Rainbow 5

18 Volta ao passado


O sol já iluminava o vilarejo quando Di e Lea desceram do carro, encontrando-se em um lugar repleto de memórias familiares. Seus semblantes tristes e os óculos escuros serviam como um disfarce eficaz; embora os moradores conhecessem as duas garotas, não as reconheciam naquele momento. Jun, o jovem que as acompanhava, desceu do banco do motorista do carro alugado.

A rua tranquila exibia a familiar loja de doces à frente, evocando recordações de uma época mais simples. Di olhou na direção da loja e recordou da gentil dona que costumava lhe oferecer um chocolate extra. Uma onda de nostalgia envolveu a jovem idol ao lembrar-se desses pequenos gestos.

Jun terminou de pegar as malas de Lea no porta-malas do carro. O grupo estava em frente a uma grande casa de três andares, com uma fachada elegantemente decorada e um delicado muro de tijolos separava o jardim da calçada. O investigador estava impressionado com a residência da família de Lea, refletindo sobre a vida que a integrante da Rainbow 5 levava antes de ingressar no mundo dos idols.

"Aqui é a casa da tua família? É impressionante" perguntou Jun, admirando a imponência do local.

Lea assentiu com tristeza nos olhos, a saudade e a dor da perda ainda frescas em sua mente. "Sim, é aqui. Obrigada por trazer a gente até aqui, Jun."

Di, que estava observando a rua, notou a loja de doces e não pôde deixar de sorrir melancolicamente. "Lembro que aquela senhora sempre me dava um chocolate extra. Saudades dela."

Lea pediu para que Jun deixasse as malas ali, garantindo que ela as levaria para dentro em breve. Ela também pediu para que ele acompanhasse Di até a casa de sua família. Jun e Di subiram novamente no carro, dirigindo-se em direção à casa de Di. A idol acompanhou-os com os olhos, enquanto afastavam-se, para que então caminhasse em direção a casa.

Durante o trajeto de carro, Di olhou para fora, observando a paisagem que lhe era tão familiar. Ela suspirou perdida em pensamentos, enquanto Jun, ao volante, respeitava o silêncio que pairava no carro. O retorno à vida cotidiana de Di estava envolto em nostalgia e, ao mesmo tempo, carregado com a lembrança dolorosa dos eventos recentes.

Jun dirigia o carro lentamente pelas antigas ruas do vilarejo, permitindo que Di imergisse nas lembranças evocadas por cada esquina. A tempestade emocional provocada pelos recente ataque parecia encontrar um refúgio nas memórias mais simples, e as lágrimas que ameaçavam cair eram contidas.

O carro deslizava pela rua com uma melancolia silenciosa, as luzes da manhã destacavam as fachadas das casas que Di conhecia tão bem. Sem dizer uma palavra, ela deixou-se levar pela enxurrada de sentimentos, até que, quase involuntariamente, descansou a cabeça em direção ao ombro de Jun. O investigador, compreendendo a dor silenciosa da jovem, continuou dirigindo com cuidado, tornando-se um suporte amigável.

Ao chegarem a uma casa simples em uma rua mais afastada, Di soltou o ar dos pulmões como se estivesse segurando a respiração durante todo o trajeto. Jun estacionou o carro, e enquanto retirava as malas do porta-malas, a idol se dirigiu ao portão. Pisando nas pedras que formavam um caminho até a porta principal, ela olhava ao redor, absorvendo os detalhes familiares que por um momento pareciam ter sido esquecidos.

Ela olhou para a grama alta, crescendo livremente sobre as paredes da casa, sentiu um aperto no coração.

Di abriu o portão e entrou no pátio da casa, sentindo o solo conhecido sob seus pés. A porta principal estava entreaberta, como sempre lembrara. Ao entrar, seus olhos encontraram uma mulher magra, de meia-idade, com longos cabelos. Sentada na cozinha, ela parecia desinteressada e absorta em seus próprios pensamentos.

"Omma," Di murmurou, usando a palavra coreana para mãe, uma mistura de emoções em sua voz.

A mulher olhou para cima, seus olhos cansados encontrando os da filha. "Daeum?" disse ela, sua voz carregada de indiferença.

Di assentiu, sentindo uma mistura de alívio e ansiedade. "Voltei."

A resposta da mãe foi um suspiro, quase desinteressado, enquanto ela voltava sua atenção para o que parecia ser uma tarefa sem importância.

A mãe de Di a olhou com indiferença quando a filha entrou na cozinha, quebrando o silêncio carregado. Com uma voz áspera, ela perguntou: "O que você está fazendo aqui?"

Antes que Di pudesse responder, a mulher continuou, retomando o que parecia ser um monólogo bem ensaiado em sua mente. "Já sei. Voltou depois de fracassar como cantora, não é? Eu disse que isso não daria certo."

Di sentiu a tristeza crescer em seu coração, mas enfrentou a mãe com uma expressão firme. "Voltei para passar alguns dias, Omma."

A mulher a olhou com desdém. "Dias? Espero que seja breve, então. E tem dinheiro para pagar pelo quarto em que dormia? Não espere que vá ficar de graça."

O diálogo era carregado de ressentimento, as palavras cortavam como facas afiadas. Di tentou manter a compostura, mesmo diante da dureza de sua mãe. "Eu... eu vou conseguir o dinheiro, não se preocupe."

A mãe pensou por um segundo, seu olhar severo nunca se desviando do rosto da filha. "Espero mesmo. Saiba que seu pai teria vergonha se você fracassar em tudo que tenta."

A troca de palavras estava repleta de uma amargura que se acumulou ao longo dos anos, uma representação da relação complicada entre mãe e filha. Di engoliu em seco, sentindo o peso das expectativas e da desaprovação materna.

Jun entrou na casa carregando as malas de Di, uma em cada braço. Ele se deparou com a mãe da garota, que o olhou de cima para baixo com um olhar de reprovação. Antes que pudesse apresentar-se, foi interrompido por ela.

"Ahn, então é isso? Engravidou desta vez, Daeum?" A mãe de Di lançou uma olhar acusador para a filha, sem esperar por uma resposta. Virou-se para Jun, falando asperamente: "E você, planeja assumir a responsabilidade?"

Jun ficou em choque, sem palavras diante da acusação inesperada. Antes que ele pudesse reagir, Di, visivelmente irritada, interveio. "Ele é um funcionário da gravadora, Omma. Está aqui para garantir que tudo saia como esperado, nada mais."

A mulher bufou e, sem dizer mais nada, saiu da cozinha, deixando Jun e Di sozinhos. A tensão no ar era palpável, e a expressão de Jun indicava desconforto diante da situação. Di olhou para ele, oferecendo um sorriso forçado para tentar dissipar a atmosfera carregada.

Jun ajudou Di a colocar suas malas em seu antigo quarto, e os dois se despediram rapidamente. O investigador disse que voltaria mais tarde para verificar como ela estava, e Di agradeceu com um sorriso. Ela ficou sozinha na casa, percebendo que sua mãe havia saído para evitar mais conflitos.

Di olhou para o céu, repleto de memórias e emoções conflitantes. A ideia de estar de volta àquela casa, que um dia foi seu lar, trouxe uma onda de nostalgia misturada com sentimentos complicados. Decidida a não ficar sozinha, ela resolveu ir até a casa de Lea.

O caminho entre as duas casas não era longo, mas cada passo de Di era carregado de recordações. Ela percorreu as ruas conhecidas, observando as mudanças e, ao mesmo tempo, sentindo como se o tempo tivesse congelado em alguns lugares.

Ao chegar à rua da casa de Lea, a jovem avistou a amiga na varanda, desfrutando de um chá tranquilo. Lea notou a chegada de Di e foi até o portão recebê-la. Os olhares das duas se encontraram, revelando uma mistura de emoções guardadas por tanto tempo.

Lea levou a amiga até o banco na varanda onde estava sentada antes e ofereceu chá à amiga, gesto que a outra aceitou com um aceno de cabeça agradecido. O silêncio pairou por um momento, mas foi quebrado quando a jovem de cabelos brancos começou a desabafar. As lágrimas escorriam por seu rosto enquanto ela tentava articular suas palavras.

"Eu sinto muito, Lea. Tudo isso é culpa minha", disse Di, com a voz embargada pela emoção.

Lea, sentindo a intensidade do momento, sentiu uma dor pulsante em sua cabeça, mas manteve seu olhar solidário em Di. "Não diga isso, Di. Você não tem culpa de nada. Nós estamos todas passando por isso juntas."

As lágrimas de Di continuaram a fluir, enquanto ela deixava escapar o peso do medo e da frustração que a assombravam. "Não, Lea, eu sou a culpada pelo ataque daquele… stalker. Eu o encontrei alguns dias antes, e não contei a ninguém."

Lea ficou chocada com a revelação. Um misto de emoções perpassou seu rosto, refletindo incredulidade, preocupação e compaixão.

Di, entre lágrimas e soluços, confessou a Lea o peso que carregava. "Eu saí para treinar meus poderes sozinha. As coisas saíram terrivelmente erradas." Sua voz vacilante ecoava na varanda, cheia de arrependimento.

Lea, ainda processando as revelações, perguntou com cautela: "Por que, Di? Por que você fez isso sozinha?"

Di fungou antes de responder, tentando encontrar as palavras certas para explicar. "Eu não queria que ninguém se preocupasse comigo. Eu pensei que poderia controlar meus poderes melhor se treinasse sozinha, precisa sentir que tinha algum controle. Mas um estranho me encontrou no parque... eu estava presa no gelo dos meus próprios poderes, vulnerável."

Lea franziu a testa, tentando entender a motivação da amiga. "Você deveria ter nos contado, Di. Nós estaríamos lá por você. Sempre estaríamos."

Di continuou desabafando, sua voz repleta de culpa. "Se eu tivesse contado, talvez as coisas fossem diferentes. Talvez eu pudesse ter evitado tudo isso."

Lea, sentindo a necessidade de compartilhar suas próprias dificuldades, hesitou antes de falar. "Di, durante o ataque na reunião, eu tentei usar meus poderes contra o stalker, eu queria ler os pensamentos dele. Eu realmente tentei. Mas o medo, a ansiedade... eu não conseguia controlar nada dos meus poderes, não importa o quanto eu tentasse."

Di olhou para Lea com uma expressão de compreensão, ainda limpando as lágrimas. "Lea, nós precisamos entender melhor nossos poderes. Se quisermos nos proteger e proteger os outros, precisamos aprender a controlá-los, a usá-los de maneira eficaz."

Lea hesitou por um momento, mas concordou com a cabeça. Era evidente que, diante dos recentes eventos, a compreensão e o controle sobre seus poderes se tornavam mais do que uma questão de habilidade, mas também uma questão de segurança. As duas amigas concordaram silenciosamente que precisavam enfrentar essa jornada juntas, apoiando-se mutuamente em busca de compreensão e controle sobre os dons que possuíam.

Di, após secar as lágrimas e ajudar Lea com o lenço, olhou para a amiga com um sorriso gentil. "É assim que as grandes heroínas começam, certo? Com lágrimas e um pouco de bagunça."

Lea riu suavemente, mesmo com um toque de melancolia em seus olhos. "Sim, acho que é assim que começa."

Terminando o chá, Di se levantou e colocou a xícara de volta na bandeja. Ela se aproximou de Lea e abraçou-a com carinho. "Vamos nos preparar para enfrentar esse stalker. Não podemos deixar que ele nos impeça de viver nossas vidas."

Lea concordou, sentindo o calor reconfortante da amizade de Di. "Vamos enfrentar isso juntas."

Di se afastou do abraço, sorrindo determinada. "Eu vou dar uma volta pelo vilarejo, tentar limpar minha mente. Nos vemos mais tarde, Lea."

As duas amigas trocaram um olhar de compreensão antes de Di sair pelo portão, deixando Lea sozinha na varanda.