Rainbow 5
20 Um sentimento congelado
Di caminhava pelas ruas do pequeno vilarejo, o frescor do amanhecer a envolvendo em uma aura tranquila. Seus passos eram ritmados pelo chilrear dos pássaros que saudavam o nascer do sol. A brisa suave acariciava seus cabelos, e um sorriso persistente adornava seus lábios. A noite anterior ainda ecoava em sua mente, um mosaico de momentos compartilhados com Jun.
Ao se aproximar da mansão da família de Lea, a arquitetura imponente contrastava com a simplicidade bucólica do vilarejo. Di percebia que o silêncio da manhã era quebrado apenas pelo som dos passos e pela melodia natural que a cercava. À entrada, sua amiga idol a aguardava, vestindo um short jeans que abraçava sua delicada figura e uma blusa de um rosa claro, como se capturasse a suavidade do amanhecer.
O cumprimento caloroso entre as amigas carregava consigo uma cumplicidade que transcendia palavras. Os olhares revelavam mais do que qualquer diálogo, como se compartilhassem um entendimento secreto, uma conexão que nenhum desafio seria capaz de quebrar.
"Di, como foi a noite?" Lea perguntou com um brilho curioso nos olhos, enquanto as duas se dirigiam para a varanda.
Sua amiga, com um sorriso malicioso dançando em seus lábios, respondeu: "Incrível, Lea. Eu nunca soube que as manhãs podiam ser tão... vívidas."
A atmosfera descontraída, no entanto, desvaneceu-se quando Di fez uma solicitação inesperada: "Lea, posso tomar um banho antes de conversarmos?"
A jovem de cabelos rosados, surpresa, arqueou as sobrancelhas, examinando a expressão de Di em busca de pistas. "Um banho? Di, isso é um pedido estranho, até para você. O que está acontecendo?"
Di, com um olhar travesso nos olhos, respondeu enigmaticamente: "Sem perguntas, Lea. Só confia em mim, tudo será explicado em breve."
A pergunta não formulada permaneceu suspensa entre elas, como um eco silencioso, mas Lea, conhecendo a amiga tão bem, assentiu com um misto de curiosidade e confiança.
"Está bem, Di. O banheiro está lá em cima. Vou preparar algo para tomarmos enquanto você se arruma." Lea acolheu a amiga com um gesto convidativo.
A jovem de cabelos curtos, com um agradecimento expressivo, adentrou a mansão, sua mente preenchida com os eventos da noite anterior e a incerteza do que o destino ainda reservava.
Vários minutos depois, Di desceu as escadas para o primeiro andar da mansão, a toalha envolvendo seus ombros como um manto temporário. Seus cabelos curtos, agora úmidos, deixavam rastros de gotas que se aventuravam por sua pele. O frescor da manhã se misturava com a aura de segredos que permeava a mansão, criando uma atmosfera única, como se a própria casa guardasse os suspiros sussurrantes dos eventos recentes.
Ao chegar à varanda, Lea já a aguardava, sentada em uma mesa para chá. Latas de energético estavam alinhadas, testemunhas silenciosas de uma noite que ainda reverberava em suas mentes. Lea tomava de uma das latas, seus olhos ansiosos refletindo uma busca por respostas.
Di, ao se juntar a ela, percebeu o olhar inquisitivo de Lea e sorriu, secando os últimos vestígios de água de seus cabelos.
"Lea, o que temos pela frente é maior do que imaginamos," começou Di, sua expressão mais séria contrastando com a descontração anterior. "Eu e você, temos algo especial, algo que pode proteger a nós e a banda. Mas precisamos entender mais sobre esses poderes."
Lea assentiu, tomando um gole de seu energético antes de prosseguir. "Di, não podemos ignorar o fato de que somos diferentes, que temos esses dons. Mas precisamos ter responsabilidade ao usá-los. Eu lembro do que aconteceu quando você treinou sozinha no passado. Não podemos arriscar."
Di suspirou, reconhecendo a validade das palavras de Lea. "Eu sei, Lea. Eu só... não quero ser uma ameaça para você ou para as outras. Mas algo maior está acontecendo."
Lea franziu o cenho, preocupação marcando seus traços delicados. "O que você quer dizer, Di?"
"O stalker. Ele está nos seguindo, nos observando. O ataque antes da reunião da Soul Music foi uma prova. Não podemos mais fingir que somos apenas garotas normais tentando viver nossas vidas. Se não agirmos, a banda inteira estará em perigo."
A confissão de Di pairou no ar, carregada de gravidade.
Lea ouviu as palavras de Di com uma seriedade igual à que as sombras da noite anterior haviam traçado em seus semblantes. Ela sabia da ameaça melhor do que nenhuma de suas companheiras de banda, sentia-a como um arrepio na espinha sempre que pensava no stalker. Di levantou os olhos, encontrando o olhar inabalável da amiga, e viu ali a determinação que compartilhavam.
"Sabemos que somos o alvo, Di. Ele se aproximou de você, isso é perigoso. Precisamos ser cautelosas, não podemos subestimar essa ameaça," disse Lea, pegando duas latas de energético da mesa. "E precisamos aprender a controlar esses poderes. Juntas."
Di baixou os olhos para o chão por um momento, uma sombra de preocupação passando por seus olhos castanhos. Lea percebeu a tensão e colocou suavemente uma das latas nas mãos de Di.
"Não estamos sozinhas, Di. Seja o que for que estiver acontecendo, enfrentaremos juntas. Agora, precisamos treinar, aprender a controlar esses dons antes que algo pior aconteça."
Di assentiu, tomando a lata de energético e sentindo a frieza metálica contra suas mãos. Ambas se levantaram, e Lea liderou o caminho em direção ao portão da mansão. O sol já estava alto no céu, mas a manhã ainda carregava uma frescura que contrastava com a urgência da situação.
Lea olhou para Di, seu olhar transmitindo confiança. "Venha comigo, Di. O controle sobre nossos poderes começa com o entendimento. E só assim poderemos proteger não apenas a nós mesmas, mas a toda a banda."
Di apressou o passo para alcançar Lea, e as duas saíram pelo portão da mansão, adentrando as ruas tranquilas do pequeno vilarejo.
O parque esquecido, oculto nas entranhas do vilarejo, era uma cápsula do tempo, testemunha silenciosa de muitos segredos e histórias não contadas. Árvores retorcidas estendiam seus galhos como memórias entrelaçadas, e o som suave do vento sussurrava canções de um passado esquecido. Lea e Di encontraram um canto afastado, longe de olhares curiosos, onde poderiam explorar os limites de seus poderes sem temer pela exposição.
Sentada sobre uma pedra antiga, Lea observou Di com olhos que expressavam uma mistura de apoio e determinação. A lata de energético repousava nas mãos de Di, fria e inerte. O silêncio entre elas era quebrado apenas pelo suave farfalhar das folhas acariciadas pelo vento.
"Vamos começar devagar, Di. Acalme sua mente, concentre-se no gelo, sinta-o fluir dentro de você," sugeriu Lea, sua voz suave como uma brisa matinal. "Eu estarei aqui para te guiar."
Di assentiu, respirando fundo. Ela fechou os olhos por um momento, perdendo-se na sensação de seus próprios poderes. As correntes de gelo corriam por suas veias, uma extensão de sua própria essência. Quando abriu os olhos novamente, Lea percebeu uma determinação renovada neles.
"Estou pronta," afirmou Di.
Lea começou a invocar sua telepatia, mergulhando na mente de Di com delicadeza. Era como atravessar um campo minado de emoções, mas Lea estava determinada a ser o ponto de ancoragem para a amiga. Enquanto Di concentrava-se na lata, Lea enviou pensamentos de tranquilidade, criando uma ponte psíquica entre ambas.
Di estendeu a mão para a lata, visualizando o frio emanando de suas mãos. O ar ao redor pareceu congelar enquanto ela canalizava seus poderes. Gotas de condensação formaram-se na superfície metálica, e um leve arrepio percorreu a espinha de Di.
Lea, em sua posição, transmitia calma e incentivo mental. "Você está indo bem, Di. Continue focada."
A lata tremulou ligeiramente, mas algo ainda escapava ao controle de Di. O gelo, em vez de envolver a lata, estendia-se pelo solo, criando padrões intricados no chão.
"Não se preocupe, Di. É assim que aprendemos. Concentre-se mais no objeto, sinta sua textura, seu calor. Deixe-me ajudar a guiar seus poderes."
O esforço era visível no rosto de Di, cada músculo de sua expressão refletindo a intensidade de sua concentração. Gotas de suor formavam-se em sua testa enquanto ela lutava para conter as energias gélidas que fluíam de suas mãos. Lea, por sua vez, mantinha os olhos fechados, focada em harmonizar os tumultuosos pensamentos de Di.
Lea sussurrou palavras suaves, tentando acalmar as ondas de medo que reverberavam na mente de sua amiga. No entanto, a conexão psíquica cobrava seu preço. Uma dor aguda se infiltrou na mente de Lea, manifestando-se em um filete de sangue que escapou de seu nariz.
"Você está quase lá. Controle a respiração, sinta a latinha como uma extensão de si mesma," incentivou Lea, lutando contra a dor em sua cabeça.
Di fechou os olhos com mais força, uma determinação feroz iluminando seu rosto. O gelo que se espalhava pelo chão começou a recuar, respondendo à força de vontade de Di. Era uma dança delicada entre a mutabilidade do gelo e a concentração da jovem.
A dor na mente de Lea intensificava-se, mas ela persistia, sabendo que o sucesso era iminente. "Você está controlando, Di. Eu sinto. Continue."
Di respirou fundo, canalizando cada fragmento de sua determinação. Finalmente, em um momento de triunfo, o gelo estabilizou-se, envolvendo apenas a latinha em suas mãos. O chão, antes uma tapeçaria congelada, agora estava livre da influência gélida.
As duas jovens se entreolharam, uma expressão de orgulho e realização iluminando seus rostos. A telepatia se desfez, e Lea, apesar do filete de sangue que manchava seu rosto, sorriu.
"Você fez isso, Di. Estou impressionada," disse Lea, tocando a lata agora envolta em gelo. "Agora, precisamos trabalhar na parte do controle emocional. Isso ajudará a evitar que esses episódios causem danos a nós duas."
Di assentiu, ainda se acostumando à sensação de ter dominado uma parte de seus poderes.
O suspiro de alívio de Lea ecoou no silêncio do parque, misturando-se ao canto distante dos pássaros. Enquanto Di admirava a lata agora envolvida em gelo, Lea, exausta, recostou-se na pedra fria. O esforço mental necessário para conectar-se telepaticamente com Di não era algo a ser subestimado.
"Você melhorou muito desde aquela noite em Seul. Estou impressionada, Di," admitiu Lea, sua voz carregada de admiração. "Mas, Di, preciso te dizer, conectar-me telepaticamente com alguém é extremamente desgastante, mesmo quando é você do outro lado."
Di, com um sorriso orgulhoso, sentou-se ao lado de Lea. A toalha que usava para secar os cabelos estava agora jogada sobre seus ombros. "Eu não teria conseguido sem você, Lea. A conexão que temos é incrível."
Lea, no entanto, balançou a cabeça, uma expressão de preocupação cruzando seu rosto delicado. "Incrível, sim, mas também exaustiva. Não podemos abusar disso, Di. Precisamos encontrar outros meios de treinar seus poderes, formas menos desgastantes para ambas."
Di assentiu, compreendendo a validade das palavras de Lea. "Você está certa. Não quero te sobrecarregar. Mas, Lea, isso significa que temos uma nova ferramenta no nosso arsenal, algo que pode nos proteger do stalker."
"Sim, Di, mas precisamos ser sábias ao usá-la. Se continuarmos assim, acabaremos exaurindo nossas energias. E, convenhamos, não podemos enfrentar ameaças se estivermos desgastadas."
As duas jovens permaneceram ali, refletindo sobre a jornada que tinham pela frente.
A expressão serena no rosto de Lea desvaneceu quando ela começou a remexer nas memórias dolorosas da última vez que enfrentaram o stalker. Di percebeu a mudança e estendeu uma mão reconfortante para a amiga, mas Lea estava mergulhando nas sombras do passado.
"Tentei entrar na mente dele naquele dia, Di. Tentei sentir suas intenções, mas... falhei. Foi como se uma barreira impenetrável estivesse lá, bloqueando-me. Eu não sou boa nisso. Não como deveria ser."
O semblante de Lea tornou-se pesado, carregado de desânimo. A lembrança dos policiais que deram suas vidas para proteger as garotas da banda pesou em seu coração, e lágrimas começaram a turvar seus olhos.
"Policiais morreram por nossa causa, Di. Pessoas inocentes que estavam lá para nos proteger. E eu... eu não pude fazer nada para evitar."
Di segurou a mão trêmula de Lea, procurando confortá-la. "Lea, você fez o que pôde. Ninguém esperava que você enfrentasse algo assim. Os policiais eram adultos, escolheram proteger-nos. Não podemos carregar o peso de suas escolhas."
Mas Lea, abalada, continuou a chorar. "Eu quero ajudar, Di. Eu quero ser capaz de proteger todos vocês, mas eu..."
Di apertou a mão de Lea com firmeza. "Nós vamos superar isso juntas, Lea. Não podemos mudar o passado, mas podemos moldar o futuro. E agora temos nossos poderes, algo que pode nos dar uma vantagem contra o stalker. Não vamos desistir, não agora."
Lea olhou nos olhos determinados de Di, e um lampejo de esperança brilhou em sua expressão melancólica.
A determinação retornou aos olhos de Lea, substituindo a tristeza que ali repousava momentos atrás. Ela secou as lágrimas com as costas da mão e olhou para Di com uma resolução renovada.
"Vamos para o vilarejo, Di. Preciso treinar mais, tentar expandir meu alcance. Se conseguirmos entender melhor esses poderes, talvez tenhamos uma chance real de nos proteger."
Di assentiu, apoiando a decisão de Lea. "Estamos juntas nisso, Lea. Mas prometa que vai ser cuidadosa. Se sentir que está perdendo o controle, me avise imediatamente."
Lea concordou com seriedade. "Eu prometo, Di. Não quero machucar ninguém, especialmente não você."
Enquanto caminhavam em direção ao vilarejo, Lea explicou mais sobre as sensações associadas aos seus poderes de telepatia. A dor de cabeça intensa que a assolava durante a conexão telepática e a ameaça de sangramento nasal preocupavam Di, mas ela estava determinada a apoiar a amiga.
"Se começar a dar errado, Di, me afaste imediatamente. Meu corpo pode não responder aos meus pensamentos, caso eu fique inerte, voltemos ao parque onde é mais seguro. Não podemos arriscar prejudicar alguém por causa dos nossos poderes."
Di concordou, compreendendo a seriedade da situação. "Vamos manter isso sob controle, Lea. Juntas, podemos superar qualquer coisa."
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