Ragnarok

I

The Awakening

Episódio 4 – Acordes

Hoje a Praça de Geffen estava especialmente lotada. Dark, que não era fã de grandes multidões, já se arrependia de ter passado por ali. Foi a música, porém, o atraiu. Um jovem no canto da Praça tocava, em um velho violão, uma melodia suave.

Apesar da harmonia simples, a habilidade do bardo transformava os acordes do violão em uma verdadeira sinfonia. Um chapéu que estava no chão, a sua frente, já começava a se encher de trocados. Quase todos os presentes pararam seus afazeres para escutar a música. O próprio Dark contribuiu com uma moeda.

Depois de alguns minutos a melodia finalmente atingiu seu ápice e terminou em aplausos calorosos da platéia. O músico fez uma reverência ao público, aceitando as vivas, quando alguém se destacou da multidão que tinha se juntado. Era um garoto, que esbarrou violentamente com o bardo, que caiu no chão. Este se levantou, pedindo desculpas, apenas para ver o menino fugir correndo da praça com o chapéu carregado nas mãos. Demorou alguns segundos para as pessoas entenderem o que tinha acontecido, mas finalmente caiu a ficha. Alguém gritou “pega ladrão!” e a perseguição começou.

O garoto era veloz. Ele corria pelas ruas, pulava muros e invadia quintais, tudo para despistar os perseguidores, que desistiam da corrida, um por um. O próprio bardo corria como louco atrás do seu dinheiro, mas também perdeu o fôlego e não conseguiu continuar.

O ladrão percebeu que os perseguidores tinham perdido sua pista, e se permitiu um momento de descanso. Ele estava em um beco escuro, recuperando o fôlego. Quando se sentiu recuperado, se virou, dando de cara com uma silhueta alta, que bloqueava o caminho.

-Você é escorregadio.

Era Dark. O gatuno quase teve um ataque cardíaco ao ver a figura sombria espreitá-lo. De algum lugar das suas roupas ele sacou uma adaga, ao mesmo tempo em que recuava em direção a parede o beco sem saída. Com a mão esquerda, ele segurava o chapéu roubado contra o peito.

O assassino meramente sacou suas próprias armas, cruzando as katares sobre o peito.O ladrão fez mais uma tentativa de apavorar Dark com a lâmina, mas pareceu perceber a diferença de poderes. Ele largou no chão a faca e o chapéu, levantando então as duas mãos sobre a cabeça em sinal de desistência. Então, com reflexos incríveis, o garoto chutou uma pedra solta no chão contra Dark. O mercenário cortou o projétil em dois, mas quando retornou sua atenção para o gatuno, já era tarde demais. Tudo que ele viu foi um vulto pulado para o outro lado do muro.

~

-... E foi isso o que aconteceu.

Dark e o bardo, que havia se apresentado como Slash, tomavam café em um pequeno quiosque em frente a torre de Geffen: O músico tinha pagado a bebida para Dark, em agradecimento a ele por ter recuperado seus ganhos do dia.

-Muito obrigado. Com isso já posso sair da cidade. Estou indo para Pronteira, procurar um instrumento melhor. Infelizmente este velho violão não se adéqua mais ás minhas habilidades superiores.

O jovem bardo deu de ombros, com um sorriso irônico. Dark se espantou com a falta de modéstia do outro, se bem que concordava com suas palavras. Aparentemente a vaidade de Slash tinha certa razão de ser. Ele realmente era um músico talentoso.

-Entendo. Fico feliz de ter ajudado, realmente.

-Bom, se um dia eu puder auxiliar em algo, não hesite em me procurar. Eu Le devo uma.

O bardo se levantou, recolocando o chapéu na cabeça. O dinheiro já estava seguramente o armazenado em seu saco de viagem. Eles se despediram e Dark, após acabar seu próprio cappuccino, seguiu seu caminho.

~

-HEIN!?

O grito de perplexidade ecoou pela torre de Geffen. O bruxo atendente suspirou. Ele apresentou o papel para Gillian mais uma vez.

-Esta é a lista de itens que requeremos dos novatos que pretendem se juntar a nossa guilda.

Gillian pareceu confuso por um momento.

-Mas quando eu... Quer dizer, o meu avô... Juntou-se à guilda dos Bruxos cinqüenta anos atrás não existia esse... Esse pagamento!

O atendente já estava perdendo a paciência.

-Isto não é um pagamento tanto quanto é um teste para avaliar a habilidade de analise e coleta dos novos Bruxos. — Ele pareceu pensativo por um segundo. -É verdade que a guilda está com o estoque baixo em minérios elementares... Mas é meramente coincidência. Não me importa em que Era seus antepassados se tornaram Bruxos, mas atualmente a coleta dos itens é uma etapa fundamental. Se quiser se inscrever, vai ter que buscar os elementos como todos os outros.

Gillian, aborrecido, pegou a lista, coloco-a em um bolso interno da capa e saiu bufando. O atendente estava visivelmente satisfeito em ver o mago orgulhoso pelas costas.

Na saída, Gillian encontrou Dark sentado na escadaria, o esperando. Ele andou na direção dele, mas quando baixou o pé para descer o degrau, ele não tocou o chão. Ele ainda estava em pé, mas era como se o piso não tivesse consistência. Todo o ambiente parecia irreal, como um sonho. Então ele percebeu algo mais nítido que tudo naquela paisagem de sonho: Estranhamente, era um som. Uma música, na verdade, mas o mago não conseguia reconhecer o instrumento: Era como se o próprio ar tocasse aquela canção. A paisagem em volta também mudara, não era mais Geffen. Era um campo verdejante, rodeado por colinas. A grama verde cobria tudo de horizonte a horizonte. De repente, tão abruptamente quanto começou, a melodia parou, e a paisagem, como se estivesse presa no lugar apenas pela música, desapareceu. Gillian sentiu a mão de Dark segurar seu braço.

-Você está bem?

Gillian olhou e volta e percebeu que quase caíra da escadaria. Ele recuperou o equilíbrio e soltou o aperto de Dark.

-Não foi nada, apenas ma visão, mas foi muito vaga.

O mercenário a assentiu e se afastou.

-Bom. Como foi na guilda? Achei que demoraria mais...

Gillian deu um sorriso cansado enquanto tirava do bolso a lista de itens que precisava.

-Aparentemente vou precisar destas coisas para ser aceito. Odeio a burocracia desta época.

Dark pegou a lista e deu uma olhada rápida.

-Não é tão ruim assim. Basicamente são só algumas gemas e minérios elementais, nada arriscado. Se não me engano já temos conosco algumas destas.

-Eu sei, mas é que... Eu queria relembrar as habilidades que eu perdi o mais rápido possível. Mas se é imprescindível, eu não tenho escolha. Vamos pegar o que falta o mais rápido possível.

O mago, apressado, saiu andando em direção aos limites da cidade. Eles não tinham caminhado nem cinco minutos quando Dark parou.

-Você conheceu o bardo? Como era mesmo o nome...

Gillian franziu o cenho para o mercenário.

-Bardo? Que bardo? Eu passei o dia todo na guilda.

Dark pareceu genuinamente surpreso.

-Ah. É só que... Essa música que você estava assoviando... Foi a música que ele tocou mais cedo, lá na praça.

O mago estremeceu. Ele nem tinha reparado que estava assoviando, mas agora que Dark tinha mencionado...

-É verdade? Mas... Essa foi a música que eu ouvi na minha premonição!

~

Na Cavalaria de Prontera, Siegfried já recebia sua primeira missão. Ironicamente, aquele que o entregava o encargo era o mesmo atendente que quase vetou sua entrada na guilda. Ele entregou um memorando com as instruções, evitando olhar nos olhos do sobrinho do rei.

-Aqui estão os detalhes da sua missão. Basicamente você precisa destruir a população de monstros que se instalaram nos esgotos da cidade.

O cavaleiro recebeu o papel, dando uma lida superficial. Eram informações sobre a localização dos monstros e suas características, bem como um mapa para a entrada dos canais subterrâneos.

-Tubo bem, acho. Já esperava que a primeira missão fosse simples. Já vou indo então.

-Espere.

O atendente mexeu em algo atrás do balcão, até encontrar o que procurava. Era o elmo dos orcs que Siegfried havia trazido para provar seu valor.

Ele estendeu o capacete para Siegfried, segurando-o pelo chifre.

-Eu queria devolver isso... Como desculpas por ter duvidado da sua habilidade.

Siegfried, surpreso pelo gesto do outro, hesitou em aceitar o presente. O homem insistiu.

-Vamos, eu não tenho o dia todo. De qualquer forma, isto é seu por direito.

O novo cavaleiro segurou o elmo em suas mãos por um segundo, antes de colocá-lo na cabeça. Era um pouco largo, mas duas tiras de couro ajustáveis foram adicionadas ao equipamento, de forma que este pudesse ser seguramente fixado.

-Muito obrigado.

-Não agradeça. Agora vá chutar a bunda daquelas baratas.

~

Ele bem que tentou.

Siegfried olhou novamente para o mapa, coçando a cabeça. Ele se esqueceu de avisar que tinha um péssimo senso de direção.

Naquele momento, ele estava em pé em cima de uma pequena colina. O dia estava lindo, com o sol brilhando no céu e as creamy esvoaçando alegremente pelo campo. Apesar do tempo bom, era difícil para o cavaleiro aproveitá-lo quando estava... você sabe... Perdido.

Ele só havia chegado a Pronteira há pouco tempo e ainda não tinha se aventurado muito pelos seus arredores, por isso ele não fazia a menor idéia de onde estava.

O cavaleiro se sobressaltou ao escutar um som horrível e se virou, estremecendo. Pareciam unhas arranhando um quadro negro. Para a surpresa do cavaleiro, o barulho veio de um violão rústico, ou um instrumento similar. Na verdade era uma versão bem menor, mas o que realmente o surpreendeu não foi o objeto, mas a criatura que o carregava. Era a primeira vez que Siegfried via um Rocker.

O grilo monstruoso castigou o violino mais uma vez, e o cavaleiro tentou tapar as orelhas, temendo escutar o gemido alarmante novamente. Foi um erro, pois o monstro aproveitou a oportunidade para atacar. A estranha criatura esmagou o violão em cheio na cabeça de Siegfried, produzindo uma longa nota aguda. O cavaleiro achou aquele som bem mais agradável do que a música que o monstro extraia do pobre instrumento. Siegfried fatiou o Rocker antes que este atacasse novamente, agradecido por ter conseguido um elmo novo naquela manha.

Um homem estava observando a luta de Siegfried, sentado em uma pedra próxima, e ele tinha começado a aplaudir. Apenas agora o cavaleiro havia notado sua presença.

-Bravo!

Siegfried percebeu que o recém chegado trazia um violão consigo e um chapéu na cabeça. Ele tinha olhos escuros e o cabelo visível sob o chapéu era castanho claro, parando na altura do pescoço.

-Bravo! Da próxima vez você devia tentar matar o monstro antes que ele quebre algo em sua cabeça, mas é só um conselho. — Disse o bardo, ironicamente.

-Eu só estava surpreso porque nunca tinha visto esse tipo de criatura antes. Não vai acontecer de novo.

O outro riu e se apresentou.

-Meu nome é Slash. Ao enfrentar Rockers, normalmente os aventureiros procuram destruir os instrumentos primeiro, para que a música não os atrapalhe quando eles tentam matar muitos de uma vez. E isso foi um conselho sincero.

-Me chamo Siegfried.

Eles apertaram as mãos de Slash explicou ao cavaleiro o que fazia ali. O bardo tinha viajado até o território dos Rocker procurando um instrumento musical lendário. Aparentemente o patriarca dos Rockers, o Vocal, possuía esse Violão mágico, mas ele quase nunca se mostra, sendo um monstro cuidadoso.

-Por isso eu queria pedir ajuda para encontrá-lo. Eu ia tentar sozinho, mas eu estou aqui há horas, e nada do Vocal dar as caras. Suponho que se matarmos muitos de seus subordinados, ele fique com raiva e venha tratar de nós pessoalmente.

-Tudo bem pra mim, mas porque você iria quere um instrumento desses monstros? O som é tão horrível que dá vontade de arrancar as orelhas!

-Na verdade, a única razão pelos Rockers tocarem tão mal é que eles querem tocar mal. É seu sistema de defesa. Mesmo assim, o violão do Vocal é especial. Você vai ver quando nós o encontrarmos.

Assim, os dois começaram a temporada de caça aos Rockers. Não difícil para nenhum deles, uma vez que os grilos gigantes não eram tão fortes assim. O bardo inutilizava os violinos com tiros certeiros de sua besta, e o cavaleiro retalhava os monstros logo depois, e em pouco tempo todos os monstros naquela colina foram exterminados. Eles seguiram em frente, deixando para traz uma trilha de criaturas despedaçadas.

Algumas horas (e muitos Rockers ) depois, Siegfried e Slash chegaram a um pequeno agrupamento de arvores que não chegava a ser um bosque. Eles mal pisaram naquela área quando escutaram um acorde. O bardo, por alguma razão, guardou sua besta e puxou seu próprio instrumento.

-O que... — Siegfried começou a perguntar, mas foi interrompido pelo companheiro.

-Silêncio.

Slash fazia uma careta de concentração. Outro acorde foi ouvido entre as árvores. Slash respondeu com um floreio de seu próprio violão. Houve um pequeno intervalo e o instrumento misterioso tocou mais uma vez, ao que Slash respondeu novamente. O cavaleiro desembainhou a espada, só por precaução.

-Não! Você vai assustá-lo!

Era tarde. Quando o som foi ouvido novamente, não foi um simples acorde. Uma melodia dramática irrompeu de algum lugar entre as arvores. A música trágica fazia Siegfried recordar lembranças amargas.

Ele deixou cair sua espada, e um baque revelou que o bardo fizera o mesmo com o seu instrumento. Por alguma razão, aquela música era muito pior que as notas desafinadas dos Rockers. Contra a sua vontade, o cavaleiro relembrava de Arianne, e como ela desapareceu de sua vida. O sentimento era tão poderoso que havia dor física.

Ele ouviu passos. Olhando para cima de sua posição derrotada, Siegfried finalmente viu o Vocal. Tinha a aparência de um Rocker comum, mas este era maior, de forma que conseguia usar o estranho violão que trazia apoiado no ombro como um violino. Ele usava o lado afiado do seu antebraço para extrair aquela melodia debilitante. Um pequeno esquadrão de Rockers o escoltava.

Reunindo toda sua força de vontade, Siegfried segurou o cabo de sua espada e se levantou. Sua vivacidade conseguiu sobrepujar o feitiço da música e o cavaleiro preparou-se para atacar.

Ele não chegou a completar o movimento. Cipós grossos se enrolaram em seus membros e tórax, restringindo seus movimentos. Siegfried olhou em volta e viu que a armadilha era obra de um bando de monstros-vegetais que tinham aparecido, aparentemente, do nada.

O cavaleiro deixou escapar um gemido de esforço, mas sua força não foi o bastante para libertá-lo. Slash não conseguia sair do transe da música.

O Vocal olhava para suas presas com aparente curiosidade, nunca parando de tocar. Ele parecia analisar os efeitos da música em Siegfried e Slash. O cavaleiro, numa tentativa desesperada, tentou chutar o violão para longe do monstro, assim que ele chegou perto o suficiente. O Vocal agarrou o pé com um de seus quatro braços. O ataque pareceu deixá-lo realmente furioso. Os Rockers mais atrás vibravam de excitação.

O monstro apertou o pé de Siegfried com força, quase chegando a quebrá-lo. No momento em que o cavaleiro achava que seus ossos não iriam mais agüentar, um guincho horrível veio das plantas que o prendiam. Elas estavam pegando fogo!

-Fire Bolt! Parece Chegamos na hora.

Gillian apareceu estalando os dedos chamuscados, com Dark logo atrás. Os cipós afrouxaram e Siegfried se soltou do aperto do monstro. Slash também recuou. Parece que o gemido das plantas enfraqueceu o poder da música.

-O que vocês estão fazendo aqui?- Perguntou Siegfried.

-Na verdade, estávamos procurando por ele. - O mercenário apontou para Slash, que parecia ainda um pouco tonto.

-Você... Você é o cara que devolveu meu dinheiro!

Gillian ajeitou as luvas com uma cara irônica.

-É, É, que reencontro feliz. Agora será que podemos nos concentrar no exército de grilos gigantes ali? Eles não parecem exatamente felizes.

Na verdade eles estavam furiosos. O Vocal tocava o estranho violão com mais violência, enquanto os Rockers corriam pra cima dos inimigos.

Slash recuperou seu próprio violão e começou sua própria melodia. Era estranho como a nova música parecia exatamente oposta a do Vocal, mas similar de certo modo. De qualquer forma, a nova harmonia parecia atrapalhar o poder hipnotizante da música da criatura.

Dark colocou sua katares e, por um momento, pareceu desaparecer um pleno ar. Alguns segundos depois ele reapareceu, ao mesmo tempo em que o grupo de Rockers caia no chão, destroçado. Gillian achou que ele tinha usado a arte da invisibilidade dos assassinos, mas percebeu que o efeito foi graças à velocidade suprema de Dark. O próprio mago se sentia mais veloz, de algum modo.

Slash deu uma risada selvagem e Gillian entendeu o que aconteceu. O acréscimo de velocidade se dava, de alguma forma, graças à música do bardo.

-Contemplem! Impressive Riff!

O Vocal vibrava furiosamente as cordas do seu instrumento, mas seu feitiço não mais surgia efeito. Percebendo sua situação, a criatura começou a fugir, o que de certa forma mostrava como era inteligente.

-Ah, não vai não!

Siegfried alcançou o monstro e, assistido pela música de Slash, retalhou freneticamente a criatura. Sua humilhação podia ter algo a ver com a fúria de seus ataques.

-Se você danificar o violão, eu te mato, ouviu?- Gritou Slash.

Siegfried levantou o instrumento com cuidado do monte nojento que sobrou do irritante Vocal.

-Aqui, nem um arranhão. Engraçado como ele conseguia tocar esse violão como se fosse um violino. Era isso que dava aquela vibração estranha?

Quando o cavaleiro mencionou isso, Gillian se lembrou da “visão” que teve. A música que ouvira era semelhante a da extraída do instrumento pelo Vocal.

-Não, isso é graças ao violão em si. — Respondeu Slash. — Veja.

Ele tomou o instrumento das mãos de Siegfried e tocou algumas notas, para se acostumar com o novo violão. O objeto parecia normal, mas tinha uma cor esverdeada. Alem disso, alguns detalhes em branco cruzavam o corpo. Parecia muito leve.

Então Slash começou a tocar. Era a mesma música que Dark ouviu mais cedo em Geffen, mas o novo instrumento fazia uma enorme diferença. O ar parecia vibrar e acompanhar a melodia, ressoando. Era como se uma dezena de violões invisíveis emitissem o mesmo som, ao mesmo tempo.

Gillian reconheceu imediatamente a música da sua premonição. Isso significava que Slash estava marcado. Se algum modo, o poder de desafiar o destino residia nele.

~

Depois do breve descanso, Dark se aproximou dos restos chamuscados das criaturas-plantas.

-Elas não são daqui, são?

Dark nem se virou: era Gillian. Ele também estava interessado na origem daqueles monstros.

-São Geographers. Nativas do norte. Com certeza não são daqui.

-Hum...

-Vamos logo ou vamos perder a luz do dia!- Gritou Slash, mais a frente.

Os dois seguiram o caminho, pensativos.

-Então, vamos pedir para o bardo se juntar ao grupo?- Perguntou Dark.

-Não, ainda não. Depois que eu resolver os problemas com a guilda. Talvez tenhamos que chamar o cavaleiro, Siegfried, mas o poder dele ainda dorme.

-...Entendo.

Eles decidiram ficar em Prontera por um tempo para ajudar Siegfied com uma missão, de forma que os quatro seguiram untos para a cidade.

~

Barry chutou uma pedra.

-Droga!

Elissa estava escondendo melhor sua frustração.

-Será mais difícil matá-los agora que estão todos juntos. Talvez devêssemos esperar que se separem, afinal teríamos acabado com o bardo e o cavaleiro se o mago e o assassino não tivessem aparecido.

-Eu disse pra você ficar de olho neles!

A sábia suspirou.

-Não é tão fácil, você sabe. Já é difícil conseguir uma localização geral em certo momento, imagina vigilância total. Não tenho energia pra isso.

Barry chutou a pedra de novo.

- Tsk. Escuta, não precisamos falar com a chefa sobre isso. Você ouviu, eles vão ficar um tempo na cidade.

Elissa pensou no rosto enfurecido de Runa e concordou imediatamente.

Os dois seguiram para Prontera.

~

Um vulto desceu de uma árvore, uma vez que não havia mais ninguém a vista. Ele pulou do galho para o chão com aparente facilidade e olhou para a direção que Barry e Elissa haviam tomado.

-Interessante...