Rainbow War
35 Algumas novas teorias
Notas iniciais
POV Jack
Depois que a Perla terminou de contar a história dela, quase que eu caí da cama desmaiado. Tinha achado que minha luta com Darkshadow foi assustadora, mas ela realmente tinha passado por uma que era pior do que qualquer um de nós. Ela estava totalmente sozinha. Não tinha a quem recorrer, e muito menos pra onde ir. Eu não vou mentir, não tinha nem idéia do que era isso. Fiquei meio com pena, meio admirado. Não me espanta que Kahel seja tão forte.
– Perla, faz quanto tempo que você treina e procura pelos outros? – perguntou Nanda, com uma voz assombrada.
– Pelos meus cálculos, vai fazer cinco meses depois de amanhã. Eu não contei o tempo de forma adequada, mas acho que é bem por aí. – respondeu ela, calmamente.
– Então você já tem todos os conhecimentos. Mas como conseguiu isso? – perguntou Romolo.
– Não sei ao certo. Quando me transformo em Kahel, é como se eu tivesse lapsos de memória e algumas coisas voltassem a minha cabeça. É bem estranho.
– Não sei. Tem alguma ponta solta nessa história toda. Algo que todos estamos deixando de reparar. Eu sinto que é algo tão obvio quando possível, mas não sei explicar o que é. Que raiva! – exclamei, levantando-me e andando pelo quarto.
– Vamos por no papel as teorias? Acho que é mais fácil. – disse Romolo.
– Vamos começar assim. Os braceletes devem ter alguma coisa especial pra nos transformar em outras pessoas. Com certeza existe uma ligação entre eles e o nosso passado. – comecei.
– Nossos braceletes vieram cada qual de um jeito. O meu foi um presente do Hugo, mas o de vocês quem deu fui eu. Mesmo assim, só o meu foi feito pelo Rafael, os outros apareceram numa caixa um dia em cima da minha cama.
– De qualquer maneira, parece que tudo está intimamente ligado ao Hugo. Já repararam e uma coisa? Naquele dia do shopping, o único que voltou foi ele. Mas ele voltou para que? O que ele queria fazer quando voltou? – disse Romolo.
– Ou o que ele fez? Hugo estava no shopping junto com a gente, além do que, ele é humano como Hikari e Marie. A única que estava separada do nosso grupinho era a Tati. – disse Nanda.
– É. Tem lógica, mas e se ele não for humano e por isso voltou? Será que ele pressentiu a presença dos outros aliens ali e foi verificar o que estava acontecendo? – disse eu.
– Como assim? Acha que ele pode ser um de nós? Mas ele não tem nada de ser do espaço e nem mesmo uma única característica extraterrestre. – contrapôs Perla.
– Tem sim. E eu posso provar. Jade e Tati são a mesma pessoa, né? Jade ficou comigo e transamos bem ali no chão, mas eu transei com o Hikari também. Sou bissexual, então. Romolo só teve namoradas, mas se apaixonou por mim. Nanda tem uma namorada, mas ficou comigo. Perla tem namorado, mas está querendo transar com a Nanda.
– O que você está insinuando além do obvio? – perguntou Romolo com uma cara de dúvida. – Além disso, eu não me apaixonei por você, eu apenas disse que sofro por você sofrer por mim. Eu gosto de você, Jack.
– Vamos voltar ao que interessa? – disse Perla, com a cara vermelha como um tomate – Sim, nós entendemos sua indiscrição. Todos os aliens até agora são bissexuais, incluindo nós aqui. O que você quer dizer além do óbvio?
Agora vinha a bomba.
– Hugo é bissexual. E ele tentou me estuprar durante o banho uma vez, então não tem desculpa. Ele tem sim uma característica alienígena.
– Isso não prova nada! Ele faz isso com qualquer um. Hugo sente atração até por animais, então não fique convencido! – falou Perla espumando de ódio. Senti a vontade dela de saltar em cima de mim e me estripar com as unhas e beber meu sangue.
– Vamos tentar manter o bom senso. Existe mais do que só isso. Ainda não sabemos a qual raça ele pertence, mas pelo menos temos certeza de que é um alien. Se não o fosse, não teria voltado. Resumindo: Hugo deve ser o descendente de Netuno.
– Está dizendo que ele é o alien que salvou nossa pele? – me perguntou Nanda.
– Talvez seja falha apenas em um ponto: o que fez com que eu e Perla caíssemos no sono? E mesmo assim, onde entram Hikari e Marie nessa história? Eles não são inocentes também. Pra onde eles foram? – lembrou Romolo.
– Se existe essa interrogação, então também existem outras dúvidas. Pensa só: eles foram embora morrendo de medo no começo. Depois foram como se soubessem pra onde ir, e mais, sem nenhum receio. Aconteceu alguma coisa com eles. – disse eu.
– Então um dos dois tem mais alguma coisa a ver com Darkshadow e sua gangue? Uma coisa eu seu: não poderia ser a Marie. Eu virei alien alguns dias antes, apenas. Tem de ser alguém que saiba disso desde o começo. – falou Nanda.
– Talvez Hikari. Ele é muito aficionado em tecnologia e começou a namorar comigo um dia depois de eu descobrir que sou alien. Talvez ele tenha convencido Marie de alguma coisa também. – supus eu.
– Nesse minúsculo espaço de tempo? – disse Romolo, cético. – Não. Tenho quase certeza que ela está a mando do Hugo. Ele foi o reverenciado no vídeo de segurança do shopping.
– É mesmo. Mas então se ele foi reverenciado, é porque ele é mais forte ou tem algo que os outros não têm. Algo que, com certeza, o faz melhor. Informação talvez? – perguntou Perla.
– Informação sempre é uma boa moeda de troca, mas não creio que funcione dessa vez. Algo me diz que vai muito além disso. Algo que vai para os campos do poder e da relação de dominância de classes. Hugo é superior aos dois de alguma forma. – disse eu.
– Ou então ele é bem mais alto na hierarquia. Mas de qual instituição? Hierarquia é um pré-requisito de uma instituição, mas não sabemos qual. – completou Romolo
– Se eles fizessem parte de alguma instituição caçadora de alienígenas, eu nem me surpreenderia. Mas duvido que seja algo do tipo. Existe mais do que hierarquia. Eles estavam sob a ação de algum alucinógeno que os fez ficarem subservientes. Existe uma peça do quebra cabeça que está oculta até agora. – disse eu.
– Alucinógeno? Em qual deles, cara? Eles não tinham nada pra se envenenar. Se mal tinham um ao outro? Pra mim, aquilo foi controle da mente. – disse Nanda.
– Não viaja, Nanda! Isso não existe! – disse Perla.
– Eu dizia a mesma coisa sobre aliens. – disse Romolo.
– Incrível sua capacidade de dizer tanto em tão poucas palavras. – disse Nanda.
E nesse momento de distração, deixamos de lado a discussão sobre os aliens, sobre tudo e ficamos nos divertindo falando besteira e jogando doideira pro ar. Mas duas coisas não me deixavam em paz. As lembranças de dois momentos do dia anterior me assombravam de tal forma que eu mal conseguia me divertir: quando Darkshadow pediu minha parceria e quando Hikari pediu meu perdão. Eu sei, é loucura. Mas eu via uma conexão.
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