O sol vespertino lançava tons dourados sobre o pequeno vilarejo, palco da mais importante atividade que as integrantes da Rainbow 5 poderiam enfrentar, mas a atmosfera estava longe de ser serena. Na varanda do casarão da família de Lea, o silêncio era interrompido apenas pelo sutil farfalhar das folhas das árvores e pelo ruído distante dos pássaros que buscavam seus ninhos. Di, postada à beira da varanda, sustentava uma adaga de gelo nas mãos trêmulas, mirando Parker Jun, cujo rosto estava marcado por um corte recente.

O sangue escorria pela têmpora de Jun, e ele tentava, com gestos incertos, contê-lo com as mãos. Seus olhos, porém, permaneciam fixos nos de Di, em um embate que transcendia as dimensões físicas da varanda. Di, com sua determinação irradiante, contrastava com a presença magnética e perigosa de Jun, cujo rosto, agora tingido de carmesim, parecia uma pintura abstrata do conflito que se desenrolava.

"Nós sabemos muito bem o que está em jogo aqui", ressoou a voz de Di, cortando o silêncio com uma firmeza gélida. Seus cabelos brancos dançavam suavemente ao vento, como fios de prata acariciados pela luz crepuscular. "Nós vamos fazer tudo o que precisar para deter você!"

Jun sorriu, uma expressão de desafio em meio ao caos que os envolvia. "Vocês, garotas, subestimam o meu poder. Vocês não são as únicas com segredos."

Enquanto Di e Jun mantinham seu tenso diálogo, Lea, escondida no escuro do closet da casa, concentrava-se em manter o elo telepático com sua amiga. Ela enviava pensamentos tranquilizadores e estratégias, criando uma sinfonia silenciosa entre suas mentes.

A jovem, sentindo a presença de Lea em seus pensamentos, manteve a adaga erguida, pronta para qualquer movimento repentino. "Você não vai escapar desta vez. Lea está segura, e eu não vou permitir que você a machuque."

Num piscar de olhos, Parker Jun desapareceu da varanda, deixando Di momentaneamente perplexa. Ela focou sua atenção no interior da casa, onde Jun reapareceu, movendo-se com uma agilidade predatória. Seus olhares se encontraram novamente, e Jun lançou um sorriso enigmático.

"Você subestima a velocidade dos meus poderes, Di."

A idol então, sem hesitar, concentrou seu poder. Cristais de gelo se formaram ao redor da adaga, criando uma lâmina afiada e reluzente. Em um movimento preciso, ela lançou a adaga em direção a Jun, que desapareceu novamente em uma fração de segundo.

A adaga cortou o ar vazio, mas Jun já estava nos aposentos de Lea, onde a telepata se mantinha oculta. Di, num ímpeto de desespero, correu para o interior da casa, determinada a proteger sua amiga.

No entanto, ao adentrar o recinto, Di se viu em uma cena surreal. Lea e Jun estavam de pé, encarando-se. Lea, aparentemente ilesa, e Jun com um sorriso sardônico. A telepatia da jovem de cabelos cor de rosa, entrelaçada com o domínio de Jun, criava uma dança mental complexa.

A porta do quarto rangeu ao se abrir, revelando Di, cujos olhos refletiam pavor e urgência diante da cena que se desdobrava. Lea e Jun permaneciam imóveis no centro do aposento, seus olhares fixos um no outro, enquanto a atmosfera estava carregada com a eletricidade do confronto iminente, a porta do closet, escancarada, dizia que a própria telepata havia escolhido o confronto, mesmo que este não fosse parte do plano inicial.

"O que está acontecendo aqui?" indagou Di, sua voz soando entre o choque e a indignação. Seu olhar oscilava entre Lea e Jun, capturando o turbilhão de emoções que dominava a sala.

Lea, mesmo com o nariz sangrando devido à pressão psíquica, ergueu a cabeça, seus olhos revelando uma determinação feroz. "Ele sabe mais do que deixa transparecer. Eu preciso saber quem ele realmente é, o que quer."

Jun lançou um sorriso sardônico para a sua adversária, desafiando-a com seu silêncio. No entanto, os olhos de Di ardiam com uma intensidade que não podia ser ignorada. "Quem é você, afinal? Por que está perseguindo a Rainbow 5?"

O Stalker, por sua vez, rompeu o silêncio com uma risada grave. "Vocês acham que podem desvendar meus segredos tão facilmente? Garotas tolas, a verdade é uma sombra que se esconde mesmo na luz mais brilhante."

Lea, ignorando a provocação, concentrou-se em sua telepatia, buscando penetrar nas defesas mentais do Stalker. Cada tentativa era como um embate psíquico, uma dança de forças invisíveis.

"Você não vai escapar de mim", afirmou a garota, sua voz ecoando na sala. "Vou descobrir cada segredo obscuro que você tenta esconder."

O Stalker, no entanto, contra-atacou com uma resistência surpreendente. "Você subestima a complexidade da mente humana, telepata. Há lugares onde nem mesmo a luz de seus pensamentos pode alcançar."

Di, percebendo a tensão crescente, interveio. "Lea, você está se ferindo. Pare com isso antes que seja tarde demais."

Mas Lea, em sua obstinação, continuou a sondar a mente do Stalker. "O que você quer? Por que está fazendo isso?"

O Stalker, por um breve instante, pareceu contemplar a pergunta. "O que todos querem, Lea. Poder. Controle. E, às vezes, a escuridão é o caminho mais rápido para alcançar tais objetivos."

O sangue continuava a escorrer pelo nariz de Lea, mas sua determinação não vacilava. "Não vou permitir que você machuque a Di, a mim, ou qualquer um que eu ame."

a outra idol, assistindo à cena com crescente ansiedade, apertou os punhos. "Lea, você está arriscando sua própria vida. Pare agora!"

Entretanto, as palavras de Di foram abafadas pela onda crescente de poder psíquico. As barreiras mentais do Stalker começaram a ceder diante da persistência de Lea, revelando fragmentos de sua verdade oculta.

O sangue que escorria do nariz de Lea manchava seu uniforme, mas ela permanecia firme, imersa na mente do Stalker. Jun, por sua vez, sustentava o olhar com desafio, enquanto Di observava a cena com uma mistura de preocupação e impotência.

Lea, mergulhando nas memórias de Jun, viu flashes de um passado difícil. Um orfanato sombrio, crianças que zombavam dele, e um semblante marcado pela fome e desespero. Em sua mente, Lea via um jovem, que não era chamado de Jun, mas claramente era aquele homem, ignorado pelos habitantes de uma pequena vila rural chinesa.

"Você veio de um lugar difícil", murmurou Lea, seus olhos fitando os de Jun. "Ninguém deveria ter que passar por isso."

O Stalker, por um momento, pareceu vulnerável, sua expressão endurecida vacilando. "A vida é cruel, Lea. Eu aprendi isso cedo. A fraqueza é explorada, a piedade é uma ilusão."

Di, incapaz de ficar mais apenas observando, interveio. "Isso não justifica o que você está fazendo. Há sempre escolhas, mesmo nas circunstâncias mais difíceis."

Jun, no entanto, contra-argumentou com um desdém amargo. "Escolhas? Vocês, ídolos do K-pop, vivem em um mundo de ilusões. O poder está onde se pode agarrá-lo, não onde se sonha encontrá-lo."

Lea, ainda imersa nas memórias de Jun, viu um momento crucial em sua vida. Uma figura sombria, uma presença sinistra que se infiltrou em sua adolescência. "Quem é essa pessoa? O que ela fez com você?"

A expressão de Jun endureceu, um vislumbre de raiva e dor passando por seus olhos. "Alguém que viu o potencial em mim, que me ensinou a não ser vítima. Eu abracei a escuridão para encontrar poder e ele me ensinou como extrair mais desses meus poderes."

Di, perplexa com as revelações, tentou entender. "Mas por que perseguir a Rainbow 5? O que temos a ver com isso?"

O Stalker, por um instante, pareceu titubear, como se o véu que escondia sua verdadeira motivação estivesse prestes a ser levantado. "As Rainbow 5 foram só um meio, vocês duas são aquelas que mais me interessam. Vocês são iguais a mim, só não sabem ainda."

Lea, com esforço, manteve sua conexão mental, desesperada por respostas mais profundas. O quarto estava imerso em um silêncio tenso, apenas quebrado pelo murmúrio das memórias reveladas e pelos suspiros pesados dos presentes.

As garotas estavam imersas em uma atmosfera densa, carregada com o peso das revelações. Lea, mantendo-se firme apesar do esforço, buscava respostas nas memórias de Jun. No entanto, o sangue que escorria de seu nariz começou a afetá-la, deixando seu rosto pálido e seus olhos vidrados.

Lea corou ao se deparar com as memórias mais íntimas de Jun. As noites que ele dividira com sua amiga Di, as conversas silenciosas e os gestos que ultrapassavam a barreira entre idol e integrante da equipe de segurança. A revelação a envergonhou, mas sua busca por respostas continuou.

No entanto, o que ela viu a surpreendeu ainda mais. Jun, não contente em ser uma sombra na vida de Di, também compartilhou momentos íntimos com Sing e Sun, as imagens das suas amigas dividindo a cama com o homem invadiam seus pensamentos. O choque varreu Lea, que mal conseguia processar a complexidade dos relacionamentos entrelaçados.

Antes que pudesse reagir plenamente às imagens em sua mente, Jun aproveitou a distração momentânea de Lea e rompeu o elo mental. Com um movimento rápido e calculado, ele desferiu um soco certeiro no estômago da telepata.

Lea cambaleou para trás, ofegante e atordoada pela dor. O gosto metálico do sangue em sua boca era evidente. Di, vendo a amiga em perigo, avançou para intervir, segurando uma nova adaga de gelo com firmeza.

"Chega disso!" exclamou Di, confrontando Jun. "Quem você pensa que é para brincar com as nossas vidas deste jeito?"

Jun, por sua vez, limpou novamente o sangue de sua têmpora ferida, um sorriso sutil de desafio nos lábios. "A verdade é um jogo perigoso, e eu sempre jogo para vencer."

O chão do quarto de Lea estava frio e implacável sob seus joelhos, uma representação física da intensidade do confronto que ali ocorria. Di, tomada pela fúria e preocupação, avançou em direção a Jun com a adaga de gelo erguida, mas o Stalker agiu com uma agilidade surpreendente. Ele segurou o braço de Di no momento certo, impedindo que a lâmina afiada encontrasse seu alvo.

O sorriso sinistro nos lábios de Jun ecoava pela sala, um eco macabro da tensão que pairava no ar. Com uma destreza perturbadora, ele se teleportou para fora do quarto, levando Di consigo. O casarão da família de Lea, uma testemunha silenciosa daquele embate sobrenatural, permanecia imerso na quietude opressiva.

No exterior, Jun desarmou Di com um movimento preciso, fazendo a adaga de gelo cair no gramado do chão. A idol, agora vulnerável, foi arremessada impiedosamente ao solo. O Stalker, com uma calma ameaçadora, pairava sobre ela, a expressão sádica evidente em seus olhos.

"Você realmente acreditou que poderia me enfrentar?" zombou Jun, encarando Di caída. "Você é apenas uma peça em um jogo muito maior, querida Di. E agora, seu tempo acabou."

A impotência pairava no ar enquanto Di tentava se recuperar do golpe. A gravidade da situação pesava sobre Lea, ainda ajoelhada no quarto, testemunhando a brutalidade do Stalker.

Enquanto Lea observava a cena devastadora através da janela, o sol da tarde lançava uma luz dourada sobre o cenário caótico. Seu rosto pálido refletia a tensão e a preocupação, mas uma determinação silenciosa ardia em seus olhos. A telepata limpava o sangue que escorria de seu nariz e boca, sinal dos esforços intensos que empregava para manter o elo mental com Jun.

No exterior, Jun iniciava seu monólogo insano, revelando sua insanidade para Di. Ele se regozijava na vantagem física que possuía sobre ela, ridicularizando a ideia de resistência. A atmosfera estava impregnada com a promessa de violência iminente, enquanto o Stalker se preparava para mais um ataque.

"Você, ingênua, achou que poderia desafiar alguém como eu?" ecoou a voz distorcida de Jun, preenchendo o espaço entre eles.

“Eu passei minha vida procurando alguém como você, juntos podemos fazer tanto… imagine seus poderes de gelo com o meu teleporte… e a telepatia da Lea. Imagine o que não poderíamos fazer em Seul! O submundo da cidade seria nosso.”

Di, ainda se recuperando do golpe anterior, ergueu o olhar, encarando o adversário com uma mistura de determinação e dor. Antes que pudesse reagir, um soco poderoso atingiu seu estômago, fazendo-a contorcer-se de dor no chão. A força do golpe ecoou no ar, enquanto Jun ria maniacamente, satisfeito com sua demonstração de poder.

Contudo, nos bastidores da mente do Stalker, Lea concentrava-se, explorando os recantos sombrios da psique perturbada dele. Ela mergulhava fundo, buscando interromper momentaneamente a investida física de Jun. A sala vibrava com a intensidade da luta mental, uma batalha invisível que ocorria paralelamente à brutalidade física.

"Você é apenas um brinquedo para mim, Di. E agora, eu vou..." A voz de Jun vacilou, a expressão confiante dando lugar a uma momentânea confusão. O impacto do ataque psíquico de Lea começava a surtir efeito.

A luta prosseguia no exterior do casarão, sob a atenta observação de Lea pela janela. Di, impulsionada pela determinação de proteger não apenas a si mesma, mas também sua amiga telepata, percebeu a brecha momentânea na mente de Jun. Sem hesitar, ela concentrou suas energias, reunindo toda a energia que seu corpo ainda continha, e, com um esforço monumental, ergueu uma barreira de gelo entre eles.

A barreira reluzia sob a luz do sol poente, manifestando-se como uma muralha translúcida que separava Di do Stalker. Por um breve momento, o semblante de Jun vacilou, seus olhos revelando a perplexidade diante da súbita resistência.

Entretanto, nos recônditos mentais do Stalker, Lea pagava o preço pela intervenção. O esforço mental contínuo, aliado à perda de sangue, levou-a a um breve desmaio. Durante esse lapso, Jun recuperou o controle de seus movimentos, preparando-se para continuar sua investida implacável.

Com um movimento rápido, Jun lançou seu punho na direção de Di. A idol, apesar de estar esgotada, encontrou forças dentro de si. Com um esforço supremo, ela moldou o gelo da barreira em pontas afiadas no exato momento em que o punho do Stalker atingia a superfície congelada, que se rachou completamente com a força do impacto.

Um estrondo ressoou no ar, enquanto as pontas de gelo dilaceravam a mão de Jun. O Stalker recuou, gritando de dor, enquanto gotas de sangue manchavam o gelo e espalhavam um tom carmesim na grama verde. Di, respirando ofegante, encarava seu adversário ferido com olhos decididos.

A exaustão pesava nos membros de Di enquanto ela se arrastava para se levantar do chão. Jun, ferido e furioso, sustentava sua mão dilacerada, os ossos expostos em uma visão macabra.

Di, embora esgotada, reunia forças que nem ela mesma sabia que possuía. A respiração ofegante era um eco do esforço supremo que ela empregava para permanecer de pé. Um olhar determinado em seus olhos confrontava Jun, provocando-o ainda mais.

"Você é patético", ela cuspiu as palavras, desafiando-o com a altivez que só a exaustão poderia gerar.

Jun, irado e com o orgulho ferido, xingou Lea por sua intervenção.”Garota maldita, eu queria proteger você também… deveria ter dado um jeito nessa amizade de vocês duas!” Seus olhos vasculharam o ambiente, procurando a telepata, mas a visão turva da raiva impediu-o de encontrar a jovem, que jazia ainda desacordada em seu quarto.

Di, arrastando-se com dificuldade, ergueu-se para enfrentar Jun mais uma vez. Cada movimento era uma batalha contra a fadiga crescente. Ao vê-la cambalear, Jun, alimentado pelo fogo da raiva, correu em sua direção, preparando-se para desferir um soco com sua outra mão.

No último instante, antes que o golpe pudesse atingi-la, a lâmina de gelo da adaga que Di havia perdido anteriormente se estendeu instantaneamente, após um rápido e preciso movimento da mão direita da exausta idol de cabelos tingidos de branco, transformando a arma de curto alcance em um espécie de lança, que partia do gramado verde. O brilho azulado da lâmina cortante perfurou o abdômen de Jun, atravessando-o impiedosamente. Seu rosto contorceu-se de dor, e ele recuou, agarrando-se à ferida enquanto caía de joelhos.

O silêncio momentâneo que se seguiu foi quebrado apenas pelos gemidos de dor de Jun. Di, ainda de pé, encarou-o com uma mistura de triunfo e cansaço, seus olhos refletindo o preço pago pela vitória até ali.

Di permanecia de pé, exausta, enquanto o gramado ao redor manchava-se com o sangue de Jun, que jazia ferido e gargalhava histérico. Lea, ainda atordoada, despertava dentro do quarto, testemunhando o cenário de caos através da janela.

As palavras de Di, um misto de hesitação e dor emocional, ecoaram no ar tenso. "Não era para terminar assim."

Jun, com lágrimas escorrendo pelos olhos, fitou a janela onde Lea agora estava de pé, observando. Seu riso tornou-se um lamento desesperado, e ele confessou em meio à agonia: "Eu poderia ter dado o mundo para você, Di."

A risada histericamente se transformou em soluços, e Jun, num último lampejo de desespero, tentou teleportar-se dali. Contudo, nada aconteceu. O Stalker, com uma mão dilacerada e o corpo gravemente ferido, viu seus poderes traírem-no.

O sangue fluía livremente pelo gramado, uma manifestação visível da batalha que ali se desenrolava. Jun, agora desesperado, tentava novamente e novamente, mas cada tentativa era seguida por um fracasso, fazendo que mais sangue jorrasse de seus ferimentos, criando um ciclo que somente aumentava o seu desespero. Seus olhos perdiam o brilho, e a consciência cedia.

Num último esforço instintivo, quando a inconsciência ameaçava envolvê-lo de vez, o corpo de Jun teleportou-se, desaparecendo da vista de Di e Lea. O sangue que antes manchava o solo agora desenhava a última lembrança visível do Stalker, enquanto o grande casarão mergulhava em silêncio, abraçando o pôr-do-sol que aproximava-se.