Rainbow War
21 Salvo pelo dourado
Notas iniciais
A sala já estava quase toda tomada pelas sombras que ele fazia questão de espalhar bem lentamente. Talvez pensando que assim poderia me intimidar melhor. O pior de tudo era que estava funcionando. Mantive minha postura de batalha firme, e tentei não tremer muito.
– Você está parecendo uma vara verde. Eu realmente estou ficando deliciado com isso. Seu medo me alimenta, sabia? – disse ele se aproximando um pouco.
– Mais um passo e eu te frito! – ameacei sério. Ele não pareceu se importar e avançou mais dois passos – Eu avisei!
Atirei minhas asas de fogo nele com força, mas ele apenas criou uma barreira de sombras e minhas chamas resvalaram nela. Não me abalei e usei as asas pra cortar a barreira, mas ele já não estava atrás dela.
– Você é lento demais! – disse ele, e eu me virei somente pra receber um chute tão forte na barriga que caí no chão semi-desmaiado. Ainda tentei me levantar, mas o diabo sempre é mais rápido. – Você não faz idéia mesmo do quanto eu fiquei poderoso. Aquela garota que vocês tentaram tirar de mim é realmente um achado, uma verdadeira deusa da vitória – disse ele enquanto metia o pé na minha barriga com uma baita força.
– Desgraçado! O que você fez com a Tati? O que você está fazendo com ela? – perguntei enquanto tentava não me engasgar com a saliva – Sabia que ela é um ser humano com sentimentos?
– Sabia que eu a transformei em um alien capaz de matar ao menor toque? Sabia que “sentimentos” não é mais uma palavra existente no vocabulário dela? Eu a transformei em uma verdadeira máquina: obediente, servil, fria e calculista. Imagino até que você tenha alguma coisa horrível pra dizer ao meu respeito. Mas nada do que você fizer, vai adiantar de alguma coisa. Ela está sob meu poder agora, e nada do que você fizer será capaz de mudar isso!
Ele mandou mais um chute na minha barriga, e me deixou completamente sem ar. Quis me encolher pra repor o pouco oxigênio que ainda tinha, mas fui brutalmente impedido por sombras que me amarraram bem esticado. Ele realmente jogava pra matar.
– Eu vou fazer a Tati voltar ao normal, seu idiota! – minha voz estava um fio sufocado, mas falei com muita bravura – Eu juro pela minha vida, que vou fazer aquela menina voltar ao normal!
– Se é que você ainda vai ter vida depois que eu acabar com você. Talvez, se você implorar, eu conceda a graça de você viver uma vida longa de servidão para mim.
– Foi mal, mas não estou interessado! – tentei jogar minhas asas de fogo contra ele, mas o meu temor estava certo: o chão abafou o fogo.
– Está tentando me acertar com o seu foguinho? Você não vai conseguir nem ao menos se levantar daí, quanto mais me acertar um golpe.
Epa! Se levantar! É isso, eu posso usar o fato do chão abafar o fogo pra poder me levantar. Tipo um foguete decolando. Mas eu vou precisar de muito fogo pra um só tiro, e tem que ser forte o bastante pra romper também as sombras dele, assim eu posso fugir e tentar chamar Kahel e Romolo pra me ajudarem. É melhor eu começar a concentrar desde já!
– Tem razão, eu estou fraco demais pra te golpear. Eu poderia desistir agora, mas não teria a menor graça. Por isso, vou continuar tentando te acertar pelo menos um soco!
– Se você conseguir se levantar, já vai ser um herói. Essas sombras são muito fortes, e agora estão mais fortes ainda. Duvido muito que você consiga se livrar de pelo menos uma.
– Ao que parece, você é bem mais convencido do que todos os maiores tiranos do universo juntos. Mas não importa, porque no fim, sou eu que vai te derrotar!
– Se me derrotar, você ganhará um premio tão grande, que vai ser tornar igual a mim, ou talvez até pior.
Tática suja, ou melhor, imunda! Quase perdi a concentração, mas mantive a mesma linha e avancei até um ponto que seria considerável favorável a uma fuga, mas o seguro morreu de velho, não morreu? E ele continuava tentando me fazer morrer de dor, pressionando o pé na minha barriga com tanta força que pensei que fosse vomitar.
– O que foi? Acha tão ruim assim ser eu? Na verdade, é até legal. Não faz idéia do que está perdendo desperdiçando seu poder contra mim. Seria muito mais útil a você e a mim, que nos juntássemos e trouxéssemos os outros até nós também! Pense nisso: você teria o mundo inteiro a seus pés. E jamais alguém se arrependeu disso.
– Mas eu não sou Alguém, eu sou eu mesmo. Não tente me comprar com esses preços baratos! – já podia sentir o calor nas minhas costas tão intenso que seria capaz de derreter no chão se o expusesse por uns bons minutos. Mas eu queria muito mais calor, porque o fogo iria voar pra todos os lados quando aquilo explodisse.
– Você se acha uma galáxia, mas não é nem um meteoro! – disse ele, começando a querer quebrar meu esterno e algumas costelas – Pense bem, Jack! Essa pode ser sua ultima chance!
OK, chegamos a um ponto bastante crítico: se eu tentasse enrolar mais um pouco pra ganhar mais calor, provavelmente eu quebraria alguma coisa minha. Nesse estado, qualquer chance de vitória ficava reduzida a quase nula. Entretanto, se eu explodisse imediatamente, com o calor acumulado nas minhas costas, eu teria grandes chances de conseguir fugir e alcançar a porta pra poder pedir socorro pro Romolo. Desse modo, eu conseguiria derrotar esse maldito mais facilmente.
É uma escolha um tanto quanto óbvia de se fazer, mas existe um fator que não posso desconsiderar: se eu me unisse a ele, teria uma chance de me infiltrar no território inimigo, descobrir o que fazer a respeito da Tati, confirmar minhas teorias a respeito dele, e o melhor de tudo: poderia passar as informações dele pra Kahel e assim, desmontar aquela quadrilha de Darkshadow ainda no começo.
Olhei bem no fundo dos olhos dele, pronto pra fazer uma decisão extremamente difícil. Sabia exatamente os prós e os contras de qualquer decisão afobada, e eu silenciosamente implorava pra que Deus me desse apenas cinco minutos pra refletir o que deveria eu fazer. Pensei em prometer uma novena por qualquer coisa que o atrasasse por tempo o bastante pra me dar respaldo na decisão que tomaria. E eu cumpriria com fervor depois do que aconteceu:
Eu já ia abrir a boca pra dizer qualquer merda pra deixá-lo com vontade de papear mais tempo, quando a porta se abriu violentamente, fazendo a sala ser invadida violentamente por uma luz do sol poderosa, que dissipou as sombras que ele fazia questão de espalhar pela sala, mas isso não foi o mais impressionante. Não foi mesmo! Em pé, no portal da porta arrombada violentamente se encontrava um ser completamente novo pra mim:
– Demorei muito, Jack? – perguntou o rapaz na porta. E ele parecia uma visão!
A pele era branca, quase um leite. O corpo mais parecia uma escultura grega em mármore e eu sei disso, pois ele vestia uma calça jeans preta reta com fios dourados nas pernas, um tênis all star também preto com detalhes e cadarço dourado, e apenas uma jaqueta de couro preto com espinhos nos ombros. Quase me lembrei do Motoqueiro Fantasma. Tinha os cabelos longos até a metade das costas todos desfiados e em várias camadas, além de um rosto perfeito e olhos verdes penetrantes. Agora agüenta coração!
Como isso me desconcentrou um pouco, senti o calor em minhas costas diminuir, então era agora ou nunca: explodi.
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