Rainbow 5
9 Um presente indesejado
O sol estava alto no céu, lançando seus raios dourados pela janela do alojamento das Rainbow 5. Dentro do aconchego de seus quartos separados, as garotas ainda permaneciam em um sono profundo, como se os eventos da noite anterior ainda as envolvessem em um abraço caloroso e acolhedor.
No entanto, à medida que as horas da manhã se transformavam em tarde, os sonhos tranquilos das jovens começaram a se desvanecer, dando lugar à realidade que as esperava. Primeiro, foi Di que se mexeu sob as cobertas, seus cabelos curtos e tingidos de branco espalhando-se sobre o travesseiro como uma nuvem prateada.
Ela bocejou e esfregou os olhos antes de se sentar na cama, olhando ao redor do quarto com uma expressão sonolenta. A noite havia sido um turbilhão de emoções e adrenalina, mas agora a paz reinava, pelo menos momentaneamente.
Di, com sua voz doce e melodiosa, foi até o corredor dos quartos e chamou suavemente suas colegas de banda. "Garotas, está na hora de acordar. O sol já está alto."
Os olhos de Jia, com seus traços delicados e olhar perspicaz, abriram-se lentamente em resposta à voz de Di. Ela esfregou os olhos com as costas das mãos antes de se espreguiçar, deixando um bocejo escapar de seus lábios.
Sun, cuja serenidade era uma âncora para o grupo, também começou a se mexer. Os longos fios negros de seu cabelo brilhavam à luz do sol que inundava o quarto. Ela sorriu sonolentamente em direção a porta do seu quarto, ouvindo a voz de Di, antes de se sentar na cama, abraçando os joelhos.
As três garotas se reuniram na sala de estar compartilhada do alojamento, seus olhares sonolentos ainda carregando os vestígios da noite anterior. Sentadas no grande sofá, elas começaram a compartilhar seus pensamentos e sentimentos, como costumavam fazer.
Di, naturalmente extrovertida, foi a primeira a falar. "Meninas, posso dizer que ontem à noite foi um sonho realizado. O palco, as luzes, o público... foi simplesmente mágico."
Jia assentiu, seu sorriso se alargando. "Eu estava nervosa antes do show, mas assim que subimos ao palco, todo o medo desapareceu. Foi como se estivéssemos destinadas a estar lá."
Sun, sempre a mais reflexiva, ponderou sobre a experiência. "É incrível como a música pode unir as pessoas. No palco, todas as preocupações e dúvidas desaparecem, e só resta a paixão pela música."
As três garotas compartilharam um momento de silêncio, refletindo sobre a noite que haviam vivido e a jornada que ainda estava à frente. Era um momento de conexão, um lembrete de que, independentemente dos desafios que enfrentassem, estavam juntas nessa jornada.
Di, com seu otimismo contagiante, quebrou o silêncio. "E agora? Qual é o próximo passo para as Rainbow 5? O que o futuro nos reserva?"
Jia olhou para suas amigas, uma faísca de determinação em seus olhos. "O futuro é incerto, mas estamos prontas para enfrentá-lo, assim como fizemos com tudo até agora. Nossa música é nossa força, e com ela, conquistaremos o mundo."
Sun assentiu, sua expressão tranquila agora repleta de confiança. "Estamos apenas no começo de nossa jornada, e há muito mais a explorar. Enquanto tivermos a música e uma à outra, não há desafio que não possamos superar."
Enquanto Di, Jia e Sun compartilhavam suas reflexões “matinais” na sala do alojamento, o clima de tranquilidade foi abruptamente interrompido pela chegada de Sing. A garota, com seu cabelo castanho, cuidadosamente arrumado, e atitude provocativa, se aproximou do grupo com um sorriso malicioso nos lábios.
Di, que estava no meio de uma risada, ergueu uma sobrancelha ao ver Sing se aproximando. Ela já conhecia a atitude de sua colega o suficiente para saber que a outra planejava atiçar a rivalidade entre as duas, principalmente utilizando liderança na banda para provocar mais irritação, e estava preparada para qualquer provocação vindo de sua rival.
Sing não perdeu tempo e lançou sua primeira farpa. "Bem, bem, olhem só quem está aqui, nossa querida líder. Como foi sua noite, Di? Espero que tenha tido sonhos de como comandar uma banda, e aprenda para o próximo show."
Di, com sua personalidade vibrante, não deixou a provocação de Sing passar despercebida. Ela se levantou e encarou Sing com uma expressão desafiadora. "Minha noite foi ótima, obrigada por perguntar. Só os seus roncos de trator que atrapalharam o meu sono e olha que o seu quarto fica longe do meu..."
Jia, com sua habitual habilidade de mediar conflitos, rapidamente se colocou entre as duas. "Meninas, por favor, não comecem. Somos uma equipe, lembrem-se disso."
Enquanto a discussão ameaçava escalar, Lea, a quinta integrante das Rainbow 5, fez uma entrada tranquila na sala do alojamento. Seus cabelos cor-de-rosa caíam desalinhados sobre os ombros, e ela tinha uma expressão sonolenta, ainda se recuperando da noite de sono.
Esfregando a têmpora com a mão, Lea murmurou, "Vocês poderiam pelo menos esperar até que minha dor de cabeça desaparecesse antes de começar uma briga, por favor?"
A provocação de Sing e a intervenção de Jia criaram um ambiente de tensão momentânea, mas o comentário sonolento de Lea trouxe um toque de humor à situação. Era um lembrete de que, apesar das diferenças e rivalidades, elas eram, antes de tudo, amigas e colegas de banda.
Enquanto aguardavam a conclusão do banho de Lea, Di e Jia estavam sentadas na sala de estar do alojamento. A televisão estava ligada, e uma apresentadora de notícias falava sobre os eventos recentes no festival.
A jornalista, com um ar sério, relatou diretamente do local do festival onde homens foram encontrados desacordados, "Em uma reviravolta surpreendente, as autoridades revelaram hoje que um grupo de assaltantes procurados que havia se infiltrado no festival está agora em estado vegetativo. Parece que algum tipo de substância misteriosa os deixou em um estado catatônico, e as investigações estão em andamento para determinar a causa. Mas todos devem ficar atentos, pode ser efeito de uma nova substancia ilegal sendo distribuida na sociedade coreana."
Di franziu a testa enquanto assistia à notícia. "Isso é estranho. Parece próximo do nosso camarim, como isto tudo aconteceu e nós não percebemos nada estranho?"
Jia assentiu, preocupada. "É um mistério, com certeza. Talvez nunca saibamos a verdade por trás disso."
Nesse momento, Sun voltou para a sala com um sorriso no rosto. Ela carregava uma bandeja cheia de embalagens de comida do restaurante favorito das garotas. "O almoço está aqui, meninas. Vamos comer antes de continuarmos com nossos planos para o dia."
Já com as embalagens da entrega do almoço devidamente arrumadas, Di, Jia e Sun se preparavam para almoçar, enquanto esperavam que Lea se juntasse a elas após seu banho.
Enquanto as garotas começavam a se servir, um som de batidas na porta da frente do alojamento ecoou pela sala. Jia, um tanto surpresa, se levantou da mesa e caminhou até a porta. Quando a abriu, deparou-se com um corredor vazio. Nenhum mensageiro ou pessoa estava à vista. No entanto, algo chamou sua atenção.
Ao olhar para o chão, Jia notou um pequeno caixote de madeira. Não era grande nem pesado, mas estava ali, como que abandonado à porta do alojamento. A madeira do caixote era escura, talvez carvalho, com veios bem definidos que lhe davam um aspecto rústico e elegante. Parecia artesanal, como se alguém o tivesse feito com cuidado e atenção aos detalhes.
Com um leve franzir de sobrancelhas, a jovem se abaixou e pegou o caixote, trazendo-o para dentro do alojamento. Di e Sun, notando a expressão curiosa em seu rosto, lançaram olhares interrogativos para a amiga.
"O que você encontrou, Jia?" Di perguntou enquanto observava a amiga colocar o caixote sobre a mesa.
Jia sacudiu a cabeça, ainda perplexa. "Não faço ideia. Estava à porta, como se alguém o tivesse deixado ali, mas não havia ninguém por perto."
Sun se aproximou do caixote, examinando-o mais de perto. "É estranho. Parece tão... artesanal. Quem poderia ter deixado isso aqui?"
Lea, agora pronta após seu banho, se juntou às outras na mesa e olhou para o misterioso caixote. "Vocês acham que deveríamos abri-lo?"
Di ponderou por um momento e depois assentiu. "Sim, acho que não há problema em dar uma olhada. Mas tomem cuidado, nunca se sabe o que pode estar dentro."
Com cuidado, as garotas abriram o caixote, revelando seu conteúdo.
Jia, com cuidado, desencaixou a parte superior do misterioso caixote, revelando seu intrigante conteúdo. Um emaranhado de jornais e recortes de revistas preenchia o interior. As garotas trocaram olhares confusos, tentando entender o significado daqueles documentos.
Ao examinarem com mais atenção, notaram que eram edições recentes de jornais e revistas, todas com manchetes e fotos do festival da noite anterior. Com um misto de curiosidade e ansiedade, as Rainbow 5 começaram a ler as críticas sobre sua apresentação.
As primeiras palavras que saltaram das páginas impressas foram positivas e calorosas. O público parecia ter adorado o desempenho das garotas e sua coreografia. Sorrisos de alívio começaram a se formar nos rostos das quatro amigas. No entanto, à medida que continuaram a ler, as expressões começaram a mudar.
As críticas de especialistas musicais eram menos elogiosas. Reclamações sobre a qualidade das músicas e a liderança de Di surgiram. Questionamentos sobre o uso excessivo de sensualidade nas coreografias ecoaram nas páginas. O entusiasmo que antes brilhava nos olhos das garotas desvaneceu lentamente.
"Isso é terrível," murmurou Jia, fechando um dos jornais com um suspiro.
Di cruzou os braços, seu semblante tenso. "Eles não têm ideia do que estão falando. Nós demos o nosso melhor lá fora."
Lea, por sua vez, parecia absorta no pedaço de papel que segurava, uma fotografia na realidade. Seu rosto empalideceu gradualmente, e seus olhos se fixaram na imagem diante dela.
"Lea, o que há de errado?" Sun perguntou, notando a expressão preocupada da amiga.
Antes que a garota de madeixas rosa pudesse responder, suas pernas cederam e ela desmaiou, a fotografia caindo suavemente de suas mãos trêmulas.
Lea jazia desacordada no chão, e Di e Sun se ajoelharam a seu lado, tentando despertá-la em um misto de confusão e preocupação. Os rostos das garotas estavam pálidos e tensos, incapazes de compreender o que havia levado sua amiga a desmaiar daquela maneira súbita.
Jia, por outro lado, segurou a fotografia com uma mão trêmula. Seus olhos rapidamente percorreram a imagem, e o que viu a deixou atônita. Ela olhou para as duas amigas com os olhos arregalados de susto e pavor.
"Isso... isso é impossível," sussurrou Jia, sua voz trêmula. "A foto que Lea estava olhando... era do nosso camarim no festival!"
Di e Sun se viraram imediatamente para Jia, confusas e preocupadas. "Do nosso camarim?" Di repetiu, perplexa. "Mas que foto é essa?"
Jia entregou a fotografia para Di, cujos olhos se fixaram na imagem. Seus dedos apertaram a foto com firmeza, e a expressão em seu rosto mudou de confusão para choque.
A imagem capturava um momento íntimo nos bastidores do festival. Lea e Jia estavam no centro da foto, nuas da cintura para cima, vestindo parcialmente os vestidos que usariam para o show, a foto capturou o momento em que ambas estavam começando a se arrumar para subir no palco. Era evidente que a foto fora tirada sem o conhecimento delas, revelando uma invasão assustadora de sua privacidade.
"Isso é um pesadelo..." murmurou Sun, horrorizada com o que via.
Nesse momento, Sing entrou na sala, atraída pelo alvoroço. Ao ver a cena, seus olhos se arregalaram com o susto. Ela rapidamente se aproximou das outras garotas, buscando entender o que estava acontecendo.
"O que está acontecendo aqui?" perguntou Sing, ansiosa.
Di, ainda segurando a foto, mal conseguiu encontrar palavras.
A noite caía lentamente sobre o alojamento das Rainbow 5, lançando sombras longas e inquietantes pelos corredores. Enquanto Lea descansava em seu quarto, tentando se recuperar do desmaio, Sun estava sentada em uma das poltronas da sala, com o telefone colado ao ouvido. Seu rosto estava tenso, e sua voz era um misto de raiva e desespero enquanto conversava com o gerente da banda.
"Olha, eu entendo que vocês estão fazendo o possível, mas isso é inaceitável!" Sun exclamou, suas mãos tremendo de frustração. "Nós precisamos de apoio agora mais do que nunca, e não podemos simplesmente deixar isso passar."
Do outro lado da linha, o gerente tentava acalmar Sun, prometendo que estavam investigando a situação e que tomariam medidas legais contra quem quer que fosse responsável pela invasão de privacidade das garotas. Sun, no entanto, estava determinada a garantir que algo fosse feito imediatamente.
"Eu não quero promessas vagas!" ela retrucou, sua voz elevando-se. "Queremos ação concreta. As meninas estão traumatizadas com isso, e eu também! Precisamos de um comunicado oficial, uma investigação séria e rápida, qualquer coisa que mostre que estamos protegidas."
Enquanto Sun travava sua batalha pelo telefone, Sing e Jia estavam na sala, ao lado do caixote com os jornais e a fotografia. O silêncio pairava sobre elas enquanto observavam a imagem perturbadora.
Sing foi a primeira a quebrar o silêncio, sua voz repleta de preocupação. "Isso é terrível, Jia. Quem faria algo assim?"
Jia balançou a cabeça, incapaz de entender as motivações por trás de tal invasão de privacidade. "Eu não sei, Sing. É como se alguém estivesse tentando nos prejudicar deliberadamente."
As duas garotas continuaram a examinar a foto, tentando encontrar qualquer pista ou detalhe que pudesse revelar a identidade do invasor.
O quarto de Lea estava mergulhado na penumbra quando Di, com passos cuidadosos, entrou sorrateiramente. Ela conhecia a fragilidade da amiga naquele momento e não queria assustá-la. As cortinas estavam parcialmente fechadas, deixando apenas uma tênue luz do crepúsculo filtrar-se pela janela.
Lea estava deitada na cama, abraçando um travesseiro, com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar. Seu rosto estava pálido, e sua expressão refletia a dor emocional que a invasão de privacidade e a foto indesejada haviam causado.
Di se aproximou com delicadeza e sentou-se na beirada da cama. Ela estendeu uma mão reconfortante e tocou gentilmente o braço de Lea. "Ei, está tudo bem," Di sussurrou com voz suave. "Eu estou aqui."
Lea olhou para Di, seus olhos lacrimejantes encontrando os dela. "Di, eu não sei o que fazer. Eu me sinto tão violada, tão exposta."
Di assentiu compreensivamente. "Eu sei, Lea. Isso foi terrível, e estamos todas assustadas com isso. Mas quero que saiba que estamos aqui para você, para apoiá-la. Nós somos uma equipe, e vamos superar isso juntas."
Lea fungou e enxugou uma lágrima solitária que escorria por seu rosto. "Eu só quero entender quem fez isso, quem nos odeia tanto a ponto de fazer algo assim."
Di franziu a testa, pensativa. "Eu tenho uma teoria, Lea. Lembra-se da primeira noite em que saímos para treinar nossos poderes, e alguém tirou uma foto de nós sem permissão?"
Lea assentiu com relutância, lembrando-se daquela noite perturbadora.
"Eu acredito que a mesma pessoa está por trás disso," Di continuou. "Essa pessoa parece obcecada por nós, por nossos segredos. É como se estivesse tentando nos enfraquecer, nos desestabilizar."
Lea suspirou e acenou com a cabeça. "Você pode estar certa, Di. Mas o que podemos fazer? Como podemos nos proteger disso?"
Di sorriu gentilmente para a amiga. "Primeiro, precisamos dar um passo de cada vez. Vamos apoiar a investigação que a Sun está exigindo e garantir que isso não seja ignorado. E, mais importante, vamos cuidar umas das outras."
Lea esboçou um tímido sorriso através das lágrimas. "Obrigada, Di. Eu não sei o que faria sem você."
Di apertou a mão de Lea com carinho. "Você nunca terá que descobrir, amigas como a gente não abandonam a outra."
Após um momento de silêncio, Lea murmurou, sua voz cansada. "Eu só quero tentar descansar um pouco, minha cabeça está latejando."
Di se levantou com cuidado, mantendo um olhar preocupado em Lea. "Claro, vou deixar você descansar. Se precisar de qualquer coisa, estarei logo ali, okay?"
Lea acenou com gratidão e fechou os olhos quando Di saiu do quarto, deixando-a à mercê de seus pensamentos tumultuados e da dor que a invasão de privacidade havia infligido.
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