Radioativo

2 Capítulo 2 "Criaturas da Noite"


5 dias antes da pandemia...

Sophia Kinberth — uma cientista muito inteligente e bonita — estava preocupada com relacionamento com seu noivo. Após de discutir com ele, ela saiu para dar uma volta no quarteirão, já era noite e aquelas ruas não eram tão seguras depois das dez horas, mas Sophia não queria saber de mais nada a não ser ficar sozinha com seus pensamentos. O vento soprava frio em seus braços, fazendo-a lembrar de que seu casaco tinha ficado em cima do sofá. O frio estava ficando cada vez mais insuportável e ela decidiu voltar para pega-lo, mas foi surpreendida ao se virar, um homem encapuzado e vestido com roupas parecidas com a dos agentes da S.W.A.T à agarrou, e pois um saco em sua cabeça, levando-a para dentro de um furgão preto.

Sophia Kinberth se revirava cada vez mais e seus gritos eram abafados pela mão de um homem forte, e isso fazia com que todos os seus esforços de fugir ou gritar por socorro, fossem totalmente em vão. Sussurros foram ouvidos por ela, e então o saco foi tirada de sua cabeça revelando sombras de homens que ela não reconhecia, e uma mão com um lenço encharcado por um tipo de substancia, que logo foi identificada por Sophia — mas tarde demais – à fez se sentir mal, suas pálpebras ficaram pesadas, sua respiração ficou mais lenta e um sono à inundou por dentro.

Ao acordar ela percebeu que uma tornozeleira eletrônica estava em sua perna, então percebeu que não tinha sido um sonho na noite passada, e sim um pesadelo ainda vivido. Isso fez com que seu coração acelerasse. Ao olhar ao redor ela percebeu que estava trancada em um quarto sem janelas, e tinha um computador em cima de uma mesa bem bonita, aquilo não parecia um simples quarto, mas sim um escritório readaptado. Sophia correu até a mesa onde estava o computador para ver se poderia pedir socorro, mas uma voz a interrompeu.

– Você não vai conseguir acessar sem a senha, senhorita Kinberth. — Falou um homem auto e de uma ótima aparência, vestindo um jaleco onde tinha um crachá com o nome Dr Grey – Vamos! Há pessoas que estão a esperando na reunião.

– Espera aí... vocês me trazem aqui a força, me deixam trancafiada e monitorada, e ainda agem como se nada disso estivesse acontecendo! O que vocês querem de mim? Onde estou? E que diabos de reunião é essa?

– São muitas perguntas, e já perdemos muito tempo, venha comigo e tudo vai se esclarecer.

Sophia não tinha muitas escolhas e aquilo tudo estava ficando cada vez mais estranho. Uma pergunta crucial a estava mantando "Por que eu?"

. . . . .

Agora...

O carro de Alex Wehe cortava o vento em alta velocidade, como alguém que estivesse fugindo da polícia. Ele sabia que ainda faltava muito para chegarem a Capital e a gasolina já estava no fim. Bony estava dormindo no banco de trais do carro, em um sono tão profundo que parecia ter esquecido do que aconteceu nos últimos dias, Clara cochilava no banco da frente se sentindo mais segura do que antes, por ter pessoas com ela que não eram criadas por sua imaginação para suprir a saudade de sua vida quase normal. Em um breve instante tudo parecia normal, como uma viagem de férias para uma praia qualquer, mas então tudo aconteceu... Um zumbi andando vagarosamente na estrada estragou aquele momento. Alex olhou por um breve momento pelo espelho do para-brisa, e se distraiu ao perceber que sua irmã dormia como a muito tempo não dormia, ao olhar para pista viu a sombra daquela criatura que vagava pela estrada feito um bêbado a pois seu terceiro estado de embriagueis — o primeiro é o choro, seja por traição da esposa ou qualquer besteira, o segundo é cantar músicas para revelar pro mundo sua dor e, o terceiro é andar tropeçando em tudo e todos e vomitar é claro — , Alex tentou desviar da criatura mas seus esforços foram em vão, o carro de cor vermelha derrapou batendo no zumbi e capotou antes de parar de ponta cabeça no acostamento.

Bony acordou totalmente em pânico.

– Vocês estão bem? — disse Alex em um tom de voz mais alta, mas percebeu que Clara não respondia — Clara você está bem? Não... você está sangrando... minha nossa.

Clara Black bateu a cabeça e agora estava com um arranhão na testa, Alex tirou seu sinto de segurança e o de Clara. Tirou Clara e Bony do carro e então ela acordou meio atordoada sem saber o que tinha acontecido, sua cabeça parecia que ia explodir e suas lembranças antes do acontecimento apocalíptico parecia ter se perdido, e isso à assustava.

– Clara você está bem? — disse Bony atordoada — Como você está se sentindo?

– Eu que deveria te perguntar isso.

– Não se preocupe comigo, aquelas bolsas com roupas que eu estava levando me ajudaram muito, quando o carro virou elas amorteceram a mim. Mas, sua cabeça... como você está se sentindo?

– Eu estou com uma dor horrível na cabeça, mas o que mais me assusta é o fato de eu não me lembrar de nada antes do apocalipse, eu só me lembro do meu nome da minha família, das pessoas enlouquecendo e atacando uma as outras, mas eu trabalhava em alguma coisa que não consigo me lembrar, não consigo lembrar de algo importante que aconteceu.

– Vamos... eu te levo nos braços, até aquela casa lá na frente. — disse Alex preocupado com o estado de Clara — Talvez isso seja aquele caso de amnésia passageira.

– Não... eu consigo andar... é só essa dor de cabeça que me incomoda, mas já já irá passar.

Eles correram até uma casa que ficava a 39 metros do acidente, e era a única casa que se via naquela escuridão da noite. A casa era grande velha e abandonada, ao entrarem perceberam que o cheiro era pior do que sua estrutura, parecia que os bichos de toda aquela floresta tinham entrado ali e feito a maior farra, e depois foram infectados e mortos na cozinha daquela residência. Mas aquela casa era o bastante para passar a noite em paz fora das garras dos monstros que abitavam aquela cidadezinha.

Ao acordarem seus ossos estavam meio doloridos, parecendo que tinham dormido em uma cama feita de pedras pontiagudas.

Alex se levantou desajeitadamente e falou um pouco sonolento:

– Como vocês passaram a noite?

– Fora o acidente com aquele zumbi e o fato de eu ter perdido uma parte importante da memória – disse Clara — bem.

– Me desculpem, eu não vi aquela coisa se aproximar, desculpem mesmo.

– Não eu... estava só brincando com você, sabe... aquilo teria acontecido com qualquer um que estivesse dirigindo com muito sono, e com muita pressão por tudo que aconteceu nas últimas semanas.

– Desculpe interromper esse momento de reflexão, mas nós temos que pegar nossas coisas naquele carro, eu estou com muita fome e essa casa está mais abandonada que um bebê na frente da porta de um orfanato, e mais velha que minha vó, sabe como é que estão as coisas por aqui né? — Completou Bony com um tom sarcástico na voz -, parece uma casa de última geração, olha só os moveis, não agridem a natureza pois se desfazem com facilidade, de última linha! — Bony parecia um pouco mais com sua mãe, os seus olhos eram castanhos e seu cabelo era loiro, mas sua personalidade forte era do seu pai.

– Está certo Bony nós vamos sair já daqui, antes que você resolva fazer mais uma piadinha sem graça — disse Alex.

– Está certo seu chato — retrucou Bony.

– Se você não estiver se sentido muito bem, eu e a Bony vamos pegar as coisas e depois voltamos para cá.

– Não... eu já estou me sentindo bem melhor, não vamos mais nos atrasar, ainda temos que achar um carro, para seguir viagem.

– Se você tem certeza que está tudo bem, vamos.

Eles seguiram até o lado de fora, e perceberam que ali era uma cidade pequena, mas era uma cidade, e o mais estranho era que eles não tinham avistado nem um zumbi, fora o zumbi que foi esmagado na noite passada.

Eles andaram vagarosamente e cuidadosamente até o carro, já que não queriam acordar os vizinhos indesejáveis, pois só estavam com uma arma nas mãos. Ao chegarem no carro, foi um pouco difícil para conseguirem abrir o porta malas.

– O... o que vocês pretendem fazer com todas essas armas? Assaltar um banco? Vocês assaltaram uma loja de armas? Minha nossa... o que vocês faziam antes do apocalipse?

– Calma Clara. — disse Alex — Nós não assaltamos um banco, também não deu tempo mesmo. É que essa história é bem maluca, nossos pais morreram a uns dois anos...

– Me desculpa... eu sinto muito...

– Eu e Bony temos sobrevividos a isso tudo a algum tempo, nós aprendemos a nos virar por aí, eu trabalhava enquanto Bony estava no colégio... e nós sempre vivíamos metendo o pé na estrada... fugindo dos assistentes sociais, porque eles queriam tirar a Bony de mim, diziam que eu não teria condições de cuidar dela... eu tenho 23 anos não sou um bebê, sei como cuidar da minha irmã. Aí veio o plano mais louco da minha vida, eu não sei como, mas eu consegui assaltar aquela loja de armas... acho que foi pelo fato de eu trabalhar lá... mas consegui, e iria assaltar um banco, para dar um jeito nas nossas vidas de uma vez por todas, e na hora “H”, todo mundo enlouqueceu, e eu corri com meu carro para pegar a Bony no colégio... e aqui estamos.

Clara teria rido bastante com aquela história maluca, mas uma dor penetrou sua cabeça e ele desmaio. Por um breve instante lembranças turvas vieram em sua mente, e ao acordar ela estava em outra casa mais aconchegante, e mais limpa.

– Você está bem? O que foi? Que cara é essa Clara? — Perguntou Alex nervoso e atordoado.

– Eu acho que matei duas pessoas.

– Mas eram só zumbis, você deve ter se esquecido.

– Não... Eu estou falando de seis dias antes do apocalipse. E eles não eram zumbis.