Rainbow 5

2 O assalto na noite gelada


No beco estreito e sombrio, o brilho tênue das luzes da rua mal iluminava o caminho à frente, criando uma atmosfera sinistra e opressiva. Di e Lea recuaram apressadamente, seus corações batendo em descompasso, enquanto os membros da gangue os cercavam, bloqueando sua rota de fuga. A expressão maliciosa nos rostos dos criminosos não deixava dúvidas de que aquela não era uma situação comum.

"O que vocês querem? Por favor, deixem-nos em paz", implorou Lea, seus olhos se enchendo de lágrimas de medo.

Os criminosos riram de forma ameaçadora, suas vozes ecoando como um eco sombrio pelas paredes do beco. "Não somos do tipo que deixa duas garotas bonitas como vocês irem embora tão facilmente. O que vocês têm aí? Dinheiro? Joias? Celulares?"

Di tentou manter uma fachada de coragem enquanto analisava a situação, mas o pânico a inundava por dentro. Ela sabia que tentar lutar contra aqueles homens seria inútil e apenas a colocaria em perigo ainda maior.

"Nós não temos muito dinheiro, mas podemos dar tudo o que temos", disse Di, com a voz trêmula. "Por favor, não nos machuquem. Nós somos apenas duas garotas tentando seguir nossos sonhos. Não queremos nenhum problema com vocês."

Um dos criminosos agarrou o braço de Di com violência, fazendo-a soltar um grito abafado de dor. "Parece que você é a líder do “grupo”. Vamos começar com você, garotinha. Entregue tudo o que tiver agora mesmo."

Lea tentou intervir, sua voz embargada pelas lágrimas. "Por favor, parem! Ela está dizendo a verdade! Nós não temos nada de valor! Por favor, apenas nos deixem ir embora!"

Os criminosos riram cruelmente da angústia de Lea, ignorando suas súplicas. Um deles avançou em direção a ela, agarrando seus cabelos e puxando-a para trás, obrigando-a a ficar de joelhos.

Enquanto a tensão aumentava, Di tentou pensar rapidamente em uma maneira de sair daquela situação horrível. "Escutem, eu sou a líder de um grupo musical. Se vocês nos deixarem ir, prometo que vocês serão convidados para nosso próximo show. Vão poder nos ver brilhar no palco, e quem sabe até mesmo conseguir uma oportunidade para trabalharem conosco. Vocês podem ganhar muito mais dinheiro dessa forma!"

Os criminosos riram novamente, mas desta vez, havia uma centelha de interesse em seus olhos. "Você acha que somos idiotas? Não vamos cair nesse papo furado. Dinheiro é o que importa, e é dinheiro que vocês vão nos dar."

Di engoliu o nó em sua garganta, sua mente trabalhando em busca de outras opções. "Ok, então, o que vocês querem? Digam o que precisam e nós faremos o que estiver ao nosso alcance. Apenas nos dêem uma chance."

Um dos criminosos aproximou-se de Di com agressividade, encarando-a de perto. "Sua banda não significa nada para nós. Se quiserem sair dessa com vida, nos dêem seus pertences, e talvez possamos deixá-las partir."

Di sabia que não tinha outra escolha senão concordar. Ela e Lea começaram a tirar seus pertences, entregando seus celulares, carteiras e quaisquer objetos de valor que tinham consigo. O medo ainda pairava no ar, mas a tensão parecia diminuir lentamente.

No entanto, quando os criminosos pareciam satisfeitos com o que obtiveram, um deles lançou um olhar malicioso para Lea. "Você ainda parece ter algo de valor aí."

O coração de Di disparava de raiva e medo enquanto ela observava o criminoso se aproximando de Lea com ameaça em seus olhos. Sem pensar duas vezes, ela avançou em direção ao homem, determinada a proteger sua amiga. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, o criminoso ágil segurou seus braços com força, impedindo seus movimentos.

"Ora, ora, parece que temos uma valente aqui", disse o criminoso com um sorriso maligno. "Você vai se arrepender disso."

Di tentou resistir, mas seus esforços foram em vão contra a força do bandido. Ele riu alto enquanto seus companheiros cercavam as duas garotas, dando a entender que os planos mudaram.

"Vamos levar a líderzinha para o nosso esconderijo. Tenho certeza de que podemos conseguir um bom dinheiro por ela", anunciou outro dos criminosos.

O choque tomou conta de Di, enquanto os criminosos a arrastavam pelo beco, afastando-a de Lea. Ela olhou para sua amiga, cujos olhos estavam inundados de lágrimas, e o tempo parecia desacelerar. A voz de Lea parecia distante, como um eco em sua mente. Di tentou resistir, mas uma sensação estranha começou a se espalhar por seu corpo.

Um arrepio percorreu sua espinha quando uma onda de frio cortante a atingiu. O frio parecia penetrar em seus ossos, e ela sentia como se estivesse ficando entorpecida. O criminoso que a segurava de repente soltou seus braços com um grito de dor, suas mãos mostrando marcas de queimadura por frio. Ele recuou, atordoado, enquanto Di olhava para suas próprias mãos, sem entender o que estava acontecendo.

A confusão em seus olhos rapidamente se transformou em determinação. Era sua chance de escapar e salvar Lea. Ela correu até sua amiga, agarrando-a com força.

"Vamos, Lea! Precisamos correr!" gritou Di, sua voz soando mais alta do que nunca.

Lea, ainda chorando copiosamente, seguiu o comando de Di, agarrando-se a ela enquanto corriam em direção à saída do beco. Os criminosos, perplexos pela repentina mudança de eventos, rapidamente recuperaram o fôlego e começaram a correr atrás delas, gritando ameaças e xingamentos.

O frio intenso ainda percorria o corpo de Di, mas ela ignorou a sensação desconhecida e continuou correndo com todas as suas forças. O mundo ao seu redor parecia embaçado enquanto ela se concentrava em uma coisa: proteger Lea e fugir daquele pesadelo.

Por um momento, o beco parecia interminável, como se estivessem correndo sem sair do lugar. A adrenalina pulsava em suas veias enquanto elas se esforçavam para encontrar uma rota segura para escapar. O barulho dos passos pesados dos criminosos ecoava atrás delas, cada vez mais próximos.

Finalmente, as duas garotas avistaram uma luz no final do beco. Era a saída! Di sentiu uma mistura de esperança e alívio inundando seu coração enquanto acelerava o passo, puxando Lea consigo.

Quando finalmente alcançaram a rua movimentada, elas não pararam de correr. Di procurou por um local seguro onde pudessem se esconder e se recuperar daquela experiência traumática.

Após alguns quarteirões de fuga frenética, Di encontrou um pequeno café aberto, com pessoas indo e vindo. Ela puxou Lea para dentro, fechando a porta atrás delas. Ainda ofegantes e assustadas, as duas garotas finalmente se sentiram seguras.

Lea olhou para Di, seus olhos ainda marejados de lágrimas, e abraçou-a com força. "Obrigada, Di. Obrigada por me salvar."

Di retribuiu o abraço com ternura. "Eu sempre vou te proteger, Lea. Somos uma equipe, lembra? Agora vamos ficar bem."

Elas se sentaram em uma mesa, recuperando o fôlego e tentando entender o que havia acontecido. A sensação de frio ainda persistia em Di, mas ela tentou ignorá-la, focando-se em garantir a segurança de Lea.

Di e Lea estavam sentadas em uma mesa discreta no café, ainda tentando recuperar o fôlego após a fuga frenética do beco. O ambiente ao redor era movimentado, com pessoas conversando e o aroma aconchegante do café pairando no ar.

No entanto, a tranquilidade foi abruptamente interrompida quando os bandidos entraram no café. Seus olhares sombrios e agressivos procuraram em meio às mesas, e quando avistaram Di e Lea, apontaram para elas, ameaçadoramente.

Lea ficou apavorada, segurando a mão de Di com força. "Di, eles nos encontraram! Precisamos correr!"

Di assentiu com determinação, levantando-se rapidamente junto com Lea. Elas saíram correndo pela porta dos fundos do café, sem olhar para trás. O som dos passos dos bandidos ecoava atrás delas, implacáveis em sua perseguição.

Ao chegarem a um outro beco estreito, elas foram surpreendidas por outros bandidos da mesma gangue, bloqueando o caminho à frente. Di pensou rapidamente em usar seus poderes de gelo para congelar o chão e derrubar os criminosos, mas sua mente estava confusa e ela não conseguia se concentrar o suficiente para realizar tal feito.

"Di, o que faremos?" Lea perguntou com desespero, mas antes que Di pudesse responder, um dos bandidos a segurou com força, fazendo-a tremer de medo.

Em meio ao pânico e à agonia de ver sua amiga em perigo, algo estranho aconteceu com Lea. Ela revirou os olhos e, por um momento, tudo ficou silencioso ao seu redor. Ela sentiu uma poderosa onda de energia percorrer seu corpo e, de repente, pôde ouvir os pensamentos dos bandidos que a cercavam.

As vozes em sua mente eram caóticas, cheias de medo e confusão, e ela aproveitou essa chance. Com um esforço incrível, ela canalizou seus poderes telepáticos e projetou pensamentos falsos nas mentes dos bandidos. Ela os confundiu, fazendo-os acreditar que havia reforços da polícia se aproximando, e isso os deixou hesitantes.

Di olhou para Lea, surpresa com a súbita mudança de cenário. "Lea, o que você...?"

"Não temos muito tempo, Di. Apenas corra!" Lea disse, aproveitando a brecha momentânea para escapar da garra do bandido que a segurava.

As duas garotas correram juntas novamente, aproveitando a confusão criada pela intervenção telepática de Lea. Enquanto corriam pelas ruas movimentadas, os bandidos tentavam se recuperar do choque, mas Lea continuou mantendo seus pensamentos emaranhados, garantindo sua vantagem temporária.

O mundo ao redor parecia um borrão enquanto elas se esforçavam para se distanciar dos criminosos. O vento frio batia em seus rostos, mas a adrenalina em seus corpos as mantinha aquecidas.

Lea olhou para Di, respirando pesadamente, mas com uma determinação inabalável em seus olhos. "Vamos, Di, não podemos parar agora!"

Di assentiu. Elas correram o mais rápido que podiam, afastando-se daquele pesadelo e buscando a segurança.

Ofegantes e com o coração disparado, Di e Lea corriam pelas ruas do bairro, afastando-se cada vez mais dos bandidos. Finalmente, pararam em uma rua movimentada e bem iluminada, onde pessoas passavam apressadas, alheias à agitação que se desenrolara nas sombras.

Lea estava exausta, apoiando-se em um poste próximo para recuperar o fôlego. Ela colocou a mão na testa e murmurou: "Minha cabeça está doendo... O que aconteceu lá atrás, Di? Como eu fiz aquilo?"

Di olhou para ela com um brilho de entusiasmo nos olhos, mas também com preocupação. "Lea, acho que você tem algum tipo de poder. Quando aquele bandido me segurou, você... fez algo com suas mentes. Você tem poderes telepáticos, e acredito que tenha usado isso para confundi-los. É incrível!"

O medo e a perplexidade estavam estampados no rosto de Lea. "Poderes? Di, isso é assustador! Eu não entendo como isso é possível. E se eu machucar alguém sem querer?"

Di segurou as mãos de Lea com carinho. "Eu sei que é assustador, mas acredito que temos esses poderes por algum motivo. Talvez tenha sido um presente do destino para nos proteger naquele momento de perigo. Mas precisamos aprender a controlá-los, a usá-los para o bem."

Lea olhou para ela com incerteza, mas percebeu que não estava sozinha nessa jornada. Ela assentiu lentamente e disse: "Tudo bem, Di. Mas... precisamos manter isso em segredo, certo? Não sabemos como as pessoas reagiriam se descobrissem."

Di concordou. "Sim, você está certa. Ninguém precisa saber sobre isso, pelo menos por enquanto. Vamos fazer um pacto, só entre nós duas. Prometemos que guardaremos esse segredo e aprenderemos juntas a controlar nossos poderes."

Lea assentiu, sentindo-se reconfortada com a amizade e o apoio de Di. "Está bem, Di, prometo. Vamos descobrir isso juntas e, quem sabe, aprender a usá-los de forma responsável."

Com o pacto selado, as duas garotas voltaram ao alojamento da banda, com passos cautelosos e silenciosos. Elas se esgueiraram pelas sombras, evitando qualquer possível encontro com as outras garotas.

Após chegarem ao alojamento, Di e Lea foram para seus quartos, cuidadosamente evitando acordar as outras garotas. O quarto de Di estava escuro, e ela acendeu uma pequena vela para iluminar o ambiente. Sentindo-se exausta e ainda processando tudo o que acontecera naquela noite, ela deitou-se na cama, fechando os olhos e revivendo os momentos de tensão no beco.

Enquanto isso, no quarto de Lea, a jovem estava sentada na beirada da cama, com os pensamentos em turbilhão. Ela encarava suas mãos, ainda perplexa com o que havia acontecido. A dor de cabeça persistia, mas também estava ciente de que algo dentro dela havia despertado. Lea sabia que não poderia ignorar esse fato, mas sentia-se insegura sobre o que aquilo significava para o seu futuro.

Após um momento de reflexão e descanso, Di e Lea se encontraram na sala do alojamento, silenciosamente, para não acordar as outras garotas. Seus olhares se encontraram, e sem precisar dizer uma palavra, elas sabiam que havia algo especial entre elas, algo que as unia além da amizade. Di quebrou o silêncio suave e disse com voz firme:

"Lea, eu sei que essa noite foi assustadora e confusa para nós, mas também sinto que temos algo extraordinário dentro de nós. Não podemos ignorar nossos poderes, mas precisamos aprender a controlá-los juntas.”

Lea assentiu, sentindo-se grata pela presença de Di em sua vida. "Eu confio em você, Di. E acredito que juntas podemos enfrentar qualquer coisa. Mas também sinto medo do que isso pode significar, do que poderemos encontrar pelo caminho…"

Di colocou as mãos suavemente nos ombros de Lea e sorriu com gentileza. "O medo é natural, Lea, mas não podemos deixar que ele nos paralise. Vamos enfrentar isso juntas, e estou certa de que nossos poderes têm um propósito maior. Agora, descanse, amanhã será um novo dia e começaremos a aprender mais sobre nós mesmas."

As garotas lentamente caminhavam pelos corredores do alojamento, enquanto o cansaço tomava conta de seus corpos e a adrenalina finalmente sedia.