava em estar preso naquele manicômio de ar tão pesado, nem mesmo em ter que ouvir todos os dias que minha amada noiva, Amaya, não existia. Eu sabia que ela viria me consolar com sua dança ao cair da noite assim que eu adormecesse.

Mesmo que também aparecesse para outros, mesmo que mentisse ao dizer que me amava, ela sempre viria.

Sim. Fosse como um sonho ou um delírio, minha Rainha da Noite sempre viria.

Notas finais
Pelo que sei, a Rainha da Noite é uma entidade que aparece nos sonhos e delírios. Não encontrei nada mais que isso, então fiquei com vontade de escrever sobre ela.
Para quem não entendeu, o Eduard (personagem que narra a história) é louco e não, Amaya e a Rainha da Noite não são a mesma pessoa (pessoa?).
Espero que tenham gostado... So, reviews? :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!