Radioactive
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem dessa história, tanto quanto eu estou gostando de escrever ♥
Boa leitura!
“Estou acordando em cinzas e pó
Enxugo minha testa e suo minha ferrugem
Estou inalando os produtos químicos
Estou invadindo e tomando forma
E então desço do ônibus da prisão
É isso, o apocalipse, oh
Estou acordando, sinto isso em meus ossos
O bastante para explodir meus sistemas
Bem-vindo à nova era, à nova era
Bem-vindo à nova era, à nova era
Oh, oh, sou radioativo, radioativo
Oh, oh, sou radioativo, radioativo”
(Radioactive — Imagine Dragons)
Eu realmente não sei no que eu estava pensando quando aceitei o convite do Morgan. Acabamos de encerrar um caso de um assassino de mulheres. Eu deveria estar em casa agora tomando um chá, enquanto leio um bom livro.
—E ai garoto. Cumprimentou Morgan, se sentando com uma garrafa de cerveja na mão
—Eu estava aqui pensando onde estava com a cabeça quando troquei chá e livros por karaokê. Respondi, olhando ao redor do lugar
—Ah por favor, Reid. Não é tão ruim assim. Você que não sabe o que é diversão. Comentou divertido, bebendo um gole da cerveja
—E o que é diversão pra você ? Estou ouvindo.
—Ficar preso em casa, tomando chá com certeza não é.
Spencer não ouviu o que o amigo disse. Parecia hipnotizado observando a garota que agora cantava. Ela tinha a voz mais bonita que já tinha ouvido e o sorriso que ela tinha enquanto cantava aquela música o atraía como um potente imã.
—Se divertindo com a visão, garoto? Perguntou Morgan, contendo uma gargalhada
—O português dela é fluente. Comentou Spencer, ainda encarando a garota
—Ah pelo amor de Deus, Spencer. Uma mulher maravilhosa esta cantando e te fazendo quase pular em cima dela e você fala que o português dela é fluente? Perguntou incrédulo, se levantando da cadeira
—Eu não sei do que está falando. Disse Spencer rapidamente, abaixando o olhar
—Vem. Vou te apresentar ela. Ordenou Morgan, puxando Spencer da cadeira
—Conhece ela? Perguntou surpreso, deixando ser puxado
—Claro. Vou treinar ela. Logo ela fará parte da nossa equipe. Explicou, enquanto se desviava das pessoas
A atenção de Spencer voltou para a mulher, que agora repetia o refrão de olhos fechados:
Ingênua de vestido assusta
Afasta-me do ego imposto
Ouvinte claro, brilho no rosto
Abandonada por falta de gosto
Agora sei não mais reclama
Pois dores são incapazes
E pobres desses rapazes
Que tentam lhe fazer feliz
Sofia absorvia cada palavra da música, como se cantasse para sí mesma. Não, não existia ninguém que pudesse fazê-la verdadeiramente feliz. Não depois do estrago que Marcos fez. Nem depois de morto ele deixava de trazer destruição e medo.
Se pudesse voltar no tempo, voltaria. Agora deveria se adaptar, se defender e não deixar que Lucas a encontrasse. Porque se ele o fizesse, sabia que as chances de escapar eram quase nulas.
Sofia estava quase se convencendo que Lucas jamais a encontraria ali, quando sentiu uma forte mão segurando seu braço. O pavor a fez se sentir dentro de um potente freezer que a congelava dos pés a cabeça. Não havia tempo pra pensar, nem pra fugir, então o microfone em sua mão se transformou em sua arma de defesa.
*Rio de Janeiro — Seis meses atrás
O sangue escorria pela perna ferida. A mulher com as roupas em farrapos também sujos de sangue, parecia que cairia a qualquer momento. Não sabia dizer se sua visão estava embaçada pelas lágrimas ou pelos golpes que havia acabado de levar, mas sabia de uma coisa: se conseguisse escapar dessa, nada mais poderia feri-la
*Virgínia — Dias atuais
Morgan estava sentado em uma cadeira, enquanto mantinha a bolsa de gelo na testa.
—Me perdoe, senhor Morgan. Eu não sabia que era você. Pedia Sofia, claramente arrependida.
—Olha garota, eu não sei quem você pensou que fosse, mas eu espero pelo bem da pessoa que ela não cruze seu caminho. Disse Morgan, sorrindo fracamente
—Eu ainda acho que devo te levar para um hospital. Afirmou Spencer, observando o amigo
—Não seja chato agora, ok Spence? A Penélope já esta a caminho, vai me levar pra casa. Respondeu, tentando parecer bem
— Ai meu Deus, Morgan. O que fizeram com você? Perguntou, Penélope horrorizada ao entrar no lugar
—Foi um acidente. Me desculpe. Pediu Sofia, pela milésima vez
—Esta tudo bem, querida. Spence leve ela para casa. Falou Morgan, jogando a chave do carro
— Eu vou de taxi. Disse a garota, rapidamente
—Eu não vou atacar você. Afirmou Spencer, a olhando ofendido
—Eu não achei que fosse. Na verdade, seria um erro fazer isso, doutor. Afirmou, com voz baixa
—Ei Sofia, calma. Não é hora de discussão, nem de uma garota como você andar por essas ruas uma hora dessas. Afirmou Morgan, abraçado a Penélope
—Ele tem razão, bonequinha. Disse Penélope, sorrindo amigavelmente
—Tudo bem então. Se ele não ver problema em me levar, eu não me importo também.
—Amanhã te devolvo as chaves. Disse Spencer, saindo na frente
—Ate logo, bonequinha. Se despediu Penélope, acenando alegremente
—Eles vão se matar. Afirmou Morgan, sorrindo abertamente
Quando Sofia saiu do karaokê, Spencer já estava com o carro ligado. Um vento gelado bateu, a fazendo se arrepiar. A rua estava totalmente deserta e escura, as únicas luzes que a permitiam enxergar as coisas a sua frente eram da lua e dos postes que piscavam. Ela olhou para o carro a sua frente e para o homem dentro, sabia que havia sido injusta, mas depois do que aconteceu não iria perder tempo culpando a si mesma.
—Esta tremendo. Observou Spencer, parecendo preocupado
—Eu só não estou acostumada com esse frio. Afirmou, tentando manter distância
—Entendo. Pode digitar no GPS o seu endereço por favor? Pediu, entregando o aparelho
—Você não sai muito, não é? Perguntou sorrindo nervosamente, enquanto digitava
—Vamos dizer que quando eu finalmente encontro uma folga, prefiro ficar em casa lendo um bom livro. Respondeu, finalmente arrancando com o carro
—Entendo perfeitamente. Disse, encarando a vista do lado de fora da janela
—Como conheceu o Morgan?
—Eu o conheci há uma semana, Erin Strauss nos apresentou. Respondeu, nervosa
—O que a Erin tem a ver com isso? Perguntou, bastante curioso
—Morgan vai me treinar para trabalhar com a equipe dele. Vai me mostrar como funciona o trabalho deles.
—Quando eles iam te apresentar pra nós? Perguntou, em um tom ofendido
—Não sabia que você fazia parte. Mas respondendo sua pergunta, amanhã
—O Hotch precisa saber disso. Ele não vai gostar de ser surpreendido assim.
—Na verdade, ele já sabe.
—Como é? Todo mundo sabia? Perguntou, surpreso
—Apenas o Aaron, a Erin, o Morgan e agora você.
Spencer permaneceu em silencio pelo resto do caminho e Sofia também não ousou a abrir a boca. A garota permaneceu olhando pela janela do carro, imersa em pensamentos. O silencio foi quebrado, apenas alguns minutos depois quando Spencer anunciou que haviam chegado ao seu destino.
—Obrigada. Agradeceu, dando um pequeno sorriso, enquanto ajeitava a bolsa no ombro
—Não agradeça, fiz o que o Morgan pediu. Disse, friamente, olhando para a frente
Sofia saiu do carro em silencio e foi caminhando rapidamente para o seu apartamento. Parou para olhar para trás apenas quando ouviu o som do carro arrancando.
— Ótima forma de começar o primeiro dia do disfarce, senhorita Sofia. Se censurou, soltando um suspiro.
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