Rainbow Carnage
5 Powder
No dia seguinte, Justin não trabalhara, permaneceu em casa durante a manhã sobre a desculpa de estar de luto. De tarde ele saiu do prédio disfarçado e foi em um lugar em que achava que pudesse encontrar equipamentos de luta, e encontrou, voltando para casa no final da tarde, com bastões de luta e com uma roupa mais especializada para combates. Dali a pouco, ele já estava em cima do prédio Dantonw.
— Pensei que você fosse se atrasar! — Ele ouviu uma voz feminina, se aproximando.
Amy saiu das sombras. Usava uma roupa noturna escura, muito mais sofisticada que a sua, armada de algumas laminas e dois revolveres guardados em seu coldre. Ele usava apenas uma roupa preta e carregava consigo um bastão de luta.
— Olá! — Justin sorriu.
— Idiota! — Ela respondeu — Tinha certeza que você se esqueceria — Dizendo isso ela jogou algo nele, ele segurou no ar e quando viu, era uma mascara — Não podem ver seu rosto!
— Ah é… — Ele riu consigo mesmo, e tratou de colocar a mascara. Ela era preta, cobria apenas a região do nariz até os olhos, se encaixando perfeitamente no rosto do jovem — Gostei!
— Agora vamos… Descobri de uma gangue que está causando muitos problemas pela região! — Ela moveu uma das pernas para trás fazendo menção de se jogar do prédio.
— Ei, espera… Não vamos atrás dos caras que mataram Lara? — Ele a segurou pelo braço a puxando para trás.
— Claro… Se você pelo menos souber onde encontra-los… — Ela levantou uma sobrancelha olhando para ele.
— Oh… — Ele suspirou coçando sua cabeça, tinha se esquecido que não tinha ideia de quem havia matado sua Tia.
— Escuta… — Amy colocou a mão sobre o ombro dele, o olhando nos olhos — Talvez você não possa ter sua vingança exatamente do jeito que você quer… Mas você pode honrar a memoria de Lara fazendo o bem!
Ele concordou com a cabeça, mas será que iam mesmo fazer o bem, não sabiam ao certo, sabiam apenas que iam brigar bastante aquela noite, o bastante para extravasar a raiva que sentiam. Amy pulou do prédio e Justin foi atrás delas. Os dois percorreram a cidade pulando agilmente de prédio em prédio até chegarem perto de um galpão.
— É ali! — Amy apontou falando baixo — Ali é onde os bandidos se encontram… — Ela tirou um dos revolveres do coldre — Eai? Vamos arrebentar? — Ela mordeu o lábio inferior sorrindo com um brilho obscuro em seus olhos.
— Sim… — Ele disse meio inseguro, percebendo o brilho estranho no olhar dela. Não parecia a mesma Amy com quem falara na noite anterior, parecia mais agressiva e voraz. Justin sacou o bastão e a seguiu, mas a cada segundo que se passava ele se perguntava se aquilo era o certo a fazer.
Dentro do galpão alguns homens negociavam o trafico e venda de drogas ilegais. Era um local bem afastado de casas e moradias, portanto eles faziam bastante barulho. Alguns gritavam e discutiam, se segurando para não sacar a arma e atirar no outro, ninguém prestava atenção no lado de fora. De repente, Amy e Justin chegaram quebrando o vidro de uma das janelas. A garota rapidamente atirou uma pedra no interruptor, e com sua mira excelente o acertou, tudo ficou escuro em questão de segundos. Os traficantes e os compradores sacaram as armas e começaram a atirar as cegas.
Justin se tornou invisível e se afastou de Amy, que desvia das balas sem dificuldade, direcionando os tiros para longe de onde Justin havia ido. Logo o rapaz consegui chegar por trás de um grupo de traficantes, e desmanchou seu disfarce, se lançando ao combate. Ele se movia com agilidade, acertando o bastão nas cabeças dos agressores, mas sem ser acertado. Amy já havia derrubado uns três homens, atirando de trás de uma mesa caída, mas ela voltou a guardar o revolver no coldre e colocou as laminas para fora, se aproximando do grupo que a atacava.
A batalha durou vários minutos, mas uma hora todos os homens já haviam caído. Amelia voltou a acender as luzes, mas não gostou muito do que viu. Eram cerca de dez homens, todos no chão, alguns mortos a tiros, outros tinham as gargantas cortadas ou agonizavam no chão com cortes na barriga ou no peito e tinham aqueles que caíram com fortes pancadas na cabeça ou no rosto. Amy se afastou, e saiu do galpão correndo. Justin a seguiu confuso, não era isso que ela queria?
— Amy? — Ela havia parado do lado de fora do galpão — Por que essa cara? Não era isso que você queria?
— Não… Sim… — Ela estava confusa — Não sei! — Colocou as mãos no rosto, e a cara da morte aos poucos foi embora — Isso não está certo! — Amy olhou para ele, parecia zangada e triste, agora sim ela se parecia com a Amy que ele havia visto na noite passada mas ele não era o mesmo.
— Como assim? Por quê? — Justin não entendia, já que seus pensamentos haviam mudado depois da luta, ele achava aquilo mais do que certo e faria novamente se tivesse a oportunidade.
— Aquilo foi um massacre… Não foi algo heroico! — Ela apontou para o galpão — Matamos aqueles homens a sangue frio!
— Achei que fosse normal para você… É uma mercenária! — Justin jogou o bastão no chão e cruzou os braços para ver a reação dele ao seu comentário.
— Eu achei que fazendo isso eu te levaria para um bom caminho, mas acabei te direcionando para o mesmo caminho que eu tomei! — Amy gritava, cuspia as palavras como se estivesse decepcionada com ele — Depois da morte de Lara você iria atrás de vinhança e acabaria se destruindo!
— Como você sabe? — Ele perguntou com um olhar de raiva, estava tudo bem até ela mencionar Lara — Não sabe como eu me sinto!
— Sei! — Ela apertou os lábios em uma expressão irritada e ao mesmo tempo triste — Eu busquei por vingança uma vez… Eu destruí tudo o que amava…
Aquilo o fez pensar, nunca havia pensado na origem de Amélia, sabia que a família dela havia morrido mas não se importou em se perguntar como.
— Quer conversar? — Disse em uma voz mais calma e amigável , em seguida Justin se aproximou e colocou a mão no ombro dela.
— Meu pai morreu quando eu tinha seis anos, eu me traumatizei e fui embora procurando ajuda, procurava vingança assim como você disse que iria procurar… — Ela fez uma pausa e levantou a cabeça olhando para ele — Treinei pesado durante dez anos, mas acabei me metendo nos lugares errados — Seu olho se iluminou em um brilho roxo por um segundo, ela se lembrou da casa e da mulher de rosto tatuado — Quando voltei para casa eu fiquei tão feliz, minha mãe me recebeu muito bem, fazia minhas comidas favoritas e ia dar uma festa sexta-feira… Mas eu tive que estragar tudo indo atrás do cara que matou meu pai — Ela respirou fundo, seus olhos estavam molhados e ela apertava os lábios se segurando para não acabar chorando de raiva — No dia da festa eu fui atrás dele, e foi a primeira vez que Chilli se libertou… Eu me sentia mais forte, corria mais rápido, pulava mais alto e me sentia invencível… Fui até ele mas perdi o controle, eu o torturei até a morte e aos poucos perdi a consciência. Quando eu acordei olhei em volta e vi que estava em casa, tudo estava decorado para festa mas quando eu vi, tinha sangue em minhas mãos, então eu os encontrei… Minha mãe, meus irmãos, toda a minha família estava morta, eu os matei! — Uma lagrima percorre o seu rosto, mas não chorava por estar triste, mas sim por estar com raiva.
— Está tudo bem, não foi sua culpa! — Ele deu alguns tapinhas carinhosos em seu ombro, não sabia como reagir, se sentia mal por ter a julgado mal, mas ela apesar de agradecida por poder desabafar com alguém deu um tapa na mão dele a empurrando para longe de seu ombro.
— A polícia chegou e eu disse que foi o mesmo cara que matou meu pai, ele invadiu a casa e matou todos é uma mulher com a cara da La Catrina o perseguiu e o matou depois disso… — Amy limpou o rosto — Vim para Harway e conheci você… Causei muitos problemas mas você conseguiu me cobrir, te devo uma… — Ela conseguiu sorrir por alguns segundos mesmo ainda estando com raiva.
— E você se tornou mercenária depois disso? — Ela concordou com a cabeça — Você tem a chance de quitar isso!
— Como? Sendo uma heroína? — Ela riu — Sou uma assassina, não posso evitar… O sangue deve ser derramado para o oculto se manter acordado… Significa que eu tenho que matar para manter o o controle dela…
— Não precisamos ser heróis, podemos agir como justiceiros! — Justin volta a pegar o bastão caído no chão — Podemos limpar a cidade, e derramaremos sangue se necessários, mas não podemos ficar parados enquanto pessoas boas morrem nas mãos de bandidos e assassinos!
— Sabe… — Ela começou a concordar — Acho que tem razão, podemos formar uma dupla! — Amy agora estava bem animada.
— Claro, Dust e Chilli! — Ele levantou o bastão.
— Nah… Dusty já é o seu apelido! Vamos achar outro nome legal — Ela colocou a mão no queixo pensativa — Que tal Powder? É um tipo de pó mas é mais perigoso!
— Gostei! — Justin sorri — Powder e Chilli!
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