Rain Sound

4 Capítulo 4


Notas iniciais
YAOI, não curte não lê. Yey, eu consegui atualizar. Já aviso que a linguagem desse capítulo é imprópria antes que reclamem rs Boa leitura!

"Sonhei algo completamente louco, uma realidade diferente da minha, onde eu usava um aparelho estranho que me locomovia pelo ar, Marco não estava lá. Acordei com um aperto no coração e decidi reler a carta para me acalentar."

~~

Achei melhor estudar um pouco, copiei as anotações de Mikasa em meu caderno e tentei entender matemática — falhei miseravelmente na tarefa. Quando olhei novamente no relógio era oito e meia da noite, minha mãe ainda não estava em casa e eu ainda não havia jantado. Encarei minha cama, tentei sentir meu grau de fome, continuei encarando minha cama, dei de ombros, liguei o alarme e deitei novamente, confesso que dormir era quase uma paixão minha. Talvez porque enquanto eu dormia nada de ruim me acontecia, quando eu tinha algum pesadelo bastava acordar que tudo se resolvia porque não havia passado de um sonho, já na realidade as coisas eram diferentes, bastava um trovão e eu já me afetava o suficiente, com problemas então eu lidava pior ainda, por isso gostava tanto de dormir. Também porque era comum eu ter sonhos loucos nos quais eu tinha super poderes ou era algum tipo de herói que destruía monstros ou até mesmo às vezes parte de alguma máfia, um vilão sensacional que derrotava o mocinho. Ou simplesmente não sonhava nada, o que era bom porque pelo menos não corria o risco de acordar triste ou algo do tipo.

Acordei com meu alarme tocando, repeti meu ritual de todo dia e fui para a escola. Nada de especial naquele dia, mais uma vez quebrei a rotina sentando com Ymir e Christa no almoço, mas Marco não sentara conosco naquele dia, Ymir explicou que o treinador gostava do time unido na véspera do jogo. Quando questionei como ela sabia daquilo ela piscou, sorriu e disse que sabia bem mais do que eu imaginava. Ignorei aquele comentário, mas achei estranho seu tom ser brincalhão, era o tipo de frase que eu esperava que ela dissesse com raiva por pensar que eu a estava subestimando ou algo do tipo.

Fui para casa no fim das aulas sem me despedir de ninguém, os veria todos no dia seguinte de qualquer maneira então não importava, passei o dia estudando — o que era anormal porque eu tinha o costume de desistir de entender geometria nos primeiros quinze minutos de estudo. Marco não apareceu, presumi que fosse pela superstição do treinador e não me importei, era normal passar o dia sozinho em casa então eu não tinha problema algum com aquilo, minha mãe nunca estava lá e eu geralmente assistia TV ou jogava algum jogo ou ouvia música ou lia algum livro.

Gostava de sentar no computador e passar o dia vendo gamers no youtube jogando jogos de terror indie, era hilário, eles sempre se assustavam muito e eu adorava aquilo. Claro, adorava quando era algum youtuber na internet porque eu mesmo não gostava de jogava porque me assustava facilmente e ficava com um medo do caralho depois. Decidi ler um livro, tinha alguns em casa que não havia lido ainda, tentei lembrar qual título eu tinha planejado ler quando arrumasse tempo, mas após alguns minutos acabei simplesmente desistindo de ser produtivo de verdade e peguei a carta de Marco para reler.

Eu provavelmente já sabia todas as palavras de cor — até mesmo as rasuradas — já havia lido aquilo umas mil vezes desde o dia anterior, era incrivelmente fofa, eu tinha vontade de aperta-lo forte como se ele fosse um bicho de pelúcia gigante. Depois de reler mais umas sete vezes cogitei uma soneca, mas a ideia se afastou da minha cabeça quando notei movimento no quarto de Marco. Uma de suas cortinas estava fechada — a janela tinha duas camadas de cortina, uma quase transparente e uma verde clara.

Haviam três pessoas no quarto, reconheci a silhueta de Reiner e Bertholdt por conta dos músculos do primeiro, que o faziam ter uma silhueta grande, e da altura do segundo. Ele era muito alto, o mais alto do time de basquete, provavelmente por isso aquele cara conseguia pular alto e enterrar facilmente, seu tamanho era colossal, mesmo ele não sendo tão forte quanto o loiro a visão de um homem daquele tamanho em quadra intimidava um pouco. Por outro lado os músculos de Reiner davam um ar de inquebrável, era como se ele usasse uma armadura, os oponentes sempre comentavam uns com os outros sobre como ele parecia uma barreira impenetrável. Percebi os dois sentados na cama e a terceira pessoa, que eu presumia ser Marco, sentado no lugar onde ele geralmente colocava a cadeira da escrivaninha quando sentava perto da janela. Tentei enxergar direito o que eles estavam fazendo, mas a cortina tinha a quantidade de pigmentação necessária para me impedir de ver bem.

Fiquei sentado na janela como às vezes fazia, de olhos fechados, desistindo de observar e decidindo só ficar lá. Estava com meu iPod no bolso então decidi colocar os fones e ouvir música, não estava sol, mas não chovia, o tempo estava meio fechado, uma brisa boa batia em mim naquele lugar. A primeira música que veio foi The Great Gig in The Sky do Pink Floyd, franzi o cenho, não tinha certeza se era o que eu queria ouvir. Odiava aquela sensação de quando se quer ouvir música, mas nenhuma delas te satisfaz então decidi me obrigar a ouvi-la até o fim e ficar feliz com isso. A música era boa, fechei os olhos tentando não prestar atenção em mais nada e comecei a devanear sobre as coisas, imaginar situações, sonhar acordado no geral, as músicas iam acontecendo e eu me perdia nelas — eu era bastante eclético então diversos gêneros tocaram naquele tempo em que fiquei lá.

Acho que foi depois de uma hora, talvez um pouco a mais, que abri os olhos novamente e olhei para a janela de Marco, os três estavam lá me encarando, corei violentamente, o garoto com sardas sorriu e acenou, o loiro revirou os olhos e pude ver que disse alguma coisa que fez o mais alto dos três rir e Marco corar um pouco Saí da janela rapidamente depois disso e entrei em meu quarto, fechando minha cortina. Parei por um instante antes de faze-lo, me perguntando por quanto tempo eles tinham ficado me olhando, encarei-os por um instante, pude jurar que vi Bertholdt sorrir para mim e levantar uma sobrancelha enquanto Marco ficava mais vermelho do que um tomate, mas ignorei aquela visão pensando que a tivesse imaginado.

Deitei em minha cama, ligando meu abajur para não ficar tão escuro — era, geralmente, a única luz que eu acendia. Parei para pensar em minha mania de ficar com as luzes sempre apagadas. Quando meu pai ainda morava na casa eu costumava deixa-las assim para não chamar a atenção dele, devo ter me acostumado com aquilo e por isso nunca mudei. Pensar esse tipo de coisa que me remetia ao passado não era bom, meu estômago embrulhava, sentia um peso sobre mim e minha cabeça começava a doer, tudo isso acompanhado da vontade de chorar.

Balancei a cabeça tentando limpar minha mente de qualquer pensamento, deixa-la o mais vazia possível, demorei algum tempo, mas obtive sucesso eventualmente. Fiquei deitado, com os olhos fechados, contemplando o aparente vazio de meu cérebro, gostava daquele estado, como se nada estivesse passando por minha cabeça, como se meus neurônios não estivessem carregando qualquer informação, a única imagem formada por minha mente era um grande nada — o que era, em si, um pensamento, mas não era sentido como um. Mais uma vez acabei pegando no sono.

Na verdade minhas tardes podiam ser bastante monótonas e iguais, eu vivia uma rotina bastante chata e não muito valiosa de ser descrita ou contada. Tudo era sempre igual, o ir para a escola, o estar na escola, o voltar para casa, o estar em casa — nesses momentos eu geralmente dormia ou fazia alguma coisa que não exigisse muito esforço físico, permanecia sempre em meu quarto -, o acordar no dia seguinte para recomeçar o mesmo ciclo. Naquela semana as coisas haviam começado a tomar outro rumo, mas enquanto Marco, Ymir e Christa não estavam por perto eu voltava ao modo monotonia, era meu default mode, afinal. Os momentos mais emocionantes da minha vida eram os que me fazia infligir cortes em mim mesmo ou as surras do time de basquete, em um tempo passado as surras de meu pai também se enquadravam no item descrito.

Acordei com o despertador do dia seguinte, me xinguei mentalmente por ter sido tão produtivo quanto um gnomo de jardim no dia anterior, eu devia começar a fazer algo da minha vida, suspirei. Pratiquei meu ritual de sempre, me sentia como um zumbi naqueles momentos. Absolutamente nada aconteceu naquele dia, mais uma vez Marco não apareceu no almoço, Ymir me lembrou das superstições do treinador do time, eu assenti.

'Quer explicar como vocês ficaram amiguinhos?' perguntou levantando uma sobrancelha. 'Não sei se você percebeu, mas ele simplesmente brotou nas nossas vidas, a gente não sabe o que aconteceu.' eu suspirei e balancei a cabeça.

'Nada de especial. Ele impediu os amigos dele de me matar no banheiro no outro dia e a gente começou a se falar.' Christa sorriu quase imperceptivelmente, elas sabiam que eu era apaixonado platonicamente por Marco desde que podia me lembrar. 'Eu achei bacana ele ter feito isso, ter me levado pra casa e tal, aí conversamos bastante e percebemos que temos gostos bem parecidos e foi isso. Aí ele cismou que queria almoçar comigo por sei lá que motivo, mas ontem não nos falamos o dia inteiro e o mundo voltou à sua órbita normal.' passei a mão por meu cabelo, era um tique meu fazer isso às vezes.

'E como é que você explica isso?' sorriu maliciosamente enquanto tocava minha clavícula. 'Agora tá menos evidente, mas quarta tava muito forte essa marca.' eu corei. 'E as outras também.' ela riu, Christa lhe deu uma cotovelada, repreendendo pela rudez. 'Pode jogar na roda, lover boy. E sem essa de falar que caiu e bateu na quina de algum móvel porque móveis não tem dentes.' balancei a cabeça, dizendo que não sabia se podia falar sobre aquilo e começando a me desculpar e mudar de assunto, mas ela me cortou. 'Ah, corta essa. Se ele deixou essas marcas em você é porque ele não liga. Se fosse o contrário ele podia inventar uma história e mentir sobre quem fez as marcas. Ele é o capitão do tine de basquete, muita gente quer ele. Você é você, as lista de pessoas que podem ter feito isso é menor do que a Christa.' suspirei.

'Tá, mas realmente não sei se eu posso falar sobre isso....' fechei os olhos. 'E mesmo se eu pudesse aqui não é o melhor lugar, né. Qualquer pessoa pode ouvir, sei lá. Vou perguntar pra ele se eu posso comentar com vocês e a gente combina um dia pra conversar, tá?' ela bufou, Christa assentiu sorrindo enquanto apertava levemente a mão de Ymir. 'Há quanto tempo vocês duas estão juntas?' perguntei legitimamente curioso.

'Oficialmente namorando faz quase dois anos, mas desde a primeira vez que a gente ficou...' a loira hesitou um pouco, colocando a ponta do indicador no queixo e olhando para cima para pensar. 'Dois anos e quatro meses, mais ou menos. Mas a gente só assumiu publicamente depois do primeiro ano de namoro porque Ymir tinha um pouco de medo de como seus pais reagiriam.' a morena assentiu. 'Minha família aceitou logo de cara, mas não tivemos tanta sorte com a dela, por isso ela teve que ficar na minha casa por alguns meses, mas no final seus pais acabaram aceitando e agora todos nós nos damos super bem.' Christa sorria, ela parecia bastante animada enquanto falava sobre seu relacionamento, era incrivelmente fofo. Ymir a abraçou e apertou suas bochechas, as duas riram, eu sorri com a cena. 'No fim essas coisas sempre dão certo, mesmo que o processo todo do assumir o relacionamento seja complicado... Porque as pessoas são cruéis umas com as outras, os preconceitos ainda são muito fortes, mesmo que estejam menores do que já foram um dia...'

'Especialmente quando se trata de dois caras. Porque duas garotas é algo objetificável, quando são dois homens as pessoas complicam a história ainda mais.' Ymir suspirou, eu concordei. 'O que mais me irrita é quando alguém finge ser um homofóbico escroto por medo de se assumir. Porque se o cara é hétero e cresceu numa educação machista com esse tipo de pensamento e tal é realmente difícil ele tirar isso da cabeça porque se torna parte de como o caráter dele é formado, mas se o cara age feito um babaca porque tem medo de sofrer esses preconceitos todos... Isso me irrita.' não entendi onde ela estava tentando chegar com aquele comentário, mas aparentemente Christa entendia.

'Ymir, você não pode julgar alguém assim. É normal ter medo. Eu entendo que a pessoa não deve maltratar uma outra, mas isso é em qualquer situação. Nessa em especial é compreensível. Não aceitável, de jeito nenhum, mas compreensível.' eu inclinei um pouco minha cabeça para a esquerda e fiz uma cara de quem estava perdido. 'Não é nada, só um comentário aleatório.' ela sorriu, sua namorada fez o mesmo, eu revirei os olhos, mas dei de ombros percebendo que elas não iam me explicar o que diabos tinha sido aquela divagação. Terminamos de comer e voltamos para a aula, no fim do período as procurei para combinar como seria o dia. 'Então você vai?!' Christa parecia surpresa, eu assenti, Ymir riu de mim. 'A gente pode ir todos juntos, não?'

'Acho que prefiro ir com meu carro...' disse, pensando. 'Se eu quiser ir embora antes ou algo do tipo não atrapalho a noite de ninguém.' expliquei, elas entenderam, sabiam que já era um milagre eu estar indo, não queriam forçar a barra. 'Queria combinar com Marco também, mas não falo com ele desde antes de ontem...' suspirei, senti alguém agarrar minha cintura e congelei, sempre ficava tenso quando alguém inesperadamente encostava em mim daquele jeito.

'O que você queria combinar com Marco?' sussurrou em meu ouvido, rindo. Virei para trás o empurrando e vi Marco, Reiner, Bertholdt e Annie. Rolei os olhos. 'Sobre hoje, certo? Geralmente, quando o jogo é aqui como dessa vez, a gente vem pra escola juntos em um só carro, normalmente o da Annie porque ela não fica cansada porque não joga, e depois vamos pra sorveteria algum tempo depois do fim do jogo.' eu me movi para mais perto de Ymir e Christa, como se abrindo espaço para os quatro entrarem na roda. Bertholdt, Marco e Annie o fizeram, Reiner permaneceu atrás deles com os braços cruzados. 'Mas acho que dessa vez é melhor a gente se separar entre os carros de vocês, né? Ou vocês conhecem a sorveteria?' Ymir assentiu.

'Se for aquela em que encontramos vocês outro dia sim.' Marco sorriu e disse que era. 'Então só precisamos de alguém pra indicar o caminho pra ele.' apontou pra mim. 'Nós vamos em carros separados e tal.'

'Eu me voluntario.' ele falou de uma maneira dura, levantando a mão. Referência a Jogos Vorazes, Ymir, Annie e Reiner se bateram na testa pela idiotice, Christa e Bertholdt apenas sorriram constrangedoramente e balançaram a cabeça, eu fechei os olhos e suspirei. 'Ok, não faço mais isso...' deu um sorriso triste, tive vontade de abraça-lo, ele estava tão fofo, mas apenas pisquei por um tempo e cerrei os punhos para me focar em não pular em Marco no meio de todo mundo. 'Então combinado. O jogo começa às 18 horas, cheguem quando quiserem. Se não gostarem de basquete vocês podem fingir que assistiram chegando no fim.' ele riu. 'Agora precisamos ir e descansar um pouco antes do jogo, vejo vocês mais tarde.' eles se despediram e foram embora, antes de virar as costas para eles pude ver Reiner me encarando com raiva. Me pergunto o que diabos eu havia feito para aquele cara para ele ter tanta raiva de mim. Nem Annie, que encarava todo mundo com frieza, me lançava aquele tipo de olhar. Me despedi e comecei a andar, mas Ymir me parou.

'Descobre hoje se tá liberado contar pra gente, tá?' eu corei, elas duas riram, saí andando, mas sem antes mostrar o dedo do meio para Ymir — usei uma das mãos para cobri-lo e Christa não o ver, não me sentia confortável de deixar que ela tivesse contato com qualquer coisa considerada ruim. 'A Christa não é uma criança, ela já me mandou ir me foder várias vezes.' Ymir gritou enquanto eu me afastava, olhei para trás por cima do ombro, rindo, e pude ver a loira corar e bater na morena.

Cheguei em casa e decidi separar as coisas para de noite, separei minha carteira — tendo certeza de colocar dinheiro nela -, coloquei meu celular e meu iPod para carregar — por precaução -, coloquei as chaves do carro e casa do lado dos outros três itens em minha mesinha de cabeceira. Parei por um instante e percebi que eu ia em um psedo encontro, mas não tinha ideia do que usar. Peguei meu celular e mandei mensagem para Christa e para Ymir em um grupo do Whatsapp, coloquei o nome de "Oi.".

J.K.: Pensando em abortar missão, não faço ideia do que vestir, ajuda?

Christa mudou o nome do grupo para "Missão JeanMarco".

Ymir: gay

Christa: Você também é, amor.

Ymir: gays

Ymir: todos vocês

Ymir: o nome do grupo devia ser "gays" porque tudo é gay por aqui lol

Christa: Ymir, foco! Eeeenfim ~~~ não posso te ajudar se você não me disser suas opções...

J.K.: Não tem opções, só desespero. Sério.

Ymir: gay

Christa: Ok, então a gente vai ter que passar na sua casa mais cedo pra te ajudar. Tudo bem por você, amor?

Ymir: claro, claro!

Ymir: passamos aí umas 17:30. esteja de banho tomado, sei que vc é uma diva pra esse tipo de coisa

Ymir: e christa, passo na sua casa umas 17:15, ok, bby?

Christa: Okaaaay ~ :3

J.K.: Valeu, galera.

Ymir alterou o nome do grupo para "Gay".

Gargalhei com o novo nome do grupo, Ymir era extremamente expontânea nesse sentido, mesmo que algumas vezes ela pudesse ser um pouco misteriosa de mais ou até mesmo sombria. Eu percebi que não sabia nada sobre as duas, suspirei. Seria um dos tópicos de conversa quando eu fosse contar sobre Marco — se eu fosse contar sobre Marco -, uma informação por outra, era assim que funcionaria. Decidi deitar um pouco, coloquei o despertador para às 15h, quando eu começaria a me arrumar.

Acordei desligando o alarme irritado, estava sonhando com algo bom que eu não conseguia mais recordar. Levantei e fui para o banho. Desenfaixei meu braço lentamente e tirei os curativos, os cortes mais antigos estavam cicatrizando até que rápido, mas o mais recente ainda estava extremamente sensível. Entrei no banho depois da água estar suficientemente morna, primeiro me ensaboei, lavando meu braço direito com extremo cuidado para não machucar mais, depois de me enxaguar comecei a lavar o cabelo, lentamente passei o shampoo e esfreguei bem, queria estar parecendo apresentável para Marco.

Lembrei de Ymir comentando "gay" e ri comigo mesmo, se ela pudesse ler meus pensamentos diria exatamente aquilo e estaria mais do que certa. Tirei o shampoo do cabelo e saí do banho, enrolando a toalha como as mulheres geralmente fazem. Acredite se quiser esse processo aparentemente rápido me custou cerca de 50 minutos. Claro que durante esse tempo eu divaguei sobre diversos assuntos, gastei água deixando-a escorrer pelo ralo enquanto pensava sobre Marco, fiz coisas que não vale a pena serem descritas. Foi um processo longo, talvez eu de fato fosse uma diva.

Refiz cada um de meus curativos, passando uma pomada cicatrizante no corte mais novo, colocando band-aids grandes para tampa-lo. O processo levou mais 30 minutos, olhei no relógio, era 16:26 da tarde, suspirei. De manhã eu conseguia fazer tudo tão mais rápido, me perguntava o motivo. Lembrei das coisas que não valem uma descrição detalhada, talvez elas tivessem influenciado um pouco... Em compensação eu tinha feito o melhor curativo da história, ponto para mim. Fui me olhar no espelho, estava aceitável e ainda nem estava vestido. Resolvi enfaixar apenas a área com o corte, para deixar aquilo mais discreto, me sequei direito, coloquei uma blusa moletom larga branca, uma boxer preta e uma calça de moletom vermelha — era minha roupa de ficar em casa. Entrei no computador e chequei meu Tumblr, esperando elas chegarem. Após algum tempo a campainha tocou, eu desci correndo, mas não antes de ter certeza que não havia qualquer vestígio de auto mutilação ou qualquer coisa do tipo em meu quarto.

Elas entraram, perguntei se queriam tomar algo ou comer, ambas negaram, as levei direto para meu quarto então.Christa abriu meu guarda roupa, fuçando em tudo, eu e Ymir literalmente nos jogamos na cama para esperar, começamos a jogar conversa fora Ymir me explicando o pouco que sabia sobre basquete e eu compartilhando o pouco que eu sabia sobre o esporte.

'Ok, pronto!' Christa disse orgulhosa de si mesma. 'Coloca isso.' peguei as roupas da mão dela e fui para o banheiro coloca-las. Uma camisa preta, uma jeans azul marinho bem largada, meu all star roxo, era isso. Olhei no espelho, eu parecia bem, talvez pudesse até me atrever a dizer que estava... Bonito... Saí de lá coçando a cabeça, envergonhado. Ymir assobiou para mim. 'Você está lindo!' a menor me abraçou. 'Vamos?' eu assenti, pegando meus pertences e descendo as escadas. Deixei um bilhete para minha mãe. "Saí com Marco — o garoto que estava aqui outro dia — e alguns outros amigos, não sei que horas eu volto, mas se precisar me chama e eu venho. Beijos." Fui para meu carro enquanto elas foram para o de Ymir, logo estávamos na escola, o jogo ainda não tinha começado, mas os times já estavam na quadra. Peguei meu iPod.

'Você não vai assistir? Vai ficar ouvindo música.' Ymir levantou a sobrancelha, eu assenti. 'To dentro!' pegou um dos lados do fone rindo, ri com ela. Basquete não era muito minha praia, eu honestamente só assistia por casa de Marco e, encaremos os fatos, tudo fica melhor quando tem uma trilha sonora ao fundo. Tive que vigiar o que tocava para ela não me zoar, mas não teve jeito. 'Isso é Demi Lovato.' disse rapidamente quando troquei de música, fechei os olhos como se tivesse levado um soco. 'Cara... Você ouve Demi Lovato?' eu assenti, ela riu. 'Tu é uma caixa de surpresas, hã.' continuou rindo, Christa nos mandando falar mais baixo. 'Não precisa esconder, você tem que ter orgulho dos seus guilty pleasures! São sempre os melhores. Olha, eu sei a trilha sonora inteira de High School Musical, por exemplo.' eu destravei o iPod e mostrei para ela, eu tinha High School Musical lá. 'Isso aí! Esse filme é fantástico! Wildcats, se liga no jogo!' ela riu mais alto, levando uma cotovelada de Christa. Continuamos comentando minhas músicas, eu não pulei mais nenhuma, e às vezes comentado sobre o jogo, entendíamos bem pouco do que estava acontecendo, mas entendíamos um mínimo aceitável, Christa aparentemente sabia muito sobre o jogo, ela fazia os comentários mais contundentes sobre tudo, fiquei surpreso, Ymir não. 'É, ela é outra caixa de surpresas, cara.' abraçou a namorada, deixando o fone cair e não pegando de volta. Ficamos falando sobre o jogo até o fim dele, todo mundo saiu da quadra, Marco gesticulou de longe para que os esperássemos lá, assentimos. Ficamos sentados, eu já tinha guardado meu iPod, não queria que ele visse e pensasse que eu estava desinteressado no jogo, ou pior: nele. Annie se juntou a nós, com a expressão fria de sempre, Ymir tentou trocar algumas palavras com ela, mas a garota era realmente fechada, Christa conseguiu quebrar um pouco mais a concha dela falando sobre o jogo, mas não muito. Quando eles chegaram percebemos que tinham tomado banho no vestiário. 'Os três depois de um jogo conseguem se arrumar mais rápido do que você. Vou começar a te chamar de Beyoncé porque mais diva impossível!' a morena zombou de mim, revirei os olhos. Marco riu, disse para irmos e foi o que fizemos. Ele foi comigo no carro, abri a porta para ele entrar.

'Eu queria ser o cavalheiro, mas vai ser difícil sendo que não sou quem está dirigindo, né.' riu levemente, eu revirei os olhos. Marco me explicou onde ficava a sorveteria, eu fui assentindo. 'Qualquer coisa eu vou te explicando no caminho.' dei a partida no carro, assentindo mais uma vez. 'O que achou do jogo? Se divertiu?' disse que sim e liguei o rádio, colocando a música bem baixa para podermos ainda sim conversar, ele foi mudando a faixa até algo que o agradasse. 'Arctic Monkeys, sério?' eu assenti. 'Ok, não esperava isso. Talvez Evanescence, Linkin Park, My Chemical Romance.' zombou, eu ignorei o comentário, apreciando 505 enquanto tocava, cantarolei junto. 'Você é bom nisso.'

'Eu era do coral quando era menor. E fiz algumas peças também. Mas não sou bom, só sei não desafinar.' ele bufou repetindo que eu era bom. 'Não, bom é outra coisa. A Mikasa é boa, eu dou pro gasto.' ele repetiu o que tinha dito, abri a boca para retrucar, mas ele me interrompeu.

'Você não pode só aceitar meu elogio?' assenti e agradeci, mas fiquei em silêncio depois. 'De nada.' ele estava visivelmente incomodado com minha reação ao elogio, pedi desculpa e agradeci de novo. 'Tudo bem, tudo bem. Não precisa se desculpar, só aprende.' assenti, ele colocou a mão em minha coxa, lembrei de alguns dias atrás, corei. Depois de duas músicas chegamos no local, impressionante como naquele dia Demi Lovato insistia em tocar, mas Marco deixou a música e não fez comentário algum sobre ela. Descemos do carro, ele não me esperou para abrir a porta, e fomos para dentro, todos chegamos quase juntos, sentamos numa mesa grande, eu e Marco lado a lado, Ymir e Christa também, Annie na ponta da mesa e Reiner e Bertholdt um de frente para o outro, suspirei, era uma situação estranha. 'Ok, você é o único que não sabe como funciona então olha: o sorvete é de massa, você pode escolher o tamanho do porte que quer colocar e o valor varia por pote e por peso, você pode escolher as casquinhas também. Tem em formato normal e de pote, aí eles cobram por bola de sorvete.' assenti. 'Vão na frente e quando vocês voltarem eu vou com ele porque aí ele vê como é.' todos levantaram e foram para o balcão. 'Você nem assistiu o jogo direito.' disse mexendo no meu cabelo com os dedos, eu corei, afastando sua mão. 'Eu vi você e Ymir com o iPod, mas não faz mal, eu imaginei que isso fosse rolar, basquete não é muito sua praia, né?' eu neguei e pedi desculpa, ele beijou minha bochecha e segurou minha mão. 'Não precisa pedir desculpa.'

'Marco, a gente tá em público.' falei desvencilhando minha mão da dele e afastando nossos rostos um pouco, encarei-o bem a tempo de vê-lo franzir o cenho dizendo que não ligava. 'Ymir viu isso.' apontei para a marca de dentes em minha clavícula. 'E provavelmente todo mundo viu isso.' passei a mão pelo pescoço. 'Ela me perguntou se tinha sido você, eu desconversei, não sabia se podia dizer...'

'Ah, ela e Christa já sabem.' ele riu. 'Desculpa, eu achei que você não fosse se importar.' eu neguei, dizendo que não ligava. 'Então pode contar pra elas, a vontade. Mesmo elas já sabendo boa parte da história.' corei violentamente, imaginando até onde elas sabiam, lembrei de Ymir dizendo que sabia muito mais sobre o time de basquete do que eu imaginava, fiz a ligação na hora, xinguei mentalmente. 'Desculpa por te deixar tão marcado, você teve algum problema com isso?' neguei, ele sorriu. 'Isso é um passe livre?' revirei os olhos. 'É que eu gostei das marcas, você parece mais meu com elas.' riu, me arrepiei, olhei para o outro lado, ele riu mais alto e deitou a cabeça em meu ombro. 'Olha, eles tão chegando, presta atenção nas escolhas diferentes pra entender.' assenti. Observei cada pote, Christa tinha pegado a casquinha em formato de cone e Annie a em formato de pote, o resto havia escolhido o por quilo mesmo. Uns tinham mais calda do que sorvete, como o de Reiner, o de Bertholdt era uma mistura de sabores e o de Ymir era chocolate, creme e morango com um pouco de calda derretida de chocolate e amendoim por cima. Marco me puxou pela mão para a fila com ele, eu, mais uma vez, as desvencilhei. 'Você não precisa fazer isso. É um encontro, lembra?' balancei a cabeça, peguei o pote de tamanho médio e fui pegando todos os sorvetes que pareciam ser bons, Marco pegou morango e flocos apenas. Coloquei um pouco de calda, ele colocou muita, coloquei pedaços de chocolate e ele de amendoim, pagamos e voltamos para a mesa. Os três da ponta conversavam entre si, Ymir e Christa flertavam, eu comecei a comer em silêncio, Marco suspirou e falou baixinho. 'Você é um saco às vezes.'

Reiner nos encarou cerrando os olhos até que Bertholdt estralasse os dedos na frente dele e o obrigasse a olha-lo, Annie colocou o indicador e o polegar entre os olhos e balançou a cabeça, o loiro corou encarando o amigo. Eu os encarei, realmente queria entender o motivo de Reiner agir daquele jeito.

'Marco.' Annie disse respirando fundo. 'Você passa dos limites.' encarou-o com uma sobrancelha arqueada, Marco chacoalhou os ombros, fazendo cara de cachorrinho sem dono. 'Ele claramente não está se sentindo confortável, então menos.' Marco bufou, revirou os olhos e assentiu de má vontade. 'Enfim, voltando ao assunto. Reiner, nos minutos finais você quase entregou o jogo, sua barreira de repente ficou fraca, não entendi o que aconteceu.' Reiner encarou Bertholdt, que ria parecendo constrangido e punha uma das mãos atrás da cabeça. Annie fechou os olhos e respirou fundo. 'Francamente, vocês dois...'

'Olha, a culpa não é dele, eu quem errei.' o moreno corou. 'Reiner não estava esperando que eu surgisse tão perto dele na quadra, só isso.' o loiro abriu a boca, mas o mais alto continuou a falar. 'Eu quebro barreiras tão bem que acabei fazendo isso contra meu próprio time, desculpa.' riu, Marco deu um tapa em seu ombro dizendo que não tinha problema e todos falhavam às vezes e se dando de exemplo. 'Mas você estava nervoso antes do jogo por causa do J-' Marco lhe deu uma cotovelada antes que ele pudesse terminar o que ia dizer, eu os encarei confuso. Annie tinha a cabeça entre as mãos, como se batesse em si mesma por causa de algo estúpido que havia acontecido, Reiner estava de olhos fechados como se perdendo a paciência, Bertholdt mais vermelho do que sangue, Marco sorrindo constrangido. 'Jogo, por causa do jogo.' os olhares dos três se intensificaram, Ymir e Christa caíram na gargalhada. Ele provavelmente não tinha percebido o que havia dito. Ele estava sendo fofo tentando se consertar, mas estava falhando miseravelmente. 'Ok, vou voltar pro meu sorvete.' todos concordaram que era o melhor.

Ficamos conversando em grupos separados por algum tempo, eu não interagi com ninguém. Provavelmente eu era a companhia mais chata de qualquer lugar, eu geralmente ficava quieto ouvindo, mas sem opinar, pegara tal costume por conta da maneira que era tratado por meus amigos de longa data. De vez em quanto eu balançava a cabeça positiva ou negativamente quanto a algo que eu podia responder, mas fiquei boa parte do tempo calado. Ymir decidiu tentar unir as conversas perguntando a Annie de onde ela tinha se interessado tanto pelo esporte, mas a loira simplesmente respondeu que era porque sempre fora muito amiga de Reiner e Bertholdt e por isso acabou se interessando e o assunto acabou. Marco eventualmente colocou a mão sobre minha perna e a deixou lá, como ninguém estava vendo eu não fiz nenhum movimento em objeção, depois de algum tempo ele começou a me acariciar docilmente com o polegar, sorrindo quase imperceptivelmente.

O meu ato de não rechaça-lo o havia deixado feliz, eu me dei por satisfeito e sorri com ele. Quase todos haviam terminado de comer, menos eu, Ymir reclamou dizendo que eu era uma diva em tudo o que fazia, Christa a repreendeu, mas acabou tendo de concordar. Eventualmente as duas foram embora, alegando que estava tarde, mas todos haviam percebido que elas estavam partindo com intenções mais profundas. Algum tempo depois Annie reclamou de dor de cabeça e perguntou se os garotos pretendiam ficar muito mais tempo, Reiner disse que por ele não havia problema irem embora logo e Bertholdt se mostrou indiferente, cerca de quinze minutos depois eles se despediram e foram embora, mas antes de irem, ao abaixar para dizer tchau, Bertholdt sussurrou em meu ouvido.

'Não seja tão duro com ele, ok? Ele estava super nervoso com hoje.' sorriu, piscou para nós e foi arrastado pela camisa para fora da sorveteria por um Reiner espumando de raiva e gritando para que ele não se aproximasse tanto assim de mim. A amizade daqueles três era bastante estranha, eu quase tinha certeza de que havia algum casal entre eles, mas a dúvida era forte entre Reiner e Annie ou Bertholdt e Annie. Balancei a cabeça, aquilo não importava por hora, o moreno alto estava certo, eu estava sendo muito duro com Marco. Percebi que ele havia se afastado um pouco de mim, franzi o cenho.

'Me desculpa...' falei olhando para meu pote, agora tudo era uma massa colorida sem sentido algum, todos os sabores misturados, mas ainda sim estava bom, voltei meu olhar para o garoto ao meu lado. 'Eu não sei como agir em público.' ele negou. 'Marco, é sério, olha pra mim.' peguei seu rosto entre minhas mãos e o trouxe bem para perto do meu. 'Além disso toda essa proximidade nossa. É repentino e... E ser em público...' ele olhou para baixo, como se tentando esconder seu olhar um pouco triste. 'Não, o problema não é as pessoas verem. Marco, eu apanhei a última vez porque Reiner insinuou que eu era gay.' ele afastou minhas mãos.

'Não!' disse cruzando os braços. 'Não estou defendendo ele, porque ele nunca devia ter tocado em você, nem em ninguém, mas ele te bateu porque você sorriu e mostrou o dedo do meio. Tudo aconteceu porque você respondeu a provocação dele!' eu o encarava incrédulo e o lembrei de qual tinha sido a provocação. 'Mas ele não tem preconceito, ele... Ele sabe... Sobre eu não ser hétero. O time todo e Annie sabem.' lembrei do que Ymir e Christa haviam comentado no almoço, sobre alguém fingindo ser homofóbico por medo, todas as peças estavam se encaixando.

'Ele... Cara! E Bertholdt! Ele e Bert-' Marco colocou a mão sobre minha boca, me impedindo de falar antes que eu gritasse qualquer besteira. Olhou para os lados, preocupado se alguém teria ouvido e me disse para ficar quieto, eu assenti. 'Marco, esse é o tipo de informação que podia ter mudado totalmente nossa noite.' ele suspirou, eu segurei suas mãos. 'Olha, eu só estava com medo deles implicarem contigo. Reiner já claramente não gosta de mim, não queria que ele começasse a te encher o saco também, só por isso eu fui tão cuzão. Me desculpa, por favor.' ele assentiu, sorrindo fraco e apertando minhas mãos um pouco, eu dei um beijo em sua testa. 'Você me desculpa?' ele assentiu e eu o abracei rapidamente, tentei solta-lo, mas Marco agarrou minha camisa. 'Ei, eu preciso terminar de comer pra poder te levar pra casa.' ele balançou a cabeça, acariciei sua cabeça, passando a mão com delicadeza por seu cabelo.

Percebi que era bastante macio e sorri, era bom passar a mão pelos fios de cabelo dele, me aproximei e me atrevi a respirar o ar perto dos fios, exatamente como eu havia imaginado: Marco não havia só tomado uma ducha depois do jogo, ele tinha tomado um banho completo, e ainda estava cheirando a shampoo recém aplicado. Ele continuou lá, agarrado em mim, enquanto eu passava os dedos de uma mão por seu cabelo e os da outra por suas costas, podia sentir meu coração batendo forte, tinha certeza de que estava ruborizado, mas não me importei. Seria, afinal, questão de tempo até as reações do meu corpo normalizarem sempre que houvesse algum contato com Marco. Finalmente ele se afastou, sorrindo, e segurou minha mão esquerda.

'Quer ir embora?' ele deu de ombros.

'O que você quiser.' respondeu sorrindo, eu corei. Ele conseguia ser incrivelmente fofo quando queria. 'Acaba seu sorvete e a gente vai.' voltei a comer, ele me soltou e pegou o celular, não bisbilhotei, mas fiquei curioso para saber o que ele estava digitando. Acabei razoavelmente rápido de comer e fomos para o carro, abri a porta para Marco e enquanto ele entrava ele me puxou junto. Acabei caindo sentado em seu colo. 'Talvez o banco de trás seja maior e mais apropriado pro que eu quero...' colocou a mão no meu queixo, virando minha cabeça para ele. 'Mas eu gosto de estar assim apertado com você.' sorriu e me beijou, eu podia sentir meu rosto queimar.

É necessário confessar que aquela posição realmente não era confortável, meu carro não era muito grande e eu tinha minhas dúvidas se o espaço do banco do passageiro havia sido planejado com o intuito de duas pessoas se pegarem. As mãos de Marco entraram por baixo de minha camisa, eu não fazia ideia de como ele conseguia se mexer de qualquer jeito naquele lugar, eu já havia batido a cabeça no teto algumas vezes naqueles últimos minutos. Ele arranhou meu abdômen e eu gemi, tendo um arrepio muito forte, ele quebrou o beijo para sorrir.

'Se você for pro seu banco agora a gente pode continuar isso em casa em um lugar mais confortável.' eu assenti e fui para o banco do motorista correndo, estava respirando pesadamente e pude ver pelo retrovisor que estava muito vermelho, quando entrei reparei que ele estava rindo. Coloquei o cinto, as duas mãos sobre o volante e pedi que ele esperasse eu me recuperar. Marco apenas riu e se inclinou em minha direção, chegando bem perto do meu ouvido e mordiscando, me arrepiei novamente. 'Você é extremamente sensível, né.' riu voltando para o lugar e colocando o cinto de segurança, eu assenti. Aparentemente eu realmente era bastante sensível, mas não sabia se era ao toque de pessoas ou se ficava daquele jeito porque era Marco me tocando. Quando consegui normalizar minha respiração liguei o carro e a música, começou a tocar The Maine, Like We Did, eu cantei junto. 'Você pode fazer mais isso?' levantei uma sobrancelha, confuso. 'Cantar. Pra mim.' explicou o que queria, eu assenti, pude ver que ele sorriu bastante. Quando estávamos perto de casa ele abaixou um pouco o volume do rádio. 'Você vai querer ir pra minha casa continuar o que a gente tava fazendo?' eu corei.

'Você não tem vergonha de perguntar essas coisas, cara?' ele riu e negou balançando a cabeça. 'Não vai ter problema com seus pais se eu for pra lá?' Marco me encarou, vi de relance ele estender a mão como se fosse me tocar, mas parou e negou dizendo que seus pais não estavam em casa. 'Você quem sabe então.'

'Quer avisar sua mãe?' neguei, quis dizer que ela nem notaria minha ausência, mas aquilo soaria como auto piedade. Marco já havia visto muito do meu lado ruim, não precisava que ele soubesse da minha péssima relação com minha mãe, do meu complexo de inferioridade nem mais nenhum outro de meus problemas e defeitos.

Não queria que ele me tratasse diferente por pena ou qualquer coisa do tipo. Estacionei o carro na frente da porta, como ele mandou. Entramos na casa, ele me levou para seu quarto me puxando pela mão, fechou a porta com um chute de costas, nada delicado, e me arrastou até a cama. Sua cama era modelo de viúva, maior do que a minha, reparei no ambiente a minha volta por um tempo, tempo suficiente para que ele ficasse irritado com isso, nunca tinha visto o quarto dele e aquele local me intrigava, queria conhecer melhor.

'Eu não trouxe você aqui pra você ficar olhando as paredes.' disse irritado, encarei-o, ele estava já sem a blusa, eu ri. Estava quase deitado, apoiado na parede, Marco ajoelhado na minha frente, sorrindo. Ele se colocou de quatro em cima de mim, só aquela visão já me deixava com uma ereção e ele percebeu, colocando a mão entre minhas pernas. Sorriu, tirou a mão de lá e começou a desabotoar minha camisa lentamente, eu estava respirando com dificuldade naquele momento. 'Você tem que controlar sua respiração, não quero que você tenha um ataque.' eu ri, dizendo que ele era babaca, Marco me deu um selinho rápido. 'Assim eu fico magoado.' outro em seguida, tinha terminado de me desabotoar, ia ajuda-lo a tirar minha camisa, mas ele me parou. 'Espera... Eu queria...' corou violentamente, tive um pouco de medo porque ele provavelmente pediria algo extremamente constrangedor, afinal: o cara que falava coisas maliciosas sem vergonha alguma e estava sentado em cima de mim no momento tinha ficado mais vermelho do que nunca. Fiquei esperando. 'Eu queria tocar em você. Só... Tocar. Sentir sua pele e... É...' soltei o ar que nem havia percebido que estava prendendo, sorri, ele olhava para baixo, levei minha mão ao seu queixo e o fiz levanta a cabeça para que nossos olhares se encontrassem. 'Se você não quiser deixar... Se... Se você estiver desconfortável com alguma coisa me avisa...'

'Eu estou embaixo de você por livre e espontânea vontade, Marco.' ele tentou desviar o olhar, mas continuei segurando seu rosto, seus olhos penetraram nos meus. 'Você pode fazer o que quiser, se eu quiser que você pare eu digo, ok?' ele assentiu. Tirou minha mão de seu rosto delicadamente e fez meus braços descansarem ao lado de suas pernas.

'Eu quero que você fique parado, ok?' assenti. 'Se quiser fechar os olhos ou... Sei lá.' o fiz novamente, ele encarou meu peito desnudo embaixo dele e começou a passar as mãos pelo meu corpo. Primeiro colocou-as cada uma de um lado do peitoral e foi escorregando até meus braços, mas não tirando minha camisa por inteiro, apenas abaixando um pouco ela, o suficiente para deixar meus ombros descobertos por inteiro. Com a ponta dos dedos começou a acariciar alguns pontos do meu pescoço, imaginei que fossem as marcas que ele havia deixado lá no outro dia, ele confirmou minha suspeita. 'Você se incomodou com elas? Seja sincero.' balancei a cabeça negando, ele sorriu. 'Ok...' continuou a trilha pela minha pele, seus olhos brilhavam. Bateu levemente, também com as pontas dos dedos, em minha clavícula, depois moveu as mãos para meu ombro. Passou a palma delas em minha pele. 'Tira a camisa, por favor...' pediu, sua voz estava suave e extremamente doce, eu o fiz, ele me ajudou e jogou a peça de roupa para longe. Com as palmas das mãos explorou meus braços, até chegar em minhas bandagens no lado direito, fechei os olhos. 'Posso?' assenti, tentei falar, mas estava tão envergonhado que havia perdido a voz.

A verdade era que mesmo Marco sabendo o que tinha por baixo das faixas eu preferia mante-las lá, como se esconder aquilo pudesse faze-lo esquecer. Depois de desenfaixar ele colocou as bandagens cuidadosamente sobre sua mesa de cabeceira, ao contrário do modo com o qual tinha jogado minha camisa no chão, mas não questionei. Ele levantou meu braço direito na altura de seu rosto, tentei tira-lo de lá por impulso, Marco, alarmado, parou.

'Tudo bem? Quer que eu pare?' neguei, dizendo que não esperava que ele mexesse em meu braço e dizendo que estava tudo bem. Ele assentiu, colocou a boca perto da minha pele. 'Se você tivesse que escolher entre meus lábios ou suas lâminas...' eu estava de olhos abertos, ele encarou o fundo de minha alma. 'Qual dos dois beijaria seu pulso essa noite?' aproximei meu braço de seu rosto um pouco mais e ele entendeu, depositando o um beijo lá. Abaixou meu braço e voltou a passar a ponta dos dedos por minha pele, lentamente, por cada cicatriz, como tinha feito anteriormente. Subiu meus braços na trilha que estava fazendo e começou a descer em meu peitoral. Passou a mão pela lateral de meu corpo, eu me arrepiei. 'Consegue se controlar um pouco?' pediu docemente, eu fechei os olhos para tentar controlar minhas reações, senti a palma de sua mão em meu abdômen, não era definido, era extremamente magro, pura pele e osso, como o resto de meu corpo.

Eu não fazia exercícios físicos e não comia muito então não tinha como engordar nem como ter músculos definidos, mas Marco parecia gostar porque quando abri os olhos novamente vi um brilho nos dele que nunca havia visto antes, sorri e não aguentei, tive de puxa-lo para um beijo. Ele levou um pequeno susto, mas não fez objeção alguma àquilo, pelo contrário, aprofundou o beijo rapidamente, levando as mãos ao meu cabelo e puxando com delicadeza. Eu puxei um pouco sua cabeça para trás, expondo seu pescoço para mim, coloquei minha boca lá e mordisquei, ele gemeu, troquei nossas posições, ficando por cima de Marco, brincando com seu pescoço, retirando gemidos e suspiros do moreno.

Suguei com um pouco mais de força uma hora, deixando uma marca, entendi o que ele havia dito sobre gostar das marcas que deixava, sorri orgulhoso, sentando em cima dele, era minha vez de provoca-lo, a visão dele embaixo de mim, suando um pouco, vermelho, levemente marcado, gemendo por minha causa me deixava extremamente feliz, em todos os sentidos.

Levei minha mão em direção a seu membro, coloquei por baixo da calça e apertei levemente, ele gemeu e fechou os olhos, mordendo o lábio inferior. Massageei delicadamente a ereção até que Marco estivesse desesperado a ponto de quase me empurrar de cima dele para tirar a própria calça, fiz aquele favor para ele e tirei a peça de roupa que estava incômoda nele, mas deixei a boxer preta, desci para suas pernas, arranhei a parte de dentro delas, ele se contorceu de arrepios, depois lambi e mordisquei cada uma levemente. Tirei sua cueca com a boca e abocanhei seu membro, não sabia se estava fazendo aquilo direito, tive ajuda de sua mão, ele guiou meus movimentos pelo meu cabelo, depois de algum tempo ele me soltou, avisando que estava quase atingindo o ápice, mas eu fiz exatamente como ele havia feito no outro dia e não saí do meio de suas pernas. Quando ele atingiu seu máximo eu engoli todo o líquido que pude.

Me senti um pouco constrangido porque achei que não havia me saído tão bem quanto ele, mas esqueci tudo quando ele me virou na cama e fez o mesmo que eu tinha feito: tirou minha calça e boxer e começou a trabalhar em meu membro ereto. Eventualmente estávamos os dois deitados lado a lado ofegantes. Marco com a cabeça apoiada em meu peitoral, eu acariciando suas costas levemente.

'Foi... Bom?' perguntei corando, ele riu e assentiu. 'É que... Nunca tinha tentado isso... Fazer em alguém e tal...' ele riu mais um pouco e calou-se, mas percebi que continuava sorrindo. Ele fazia carinho no meu braço esquerdo, eu fechei os olhos. Ficamos daquele jeito, aproveitando um a companhia do outro, nossas respirações se sincronizaram, Marco pegou no sono, ele provavelmente estava exausto devido ao jogo, tentei não me mexer muito mais, acabei pegando no sono também. Acordei com ele me dando um beijo na bochecha, ele estava sendo delicado, sorri.

'Bom dia.' riu, olhei pela janela, ainda era noite. 'A gente dormiu por uma hora só. E aí, o que você quer fazer?' sentei me apoiando na parede, esfreguei os olhos, como é que ele era tão animado quando tinha acabado de acordar, lembrei que estava nu, corei e puxei o lençol dele para me cobrir. 'Não tem nada que eu não tenha visto aí.' disse apontando para meu corpo, eu desviei o olhar. 'Você quer colocar uma roupa?' assenti, envergonhado, ele levantou e trouxe minhas roupas, comecei a me vestir, seus olhos prestando muita atenção em mim, tentei não encara-lo em momento algum. Comecei a reenfaixar meu braço, ele me parou. 'Posso fazer isso?' assenti, Marco começou a enfaixar com cuidado, observei suas mãos mexendo em torno da faixa e de meu braço. 'Se eu tivesse ido falar com você antes...' começou a falar, mas ficou em silêncio, eu pedi que continuasse, mas ele continuou quieto, continuei insistindo. 'Talvez você não fizesse isso consigo mesmo, talvez...'

'Marco.' levantei seu rosto para que me olhasse. 'Não, nada garante isso. Talvez eu tivesse começado mesmo assim e escondido de você todo o tempo. Um relacionamento não cura uma pessoa. Não existe isso de "o amor cura tudo", tá? As pessoas romantizam as coisas mais do que deveriam, mas na real não funciona desse jeito...' ele assentiu, seus olhos com um brilho triste, lhe dei um selinho, mas ele me segurou lá e aprofundou o beijo depois de algum tempo. Nos beijamos de maneira delicada por algum tempo, até nos separarmos.

'Quer jogar videogame? Ou assistir alguma coisa?' sorriu para mim. 'Mas eu também vou querer colocar uma calça também, não é justo só você estar vestido.' assenti, ele foi colocar suas roupas rindo, aproveitei para observar o quarto, ele não tinha muita coisa nas paredes claras — não eram exatamente brancas -, duas estantes, um mural e, em torno dele, diversos post its, uma estante comprida em cima da cama e uma em cima da escrivaninha. Em seu mural diversas fotos e desenhos, os post its coloridos tinham coisas escritas e desenhadas. Na parte de baixo da estante posicionada acima da cama haviam mais post its e alguns pedaços de folha de caderno brancos com frases e nomes, reparei que em um deles havia meu nome e um coração ao lado, sorri. 'Então, eu tenho vários jogos e alguns consoles. Tenho um play 2, um nintendo 64 e um xbox, qual você prefere?' apontei para o que estava observando, ele ficou vermelho imediatamente e virou de costas. 'I-isso não fui eu! Foi o Bert quando eu contei que gostava de você. O nome de Annie também tem um coração p-porque ele achava que eu...' enquanto ele tagarelava eu levantei e fui abraça-lo por trás, dei um beijo em sua bochecha, ele se calou.

'Você tem Zelda?' ele assentiu. 'Majora's Mask?' assentiu mais uma vez, sorri. 'Então já temos nossa escolha feita.' o beijei mais uma vez, ele me empurrou de leve. Em cima de sua escrivaninha, virada para a cama, havia uma TV de tela bem pequena, ele foi arrumar os cabos e etc para podermos jogar. 'Quer ajuda com algo?' ele negou, me mandando sentar, o fiz. Fiquei olhando enquanto Marco arrumava tudo, queria ajudar, mas quando me movi para faze-lo ele me lançou um olhar mortal e desisti. Quando acabou sentou-se ao meu lado e entregou o controle.

'Entra no meu usuário, se não Reiner vai surtar comigo.' assenti e fiz como ele pediu, comecei a jogar, Marco observava em silêncio. Notei que ele não tinha feito muito progresso no jogo, mas dei de ombros. 'Você é bom, né.' comentou, sorri e agradeci, ele sorriu de volta. 'Espera, isso é você aceitando um elogio? Aleluia, irmãos!!!!' jogou as mãos para cima como se agradecesse aos céus, o empurrei com o cotovelo e rimos. Marco passou a cabeça por baixo de meus braços, encaixando-se entre eles e me fazendo abraça-lo de um modo que ele não me atrapalhasse no jogo. A princípio ele ficou de costas pra mim, mas passados alguns minutos ele escorregou para baixo e deitou em minha perna, olhando para cima para me encarar, fiquei morrendo de vergonha. 'Você é bem bonito, né...' disse bem baixo, agradeci, quase sem voz, ele ruborizou fortemente. 'Eu falei em voz alta? Não era pra ser em voz alta!' pausei o jogo, coloquei o controle na cama e apertei suas bochechas.

'Você também é bem bonito.' sorri, ele corou ainda mais. 'Marco, como você consegue corar com isso, mas não com as outras coisas que você faz?' ri, ele virou a cara e se escondeu em minha barriga, fiquei passando a mão em seu cabelo, eventualmente ele olhou para cima novamente, sorrindo envergonhado.

'É que você me deixa um pouco descontrolado... Normalmente eu não faria nenhuma daquelas coisas.' confessou, sorri e o puxei para um beijo, ele sentou em meu colo. 'Fico feliz que você goste mais de mim do que do Link.' disse se separando de mim e sorrindo.

'Eu nunca disse isso, não coloque palavras na minha boca.' Marco sorriu e foi até minha orelha, automaticamente corei.

'Prefere que eu coloque outra coisa na sua boca?' mordiscou, estremeci, ele riu e me empurrou, caí deitado. 'Você não tem o mínimo de controle nessas situações, né, cara?' seu indicador percorrendo meu rosto. 'Isso é perigoso. E se outra pessoa fizer isso com você? Me pergunto se você vai reagir desse mesmo jeito...' seu olho tinha um brilho triste, segurei sua mão e a beijei.

'Marco, eu fico assim porque é você fazendo tudo isso, não só pelas coisas que você faz. Se fosse outra pessoa eu teria quebrado a cara dela há algum tempo.' sorri. 'Eu nunca me envolvi com ninguém que não fosse você, mas você já então eu fico morrendo de vergonha e não consigo reagir muito no começo. Se fosse outra pessoa eu não teria vergonha, teria raiva e você sabe que eu revido quando tenho raiva.' ele assentiu e saiu de cima de mim, sentando ao meu lado, levantei e sentei também. Aquela preocupação toda dele era fofa, mas bastante desnecessária, na verdade. 'Eu sou seu, tá?' mostrei meu pescoço como prova, ele assentiu mais uma vez. 'Eu te amo.' peguei o controle de onde tinha largado. 'Mas não tanto quanto eu amo o Link!' mostrei a língua, ele riu me dando alguns tapas no braço e então rimos juntos.

Marco encostou a cabeça em meu ombro, ficamos daquele jeito até nos sentirmos cansados o suficiente para ir dormir. Deitamos juntos, um de frente para o outro, segurando nossas mãos, conversamos até ele parar de responder, acabei pegando no sono algum tempo depois.

Notas finais
Prontinho, capítulo postado com bem menos tempo de intervalo hahaha Me desculpem mesmo por ter demorado tanto no anterior, ainda me culpo por isso! Também peço desculpas pelo tamanho do capítulo, eu fiquei animada escrevendo e nem percebi que estava quase dobrando o tamanho normal................... heh Anyways...... Espero que tenham curtido, lembrem-se: reviews e feedback são sempre bem vindos (positivos E negativos, principalmente negativos se forem construtivos rs) yesss ~