Rainbow Carnage
2 Blackhood
— Erin — A garota ouviu uma voz lhe chamando, era provavelmente do seu irmão, que a acordava toda a manhã pontualmente — Erin, acorde!
Ela abriu os olhos e se levantou bruscamente, não lembrava de seu sonho, mas sua cabeça doía. Ela bocejou, esfregou os olhos e se levantou, caminhando até o banheiro para se arrumar, já que ia procurar um trabalho em uma importante empresa de medicina e tecnologia. Certo, quem ia querer uma garota de dezessete anos trabalhando em assuntos delicados como tecnologia e ciência em uma industria de respeito? Mas Erin não era como as outras jovens de sua idade, ela e seu irmão possuíam uma rara inteligência, poderiam entrar até nós dez humanos mais inteligentes do mundo, isso se eles fossem humanos.
Eles eram sempre os estranhos e misteriosos, nunca iam para hospitais, eram sempre muito inteligentes, ninguém sabia sobre suas origens, da onde tinham vindo. Na realidade, é muito mais fácil ignorar a pergunta do que simplesmente dizer "Veja bem, meus antepassados são de outro planeta". Apesar de terem nascido na Terra, Erin e Richard McIntry eram o que poderiam ser chamado de alienígenas, mas eram como qualquer pessoa. Sua raça costumam ter dons como os de controlar e mover as coisas com a mente, mas quando vão para outro planeta, as próximas gerações costumam nascer sem esses dons, foi o que aconteceu com os McIntry. Erin nasceu quase sem poderes, mas logo descobriu como controlar as coisas com a mente, mas era preciso muito esforço e concentração para mover uma mísera coisa de lugar, já Richard, o mais novo, nasceu praticamente humano, sem nenhuma habilidade de muita estranheza, apenas tinha uma conexão muito forte com sua irmã e as vezes sabia até o que está pensava.
Agora, já arrumada, ela foi para a mesa do café da manhã. Ela vestia roupas formais, terno e saia de uma cor cinza claro, ficava ridícula, apesar de ter dezessete anos, tinha a aparência de uns quatorze, seus cabelos extremamente claros, estavam amarrados em um rabo de cavalo. Seu irmão a esperava, ainda vestido de pijamas e seus cabelos loiros estavam bagunçados e escondidos em seu gorro vermelho, e ao ver ela, começou a rir.
— Você parece uma adulta — Ele disse rindo — Mas com cara de criança...
Ela o ignorou, pegou uma maçã da fruteira e comeu, enquanto se arrumava, tomando cuidado para não sujar a roupa. Faltavam cerca de quarenta minutos para a entrevista que marcou, mas chegar lá levaria uns trinta! Tinha que ir o mais rápido possível. Ela pegara sua bolsa, que por sinal estava vazia, ela tratou de colocar suas coisas dentro dela. Óculos de leitura, bloco de notas, carteira e uma caneta, mas ainda faltava uma coisa a ser colocada... Claro, seu celular! Ela começou a procurar, não estava na bancada, quando viu estava na mesa, do outro lado da sala. Pessoas normais caminhariam até o outro lado e pegariam o celular para colocar na bolsa, mas ela preferiu ir pelo caminho mais fácil. Estendeu a mão e se concentrou, uma luz azul iluminou seus olhos e a ponta de seus dedos, então o celular se levantou, e flutuou pela sala na direção de suas mãos.
— Uau! — Richard observava tudo, sorrindo — Parece estar ficando mais forte! — Ele comentou, tentando esconder a inveja, queria ter aquilo que a irmã tinha, mas também agradecia por ser quase normal, assim como os humanos — Eu vou passar lá por volta de meio dia...
— Como você sabe onde fica? — Erin olhou para o irmão, pegando suas chaves para abrir a porta.
— Consigo ver em sua mente... — Ele voltou a ler a revistinha que tinha ao seu lado, enquanto ela abria a porta e chamava o elevador.
Ele sabia o que as pessoas próximas pensavam e ela movia objetos com a mente, não eram poderes tão intensos e espetaculares como os dos heróis dos quadrinhos, mas eram úteis para coisas diárias, único problema era se os humanos descobrissem seus poderes e reagissem mal, o que ambos torciam para não acontecer.
Erin conseguiu chegar pontualmente no prédio, Walker's Industries. Ela caminhou até a recepção, e em seguida foi até a sala da entrevista, seguindo as instruções da recepcionista. Quando ia se aproximando da sala indicada, ela esbarrou em alguém e caiu no chão.
— Ai! — Reclamou ao cair. Quando levantou os olhos, viu que era um garoto com quase a sua idade, era bem bonito, mas Erin não mostrava ter interesse, estava mais se sentindo ofendida por ter sido derrubada — Olha por onde anda!
— Me desculpe, mas foi você que esbarrou em mim... — Ele sorriu e estendeu a mão para ajudar Erin a se levantar.
A garota deu um tapa da mão dele, e se levantou sozinha, apesar de ter sido meio grossa e mal educada mas o garoto não se incomodou, já os segurança que estavam por ali pareciam se incomodar, um deles se aproximou dos dois jovens, para ver o que tinha acontecido.
— Senhor, algum problema? Essa jovem lhe incomodou? — O guarda perguntou, mas o garoto negou com a cabeça.
— Não, pode ir embora! — O guarda se afastou, e o jovem ficou a encarando.
— Senhor? — Erin parecia confusa.
— Claro! Sou Justin Walker... Meu pai é dono da empresa! — Ele parecia se divertir com a situação, e com o espanto na cara da garota — Está perdida? Nunca te vi aqui antes?
— Meu nome é Erin e não, eu vim para uma entrevista de emprego! — Ela disse abrindo um breve sorriso, que desapareceu quando ele começou a rir — O que foi?
— Você? Tem uns dezesseis anos... Vai fazer o que? Passar nas salas dos cientistas entregando cafezinho? — Zombou.
— Tenho dezessete, e eu sou a mais brilhante aluna do meu colégio, em todas as provas que eu já realizei eu tirei a nota máxima! — Ela declarou, começando a ficar irritada
— Claro, no mínimo isso para conseguir chegar aqui com essa idade! — Ele ergueu a sobrancelha com um ar irritante, já ela estava prestes a soca-lo, se sentindo insultada, mas logo ela suspirou meio triste, olhando para baixo, percebendo que aquilo não daria em nada.
— Tem razão... Isso não vai dar em nada... — Ela cruzou os braços, ainda olhando para baixo — Só queria um emprego, algo que desse para sustentar eu e meu irmão... Sabe, minha mãe morreu e nós não temos ninguém... eu vou desistir logo de uma vez! — Sabia que usar o fato da mãe ter morrido geraria impacto no garoto, e esperava pelo melhor. Ela pegou a bolsa que havia caído no chão e fez menção de ir embora.
— Ei espera! — Ele a segurou pelo braço, a parando — Eu posso te dar uma chance, você pode ir hoje visitar os laboratórios e nos próximos dias eu faço uns testes com você para ver se te encaixo em algum lugar!
Erin aceitou, mas é claro que aceitaria, devido a sua genialidade ela poderia arrumar um trabalho no meio daquilo, sem dificuldades. Justin estava sendo tão bom, mas provavelmente só havia aceito ela pelo fato de sua mãe ter morrido, ele sabia como era ruim, sua mãe também tinha morrido, ele só tinha o pai, que por sorte era rico, assim ele podia gozar dos prazeres da vida, tinha tudo o que queria, e não conseguia imaginar o que aconteceria se não tivesse o pai.
Como o prometido, ele a levou para visitar os laboratórios, e mostrou os diversos experimentos e projetos trabalhados nele, para ver a reação dela. Sem duvida, parte dele queria impressiona-la, não sabia o que era, mas tinha algo de interessante na garota, mas era difícil, a maior parte das coisas que mostrava não despertar seu interesse, a única coisa com que a garota mostrou ter curiosidade foi com o projeto de um reator.
— Do que ele se utiliza mesmo? — Ela perguntou, observando ele.
— Sei lá, de um tipo de matéria escura... — Justin se aproximou do reator — Descobriram um certo elemento, um metal, que produz umas certas vibrações quando deixadas em certas condições, essas vibrações são carregadas de um tipo estranho de energia, que achamos que pode ser convertida para que utilizamos. Conseguimos deixar o metal nessas condições, mas não conseguimos converter a energia, ainda.
— Desistam — ela se aproximou do reator. Era uma construção grande, possuía uma base com os computadores onde os cientistas testavam o metal, e um grande objeto cilíndrico, em cima, no qual se continha o metal — Seja o que for, não é seguro ser convertido em nossa energia.
— O que? Por quê? — Ele perguntou confuso, como que ela podia ter certeza.
— Conheço esse tipo de coisa, sei o que pode acontecer se algo der errado...
— Então sabe como converter? — Justin ainda estava confuso e um tanto surpreso.
— Sim
— Como? — Não podia ser verdade, a garota só podia estar mentindo, os melhores cientistas da empresa estavam trabalhando naquele projeto. Mas se ela sabia, ela devia ajuda-los, mas conhecendo gente como ela, Justin sabia que apenas pedindo não ia dar certo, ele precisava desafia-la — Duvido!
— Duvida? — Aquilo pareceu ter um impacto, ela semicerrou os olhos e sorriu — Vocês só estão utilizando os matérias errados, o melhor condutor para esse tipo de energia são os metais não oxidáveis, mas esses são muito raros, portanto é melhor desistir...
Ele entendeu tudo, e sem consultar a garota ele foi falar como os outros cientistas a deixando sozinha, próxima ao reator. Quando uma equipe de trabalhadores se aproximaram com algumas ferramentas ela entendeu tudo, se aproximou de Justin para impedi-lo de fazer o que estava prestes a fazer, foi quando Richard apareceu. Tudo estava acontecendo tão rápido, a garota estava cada vez mais confusa.
— Como chegou aqui, Rick!? — ela perguntou olhando para o irmão.
— Sei lá, Ninguém me barrou dai eu só cheguei entrando... — Deu de ombros — E o que está acontecendo?
— Não tenho tempo para explicar, Justin! — Ela gritou e foi na direção do garoto — O que você está fazendo?
— Troquei os fios de cobre por ouro, Agora você vai me ajudar a comandar a maquina, se tivermos resultado positivo você estará oficialmente contratada... — Ele sorriu, exibindo seus dentes brancos e perfeitos — E quem é aquele? Seu namorado? — Perguntou olhando para Richard, parecia meio incomodado com a presença dele, tanto que de repente ficou mais serio.
— Argh... não, ele é o meu irmão — Ela fez uma careta, e voltou a pensar, o ouro não era totalmente inoxidável, os resultados podiam ser ruins, mas ela não conseguiria convencer Justin a mudar de idéia, então era melhor que ela tomasse o cuidado de manusear a maquina — Quando vamos começar?
O garoto sorriu, e começou a fazer os preparativos para o inicio do teste, eles conseguiram a autorização para começar o teste rapidamente. Nos computadores de controle do reator estavam Justin e Erin, e uma equipe de uns sete cientistas estavam a postos, mais Richard, que estava só observando, já que ninguém vinha tira-lo de lá, ele já entendera tudo, já que estava conectado com Erin ela nem precisara falar. Chamaram o chefe, Robert Walker, antes de ligarem a maquina. Justin nem se deu ao trabalho de cumprimentar o pai, as vezes tinha uma certa vergonha pois sabia coisas sobre o pai que os outros não sabiam, afinal, não tem como ficar rico em Harway sem ter um passado envolvido em crimes.
3, 2, 1... O experimento começou e o reator foi ligado, era um momento de tensão, o cilindro brilhava, e emitia um barulho estranho, não era parecido com um motor, mas sim com um violino misturado com uma flauta doce. Três minutos se passaram e tudo estava normal e estável, o reator funcionava perfeitamente. Justin mal podia acreditar, ele olhou para ela sorrindo, a equipe de cientistas comemorou e Richard se aproximou.
— Mandou bem, mana! — Ele comentou, se aproximando dela.
— Você conseguiu, Erin! — Justin pulava de alegria. Quando se acalmou, solicitou que chamassem seu pai que chegou em questão de minutos.
Os trabalhadores, se aproximaram do chefe quando ele chegou, e contaram o que aconteceu, como o reator foi ligado e o resultado deu certo, e da garota que tinha feito aquilo acontecer. Ele se aproximou de Richard, Erin E Justin, e falou em uma voz calma e acolhedora:
— Parabéns, Erin! — Ele sorriu — Você está dentro!
Ela abriu a boca para falar alguma coisa, comovida, mas foi quando bateu o olho no computador e viu as leituras preocupantes. Ela correu até o computador, sem falar nada. Sim, os resultados foram positivos, o reator funcionou perfeitamente, mas algo estava errado, as leituras diziam que o reator estava sobrecarregado e instável, podia explodir a qualquer momento, logo uma luz vermelha começou a piscar.
— Não! — Ela olhou para as leituras e depois para a maquina sem poder acreditar — Saiam, saiam todos! Evacuem a sala!
As pessoas obedeceram, saindo da sala correndo. Dai a pouco as únicas pessoas da sala eram, Erin, Richard, Justin e Robert. Erin tentava estabilizar a maquina mais sem resultados.
— Justin, saia! — Ela correu até ele — Leve o seu pai, não podem ficar aqui!
— Não vou sair sem você... Fui eu que te meti nessa, lembra? — Ele insistiu.
Erin abriu a boca para falar algo mas foi novamente interrompida pela primeira explosão, que derrubou os quatro. Justin e Robert se levantaram rapidamente, mas Erin e Richard permaneceram no chão, algo na energia liberada reagiu de forma diferente com eles, eles sentiam uma dor de cabeça insuportáveis, algo dentro deles estava diferente, ambos podiam sentir algo que nunca tinham sentido daquela maneira na vida, eles sentiam poder.
Erin se levantou primeiro, seus olhos estavam novamente brilhando em um tom azul, a luz emitida de sua mão era mais intensa e seus cabelos quase brancos estavam cada vez mais azulados, quando Richard se levantou, o mesmo acontecia com ele, mas no caso dele, o brilho era vermelho. Justin observava tudo aquilo confuso, ele se aproximou dos irmãos para ver o que podiam fazer, foi quando ocorreu a segunda explosão, diferente da primeira, essa era mortal. Richard em uma fração de segundos estendeu a mão, fechando a porta com a mente e em seguida, ele segurou Justin, Erin fez o mesmo, e quando a segunda explosão os atingiu, um clarão roxo os iluminou.
Quando a luz foi embora, os irmãos se viram em casa, perto da mesa do café, estavam vestidos com as mesmas roupas, e ainda tinham lembranças do que aconteceu, mas agora se questionavam que tinha sido verdade.
— O que aconteceu? Eu pensei que queria estar em casa, e viemos para cá... — Richard comentou coçando a cabeça.
— Eu também — Ela olhou para as próprias mãos — Foi real?
— Só tem um jeito de descobrir... — Ele estendeu a mão, direcionada para a revistinha que estava em cima do sofá, o objeto então flutuo até ele — Eu acho que sim! — Ele sorriu olhando para a revista, impressionado e feliz com o que havia feito.
— Isso não prova nada... — Erin pensou por alguns segundos — Ei, Rick, segure a minha mão... E se concentre no telhado daquele prédio! — Ela apontou para o prédio ao lado.
Richard acentiu com a cabeça e segurou a mão da irmã, se concentrando no lugar que ela havia dito. Em uma fração de segundos, os dois estavam em cima do terraço do prédio.
— Wow! — O garoto se surpreendeu, e sorriu para a irmã.
— Isso não é bom... Explodimos o laboratório da Walker's Industries Justin e o pai dele provavelmente estão mortos — Ela olhou para o chão, se sentindo culpada.
— Você sabe o que vamos ter que fazer, não é?
— Desaparecer... — Erin deu de ombros.
— Ou, simplesmente, nos teleportar...
Eles se entreolharam e sorriram, logo em seguida bateram as mãos no ar e assim que as mãos se tocaram, tudo se iluminou em uma luz roxa. Os detalhes sobre o acontecimento do prédio Walker Industries foram guardados nos arquivos secretos da empresa, mas depois de um tempo eles simplesmente desapareceram de todos os lugares, portanto os dois jovens misteriosos que apareceram no dia da explosão nunca foram identificados, a única coisa que havia restado no lugar em que antes estavam os arquivos foi um bilhete "Blackhood esteve aqui".
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