Radioativo
8 Parte 2 - Klascity. Onde Os Fracos Não Têm Vez - Capítulo 8 "A Carruagem da Morte"
Notas iniciais
Clara Black estava sentada no banco de trás do Uno preto, dirigido por Alex. Mesmo após aqueles sete dias viajando, matando zumbis, buscando gasolina, água e alimentos, Clara não havia conhecido tão bem assim algumas pessoas que estavam a sua volta.
Ethan era o novo melhor amigo de Bony e eles estavam conversando do que gostavam de fazer antes da pandemia. Clara notou que era a melhor maneira deles passar o tempo. James Dufour, o loiro que quase matou o Alex, estava em silencio após ter gastado todo seu assunto sobre como era sua vida — que não era muito. James sempre tentava impressionar Clara e agora que estava em silencio dava umas olhadas de soslaio para a mesma, que estava perto da janela, enquanto ele estava na outra. Ethan e Bony sentavam sempre no meio do banco — quase nunca se separavam.
Emily Sanchez, pelo o que Clara soube, tinha 22 anos e cursava o segundo ano de medicina quando tudo começou. Clara sempre se perguntava como “Emily” poderia ter feito medicina, se sempre que um zumbi aparecia ela se escondia disfarçadamente atrás de Alex e fechava os olhos quando a cabeça de algum explodia. Ela estava sentada no banco do carona perto de Alex, como sempre fazia ultimamente, não saia de perto de seu namorado, sempre o beijando e demostrando que era propriedade sua, como se sentisse ameaçada por Clara, deveria ser pelas vezes que Alex à olhava disfarçadamente pelo retrovisor do carro, por causa do ciúme – mal disfarçado – sentido ao ver James dando em cima dela.
O frio daquele inverno parecia não cessar nenhum instante. A neve que caia quase o tempo todo, deixava as estradas impossíveis de serem utilizadas, tendo assim atrasado a viagem no dia anterior. Dois dias antes, eles pararam em uma pequena cidade no caminho para o norte. Tiveram sorte de terem encontrado roupas novas de inverno, água mineral e comida enlatada, pois não poderiam passar pelas grandes cidades devido ao caos que se estalara e a quantidade de mortos vagando.
Já era meio dia quando Alex resolveu quebrar o gelo, pondo um CD do Imagine Dragons, que era a banda favorita de Clara e de muitos ali. A primeira música que tocou foi I'm so sorrry. Bony sabia a letra e foi a primeira que começou a se soltar, Alex sorriu para a irmã e também começou a cantar. Logo todos estavam rindo e cantando, e Clara Black viu que aquele poderia ser o começo de uma grande família.
A noite estava chegando e a neve havia cessado. Dirigir à noite não era confiável, já que os zumbis estavam mais lentos, devido ao frio, e a possibilidade de uns aparecerem no meio da pista procurando por carne, tinha aumentado muito ultimamente. Ethan e Bony haviam encontrado um pacote de marshmallow, numa loja de doces. Há dois dias eles vêm implorando para que Alex fizesse uma fogueira, para que assim se esquentassem e assassem os marshmallows. E naquela tarde Alex e James foram buscar lenha, pois não era uma má ideia já que o frio estava congelando os seus ossos.
Clara e Emily estavam do lado de fora do carro, pegando as coisas que precisariam para acampar na floresta. Emily ficava encarando Clara de vez em quando.
— Você dormiu com o Alex? — perguntou Emily, finalmente quebrando o gelo entre ela e Clara, enquanto colocava uns sacos de dormir na mochila.
— O que você disse? — falou Clara, desviando o olhar da sua mochila, com água e comida, e olhando para Emily.
— Não se faça de tonta, Clara Black. Você sabe muito bem do que eu estou falando. Alex é homem, você é bonita e ele pensava que eu tinha morrido... eu não à culpo do que acon...
— Espera aí! — interrompeu Clara, largando a mochila no porta malas. Clara estava de cabelo amarrado, usava um casaco longo preto, que tinha duas fileiras de três botões cada na vertical, e Emily usava um parecido, mas vermelho — Eu só sou amiga do Alex. Não aconteceu nada entre a gente, estávamos só tentando sobreviver.
— Eu vi o jeito que ele te olha. — Emily largou também a sua mochila e chegou mais perto de Clara — Se não aconteceu nada, bem que ele queria que houvesse acontecido. Preste bem atenção Clara: Eu estou de volta, Alex é meu namorado e se... — Talvez a ruiva tivesse perdido o controle e partido em cima de Emily, se não fosse por Bony que saiu do carro e interrompeu aquela discussão.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou Bony, enquanto saia do carro, vestida com um casaco longo marrom claro, e com um cinto que definia sua cintura. Bony não parecia mais aquela garotinha fofinha de 12 anos que Clara havia conhecido, aparentava ser mais madura e bela.
— Não é nada Bony, — respondeu Clara — pode voltar para dentro do carro. Aqui fora esta congelando.
— Eu voltaria, mas é que eu preciso fazer xixi. Você poderia ir comigo Clara?
— É claro querida. Deixa eu só pegar o facão, que deve estar por aqui... — Clara revirou o porta malas do carro – achei! Agora podemos ir — ela se virou para Emily e disse num tom de voz baixo para que Bony não escutasse: — Cuide do Ethan! Seja uma mulher de verdade e não tenha medo de matar um zumbi.
Emily teria dito algo, mas ela sabia que tinha medo daquelas criaturas e não adiantava negar, então deixou que Clara fosse com Bony até a floresta sem dizer nada, mas a raiva e o ciúme à consumia cada vez mais.
James e Alex andavam em meio a floresta congelada, procurando lenha. Alex havia achado algumas — ele estava com um facão em cima da madeira que carregava nos braços, e com uma .38 no casaco preto que estava usando — já James não havia achado nenhuma lenha – ele estava praticamente chateado e de mão abanando se não fosse pelo taco de beisebol de alumínio que havia trazido com sigo. Ele usava um casaco verde e o frio parecia não respeitar o tecido, pois seu queixo tremia de vez enquanto. Mancava um pouco após ter machucado a perna — no dia anterior — tentando chegar mais rápido até um riu, para pegar água, ele caiu e saiu rolando montanha abaixo.
— Teve sorte de não ter quebrado a perna — disse Alex ao notar que ele ainda estava mancando.
— Tive sorte de não ter quebrado o pescoço — retrucou James, rindo.
— Cara, por que você fica dando em cima da Clara o tempo todo? — perguntou Alex olhando para James, que agora estava se sentando num tronco velho, de uma árvore caída, para descansar.
— Como assim? Você tem a Emily, Bony tem o Ethan e eu acho a ruivinha uma gatinha, mas não fico dando em cima dela o tempo todo. Por que você se importa com isso?
— Bony não namora o Ethan. Eu gosto muito da Clara. Não vou deixar que você a magoe, entendeu?! — falou Alex, chegando mais perto de James o intimidando.
— Não vou fazer ela sofrer. E você parece gostar mais da Clara Black do que da Emily Sanchez.
— Não vou discuti isso com você. – Alex largou a madeira e se pôs na frente de James que estava de pé, se preparando para seguir em frete — Só te digo uma coisa: Se você tentar alguma coisa forçada com Clara, eu enfio uma bala na sua cabeça.
Clara andava atenta, vigiando se não havia nenhum zumbi por perto, enquanto procurava um local em que Bony pudesse urinar.
— Aqui, Bony! — falou ela apontando para um local, próximo a uma árvore.
— Tudo bem. Agora você poderia se virar? — perguntou Bony um pouco vermelha ao tirar a calça jeans e se abaixar.
— É claro. Eu vou ficar vigiando por enquanto — disse a ruiva se virando e observando ao redor.
— Clara você gosta do Alex?
— Sim, vocês têm sido como uma família para mim...
— Não nesse sentido. Você ama o Alex? — perguntou Bony novamente.
— Ele namora a Emily, Bony. — disse Clara.
— Isso não é resposta.
— Eu... — então um barulho vindo de trás de umas árvores, a uns 20 metros às interrompeu. — Fique aqui Bony eu vou ver o que é.
Bony se levantou pegou o papel que havia trazido com sigo e se enxugou rapidamente, vestindo a roupa logo em seguida. Clara foi em direção de onde tinha vindo o barulho. Já tinha se passado um minuto desde que ela havia sumido atrás das árvores e Bony já estava começando a ficar preocupada.
— Clara?! Clara?! Clar... — gritava Bony, mas foi interrompida por um barulho que vinha de trás dela. Ela se virou rápido, mas só viu os galhos congelados das árvores se balançarem com o vento. E quando se virou de volta para chamar Clara, uma criatura em decomposição estava a 3 metros dela, abrindo aquela boca que parecia um cemitério com lapides podres, para devora-la. Bony ficou paralisada de medo. Quando a criatura estava a um metro, ela ouviu um barulho, como se fosse um facão partindo uma melancia estragada, e o zumbi caiu aos seus pés, com um facão cravado na sua cabeça. Ao erguer a cabeça ela viu a ruiva, ofegante, e correu para abraça-la dizendo:
— Não conta para o Alex. — Disse Bony, ainda tremula.
Ao redor daquela fogueira, que brilhava em contraste a escuridão fria e gélida da floresta, estava um grupo de sobreviventes. As luvas, botas, lençóis de algodão e, é claro, a fogueira, espantavam um pouco do frio, daquelas seis pessoas que agora estavam assando marshmallows espetados em gravetos.
— Esse garoto não é de falar muito, não é Emily? — Falou James, referindo-se de Ethan.
Bony engoliu o marshmallow que estava mastigando, e interrompeu Emily, que já ia responder a James:
— O nome dele é Ethan. E ele passou por muita coisa, você nem pode imaginar quantas pessoas ele já perdeu!
— Todos nós perdemos alguém mocinha — retrucou James, enquanto ajeitava o lençol, se enrolando ainda mais — deixa o garoto... Ethan contar como ele achou você, e como ele se separou da família. Nós queremos saber o que aconteceu com ele na pandemia.
— Eu já falei que ele...
Ethan interrompeu Bony falando com a voz meio roca:
— Tudo bem Bony... eu conto a minha história. — Todos estavam sentados, e pararam o que estavam fazendo para prestar atenção em Ethan, que agora olhava para baixo — Meu pai, Ryan, bebia muito e quando chegava em casa batia na minha mãe, Mary, que sempre nos defendia quando ele tentava bater em mim e na minha irmã, Melissa – A voz do Ethan parecia falhar ao pronunciar os nomes. — Minha mãe nunca deixava a gente ligar para polícia, porque meu pai à ameaçava, falando que iria nos matar, Melissa e eu, se por um acaso a polícia batesse na nossa porta ou ela fugisse — os olhos azuis de Ethan se encheram de lagrimas quando a frase foi dita.
— Tudo bem Ethan, se não quiser falar nós entendemos — interrompeu Clara.
— Não. Eu preciso falar. Preciso dizer o que nós passamos — Ethan enxugou suas lagrimas com a manga do moletom listrado, vermelho e preto, que estava usando por cima de outras duas camisas. E continuou falando: — Meu pai já deve estar morto agora. Quando os monstros chegaram na minha cidade, minha mãe decidiu lagar meu pai de uma vez por todas e nos levar para um local segura, o velho galpão da cidade, ou pelo menos que a gente achava ser seguro. A maioria dos cidadãos estavam indo para lá, então foi para lá que nós fomos. Parece que... alguém de lá estava infectado, e, tudo aquilo foi por água abaixo... — Ethan fez uma pausa e Bony colocou a mão em seu ombro — Minha mãe se sacrificou para que eu e minha irmã pudéssemos passar por uma janela, pois as portas estavam lacradas. Nós corremos e corremos, nos afastamos da cidade... pensávamos que tínhamos nos afastado dos monstros... Eu me lembro como se fosse ontem, a voz ofegante de Melissa dizendo: "Tudo ficará bem, nós vamos pedir ajuda, e então voltaremos para ajudar a mamãe..." E foi então que uma daquelas criaturas apareceu do nada e mordeu o pescoço dela. Eu não sabia o que fazer! Melissa ainda assim tentava segurar aquilo, para não me morder, mas foi em vão... não sei se tive sorte ou o azar daquele homem ter aparecido e atirado na cabeça do monstro. Depois ele atirou na cabeça da minha irmã e me levou como um escravo para servir a ele e sua família louca... eram todos loucos... Ele fez o mesmo com a Bony... — Mais lagrimas vieram a surgir dos olhos de Ethan, e ele não conseguiu falar mais nada.
— Me desculpa Ethan! Eu não queria... eu não sabia... desculpa! — Falou James, meio sem jeito e envergonhado.
— Idiota — disse Bony, olhando com raiva para James.
Clara levantou-se do local em que estava e foi até Ethan. Sentou ao seu lado e o abraçou, colocando a cabeça dele em seu ombro disse: — Pode chorar Ethan, não é vergonhoso chorar. Coloque tudo isso para fora.
Passou-se um tempo em silencio sem que nenhuma palavra fosse dita. Até Clara falar, tentando mudar de assunto:
— E vocês, James e Emily, como se conheceram? Como souberam que Klascity era segura? — Perguntou.
— Bem.... Nós éramos amigos.... não tão amigos assim, de estar sempre juntos — falou James — Emily estava sempre ocupada com a faculdade ou com o namorado novo, Alex, que ela havia conhecido numa lanchonete. Eles tiveram só três encontros, aí o Alex teve que sair da cidade. Emily ficou muito triste. E eu dei uma força para ela. Ela me explicou porque ele se mudava tanto...
— Espera aí... — Interrompeu Clara — Só três encontros? Pensei que vocês namorassem a muito tempo.... Esse fogo que ela tem por você...
— É — disse Emily — três encontros foram o suficiente para eu saber que nós dois fomos feitos um para o outro. — Então ela beijou Alex com tanta determinação, que pareceu não ter fim.
— Eca! — falou Bony, fazendo uma careta — eu vou dormir, porque isso me deixou enjoada. — E a loira se deitou no seu saco de dormir, tentando pegar no sono.
— Conte-me mais, James — disse a ruiva disfarçando o desejo que ainda tinha por Alex. E os dois pararam de se beijar, enquanto James prosseguia com a história.
— Eu tenho um irmão mais novo que mora em Klascity, John Dufour. Quando o vírus se espalhou tentei conectar-me com ele, pela internet. Ele afirmou que Klascity era segura, pois ficava distante das outras cidades e que o prefeito de lá estava distribuindo armas de fogo para que os homens da cidade pudessem defende-la. Depois disso pensei em ir para lá, mas antes tinha que passar na Capital, que fica no caminho, para saber qual seria a iniciativa do governo, se existia alguma vacina e tal.
— Eu estava fugindo da cidade — falou Emily, contando sua parte na história um pouco confusa — para aonde eu estava indo? .... Não sei. Só sei que queria fugir daquilo tudo, daquele caos. Então o James me encontrou e me deu uma carona. Quando ele falou sobre um local que talvez fosse seguro, não pensei duas vezes antes de ir com ele.
— E aqui estamos nós. Com frio. Confusos sobre o que aconteceu de verdade com mundo. Rezando para que uma daquelas coisas não nos devore — falou Clara, pensando nos seus familiares e amigos mortos — Qual é a probabilidade de vocês terem se encontrado? De nós estarmos aqui e agora? O mundo se tornou mesmo pequeno, com tantos mortos vivos aqui.
— Muito bem — interrompeu Alex — já chega de reprisar o passado. O que passou, passou. Nós estamos aqui agora, e o no agora temos que descansar para o amanhã. Amanhã vamos chegar em Klascity, e saber se lá é mesmo seguro. Se podemos viver uma nova vida lá. Bem... vocês podem dormir eu ficarei com o primeiro turno. Depois eu te acordo James para você pegar o segundo.
— Okay — disse James, ajeitando seu saco de dormir.
— Tudo bem você ficar aí sozinho? Não quer que também pegue o primeiro turno? — Perguntou Clara — Quatro olhos é bem melhor que dois.
— Não. Pode ficar tranquila Clara, eu vou ficar bem, você tem que descansar. Amanhã será um longo dia.
Todos, exceto Alex, se ajeitaram em seus sacos de dormir. Clara pegou Ethan, que havia pego no sono em seu colo, com cuidado e o colocou em um saco de dormir. Ela falou bem baixo para si mesma: — Coitado. Passou por tanta coisa. A dor no seu coração deve ser imensa. Não vou deixar que nada de ruim te aconteça. E como o Alex disse: talvez possamos viver uma nova vida em Klascity. Só espero que seja uma vida boa.
Ao se deitar Clara sempre lembrava da cena de seus pais mortos, estirados no chão da sala. Isso à fazia chorar, todas as noites, sem que ninguém ouvisse. Ela ficava se perguntando: Será mesmo que meu pai trabalhava para a tal Shadow Corporation? Bom... Ele era um cientista muito inteligente e requisitado por diversas empresas — foi por causa dele que eu me formei em biomedicina -, mas não falava muito do ambiente de trabalho nem dos colegas de trabalho, exceto por Nathan, que devia ter uns 46 ou 49 anos. Meu pai falava que Nathan era o único de seu trabalho digno de confiança. Mas, este pen driver que eu sempre carrego comigo... O que será que há nele? Por que meus pais morreram por ele? E por que a Shadow Corporation estava disposta a tudo para recuperar este pen driver? De uma coisa eu sei, não contarei a ninguém sobre o pen drive, não quero ter que arriscar a vida de ninguém por causa disso.
Eram oito horas da manhã, quando James acordou os outros para se aprontarem para viagem.
— Que bom que achamos creme dental naquela cidade — disse Bony, enquanto pegava sua escova — Nada melhor do que higiene...
— Mas lembrem-se de que devemos economizar água, galera — complementou Alex.
Vinte minutos depois, ainda havia brasas no local em que se encontrava a fogueira. E todos que se encontravam ali em volta das brasas, já haviam terminado de arrumar suas coisas. Agora estavam tomando café da manhã, para voltarem para o carro.
— De novo cereais com leite em pó. — Falou Bony, fazendo uma careta — Se eu tiver de comer isso outra vez vou acabar vomitando.
— Tomara que não seja esse o café da manhã em Klascity — disse Clara, sorrindo e colocando mais uma colher com cereais na boca.
Após terem comido foram caminhando até o carro, que estava num acostamento na estrada. Após arrumarem as coisas no carro, partiram em direção à Klascity. Não havia nevado na noite passada e nessa manhã nevava menos do que nos outros dias — o que era bom, porque as estradas estavam melhores de se dirigir. Emily estava dirigindo, após ter insistido muito para fazer isso. Alex estava no banco do carona. E agora Clara, James e Alex, estavam discutindo o que fariam se a cidade estivesse cheia de zumbis. Emily desacelerou o carro, ao passar perto de uma placa, e logo todos estavam em silencio, lendo aquilo que estava escrito. Na placa dizia " BEM VINDOS À KLASCITY. 6 Km. 32 MIL HABITANTES ", mas a parte dos 32 mil estava rabiscada com um "X" feito com tinta vermelha, e logo em baixo escrito com a tinta estava " 1 MIL ".
— Emily! Acelera logo esse carro! — Falou James, perplexo com o que estava escrito — Preciso saber se meu irmão está bem!
— Calma James, não sabemos se lá ainda é seguro... — Disse Alex, antes de ser interrompido pelo loiro.
— Eu não irei embora sem saber se.... Se vocês não forem, pare o carro que eu irei...
— Nós não vamos te deixar sozinho.... Eu também irei — falou Clara.
— Temos que saber o que aconteceu, Alex — disse Bony. Alex ponderou um pouco e o silencio se pôs entre eles por um instante.
— Se é assim. Iremos à Klascity. Pode seguir em frente Emily — disse Alex, enquanto levava sua mão direita até o cabo da .38, que estava no seu cinto.
A 2 Km de Klascity, havia uma ponte de 25 metros de altura. Embaixo dela passava um rio, que agora estava meio congelado. De um lado e do outro do rio, tinha algumas pedras com musgos e a floresta que se estendia por todo canto.
Quando chegaram na cidade, viram algumas casas e alguns prédios, não tão grandes. A cidade era pequena, mas bem organizada. Um homem alto, forte de pele escura e olhos castanhos, com um rifle, veio em direção ao carro, batendo no vidro do motorista, que foi aberto por Emily.
— Quem são vocês? Como chegaram aqui? — Falou o homem desconfiado e grosseiramente.
— Eu sou Emily...
— Eu sou James Dufour. Meu irmão mora aqui, John Dufour. Ele me falou que aqui era seguro. Então nós viemos.
O homem olhou bem nos olhos de todos ali, e depois de um tempo falou apontando para uma escola: — Estacionem o carro ali, no estacionamento da escola. Eu irei chamar alguém e já volto.
Depois disso o homem saiu andando até uma lanchonete que ficava uma quadra depois da escola. Todos no carro se entreolharam, então Emily perguntou: — Eu estaciono ou não?
— Pode ir Emily! — Disse Alex — Hoje iremos descobrir o que aconteceu em Klascity. — Emily foi em direção à escola, e estacionou o carro perto de uma árvore, depois saíram do carro e observaram a cidade. Havia algumas pessoas que passavam por ali, mas assim que viam os estranhos ao lado do Uno preto, apressavam-se ou mudavam de direção. Não demorou muito para que o homem voltasse e uma garota o acompanhava. Ela era loira e seus olhos eram de um azul escuro muito bonito, seus lábios eram carnudos, seu rosto era muito atraente e mesmo com o casaco vermelho, que ela usava, dava para perceber que ela era magra e tinha curvas. Ao se aproximar ela sorriu e apertou a mão de todos, simpaticamente.
— Vocês devem ser os novos visitantes de quem o Harry me falou — disse a garota. — Muito prazer eu sou a Alyssa Harper, e irei mostrar-lhes um pouco da cidade, os levando até o Sr. Carter...
— Desculpe interromper... eu sou Alex Wehe..., mas quem é esse tal de Carter?
— Desculpem-me também. O Sr. Carter é o prefeito da cidade. E tu deves ser James Dufour... — Alyssa olhou para James e logo seu rosto feliz se transformou — Eu sinto muito... eu era namorada do John..., mas depois do Massacre de Klascity, teu irmão desapareceu... talvez tenham sido os andarilhos que o tenham pego...
— Os mortos vivos? — Perguntou Clara, enquanto James nem conseguia falar de tão perplexo e seu olhos se encheram de lagrimas.
— Não! São como ciganos, índios ou algo do tipo. Após o vírus ter se espalhado pelo mundo, os andarilhos acamparam aqui por perto, na floresta, mas agora há pouco deles. Ocorreu uma guerra neste lugar e enquanto os outros lutavam na floresta contra os andarilhos... houve um massacre aqui... – falou Alyssa entristecida e sem jeito de pronunciar fatos tão que se mostravam tão tristes -, muitos foram mortos pelos mortos vivos, mas teu irmão, o James, ele sumiu na guerra.
Enquanto Alyssa falava, uma carruagem improvisada, levava um monte de caixotes velhos e um homem a conduzia. O mais estranho, que deixou o grupo de sobreviventes — que haviam chegado naquela cidade — horrorizados, não foram os caixotes nem o homem que conduzia a carruagem, e, sim os zumbis sem mandíbula nem braços, acorrentados à ela. Os mortos à arrastava, como eles faziam isso? Seguindo um pedaço de carne fresca que o homem levava com sigo, em uma vara.
— Mas o que é isso? — Perguntou Ethan, de olhos arregalados.
Fale com o autor