Rainbow War

25 O segredo de Kahel é revelado


Notas iniciais
Pois é, galerinha do mal, agora sim uma dúvida antiga será respondida e com certeza vocês não vão se surpreender com essa revelação. Eu não me espantei nem um pouco, rsrsrs...
Mas boa leitura, e vamos fazer uma pequena enquete: Quais casais devem ficar juntos?

Acordei com a mesmíssima sensação de ressaca, com a diferença que eu nunca tinha ficado de ressaca na vida. Recomendação para quem bebe: nunca fique de ressaca se puder. Minha cabeça doía como se alguém tivesse enfiado um prego desde a testa até a base da minha nuca, e meu corpo estava em uma moleza terrível, sem falar que meu estomago parecia dançar cancã, me deixando tão enjoado que não podia nem me mover.

– Ah, o passarinho acordou! Pensamos que tivesse morrido. – disse alguém a minha direita.

Tentei me virar pra ver quem era, mas desisti perante três certezas: se eu me virasse, vomitaria; se eu abrisse os olhos pra ver a pessoa, a luz me acertaria, minha cabeça latejaria e eu vomitaria; e se eu abrisse a boca, eu vomitaria. Mas só de escutar a voz dele, minha cabeça estava pedindo socorro, e eu tinha certeza que vomitaria. Não entendi o porquê de estar tão mal, mas deixei pra lá e tentei dormir mais um pouco. Não funcionou como o planejado, mas deu pra enganar bacana. Voltei a acordar algum tempo depois e visivelmente melhor. Já podia virar a cabeça.

– Quanto tempo eu dormi? – perguntei ao vento. Não sabia quem estava ao meu lado, então essa é a melhor forma de iniciar conversa.

– Na verdade, para a surpresa do mundo inteiro, você só dormiu três horas. – disse uma voz que eu reconheci de imediato – Kahel e eu te trouxemos pra cá, e você acordou há uma hora, mas voltou a dormir… Agora você está bem melhor.

Sério mesmo que eu dormi só três horas? Parecia mais que eu tinha dormido três dias inteiros! Mas depois de tudo que eu já tinha visto nessa vida, não era difícil acreditar nas palavras de Aurum. Era como se eu pudesse me adequar a qualquer tipo de realidade agora, e sabendo que isso é possível, não era impossível acreditar que eu realmente havia dormido tão pouco. Mas eu estava faminto. Hora de almoçar.

– Aurum, o que tem pra almoçar?

Ele me olhou com uma cara bem esquisita, então se levantou e me deixou sozinho em um quarto desconhecido. Mas algumas coisas me chamavam a atenção: as paredes eram de um tom amarelo claro, bem suave, que deixava o ambiente bem iluminado, ainda mais com a janela de madeira branca. O guarda-roupa era bem curioso, pois tinha umas 12 portas e 10 gavetas, feito de madeira branca e marrom escuro. Tinha uma penteadeira com um espelho boçal e com mais cosméticos que uma clinica de estética, sem contar que a cama que eu me encontrava, era de motivos de vampiros, e bem frescos!

Não tive tempo de olhar pra mais coisas, pois Aurum chegou ao quarto acompanhado de Kahel com uma mesinha e uma bandeja com um prato bem interessante: composto basicamente de camarões ao alho e óleo, arroz branco, pirão e vinagrete. Hoje eu me acabo de comer. Kahel depositou a comido perto de mim, e meu deu os talheres para comer. Mas ele se sentou na beirada da cama e ficou olhando pra mim com olhos de tristeza absoluta. Fiquei novamente confuso sobre seu sexo.

– Kahel, o que aconteceu com você? Ta parecendo que viu um enterro – disse eu com um pouco de pena dele.

– Jack, a gente precisa conversar. – disse Aurum da cadeira que tinha se sentando – Acho que você deve estar se perguntando quem somos nós, né? Pois bem, acho que você já deve saber.

Sinceramente, eu não imaginava o que eles eram. Mas considerando que Kahel estava na minha frente e Aurum tinha os mesmo poderes que Romolo, só havia uma única explicação lógica para isso: existiam mais aliens de cada raça espalhados pela Terra. Com certeza Romolo iria ficar muito feliz quando descobrisse isso.

– Você é um venusiano. Igual ao Romolo, mas visivelmente mais poderoso. E não me interessa mais nada da sua vida, a não ser o que você queira me contar. Basta você ter lutado para me salvar daquele monstro do Darkshadow.

– Na verdade, Jack – disse Aurum, levando a mão ao pulso – Eu sou Romolo.

E na minha frente, a imagem de Aurum tremulou e os traços se tornaram completamente diferentes: o cabelo reentrava dentro da cabeça e ia escurecendo aos poucos; o rosto, antes angelical, agora se tornava mais humano; os olhos escureciam de verde para o castanho escuro, quase negro e a pele amorenava lentamente. Na minha frente, Aurum tinha se transformado em Romolo, e eu tinha ficado totalmente confuso. Se os dois eram a mesma pessoa, então isso afetava uma grande parte da minha teoria, e mais! Agora, não sabia mais quem era Darkshadow, e muito menos quem era Kahel.

Sem saber porque, olhei ao meu redor para tentar buscar alguma explicação nas paredes ou em qualquer lugar, mas acabei olhando para a parte em cima da cama e vi: fotos. Fotos de um lindo casal. Senti vontade de chorar quando vi aquilo, porque mostrava o nível de confiança que as pessoas tinham em mim. Porra, doido! Nem pra me contar um segredo desses, eles confiaram! Deixaram pra contar agora, que não tinha mais jeito nenhum de eu virar as costas pra eles! Que ódio!


POV Kahel


– Jack, eu sei que você está com raiva de nós, mas tente compreender – disse eu – Se não tivéssemos escondido nossos rostos desde o começo teríamos o mesmo problema do vídeo que o Hikari fez. Você não imagina o trabalho que foi, e a gente precisava de mais tempo pra poder agir às claras, por isso estamos usando os disfarces. Se servir de consolo, temos um pra você também.

Eu me sentia muito culpada por deixá-lo no escuro dessa forma, mas vocês precisavam ver como foi loucura entrar na casa do Hikari sábado a noite para apagar aquele vídeo e ainda voltar a tempo do encontro. Não que eu me importasse com isso, mas sinceramente, isso tudo poderia ter sido evitado se ele tivesse um disfarce também. E era hora dele saber um pouco mais da verdade.

– Olha, eu não tenho muitas coisas contra vocês me esconderem segredos desse porte, mas tenho tudo contra vocês não confiarem em mim o bastante para me contar isso! – Jack estava ficando vermelho de raiva.

– Jack, fica calmo – Romolo manteve-se impassível, como de costume – Agora esteja preparado para o que vamos te falar agora.

“Sábado passado descobrimos outro alien. Mais uma garota, para ser bem específico. Acredite se quiser, mas ela também está relacionada com a gente de uma forma bem marcante: ela é amiga de infância da Tati. Descobrimos isso através do Hugo. Enquanto você levava o seu namorado pra conversar, nós três tivemos um encontro e começamos a conversar, e esse assunto veio à baila. Como nós sabíamos que seria necessário para as futuras investigações, tratamos de fazer um pequeno interrogatório em cima dele e descobrimos que existe uma garota na cidade chamada Fernanda Luna Freitas, que é amiga de infância da Tati.

As duas se conhecem desde que nasceram e a diferença de idade é mínima. Mesmo assim, não conseguimos descobrir tudo o que era necessário, então se tornou uma questão de honra fazer uma visita pessoal ao lar dela. Mas precisamos de um guia para isso. Na verdade, uma guia. E é aí que entra a Tati. Ela pode levar um de nós até a amiga dela e apresentar, assim pode conversar com ela e convencê-la a entrar na nossa equipe. E precisamos fazer isso com urgência agora que os planos de Darkshadow mudaram.

Não sei se você lembra, mas Jade disse que: “Darkshadow está com a razão. Não precisamos nos matar pelo direito de voltar pra casa, poderíamos nos unir e dominar o mundo!”. Cara, isso é muito preocupante. Significa que agora, ele vai envolver os inocentes na nossa guerra, e vai jogar com o destino de vidas humanas. Por mais que a gente lute, nunca vamos conseguir vencer se ele conseguir outro aliado tão poderoso como a Tati, então à hora de irmos ao fundo de tudo e conseguir outra aliada é agora. E essa aliada é a Fernanda.

Eu imagino que você esteja se perguntando como vamos fazer para chegar nela se formos esperar pela Tati, e é aí que entra outra vantagem dos disfarces. Ela não conhece um de nós, e assim vai nos levar direto ao nosso objetivo sem nos matar. Por isso nós mantemos segredo quanto a nossa identidade. E acho que você vai poder fazer o mesmo a partir de agora. Antes de qualquer coisa, vou te dizer o que nos transforma.”

E ele tirou o clássico bracelete do braço e mostrou-o ao Jack. Não era muito difícil de ativar, bastava explicar os cinco passos básicos que o resto era por conta própria. Jack, porém, pegou o bracelete da mão de Romolo com um pouco de brutalidade. Acho que ele ainda estava muito ressentido com o fato de termos escondido tudo isso dele. Por fim, Romolo deu as instruções de como ativá-lo e deu o que tínhamos guardado para ele. Espero que ele faça um bom disfarce.

– Imagino que Kahel que vá ter que ir à casa da Tati e pedir para conhecer a Fernanda, não é? – perguntou Jack, ainda emburrado.

Bingo! Tinha que sobrar pra mim.

– Você está coberto de razão, pois a verdadeira forma da Kahel é a única que a Tati ainda não conhece. – falou o miserável do Romolo pra me complicar ainda mais.

– Ei gente, esperai. Só porque as mulheres se entendem melhor entre elas, isso não quer dizer que eu deva ir arrastando as asas pra lá. Eu ainda to muito machucada da batalha, e to cansada. Não podemos deixar isso pra amanhã?

– E se amanhã tiver outro ataque? – revidou Jack, olhando-me como se fosse a coisa mais óbvia do mundo – Nunca ouviu falar, que não se deve deixar para amanhã o que se pode fazer hoje?

– Sem contar com o fato de que se Darkshadow descobrir que existe uma nova alien prestes a se revelar, pode ter certeza que nosso futuro estará arruinado – Romolo é mesmo bem persuasivo quando quer!

– Vai logo, garota. Eu e Romolo vamos ficar bem. O mais importante agora é você descobrir quem é a integrante que falta na nossa equipe e trazê-la pra cá.

Me senti pressionada por todos os lados, e vendo que não tinha saída, me rendi a inevitável… Apenas me levantei e fui ao banheiro do quarto tomar um banho. Precisava colocar os pensamentos e ordem e planejar o que iria fazer para me aproximar. Desativei meu bracelete e entrei na banheira jacuzzi que tinha aqui no meu quarto. Deixei a água cair enquanto pousava a cabeça e pensava no que fazer.

– Kahel, você tem alguma noção de como vai travar conversa com ela? – soou a voz de Jack do meu quarto.

– Não faço a mínima, mas eu agradeceria se você me ajudasse a pensar em uma forma.

– Pra começo de conversa, tem que aparecer lá como se você fosse uma pessoa procurando ajuda, daí tem que desenvolver todo o papo com ela e coisa e tal. Imagino que você possa aparecer como alguém que sente dores de cabeça ou alguma coisa assim. Lembra que ela pode curar as pessoas?

– Lembro muito bem disso, mas também me lembro que se ela reconhecer minha energia, eu to ferrada!

– Claro! Tinha me esquecido desse detalhe. Então precisamos de algum detalhe da vida da Fernanda, para ver se iniciamos um papo com a Tati.

– Aí que está, não sabemos nada da Fernanda.

– Isso é um problema.

Continuei imersa em meus pensamentos, a medida que a água subia. Quando chegou a uma boa quantidade, fechei a torneira e peguei o sabonete liquido com cheiro de jasmim e a bucha francesa, e esfreguei meu corpo de modo que pudesse relaxar. Precisava me lembrar que tinha de fazer isso bem devagar, para não chamar minha atenção para mais nada.

– Kahel! – gritou Jack.

– O que é, meu amor? – perguntei, determinada a tirar uma da cara dele.

– Acredita que eu traí o Hikari com aquela vadia da Jade?

– Acredite, eu acredito. E acredito que ela acredita que você gostou.

– Acredite, eu gostei. Pode acreditar.

– Não acredito!

– Acredite!

– Eu me recuso a acreditar!

– Mas você precisa acreditar! – a voz dele parecia mais brincalhona agora.

– Impossível me fazer acreditar! – fiz de mal mesmo, porque eu sou sacana.

– Então não acredita, porra! Mas sério agora, eu to me roendo por dentro. Eu nunca tinha traído ninguém na minha vida, e agora de repente, eu traio meu namorado e melhor amigo com ela. Não é uma coisa muito injusta?

– É uma questão de honestidade, cara. Se você realmente amasse o Hikari, teria traído ele?

Jack ficou um tempo em silencio e aproveitei para lavar meus cabelos com meu shampoo francês. Se era pra relaxar, então vamos pegar pesado.

– Sinceramente? Sim. A gente pode trair quem ama, mas não consegue trair quem respeitamos. Esse é o defeito da minha relação com ele. Mesmo na amizade, existia um mínimo de respeito entre nós, e no namoro piorou tudo! Agora mesmo que nossos limites ficam completamente desestabelecidos.

Eu sabia exatamente o que viria a seguir.

– Acho que vou terminar com ele. Agora que ele não tem a ameaça do vídeo, acho que não há nada que me segure para ficar com ele.

Eu sou vidente!

– E você está mesmo ficando com ele só por causa do vídeo? – perguntei eu.

– Ele é meu melhor amigo, e não meu namorado! Somos feitos um pro outro, mas para ficarmos juntos a vida inteira, e se namorarmos mais um dia sequer… Kahel, você entende o que eu quero dizer se tiver uma melhor amiga do jeito que eu sou com Hikari.

– Eu entendo perfeitamente, mas, cara! Poxa, se ele te ameaçou, é porque ele se viu desesperado pra ficar contigo, então ele sente alguma coisa.

– Se sentisse realmente, não teria feito o que fez… Ele só me forçou a namorar com ele, porque queria fazer um inferninho em cima de mim. Ele me ama, eu sei. Mas da mesma maneira que eu o amo: como um irmão.

Refleti sobre isso um instante enquanto passava o esfoliante pelo corpo. Sabia bem que se fosse mesmo por causa do vídeo que Jack estava amarrado ao Hikari, ele teria terminado tudo no dia que me ligou para saber, mas não. Tanto é prova que ele ainda estava namorando com ele mesmo podendo ter terminado ontem, quando soube que estava livre. No fundo, no fundo, Jack tinha algo com ele. Algo que os prendia, mas não sei se era exatamente amizade. Se bem que sempre existe uma possibilidade de amizade Restart.

– Jack, francamente! Você vai mesmo negar que sente alguma coisa pelo Hikari? Eu consigo ver nos seus olhos que você gosta dele! – dessa vez, pra minha surpresa, era a voz de Romolo que falava.

– Você é um cego, isso sim! – a voz de Jack parecia muito irritada. Não quis imaginar do que se tratava. Já tinha problemas amorosos demais na minha vida.

– Enfim, não é? Como vamos fazer para chegar até a nova alien? Vamos nos dividir em grupos? Ou eu vou mesmo ter que ir sozinha?

O silencio foi total. Quase pude ver o debate que estava sendo travado dentro dos dois: Jack estava morrendo de vontade de ir, mas não podia, pois ainda estava debilitado. Romolo, por sua vez, queria que Jack ficasse e descansasse, e para isso precisaria que alguém ficasse e vigiasse. Mas não seria nada legal me deixar sozinha. Não tem jeito mesmo, eu tava ferrada.

– Ta bom, eu entendi. Vou sozinha mesmo. Aproveitem que eu estou fora e façam o que precisam fazer. Mas não baguncem o meu quarto!

Quase tive um acesso de risos. Apesar de estar bem longe do campo de visão deles, via certinho na minha cabeça, a imagem panorâmica, de tela de cinema: Jack ficando vermelho como um tomate e abaixando a cabeça, e o Romolo iria ficar sorrindo e desviaria a cara. Pensei que gostaria de ver essa cena ao vivo, mas seria pedir muito da privacidade dos dois. Eu sabia muito bem que existia uma paixão ali, e eu com certeza não me intrometeria no meio disso.

Terminei o banho depois de um tempo, então saí e peguei o bracelete. Meu corpo original ainda não seria visto nu, mas o corpo de Kahel poderia passear na rua de lingerie transparente que eu não estava nem ligando. Ativei o bracelete e fiquei satisfeita de constatar que meu corpo agora, estava do jeito que eu sempre sonhei: uma bailarina. Sequei-me com minha toalha vermelha e coloquei meu roupão também vermelho, e fui procurar o que vestir.

– Não sei pra que usar isso se você tem um corpo de homem com esse – foi o infeliz comentário do Jack. Acho que dei intimidade demais pra ele quando ele me tratava como um homem.

Em resposta, apenas olhei-o com o máximo de veneno que consegui colocar e abri o guarda-roupa para procurar o que pudesse me cair bem. Jesus, eu precisava comprar roupas novas com urgência, as minhas tinham saído de moda semana passada. Fiquei atirando as roupas que encontrava no chão e tentando pensar em uma combinação bacana. Não iria aparecer na casa da Fernanda como uma garota esfarrapada. Quando tinham exatas 20 shorts, 17 bermudas, 13 calças, 50 pares de sapatos, 33 pares de sandálias, 9 pares de tênis, 70 camisas e 40 vestidos no chão, parei de procurar pela peça adequada e comecei a procurar pelo conjunto adequado. Jack estava me olhando como se eu fosse um alien, e devo admitir, a sensação é engraçada.

– Pra que uma mulher precisa de tanta roupa? – perguntou ele abismado. A cara dele estava engraçadíssima: olhos arregalados e boca escancarada – Não poderia sobreviver com menos da metade de cada uma dessas peças?

Olhei pra cara daquele monstro. Como ele podia ousar dizer aquilo! Jogar fora meus bebês sem ter com o que substituí-los? Isso é crime, previsto pela lei federal do Instituto de Moda Mundial, artigo 6, seção 19, subseção 4, parágrafo 9: “Roupas não devem ser jogadas fora sem que haja substitutos para as mesmas, e mesmo que haja, não poderão ser jogadas foras. O destino das peças que precisam ser substituídas é o lar de caridade ou qualquer outra ação beneficente que o portador queira fazer.” Se ele acha que eu vou jogar meus bebês fora, pode esperar deitado que sentado vai doer a bunda!

– Vou fingir que não escutei! – foi o que achei pra falar, que não era grosseiro o bastante, e deixava transparecer que eu tinha ficado muito irritada.

Depois de uma meia hora, consegui definir com um short jeans desbotadinho, com minha sapatilha transparente e uma camisa branca social de manga ¾. Me olhei no espelho e devo admitir, eu estava a maior gata com o corpo de Kahel, e ficaria ainda mais quando usasse o meu próprio que era mais cheinho. Virei para conferir como tinha ficado minha bunda, e depois ajeitei meus peitos da melhor maneira dentro da camisa. Agora poderia começar a escolher os acessórios e botar uma leve maquiagem.

– Kahel, tente voltar antes do sol se por. – disse Romolo, com aquele ar de entediado.

– Não se preocupe, é só colocar uns acessórios e passar um pouco de maquiagem. Eu vou ficar linda.

– Cuidado pra não humilhar.

Depois disso, não pensei duas vezes. Coloquei meu relógio de coração, e minha gargantilha preta, peguei minha bolsa e me mandei do quarto. Deixar os pombinhos sozinhos no meu quarto vai ser a minha boa ação do dia. Desci as escadas e desativei meu bracelete, voltando ao meu corpo normal. Houve uma inadequação momentânea das roupas no meu corpo, mas depois passou. Peguei minha chave e deixei a reserva dentro do jarro, para o caso de Jack e Romolo precisarem ir embora. E nesse passo, fui resoluta para o ponto de ônibus, e ir à casa da Tati.

Enquanto caminhava, tirei o espelho da minha bolsa, e passei um batom leve e rosa claro. Estava um pouco preocupada com o que faria quando chegasse lá. Mas o ônibus passou quase na mesma hora que pisei na parada, aí o jeito foi entrar e ver o que dava. Já dentro, tive que ficar em pé, pois estava cheio, e isso não foi nada legal. Principalmente pelo fato de ter de ficar sendo olhada por um tarado que estava olhando fixamente para os meus peitos, sentado no meu lado. Mal via a hora de saltar fora.

Quando cheguei ao ponto perto da casa de Tati, era por volta de três e meia da tarde, então ainda dava pra chegar lá com tempo de ir à casa da Fernanda e voltar para apresentá-la para o pessoal. Eu pelo menos esperava isso com toda a minha força de vontade. Enfim, caminhei resoluta para a casa da Tati, e aproveitei para passar um blush bem suave, só pra tirar o brilho da cara e coloquei meus brinquinhos de libélula. Dei uma penteada básica no cabelo enquanto me preparava psicologicamente para tocar a campainha. Pronto, é agora ou nunca!

Passou um tempinho e a porta se abriu, e a bela índia me olhou com um sorriso lindo no rosto infantil. Ela podia ser uma garota bem má agora, mas não deixava de ser linda.

– Boa tarde. Posso ajudar? – perguntou ela.

– Na verdade pode, eu estou procurando uma garota, e me deram o endereço dela como sendo esse. A Fernanda está?

Ele me olhou com uma cara confusa, mas ainda completamente inocente. Ótimo, ela não suspeitava de nada!

– Fernanda? Que Fernanda?

Tomei fôlego. Meu coração quase pulava pela boca, mas eu precisava me manter fria.

– Fernanda Luna Freitas. – fiz minha melhor cara de garota confusa.

– A Nanda não mora aqui, mas posso te levar até a casa dela. Como você se chama?

– Pode me chamar de Perla. Perla Macedo.

Notas finais
Como eu disse, a enquete deve ser feita para que os casais sejam devidamente unidos ou separados: Jack e Romolo ou Jack e Hikari.
Por enquanto esse é o único casal que vai ser votado, vamos ver quem quer quem nessa fic, né? Obrigadão, gente, e até o próximo cap! ^^