Radioativo
6 Capítulo 6 "Liberdade ou Morte"
Notas iniciais
Tudo estava sufocando continuamente naquele dia. A boca de Alex Wehe parecia uma sepultura, sem nem uma palavra a ser pronunciada.
O corpo da suposta Bony foi enterrado perto de uma árvore muito bela, de folhas laranjas, e de uma resistência surpreendente ao frio do inverno. O céu parecia está sofrendo com tudo aquilo, pois das nuvens caiam lagrimas inacabáveis, e tudo se vestiu de cinza. Clara tentou amparar Alex, mas ela sabia que não poderia fazer nada a mais.
Eles arrumaram as coisas e pegaram o carro partindo em direção a capital, em um silencio que era pior do que qualquer palavra tentada ser pronunciada por Clara. A noite foi longa e ela não sabia se qualquer palavra dita iria magoar mais ainda Alex. Ao amanhecer acordou e percebeu que tinha pego no sono na madrugada, ela olhou para Alex que continuava dirigindo seriamente sem olhar para os lados.
– Eu... eu peguei um pouco de comida no... – Clara tentou falar, mas cada frase parecia ser de vidro — Está na minha mochila. Você tem que se alimentar Alex.
Nada foi dito por Alex, e Clara não sabia o que fazer.
– Me desculpe... eu deveria estar de olho em Bony... mas... mas... você deve estar morrendo de raiva de mim e é com toda razão... Alex pare o carro eu vou sair, eu posso cuidar de mim mesma...
Alex parou o carro e olhou para baixo triste e com coração apertado.
– Não. A culpa foi toda minha, — ele falou com a voz tremula e triste — Bony era minha responsabilidade, não sua... se eu tivesse prestado mais atenção nela nada disso teria acontecido.
Clara chorou e abraçou Alex o amparando, e ele finalmente dormiu. Ela saiu do carro para tomar um ar, se sentando no acostamento da estrada, observando as árvores se sacudirem com o vento e o cantar dos últimos pássaros que migravam para um lugar quente longe daquilo tudo. E imaginou que pudesse também partir para outro lugar em que tudo estivesse bem e que nada daquilo estivesse acontecido. Ela acordou dos seus pensamentos e caminhou até o carro, parou na porta e ficou observando e imaginando com que ou com quem Alex estaria sonhando. Naquele momento as coisas pareciam estar indo bem, mas logo tudo se transformou de novo em um pesadelo ainda pior. Clara não percebeu o que se aproximava dela, até que tudo aconteceu. Um zumbi, que vestia roupas imundas e seu rosto estava cada vez mais derretido por causa dos atuais eventos da natureza, pulou em cima de Clara tentando arrancar um pedaço do seu pescoço. Alex acordou e tomou um susto com o que estava acontecendo, ele pensou rápido pegou sua .38 que estava no seu cinto e mirou no zumbi, mas antes que pudesse atirar Clara jogou o corpo apodrecido no chão, pegou sua .38 e atirou na cabeça da criatura espalhando seus miolos no asfalto.
– Nossa... por que você estava aí fora Clara? — falou Alex enquanto saia do carro para ajudar Clara.
– Só sai para tomar um ar... Como eu sou burra... Você vai ter que me deixar aqui Alex... – E logo as lagrimas brotavam dos olhos da ruiva.
– De que você está falando? Eu nunca vou te deixar...
– Não! Você não está entendendo, eu fui...
Clara caiu no chão, e Alex a pegou nos braços. Ao observar viu que ela tinha sido arranhada no braço.
– Clara! Clara! Eu não vou perder mais ninguém... por favor não me deixe! — Alex a colocou no banco de trais do carro, e Clara estava começando a ficar quente — Você não vai virar uma daquelas coisas, eu te amo Clara, e vou dar minha vida para chegar na capital. Eles já devem ter a cura.
Alex entrou no carro e dirigiu em alta velocidade para a capital.
. . . . .
Um dia antes...
– O plano é este: você o distrai enquanto eu pego as chaves e aí nós corremos para o norte — sussurrou Bony para Ethan, enquanto caminhavam para o rio. Cada um segurando dois baldes.
– Mas, como vamos pegar as chaves...
– Ei! Vocês dois deixem para namorarem quando não estiverem trabalhando — falou Thomas, pensando que eles ainda estavam falando sobre as suas vidas.
– Deixa que eu cuido dessa parte Ethan, você pega a arma dele e corre – Sussurrou Bony passando as costas da mão direita na testa suada.
Thomas andava um pouco atrás com um dos lados da corrente presa no seu braço esquerdo e os outros dois lados que se dividiam, presas na barriga dos prisioneiros. E sua arma repousava no braço direito. A arma disparou e quase acertava Ethan.
– Opa... foi mal garoto.
– Vai ser fácil. Ele é um mané mesmo — sussurrou Ethan, e Bony concordou.
Ao chegarem no rio Thomas os levou até a margem e foi beber água enquanto Bony e Ethan enchiam os baldes. Bony notou que tinha um pedaço de pau na margem — seria muito útil no seu plano.
– Agora! — gritou Bony pegando o pau e metendo na nuca de Thomas enquanto ele estava abaixado bebendo água.
Thomas desmaio e Ethan pegou sua arma. Bony pegou as chaves e soltou os cadeados. Eles puxaram o corpo dele até a árvore mais próxima.
– Ele é magro, mas é tão pesado — disse Bony.
– É eu sei... Oh, não... alguém está vindo... – disse Ethan notando um movimento, a dez metros, entre as árvores — Vamos logo!
– Eu o prendo. Corra! Corra Ethan! – Falou Bony largando o corpo inerte e ficando ereta.
– Não vou te deixar aqui... – retrucou Ethan fazendo o mesmo.
– Corra agora... leve a arma, se encontrar algum desses monstros, zumbis ou Frankie, atire na cabeça.
Ethan esitou, mas logo viu que Bony não queria ele ali e achou que correria mais lento que ela, então correu em direção ao norte, e Bony prendeu Thomas na árvore. Ao ver que era a voz de Frankie e que se aproximava cada vez mais, Bony correu. Frankie foi até o rio para ver se seu filho era capaz de cuidar daqueles garotos, e ao chegar viu Bony correr para floresta e Thomas preso numa árvore.
Frankie tentou soltar seu filho.
– Filha da mãe... ela tá com as chaves! — falou Frankie enquanto pegava sua arma e corria na mesma direção que Bony.
Bony conseguiu alcançar Ethan e os dois estavam cada vez mais cansados por não terem comido nada na noite passada nem o dia todo.
– Está anoitecendo... Ethan se esconda ali naquela moita... – dizia Bony cansada e sua voz começava a falhar — eu vou despistar Frankie, quando ele estiver longe você... corre para o Norte e procura a estrada.
Frankie estava cada vez mais próximo dos dois. E gritava:
– Bony, eu estou te ouvindo! Eu vou te pegar, venha querida não vou te machucar!
– Aqui seu idiota! — gritou Bony ao correr para despista-lo.
Ao correr e olhar para trás Bony esbarrou em um zumbi. Ela tentou lutar contra ele, mas suas tentativas eram em vão. Frankie chegou e observou um pouco as tentativas de Bony, que estava fraca e cansada, mas logo atirou na cabeça do zumbi e à pegou pelos cabelos levando-a para o acampamento. Ao chegarem no acampamento Frankie perguntou por Ethan.
– Ele morreu... ele era fraco, um zumbi o pegou. — Respondeu Bony.
– Sua vadiasinha! — gritou Frankie enquanto dava um tapa na cara de Bony lançando-a no chão — Agora seu trabalho vai dobrar de tamanho. Eu vou pegar o Thomas, quando eu chegar você vai ver. Vou te bater tanto que vai implorar pela morte – o sorriso que estava no rosto dele causava náuseas em Bony e então ele olhou para os olhos assustados dos habitantes do acampamento que os observava – Vocês aí! Deixe que eu cuido dela. Não deixem que ela fuja!
Bony estava triste por não ter conseguido fugir, mas estava feliz porque Ethan conseguiu.
A noite já havia chegado e junto dela Frankie veio. Sua arma em direção a Bony, e a mulher dos dentes podres e o velho foram em direção a ele.
– O que aconteceu? — Perguntou a mulher.
– Os zumbis comeram o Thomas, e adivinha de quem é a culpa? – Seus olhos estavam em chamas e sua voz parecia espinhos sendo cuspidos.
– Eu sabia que essa vagabunda ia causar problemas — disse o velho chutando Bony.
– Não se preocupe ela vai morrer aos poucos — disse a mulher furiosa.
– Vai começar pelas pernas! — gritou Frankie apontando a arma para as pernas de Bony.
Bony fechou os olhos e três tiros foram dados. Talvez fosse a adrenalina — imaginou ela — o fato de não ter sentido nenhum dor, e abriu os olhos com o barulho que veio logo depois. Era o corpo de Frankie, da mulher e do velho que estavam no chão, com uma marca de bala na cabeça, e ao focar seus olhos mais a frente viu Ethan segurando a arma que havia pego mais sedo.
– Você está bem Ethan? – Surpreendeu-se ela o fitando, incrédula por ele não ter a abandonado.
– Melhor impossível.
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