Rain

2 Depois da chuva


Notas iniciais
Bem, como um dos meus escritores de Gintama preferidos aqui no Nyah, o Kasu251 pediu a continuação, ai está.

“Finalmente aqueles idiotas me deram uma brecha.” Sougo pensou enquanto saía do Shinsengumi, utilizando uma das rotas de fuga alternativas que existiam para ser usadas em caso de ataque terrorista. Os túneis estavam meio empoeirados devido a falta de uso e manutenção, mas serviriam para lhe tirar dali sem ser visto.

Desde que tinha ficado doente, Kondo e Hijikata haviam o transformado em prisioneiro, já que, pelas palavras do Vice-Comandante demoníaco, “se ia ficar sem fazer nada por uma doença que pegou enquanto devia estar preenchendo papelada,que ficasse completamente curado para não dar problemas dois dias depois.”. Desde aquele dia, um dos dois ficava de olho na sua porta, para garantir que ele não pusesse nenhum dedinho para fora.

Por sorte, uma ligação urgente de Matsudaira tinha tirado o Mayora samurai e o gorila stalker do Shinsengumi, por algum tempo, e Okita aproveitou muito bem esse fato. Em menos de cinco minutos, já estava andando por Edo, indo em direção ao Distrito Kabuki, mais especificamente ao Yorozuya.

Já faziam cinco ou seis dias desde o “incidente” com certa garota chinesa, e ele estava ansioso para falar com ela, apesar de não saber muito bem qual seria o rumo dessa conversa. Afinal de contas, eles tinham se beijado, contado segredos e chorado abraçados. Essa era uma mudança e tanto no seu anterior relacionamento de “rivais-talvez-amigos”.

Okita chegou na frente do prédio onde ficava o Yorozuya, dando de cara com uma moça de cabelos verdes.

“Ah, é aquela empregada robô que o Yamazaki stalkeia. Tama ou algo assim...” O sádico teve uma vaga lembrança de quando tinha tentado “ajudar” o viciado em anpan.

“Ei, o Danna está em casa?” Sougo perguntou.

“O Gintoki-sama e o Shinpachi-sama saíram para comprar remédios para a Kagura-sama, que está doente.”

“A china girl? E ela está ai?”

“A Kagura-sama foi proibida de sair de casa até estar melhor de sua condição.”

“Perfeito.” O rapaz falou mais para si mesmo e começou a subir as escadas. Por sorte, a porta da frente estava aberta. Isso não era tão ilógico, afinal ninguém seria burro o suficiente para assaltar ou invadir uma casa habitada por Gintoki e Kagura.

“Oy china, eu estou entrando.” Sougo disse abrindo a porta, mas não teve resposta. Entrando na sala, ele percebeu que a Yato estava deitada num futon estendido no lugar da usual mesinha de centro entre os sofás, com um pano úmido na testa e o rosto vermelho, provavelmente por causa de febre. Ela também tinha ficado gripada?

“Mami... Por favor... Eu sei que está fraca, mas coma só um pouquinho... Você com certeza vai se sentir melhor e o Papi logo vai voltar pra casa e aquele bobo do Aniki também. Mas primeiro você tem que estar bem alimentada para poder levantar a abraçar eles quando os inúteis finalmente perceberem que o melhor lugar do mundo é onde sua família está.” Kagura falou enquanto lágrimas caiam mesmo com seus olhos fechados. Estava tendo um pesadelo ou uma alucinação por causa da febre? Sougo involuntariamente se aproximou, tinha ido ali sem saber muito bem o que ia dizer, mas não podia simplesmente ficar assistindo a ruiva chorando daquele jeito. Aquelas coisas que ela falava eram provavelmente verdade, o que o fazia pensar que a vida dela tinha sido muito mais triste do que a dele. Se sentiu envergonhado. Enquanto ele se isolava e tentava ficar longe das pessoas por causa do seu trauma, Kagura tentava ao máximo seguir em frente sem se deixar abater pela tristeza. Em alguns aspectos, ela era muito mais forte do que ele. De uma hora pra outra, a garota chinesa se levantou, sua respiração entrecortada denunciando mais ainda o pavor que tinha sentido durante as alucinações. Demorou alguns minutos pra que Kagura percebesse ONDE estava e QUEM estava lá.

“Oy maldito, o que diabos faz aqui?” Ela perguntou, e sem dar tempo para uma resposta acertou Okita com um murro na cara.

“Droga china girl, pra que isso sua pirralha?”

“Você não respondeu a droga da pergunta!”

“VOCÊ NÃO ME DEU TEMPO DE RESPONDER SUA VADIA!”

“Droga... Não grite... Minha cabeça está estourando...” Kagura se curvou um pouco fazendo uma cara de dor e Sougo a obrigou a se deitar de novo, fazendo um carinho leve no seu cabelo.

“N-Não me toque!” Kagura virou para o lado contrario e se cobriu até a cabeça com o lençol.

“O que foi china? Aconteceu alguma coisa que eu não estou sabendo?” Okita perguntou, sem conseguir mais disfarças a preocupação com a Yato.

“Se você não soubesse seria porque se escondeu de mim por todos esses dias. SE AQUILO QUE ACONTECEU FOI UMA COISA SÓ DE MOMENTO TENHA CORAGEM DE DIZER NA MINHA CARA MALDITO! AHHH minha cabeça! Viu o que você...” Antes que Kagura terminasse, seu rival sádico se aproximou e selou seus lábios com um beijo leve e apaixonado. Aquela pirralha era burra feito uma pedra, mas ele a faria entender.

“Porque isso de uma hora pra outra?”

“Eu não posso sentir saudades de beijar minha garota?” Sougo sorriu sinicamente, ficando com um olho inchado depois que a ruiva lhe deu um murro.

“V-Você é u-um i-idiota. Não acredito que senti sua f...”

“Sua o que? Não me diga que sentiu saudades do grande príncipe dos sádicos aqui?”

“CLARO QUE NÃO! VOCÊ QUE DEVERIA SENTIR SAUDADES DA GRANDE KAGURA-SAMA!”

“É, realmente foi um pouco chato ficar sem ver sua cara idiota durante esses dias. Se Hijibaka e Kondo-san não tivessem me prendido no quarto até minha gripe passar eu teria vindo te irritar antes.” Sougo falou com seu tom entediado, sentando confortavelmente perto do futon.

“Quer que eu te mate seu... Espera como assim gripe?”

“Qual o problema pirralha? Nós dois pegamos a mesma chuva e só você tem o direito de ficar doente?”

“Mas...Mas...” Kagura começou a gaguejar, tinha passado todos aqueles dias chateada por pensar que Okita tinha apenas jogado com seus sentimentos, mas na verdade o sádico estava gripado?

“Mas... Mas... O que?” Sougo imitou a ruiva, fazendo uma veia pulsar em sua testa. “Não me diga que acha que eu sou o tipo de cara que sai beijando vadias aleatórias por ai? Está magoando os sentimentos desse oficial de policia china girl.”

“Calado!” Kagura falou, logo depois ficando totalmente em silêncio e baixando a cabeça, provavelmente tinha lembrado de seus pesadelos. Logo que percebeu as mãos trêmulas da china girl, Okita acariciou levemente o cabelo dela de novo, mas dessa vez ao invés de recusar, Kagura se aproximou mais de seu rival, deixando que ele lhe envolvesse num abraço.

“Dessa vez não podemos só ficar calados assim hein china? Eu não sou seu cobertorzinho pra ficar me abraçando apenas quando está triste.”

“Digo a mesma coisa pra você sádico maldito. Mas se está achando ruim é só me soltar.” Kagura rebateu, mas não queria que ele fizesse aquilo. Droga, se sentia malditamente segura perto daquele retardado.

“Como eu te amo vou fingir que não me importo de ser usado desse jeito.” Sougo falou num falso tom dramático.

“Ehh então isso era verdade mesmo? Essa nossa historinha de amor e ódio clichê é pra valer mesmo?”

“Não me diga que estava brincando com meus sentimentos antes china girl? Que cruel!”

“Dá pra parar de agir como uma adolescente dramática? Tsc, só fique calado alguns minutos, sádico maldito.”

“Já que insiste...” Sougo deu um sorriso pervertido e beijou Kagura mais uma vez, apertando a garota mais forte quando sentiu o gosto salgado das lágrimas.

“Kagura-chan chegamos...” Shinpachi abriu a porta e ele e Gintoki encararam a cena assombrados. Em um momento, o samurai de cabelo prateado bateu a porta de correr com força e saiu andando de cabeça baixa, acompanhado pelo óculos tsukkomi.

“Gin-san...”

“Esquecemos de comprar a Jump Patsuan. Vamos, vamos antes que acabe.” O choque dos dois só passou quando estavam bem longe do Yorozuya, e quando Gintoki voltou pronto para destruir Okita e usar a pele dele como casaco, o sádico capitão da primeira divisão já estava dentro de uma viatura, sendo levado de volta para o Shinsengumi ouvindo um sermão de Hijikata, enquanto uma certa ruiva olhava disfarçadamente pela janela e lhe lançava um sorriso.

“OY CHINA! É MELHOR FICAR LOGO MELHOR DESSA GRIPE PORQUE SE NÃO EU VOU TE BATER SEM ME IMPORTAR!”

“PODE VIR SEU MALDITO!” Kagura apareceu na porta e ela e Sougo trocaram um olhar animado. Teriam muitas coisas pra fazer quando melhorassem.

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