Rain Song.
1 Capítulo Único.
Rain Song
(Canção da Chuva)
I had a conversation with the mirror
(Eu tive uma conversa com o espelho)
It ended up not having much to say
(Acabou não tendo muito a dizer)
It said today was for the lovers and believers
(Ele disse que hoje foi para os amantes e crentes)
I hate to tell you, it just ain’t your day
(Eu odeio lhe dizer que esse não é o seu dia)
So this is my rain song
(Então essa é minha canção da chuva)
It’s cold outside and I still love you
(Está frio lá fora e eu ainda te amo)
Guess I was dead wrong
(Acho que eu estava errada)
You find out when there’s clouds above you
(Você descobre quando há nuvens em cima de você)
Finding it ain’t worth losing you
(Encontrar não vale a pena lhe perder)
When it all comes down, it comes down to
(Quando tudo se resume, se resume à)
This lonely rain song
(Essa canção da chuva solitária)
You’re on my mind and I still love you
(Você está na minha mente e eu ainda te amo)
I had some complications with the voices
(Eu tive umas complicações com as vozes)
x
“Lágrimas são como lembranças da memória”.
Ela não tinha mais lágrimas para chorar.
Enquanto apenas levantou-se da cama, sua cabeça doía com isso, enquanto um sorriso amargo brincava em seus lábios, tentou ao máximo manter aquele ar mais alegre que sempre acompanhasse os seus belos olhos – olhando pela janela o clima ameno dos arredores da cidade de Roma, o local era belo aos seus olhos – suspirou com isso, estava tensa com os últimos acontecimentos, enquanto o ar alegre de seu quarto se esvair como fumaça, apenas levantou-se.
Olhou o largo quarto – franzindo o cenho – havia uma estante variada e seleta de livros que a ruiva lia com frequência, mas estava esquecida. Preciso me distrair urgente, Nina está certa, estou muito tensa. Sensação era a mesma – era um vazio, não havia luz naquele local para si – enquanto apenas adentrou no banheiro e o fechando em seguida, ela olharam-se no espelho, os cabelos ruivos e lisos estava levemente bagunçado e olhos castanho-esverdeados estavam inchados com olheiras fundas de uma noite mal dormida, suspirou temerosa com isso, mas seus pensamentos a traiam miseravelmente a ele novamente naquela semana, apenas mordeu o lábio inferior com raiva de si mesma, era tão tola ao pensar nele. Ele deve está com raiva de mim ainda, como farei para ele falar comigo de novo? Céus! Sinceramente, meu orgulho sairá bem ferido por causar disso... Apenas desviou do assunto por enquanto, duas batidas alertaram do lado de fora.
–Angelita!
Ela apenas olhou para o espelho – respirou fundo antes de ver a dona da voz, deu um sorriso fraco, mas ainda amargo para o espelho – enquanto apenas abriu do largo banheiro para a loira que olhava séria, deu o melhor sorriso que pode para ela e voltou-se ao espelho.
–Buongiorno¹ – murmurou com sorriso falsamente feliz à loira que não sorria para a outra – Como está o dia hoje, Nina?
Nina tinha olhos azuis profundos, frios diferentes dos deles, mas a ruiva ignorou isso se focando na jovem loira a sua frente – os cabelos loiros ondulados até cachearem as pontas – arqueou as sobrancelhas loiras, enquanto a ruiva apenas fitou o que a sua companhia vestia, um vestido simples e bem delicado num tom suave de azul que não contratava com a sua posição e personalidade forte, apenas olhou séria a ruiva, seus olhos estavam analisando o rosto dela.
–Buongiorno¹, eu pensei que tinha indo andar a cavalo novamente... – sua voz soou séria, mas suave – Mas acho que a senhorita criou juízo finalmente.
–Ora, mi amiga tem uma ideia meio irresponsável da minha pessoa... – fingiu indignação – Enzo já acordou?
–Não, o bambino ainda está na cama... Para uma criança de cinco anos... – comentou olhando a jovem – Eu estou indo, você não se demore, o café estará pronto em poucos minutos, um bom banho, Angelita.
Um sorriso tolo pintou os lábios da ruiva que apenas desabotoou o vestido, sempre prestativa, Nina.
–Sim, eu sei e não irei demorar, acorde o meu bambino, por favor... – resmungou, retirando o vestido que caia para o chão – Grazie¹ Nina... Por tudo até agora...
Deu-lhe seu melhor sorriso, enquanto a loira apenas lançou um olhar sério sobre ela. Nina apenas saiu – deixando um sorriso tolo morrer nos lábios da outra – apenas suspirou. Fingir para ela está cada vez mais difícil, logo ela irá me pressionar sobre o que está acontecendo com o meu humor, concluiu insatisfeita consigo mesma, teria que melhorar isso, desistiu de colocar um sorriso tolo e sem emoção no rosto, deixou água recair sobre o seus cabelos ruivos, passeando sobre sua pele pálida, lavou cada parte de seu corpo, esfregando, enquanto os seus pensamentos lhe traiam novamente, suspirou com isso e apenas deixou água cair sobre o seu corpo, apagando os vestígios daquela noite mal dormida. Enzo me esperar, eu não posso deixar o meu pequeno preocupado – depois de alguns minutos, apenas saiu, os cabelos pingava enquanto passou a toalha branca sobre os mesmos...
Enquanto seu olhar recaiu numa pintura pendurada no lado oposto a seu armário, sentiu um nó forma-se em sua garganta com isso, havia ignorando a bela pintura que ela mesma havia desenhado – na pintura, de forma detalhada e bem viva, loiro não sorria apenas olhava sério e sem emoção no rosto ao lado dela, enquanto a ruiva dava um sorriso discreto, ele mantinha as mãos no bolso – o nome estava cravado na moldura.
“Angelita e Alaudi – Mi amigo, Alaudi”.
Uma lágrima solitária caiu por sua face.
x
Era doce o som que preenchia o local.
Melodia era serena e suave.
Enquanto os dedos delgados apenas seguiam com sutileza sobre as teclas do piano negro – Angelita apenas deixava os dedos fluírem com suavidade – enquanto ao seu lado estava o menino de apenas cinco anos. Era magro, mas ainda assim parecido com ele e com ela, uma copia fiel aos dois, mas parou de pensar nisso enquanto concentrou-se na melodia suave que apenas deliciava o jovem – pequeno como um pássaro que era, enquanto os olhinhos em infantis fixos em si – enquanto seus olhos cor esverdeados estavam tão fixos e absortos na melodia, ela sorriu internamente com isso, enquanto a melodia chegava ao seu fim.
–Está muito bom, mama... – a voz do menino sobressaiu-se animada pelo cômodo em que os dois estavam – De quem é essa composição?
Ela sorriu ao filho – enquanto passou as mãos pelos cabelos loiro-arruivados do menor com afago discreto, os olhos deles brilhavam, ele está cada dia mais parecido com o pai, aquele pensamento fez um sorriso brincar em seus lábios, até mesmo o jeito de falar, retraído, mas ainda assim com aquele sorriso tolo dos meus lábios que ele sempre ódio, ele será um belo rapaz quando crescer – ele olhando para ela, com sorriso suave de criança desenhava a sua face, aquele sorriso tolo, mas ainda discreto estava na face do menor.
–Essa uma composição chamada “La Rosa”, muito bonita a música... – sorriu, afagando os cabelos loiro-arruivados – Seu avô tocava para mim, quando era pequena...
Ele apenas olhou curioso – mas ainda tinha aquele sorriso tolo – enquanto passou meio confuso as mãos sobre os cabelos.
–Ah! Vovô tinha bom gosto, mama... – diz animadamente – Mama também tem esse bom gosto para música.
Ele apenas tocou uma ou duas notas – enquanto a porta foi aberta, ela não se virou para olhar quem é – a loira adentrou juntamente com o outro, ele tinha cabelos cor de mel e um sorriso fácil no rosto, usava um terno negro com contraste com a sua pele pálida, os olhos eram de um tom negro como o breu.
–Buongiorno¹, minha doce bambina... – a voz animada ecoou pelo cômodo chamando atenção da mulher e do garoto – Buongiorno¹, jovem Enzo... Tutto bene¹?
Enzo moveu a cabeça – enquanto fez um menear – e olhou de relance Nina e acompanhante.
–Salve¹, Benito... – cumprimentou o mais novo sorrindo – Io sto bene, grazie¹.
–Como foi na missão, Benito? – indagou à ruiva sem olha-lo diretamente.
Concentrada no piano de cauda – enquanto o filho também voltou atenção ao piano ao ver os dedos finos da mãe voltar com delicadeza, ela lembrou-se de uma antiga canção cantada para alguém a muito por ela – o som preencheu o local.
–Claro que muito bem, bambina... – respondeu outro rindo como um criança, apreciado a nova musica que preenchia o local – Chefe dos Kobayashi virá amanhã aqui, como também, trará o irmão mais novo para brincar com Enzo.
–O jovem Ichigo, presumo... – comentou a ruiva apenas deslizando sobre as teclas com suavidade – O que acha disso, Enzo? Terá companhia amanhã pra brincar, mi pequeno...
Enzo apenas se animou – enquanto um sorriso discreto surgiu nos lábios dele com a possibilidade de brincar com alguém de sua idade – Angelita apenas meneou. Hoje passou rápido, talvez por que não tive papeis para ler, pensou enquanto voltou-se para as teclas do piano, fazia algumas horas que estava ali com o pequeno, enquanto o mesmo fazia milhares de perguntas... Eu ainda me lembro do dia em que descobri que estava com Enzo em meu ventre, apenas deixou os pensamentos fluírem, uma vez ou outra respondia as perguntas do menor.
Muitas delas – sem resposta – enquanto a mãe ria, a porta abriu-se.
–Esqueceu algo, Nina?
A loira ficará ate aquele momento – mas não obteve resposta – Enzo sairá do seu lado e jogara-se nos braços da visita, Angelita sabia quem era pelo jeito que o filho demonstrava tal afeto, só havia uma pessoa que ele fazia aquele gesto tão raro e inocente, ela suspirou ao ouvir uma risada infantil de alegria, já estava à noite e passava das 18 horas.
–Buonasera¹ Alaudi! Você veio nós visitar! Tutto bene¹? – a voz de Enzo sobressai-se animada com a visita, à ruiva virou-se o fitando – Senti tanto a falta, Alaudi! Mama olha só Alaudi veio nós visitar!
–Salve¹ Alaudi... – cumprimentou num tom sério.
Loiro sorriu discretamente – um dos raros momentos que ele dirigia aquele sorriso discreto e raro, muitas vezes ao filho, ou a ela, apenas afastou aqueles pensamentos do homem a sua frente que a fitava com os belos e pálidos olhos azuis – enquanto as mãos pálidas afagaram os cabelos loiro-arruivados, Enzo apenas sorriu com o gesto do maior, seu sorriso era discreto mais ainda assim alegre.
–Io sto bene¹, Enzo... – murmurou baixo, mas a ruiva ouvira com perfeição pelo eco do cômodo da casa – Como está, Angelita?
Ela apenas sorriu fraco com a visita do melhor amigo – enquanto apenas lançou um olhar calmo ao filho que apenas mantinha-se ao lado dele – Ele está parecido com o jeito de Alaudi, até mesmo o jeito de andar, suspirou, enquanto apenas ajeitou os cabelos ruivos presos num coque desajeitado, dando um sorriso meio indiferente ao amigo.
–Enzo, deixe-me falar um instante com Alaudi... – ajeitou o belo vestido que apenas lhe ressaltava o seu corpo magro e esguio – Diga a Nina que logo iremos jantar que só falarei um instante com Alaudi, está bem mi pequeno...
O menino lançou um olhar à mãe – que sorriu, ele corou levemente, deixando o mais fofo possível – enquanto ela apenas moveu ás sobrancelhas ruiva com isso, o menino ficou alerta com aquele gesto pouco comum da mãe.
–Mas mama, Alaudi irá jantar conosco não é? – pergunta olhando inocente aos dois.
Ah! Não me culpe Alaudi, concluiu enquanto um sorriso foi desenhado em seus lábios em tom de inocência, fazendo um inocente bico para o convidado.
–Só ele pode nós responder, mi pequeno. Irá jantar conosco, Alaudi... – um sorriso trocista brincou nos lábios da ruiva ao ver o rosto contraído do loiro – Irá?
O loiro apenas juntou as sobrancelhas – enquanto a ruiva analisava o rosto pálido e contraído, para alguns seriam indiferença, para ela, desgosto por aquele ato totalmente inocente de sua parte – enquanto ele voltou-se ao menino.
–Claro que irei, vá fazer o que a sua mãe mandou... – sussurrou baixo, sua voz era normal com Enzo – Agora, vá, Enzo...
O menino alargou o sorriso – gritou “Lorenzo! Nina!” – enquanto o loiro voltou-se a ruiva com a expressão indiferente, mas uma veia destacada no belo rosto do italiano.
–Isso muito baixo até para você, Angelita... – apenas lançou um olhar frio a ela que aumentou o sorriso tolo – Não use seu filho para seu trabalho sujo.
Ela apenas arqueou as sobrancelhas ruivas – não e minha culpa, eu só tenho um interesse como amiga nisso, afinal, somos amigos – enquanto apenas passou as mãos pelo vestido cintado.
–Não é minha culpa se tenho um interesse nisso também, além disso, não preciso usar Enzo para convida-lo a jantar conosco... – fingiu indignação com aquela frase, mas um sorriso tolo brincava em seus lábios, seus olhos apenas fixos no loiro a sua frente que apenas olhava desconfiado – Mas minha curiosidade falar mais alto, o que houver? Pelo que saiba está com raiva de mim, eu pensei em ir a Sede, implorar o seu perdão.
Ele botou as mãos dentro do casaco de que usava, ouvido aquela frase com sentindo da outra, havia passado semanas desde a ultima vez que havia se falado, enquanto Angelita apenas mordeu o lábio inferior com aquele gesto incomum do loiro que mantinha a expressão fria – um sobretudo preto que contratava com sua pele pálida – olhando sério, sentiu seu estomago revirar com isso.
–Se afaste de Giotto, ele não é confiável... – a ruiva apenas revirou os olhos com aquela afirmação tão conhecida por si – Ele se mete em muitas encrencas...
Surpresa estampou os seus olhos castanho-esverdeados – cruzou os braços em frente ao abdômen – estou realmente pasma com isso, mi amigo, o que diabos está acontecendo?
–Não sei o que deu em você, mas fique longe de Giotto... – a frase saiu em rosnado.
Ela olhou confusa – piscou algumas vezes – e balançou a cabeça com isso.
–Oh! Eu sei... – resmungou, tentando focar-se no encontro casual com o amigo que apenas levantou uma das sobrancelhas em desconfiada com aquele tom dela, era evasivo e sério ao mesmo tempo – Mas não sou eu que estou pedido uma reunião, Alaudi, Vongola e Cavallone querem falar comigo e com Yuka, não poderia deixar jovem japonesa ao lado daqueles lá...
Loiro juntou as sobrancelhas com a nova informação – enquanto olhou – uma expressão surpresa passou rapidamente pelo rosto, mas substituída rapidamente por uma mascara fina e superficial de indiferença vindo dele.
–Yuka está de volta à Itália? – a pergunta saiu em voz baixa.
–Permanentemente... – respondeu a ruiva olhando-o de relance com sorriso tolo nos lábios avermelhados – Ela decidiu que o Japão era tradicional demais para criar o pequeno Ichigo, ia visita-lo depois de amanhã comigo, mas você estava com raiva de mim, pensei em não aumentar os meus anos de cadeia...
O deboche era evidente na voz dela, mas ainda havia certo respeito pelo loiro a sua frente.
–Está brincando com fogo... Riverolla – ouviu a voz baixa, ameaçadora.
–Ora, Alaudi, eu só estou sendo sensata quanto a você... – retrucou com sorriso trocista em seus lábios – Não gosta das minhas visitar, lembra?
O loiro não respondeu de imediato. Alaudi pareceu surpreso, juntou as sobrancelhas com isso, enquanto assimilava a informação repassada pela ruiva, era verdade – enquanto apenas meneou em concordância com aquela afirmação sobre a volta da outra mulher á Itália – enquanto uma leve batida anunciou o jantar.
–Venha comer, Enzo nós esperar...
x
O pequeno apenas animou-se com a presença do loiro, a ruiva apenas sorriu com alegria do herdeiro – Angelita apenas suspirou com isso, eles são parecidos demais até mesmo no jeito de olhar, pensou com pesar enquanto apenas sentou-se ao lado de ambos, a comida foi servida enquanto o pequeno relatava o seu dia ao amigo, a ruiva ouvia com atenção assim como o loiro que apenas meneava silencioso. Um sorriso pintou seus lábios – ele gosta muito de Alaudi, assim como tem uma simpatia por ele – apenas voltou sua atenção, uma vez ou outra fazia um comentário irrelevante a conversa, sorriu ao perceber olhar admirado do filho ao Inspetor de Policia.
Uma lembrança não muito distante fez lembrasse-se do seu pai – ele odiava Alaudi, tanto quanto, Patrick, eu suponho que ele tinha medo de ambos, mas Alaudi logo o conquistou com sua timidez e seu desempenho, além de dizer, que ele era um bom rapaz – apenas sentiu o gosto do molho branco de sua comida, apenas observou suas companhias. Parecem pai e filho, apenas constatou aquilo, enquanto bebeu de seu suco, saboreando com delicadeza em sua boca.
–Alaudi? Quando virá novamente? – a voz de Enzo a tirou de seus devaneios.
Ela apenas sorriu com o gesto tímido do filho, lançou um olhar fugitivo a sua companhia que apenas mastigava o pedaço de carne em sua boca.
–E Alaudi... Quando virá? – soou sua voz divertida pelo cômodo.
Ele mandou-lhe um olhar nada amistoso – enquanto fitou diretamente o loiro-arruivado que olhava com expectativas – Eu sei que injusto, Alaudi, mas se bem que... Enzo gosta tanto da sua companhia quanto eu, então isso foi inocente de ambas as partes, mas ela sabia que o loiro ia culpa-la por isso, sempre achará que uso o meu filho para isso.
–Em breve, senão tivesse muito trabalho, Enzo... – começou baixo – Prometo que tentarei vim no fim de semana...
Respondeu polido como sempre. Um sorriso discreto – mas tolo brincou nos lábios do menor, assim como da mulher, enquanto a mesma voltou degustar da sua bebida – cada dia mais parecido comigo, ao mesmo tempo, com ele, seus sorrisos sempre tão tolos, mas retraídos.
–Então, acho que está na hora de dormir mocinho... – sorriu doce ao filho que apenas bocejou confirmando a sua suspeita sobre o sono que lhe era convidativo para ele – Suba que estou indo, dispensar de Alaudi.
O menino apenas acenou para a mãe – dando um beijo no rosto dela – virou-se ao loiro enquanto apenas sua voz ecoou.
–Buonanotte¹ Alaudi, mama estarei esperando... – o garoto apenas retirou-se.
Silêncio foi incômodo entre eles – ela terminou seu suco – limpou com guardanapo os cantos da boca, esperando que sua companhia se despedisse assim como era de costume dele, mas não foi aquilo que ocorreu naquele momento.
–Ele está cada vez mais parecido com você... – a voz de Alaudi soou indiferente, mas havia algo por baixo da voz calma e polida do loiro – O mesmo sorriso insolente e o tolo, e isso foi sujo de sua parte, Angelita, usa-la desse jeito.
Ela revirou os olhos com isso – enquanto apenas riu-se do loiro – deu de ombros enquanto colocou o guardanapo no lugar, observou os orbes azuis que a fitavam com certa intensidade.
–Ora, velho amigo, eu não sou insolente, além disso, temos muitos interesses em comuns... – retrucou sem humor, mas uma risada saiu dos seus lábios com as palavras do loiro – Não seja tão mau, Alaudi, mi pequeno não é insolente, apenas puxou uma característica minha, além de um lado, retraído do pai... Grazie³ por ficar Alaudi, sei que não gosta muito disso.
O loiro pareceu analisar através das palavras vagas dela, vazia, uma falsa cortesia em sua voz doce e suave que encantava qualquer um, menos a ele que a conhecia melhor que ninguém – enquanto o sorriso tolo e insolente que o loiro tanto odiava apareceu em seus lábios – ela levantou-se, ajeitando o vestido claro que combinava com seu tom de pele pálido.
–Essa visita não foi ao acaso... – ele apenas limpou os cantos da boca com guardanapo – Vai contar quando para ele? Sobre a paternidade? Sobre quem é o pai dele? Angelita.
Ruiva parou no lugar, senti os olhos azuis perfurantes em si – enquanto ela apenas paralisou com aquilo – nós últimos cinco anos aquele assunto nunca foi mencionado por nenhuma das partes, nem mesmo na noite do nascimento do menino aquilo fora dito. Aquilo era irônico que ele quisesse falar sobre isso, ela apenas suspirou, sabia que algum dia aquilo iria acontecer de uma forma de outra.
–Deixe-me coloca-lo para dormir, me espere na sala do piano...
Apenas deixou sua companhia sozinha – sem receber resposta dele – enquanto seguir para escadaria, deu o melhor sorriso, enquanto apenas viu seu pequeno tesouro ali.
–Buonanotte¹, mi pequeno...
Começou a cantarolar uma musica antiga.
x
Ele estava quieto – como sempre, ele sempre reclamou de como eu era sociável quando mais nova, por isso, ele odeia tanto Giotto – ela apenas andou em passos suaves sobre aquela sala, até o piano, a sua companhia estava sentada na poltrona, ela podia ver perfeitamente a luz que iluminava o cômodo, enquanto ela deslizou sobre o teclado, uma musica melódica soou.
–Então, por que dessa conversa? – sua voz saiu tensa.
Não houver resposta de imediato – ela já esperava por isso, ajeitou o vestido que prendia do lado, esperando pacientemente a resposta do loiro – enquanto apenas deslizou os dedos sobre o teclado com certa sutileza, odiava aquele tipo de conversa, Enzo tem um pai, e você sempre esteve presente, Alaudi... Nunca lhe mentir sobre isso, mas ainda tenho as minhas dúvidas sobre isso. Ela se lembrava dele ao seu lado, desde o nascimento até mesmo na educação do menino, o loiro era parte essencial daquela relação além de exemplificar uma figura paterna.
–Acho que Enzo tem que saber...
–Que mãe não saber quem e o pai... – trincou os dentes com isso ao pensar novamente naquele assunto irritante para si – Poupe-me do discurso, mi amigo, eu sei que estou sendo errado, mas não sei se Enzo e seu filho.
Ela sentiu mãos afagarem suas costas – era um gesto raro vindo dele, ignorou aquilo, enquanto deste trincava os dentes – enquanto suas mãos deslizavam sobre o piano.
–Eu sei que eu sou o pai de Enzo, nós dormimos juntos... – ela corou com isso, apenas tentou voltar atenção para o piano – Ele não tem nada de Alberto, nem mesmo um mísero traço dele naquele menino, eu acho que realmente sou o pai, afinal, somos parecidos não é?
Ele também percebeu aquilo, assim como eu, sempre tão observador. Pigarreou constrangida com isso – tentando não se lembrar daquela noite, nem se quisesse poderia lembrar, apenas fora estúpida naquela noite de chuva – álcool era o culpado, ela sempre teve tolerância baixa álcool, não se lembrava de muita coisa, só sabia que por um milagre havia chegado à casa do melhor amigo totalmente inebriado pela bebida.
–Não me lembro daquela noite... – resmungou mal-humorada com aquela conversa nada amistosa – Mas que mesmo assumir a paternidade do Enzo, e realmente isso que quer Alaudi?
Sua voz soou rouca – séria – enquanto fitou o loiro, silêncio predominou enquanto a ruiva apenas lançou um olhar analítico no melhor amigo, enquanto apenas viu as mãos afagarem os cabelos ruivos.
–Só vamos confirmar aquilo que ele desconfia... – retrucou.
Ela abriu a boca para replicar aquilo, mas fechou-a novamente – tentar desiludi-lo não adiantara, ele é o pai, Enzo é a cara dele até mesmo a personalidade difícil que herdou dele – voltou sua atenção ao piano, enquanto apenas sentiu o calor dele se afastar.
–Não acho que ele queria conhecer o pai... – ironizou – Ele já tem um, e você de qualquer maneira...
Ela tocou com maestria o piano – arrancando um olhar surpreso do loiro com aquelas palavras – a melodia recém-composta pela ruiva apenas ecoou pelo cômodo, era terna e melodia, talvez um pouco melancólica de certa maneira. Uma canção que tocava os mais frios dos corações – os dedos dela dançavam sobre as teclas do piano com suavidade e maestria que ele conhecia melhor que ninguém – ele nunca ouvirá tocar como daquele jeito... Essa era uma canção da chuva. Angelita sabia – seus erros sempre estariam ali – mas ela também sabia que Alaudi sempre estaria ao seu lado, como sempre foi.
Dela e do filho, Enzo...
Fim².
Notas finais
Esse one será um presente para mim mesma de dia dos namorados ¬¬ Irônico não é?
²Mas enfim, esse one é uma coisa linda que estava fazendo, eu espero que gostem, depois de terminar todos os meus projetos pendentes, vai haver uma continuação...
Esse one foi escrito com certa melodia mas por causar do tédio mesmo, mas amei escreve-lo mesmo que não exista nenhuma coisa sobre Alaudi que fale do passado dele, eu escrevi com o coração.
Uma pequena explicação do vocabulário usado aqui.
Obs:¹Salve - Olá
Buongiorno Bom-dia
Buonasera Boa noite
Buonanotte Boa noite
Tutto bene? - Tudo bem?
Io sto bene, grazie - Eu estou bem, obrigado(a)
Grazie - Obrigado(a).
*O uso dos cumprimentos "buongiorno" (bom dia) e "buonasera" (boa tarde/boa noite) pode variar de local para local, mas geralmente:
- "buongiorno" é empregado desde a manhã até por volta das 18h.
- "buonasera" é empregado a partir das 18h.
- "buonanotte" (boa noite) é empregado para despedir-se de alguém, indicando que se está indo dormir.
Comentários? Críticas? Elogios? Pauladas?
Fale com o autor