Rain Promises
1 Promessas na Chuva
Notas iniciais
D. Gray-Man
Promessa na chuva
QUANDO SE MENOS ESPERA
QUANDO SE MENOS DESEJA
O AMOR APARECE
SEJA EM SUA FORMA MAIS SIMPLES
SEJA EM SUA FORMA MAIS PERFEITA.
*~*~*~*~*~*~*~*~*~*
Era o começo de uma estação chuvosa, fria e provavelmente de pessoas que adoeceriam com a mudança brusca de temperatura. Sim, esse era as boas-vindas dadas pelo começo do outono na cidade de Osaka. Em uma escola em particular alguns responsáveis pela arrumação dos jardins levantavam as mãos e agradeciam por não serem mais obrigados a regarem as plantas, passando assim boa parte do tempo fora do alcance das chuvas, e sim ajudar a manter a ordem nas ruas e escadas que faziam parte da construção. Enquanto isso, os alunos começavam a reclamar pela constante preocupação em se levar uma sombrinha na bolsa e uma boa quantidade de roupas que os manteriam aquecidos em meio ao tempo frio que começava a massacrar a cidade.
Primeiro Ato
Allen x Yuu-chan
Os raios de sol não adentraram o quarto da jovem como o de costume em épocas de verão e primavera, permitindo que o clima frio continuasse aconchegante por mais tempo. Em meio aos lençóis, os cabelos escuros de uma garota adormecida, se espalhavam pela cama em várias direções dando um aspecto gracioso a jovem. Agarrada a uma almofada em forma de coração, Yuu enterrava seu rosto apreciando a maciez e suavidade do objeto com tanta vontade que seria impossível não desejar fazer o mesmo. A temperatura baixa e a falta de luminosidade eram fatores contribuintes para a permanência da jovem em seu mundo de sonhos e fantasias.
Ao seu lado o som do despertador aumentava gradativamente com o passar do tempo, porém a mesma não fazia menção de querer pará-lo ou de que iria acordar a qualquer momento. Inconscientemente, Yuu sabia que deveria acordar, porém a vontade era algo que a impedia de fazer qualquer movimento.
“Yuu-chan! Acorde!”, a voz embagarda de Rose soava pelo quarto.
“Ah. Me deixa dormir só por mais cinco minutinhos!”, gemeu sonolenta.
“Não, senhora! Vamos. Não podemos perder a prova de história hoje!”, Rose levantara desesperada, lembrando-se da prova para que tanto estudara.
“Tá. Tá! Já vou sua chata!”, resmungou levantando-se da cama e esfregando os olhos. “Levantei, feliz?”
“Bastante!”, sorriu para a irmã e correu para o banheiro para se aprontar.
Yuu tornou a deitar com a desculpa que ficaria esperando pela irmã enquanto ela estava tomando banho. Sem querer, acabou dormindo de novo e em meio ao seu cochilo acabou se deixando levar para um sonho calmo e fantasioso.
~°~*~*~*~*~*~°~
O som da chuva era forte, assim como os barulhos de suas pancadas contra as grandes janelas do quarto. O ambiente estava um pouco escurecido graças à falta de luz e o céu nublado. Sentada no meio do quarto, a jovem de cabelos acinzentados fitava a chuva com uma certa curiosidade, principalmente as nuvens que brilhavam graças aos relâmpagos. Em meio aos seus desvaneios, batidas na porta soavam pelo quarto, como se desejavam despertá-la para a realidade e o presente.
Lucy se levantou assustada, virando-se para a porta com o coração acelerado. Deu-se um tempo de dois minutos para se recompor e caminhou calmamente até a maçaneta, girando-a com cuidado. O gemido da porta a fez estremecer e hesitar por um momento, afinal, porque ela estava ali e porque decidira abrir a porta sem saber que estava atrás dela? Nem ela ao certo entendera isso, mas fizera.
Ao abrir a porta, Lucy se surpreendeu com a imagem do garoto mais famoso da Ordem Negra e estranhamente mais querido. Allen Walker estava parado a sua frente, completamente ensopado e com um sorriso mais inocente e puro que poderia brincar em sua face. O ar ingênuo dele era tão envolvente que a própria exorcista se viu sem palavras diante daquela visão tão bonita.
“Err... Oi Lucy! Desculpe-me aparecer assim do nada, mas é que a janela do meu quarto acabou quebrando com a força do vento e o Komui me pediu para procurar um quarto para ficar.”, ele coçou a bochecha num gesto de timidez. “Bem, o Lavi já divide o quarto com o Bookman. O Bakanda, digo, o Kanda não vai topar nunca dividir o quarto comigo e a Lenalee. Err... Nem preciso dizer qual foi a reação do Komui, né?”, Allen riu sem graça ao lembrar do aparelho perfurador que o Supervisor usara em sua ameaça de morte caso pedisse para dividir o quarto com ela.
“Hm, entendo. Ah, você quer dividir o quarto comigo?”, se sentiu uma boba por perguntar algo tão obvio, mas ela só desejava uma confirmação mais verdadeira.
“É só por uns dois dias. Mas olha... Se for incomodo eu procuro outra pessoa, não se preocupe.”, a voz do rapaz de cabelos claros soou um pouco envergonhada.
Sem saber direito o que fazer naquela situação, resolveu apenas assentir e dar passagem para ele. Com um sorriso gentil no rosto, sibilou um ‘Bem-vindo ao meu quarto’ e apontou para lugar. Ao observar o local, Allen admirou a arrumação e a decoração completamente diferente a do dele. A cabeceira do beliche tinha duas luminárias, com um vaso pequeno onde rosas vermelhas repousavam bonitas e cheias de vigor. Quadros de pinturas famosas estavam espalhados pelas três paredes do quarto de forma bem aproveitada.
“Nossa, bonito o seu quarto Lucy.”, Allen sorriu para ela com carinho.
“Ah, obrigada.”, sorriu carismática.
“Lucy, você tem costume de dormir onde?”
“No beliche de baixo!”
“Ah, ok!”
“Hey, Allen-kun! Pode usar ali, aquela cômoda vazia. Eu só uso o armário então não tem problema algum.”
“Obrigado, Lucy.”, ele sorriu gentil, provocando nela um rubor suave que por sua vez, conseguiu esconder ao olhar para o lado oposto.
Enquanto Allen arrumava suas coisas Lucy se concentrava em não demonstrar que ficara envergonhada com o sorriso tão bonito e puro do rapaz. Engoliu em seco, andando calmamente até o outro lado do quarto, sentando-se a cama. Puxou algumas coisas, recortes de jornais e um diário antigo. Enquanto folheava o pequeno livro, um sorriso cheio de saudade se fazia presente em seus lábios e se intensificava a cada lembrança que lia naquelas paginas amareladas. Ficou tão absorta em seus pensamentos que não vira o olhar azul que caía sobre si.
Allen se virara para perguntar sobre o que ela iria fazer nas próximas horas, mas parou ao contemplar a expressão gentil e nostálgica da jovem. Aquela expressão o preenchera com certo carinho e alegria que não permitia que o mesmo desvencilhasse seu olhar do rosto da dela. Um sorriso se formou em seus lábios, enquanto um brilho em seu olhar começara a crescer.
~*~*~*~*~*~*~
Lucy andava pelos corredores da Ordem, procurando por uma pessoa em particular. Seu rosto se virava em todas as direções de portas que estavam abertas e que a permitiam visualizar os interiores das salas. Soltou um suspiro ao chegar até a biblioteca da Ordem, onde era o último lugar que poderia encontrá-la. Adentrou o lugar, não deixando de se impressionar com os inúmeros livros e prateleiras ali existente, e os quais não pareciam ter fim.
Percorreu o lugar com o olhar, numa procura agoniada pela jovem ruiva. Abriu um sorriso ao encontrá-la sentada, concentrada em algum livro sobre uma das mesas. Aproximou-se da mesma rindo suave enquanto lhe cutucava a bochecha com o dedo indicador. Por sua vez a ruiva deu um pulo para trás, caindo da cadeira e batendo com força a cabeça no chão. A preocupação ficou estampada em seu rosto, enquanto se abaixava e tentava socorrer a amiga que apenas ria da confusão que fizera.
“Oi Lucy-chan! Estou bem, mas você me deu um belo susto!”, ela riu divertida, aceitando a ajuda da outra para levantar.
“Desculpe-me Hika-chan! Não queria te...”
“Ah, relaxa. Faz parte. Então, estava me procurando?”
“Hmm... Sim!”, ela respondeu com um sorriso gentil, dando um ar jovial e bonito a sua face.
“Precisa de alguma ajuda? Ah, soube que o Nanico, digo... o Allen está dividindo o quarto contigo. Heey, aquele safado não te fez nada, fez?”, ela lançou um olhar censurado que poderia meter medo em qualquer homem.
“Ah, não, não Hika-chan! Ele está sendo muito gentil e...”, sentiu algo quente sobre suas bochechas, e levou as mãos repentinamente até as mesmas.
“Não. Mentira.”, Hikaru exclamou com uma expressão surpresa.
“O que?”, perguntou assustada, olhando para os lados.
“Você não está gostando dele, está Lu-chan?”, a ruiva se aproximou mais da albina, piscando os olhos surpresa.
“Hein? Não, claro que...”, novamente ela sentiu aquele ardor em suas bochechas acompanhado de um batimento cardíaco instável.
“Responda-me. Está sentindo a face esquentar o coração acelerar a cada vez que o vê ou se lembra dele?”
“Unhum!”
“Feche os olhos, Lucy-chan! Qual a primeira pessoa que você pensa quando deseja proteger.”
“...”, assim ela o fez, e como por mágica o rosto puro e gentil do Allen se formou em sua mente. “Hmm... É o Allen-kun.”, respondeu simples, como se ainda não soubesse o que aquilo significava.
“Ah-há! Acertei! Ora, Lucy-chan. Não sabe o que é isso?”, a ruiva apoiou o rosto na palma da mão, a olhando com um sorriso simples nos lábios.
“Não. O que é Hika-chan?!”, piscou ainda sem entender, despertando um pequeno riso da outra.
“Você está gostando do Allen, Lu-chan!”
“Hm...”, piscou mais algumas vezes até entender. “O QUÊÊÊÊÊÊÊÊ???????!!!!!!”, perguntou histérica, dessa vez quase caindo da cadeira e se surpreendendo com a quentura que lhe subira pelo rosto.
~*~*~*~*~*~*~*~*~*~
Aquele era o quarto dia em que estavam dividindo o quarto após a aceitação da Lucy. Allen voltava do refeitório calmamente, ainda sem entender o porquê da mudança drástica do jeito dela. Será que havia feito algo que ela não havia gostado? Em meio ao caminho para o aposento, ele andava com a cabeça abaixada, franzindo a testa numa expressão de preocupação. Não queria que ela ficasse com raiva de si. Não entendia ainda direito, mas não gostava da sensação de não tê-la mais por perto, rindo ou conversando consigo. Suspirou ao estancar em frente a porta do aposento.
Respirou fundo duas vezes antes de abri-la com calma. Olhou para dentro e viu a silhueta dela sentada sobre a cama. Parou, pensando no que deveria fazer por um momento. Instintivamente balançou a cabeça, tentando se concentrar no que deveria fazer. Precisava conversar com ela a respeito da falta que a mesma fazia para si e o porque de estarem tão distantes. Aquilo o feria demais, de uma maneira que ele não conseguia se curar. Com passos calmos e levemente pesados, sentou-se ao lado da outra a contemplando sem perder o foco. Eles se conheciam de algumas missões juntos e alguns encontros na Ordem Negra, mas nunca tiveram um contato maior.
Para Allen, Lucy era uma menina forte e cheia de vigor, porém assim como ele, parecia possuir um passado triste e que doía lembrar. Abriu a boca para começar a falar, mas surpreendeu-se ao ver as lágrimas, uma a uma, que rolavam pelo rosto dela e molhavam suas pernas. Viu o olhar petrificado da jovem enquanto olhava especificamente para uma data e letras manchadas por marcas d’água que ele jurara que poderiam ser as mesmas lágrimas que ela despejava ali.
Sem saber o que fazer Allen a puxou para si, a envolvendo em um abraço forte e caloroso. O baque do diário contra o chão soou pelo silêncio duro do lugar. Um silêncio doloroso. Cheio de pesar, e em meio a esse mesmo silêncio, o choro baixo de Lucy passou a ser ouvido no ambiente frio e escurecido. Com a mão da sua Innocence, Allen afagou os cabelos dela num ritmo suave e cheio de ternura, enquanto encostava os lábios em sua orelha direita, sussurrando palavras de reconforto.
“Sei que certas coisas não são fáceis, Lucy... Principalmente quando nos fazem falta e sabemos que de alguma forma somos responsáveis pelo que aconteceu em nosso passado...”, sua voz saía cheia de conforto e preocupação. “Mas acho que nos momentos em que sentimos essa dor, precisamos relembrar outras coisas. Coisas que nos fazem felizes e que nos motivam a viver.”, enquanto falava, Allen percebia que o choro de Lucy ia diminuindo aos poucos.
Permaneceram em um silêncio aconchegante, de cumplicidade. Não precisavam se encarar para saber que podiam contar um com o outro naquele momento. Era como se um laço se formasse entre os dois, criando uma ligação firme e duradoura.
“Você... Você lida assim com seus problemas?”, perguntou pela primeira vez, observando-o nos olhos.
“Na maioria das vezes, faço da melhor forma que posso.”, esboçou um sorriso calmo, mas com um ‘quê’ de tristeza.
“Allen-kun!”, Lucy o chamou com urgência. “Vamos prometer uma coisa?”
“Hm?”, o olhar de surpreso se fez presente em sua face. “Claro. O que?”, perguntou gentilmente.
“Vamos prometer que... Que...”, Lucy estagnou. Por um momento, a insegurança lhe gritou mais alto, alertando-a para que parasse. Como ela poderia propor alguma coisa se o acabara de conhecer mais? “Hmmm...”, precisava encontrar um jeito de contornar a situação.
“Já sei. Lucy...”, Allen puxou a mão de Lucy, a fazendo olhar em seus olhos.
“O-O que?”
“Você vai me prometer uma coisa...”, o sorriso gentil voltara novamente a sua face. Um sorriso infantil e coberto de pureza.
“Hm?”
“Sempre que a dor lhe apertar... Sempre as lembranças se tornarem insuportáveis, você vai me procurar, certo?”, Allen apertava a mão de Lucy com um pouco de força, querendo manter contato visual com ela. A troca de olhares seria o primeiro fator que selaria aquela promessa para sempre. “E se alguma vez eu não estiver ao seu lado...”, lentamente, Allen encostou a testa na dela, fechando os olhos e respirando serenamente. “Pense nas nossas lembranças mais bonitas e preciosas. Pois quando pensar nelas, eu estarei sempre ao seu lado.”, sussurrou por fim, inclinando o rosto e se aproximando dos lábios da mesma.
“Eu prometo...”, sussurrou de volta, embargada pela sensação de calor e aconchego que estranhamente aquela situação criava para os dois.
Lucy sentia o coração palpitar rapidamente, como que se permitisse e abrisse a boca ali, ele saltasse para fora. Pressionando os olhos e não conseguindo segurar o tremor do corpo, permitiu que ele selasse seus lábios com um beijo suave e terno. Uma onda elétrica percorreu por todo o corpo da jovem, fazendo-a estremecer ainda mais sob os braços do rapaz, provocando nele a reação de abraçá-la contra o próprio corpo. O rubor preenchia a face dos dois, dando uma quentura maior em seus rostos e criando uma atmosfera fofa e romântica.
Allen se afastou calmamente após alguns segundos, esboçando o sorriso mais puro e gentil que dera desde que entrara ali. Segurando as mãos da mesma, ele abriu os lábios para dizer alguma coisa quando:
“YUUUUUUUUUUUUUUU! ACORDA MENINA! ESTAMOS ATRASADAS!”, Rose gritou desesperada, balançando-a com vontade.
“Hein? Mas... O Allen... Ele... Eu... Aaaaaaaaawwwwwwwwwwn! Foi tudo um sonho? Mas... Mas...”, Yuu sentou-se a cama com uma expressão chorosa e desiludida. “EU QUERO VOLTAR A DORMIR!”
“Hein?”, Rose arqueou a sobrancelha a olhando sem entender. “Mas é muita cara de pau, mesmo... Oh Bela Adormecida! A gente tem vida viu? E prova, ou seja... Levanta esse corpo daí e vai tomar banho logo!”
“Ahan... Tá. Tá.”, por uma ultima vez, Yuu levantou-se e olhou para cama, decidindo-se se sucumbiria a tentação de tornar a dormir ou não. “Ok, não está mais aqui quem pensou.”
Dando as costas a irmã, resolveu andar em direção ao banheiro e se arrumar, antes que fosse castigada e torturada pela gêmea por terem perdido a prova. Sorriu animadamente ao lembrar do sonho que tivera e passara a imaginar como seria a relação de Lucy e Allen se eles continuarem aquela promessa.
UMA PROMESSA NA CHUVA
QUE PERMANECERÁ PARA SEMPRE
EM SUAS DOCES
E QUERIDAS LEMBRANÇAS.
End.
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