Radioactive
3 Capitulo 3
Notas iniciais
“Ele é um impostor ,ele não presta
Ele é um fracassado, um vagabundo
Ele mente, ele finge, não é confiável
Ele é um idiota com uma arma, arma, arma, arma
Eu sei que você me disse para me afastar
Sei que você disse que ele é como um cão perdido
Ele é um rebelde com um coração estragado
E até eu sei que isso não é bom
Mas, mamãe, eu estou apaixonada por um criminoso
E esse tipo de amor não é racional, é físico
Mamãe, por favor não chore, eu vou estar bem
Apesar de tudo, eu não posso negar
Eu amo esse cara"
(Criminal — Britney Spears)
Sofia batia os dedos de forma ritmada na mesa, enquanto anotava em seu caderno cada uma das novas observações que fazia sobre o caso. Já se passava das dez da noite e a mulher não tinha nem planos para parar, queria mostrar para o grupo que mesmo não trabalhando em campo, poderia ser útil. Então com seus fones no último volume na música Ocean Drive, a morena organizava todas as suas ideias.
Seus dias como policial em um estado com tamanha violência, lhe ajudava bastante a identificar alguns padrões nesse caso e mesmo que Hotch tinha lhe pedido para ficar escondida, não deixaria ninguém ali duvidar de sua competência, muito menos o gêniozinho que se achava esperto. A mulher estava tão cansada, que se levantou pronta para pegar mais café, mas soltou um grito assustado ao ver Penélope sentada no sofá da sala, rindo as suas custas enquanto a observava atentamente.
—Desde quando está ai? Perguntou, tirando os fones
—Uns quinze minutos. Tentei falar com você mas parecia tão ocupada que fiquei com dó. Comentou, dando de ombros
—Desculpe. Pediu, envergonhada, colocando seu celular na mesa
—Sem problemas, bonequinha. Vim para lhe dar uma missão. Comentou, se levantando do sofá
—Que tipo de missão?
—A agente Melinda Lahey está investigando disfarçada um filho de um advogado bem importante de Virginia, ele é suspeito de estar vendendo drogas em festas organizadas por ele mesmo, na sexta feira dará uma dessas festas e Melinda conseguiu ser convidada. Ela iria sozinha, porque está apenas conquistando a confiança do rapaz, e como não terá nada que poderia te colocar em risco e eu vi o quanto você deve estar querendo ser útil, eu conversei com a Erin e pedi para você ir junto para ajudar. Explicou, rapidamente, fazendo Sofia a olhar assustada
—Você o que? Perguntou, sem acreditar
—Ah bonequinha, qual o problema? Você está presa nesse escritório praticamente desde que a equipe saiu para a missão e eu estou vendo o quanto você está se esforçando para tentar solucionar tudo desde que chegou. Você merece mais do que ficar presa em uma sala, esperando Hotch e a equipe chegar. Afirmou, convicta
—Hoje é o meu primeiro dia aqui, Penélope. Eu não vou ficar todos os dias presa aqui assim. Garantiu, tentando convencer a mulher
—Eu sei que você chegou hoje, mas é uma missão super tranquila e a Melinda vai te passar tudo o que precisa saber nesses dias e enquanto isso você vai poder continuar me ajudando a solucionar esse caso com a equipe. Argumentou Penélope, com as mãos juntas, como se implorasse
—Por que está fazendo isso? Nem me conhece. Questionou Sofia, curiosa
—Gostei de você e não é qualquer um que bate no meu chocolate que me conquista assim. Afirmou, bem-humorada, sorrindo para a mulher
—Hotch não vai gostar nada disso. Garantiu, preocupada
—Calma. A única coisa que você vai fazer é filmar, com uma câmera presa em sua roupa, a movimentação do rapaz para recolher provas contra ele, caso ele venda mesmo drogas nessa noite. Explicou a loira, gesticulando com as mãos
—Tem certeza que Erin aprovou? Perguntou, receosa
—Desde que você fique segura, sim. Respondeu, ansiosa pela resposta da mulher
—Se ele concordou. Disse, calma, fazendo Penélope a puxar para um abraço forte, acompanhado de um pequeno grito animado
—Isso, garota! Vai lá e mostra para eles. Incentivou, animada, fazendo Sofia gargalhar
—Obrigada. Disse, sincera, olhando a loira com um sorriso casto
—Pelo o que?
—Por se importar. Esclareceu, antes de se virar para guardar suas coisas em sua bolsa
—Pode ir se acostumando. Você ganhou uma fã. Afirmou, convicta, fazendo a morena lhe encarar com um sorriso genuíno
—Posso saber o porquê de toda essa admiração? Questionou, colocando a bolsa no ombro
—Ninguém responde o Spence daquela forma e sai sem uma resposta arrasadora de gênio. Você conseguiu, o mínimo que eu poderia me tornar, era sua fã. Explicou, como se fosse obvio
—Considere como sorte de principiante. Pediu, saindo da sala acompanhada pela loira
—Pelo o que eu ouvi sobre seu povo, duvido muito que seja só isso. Comentou, distraída, seguindo a morena para o elevador
—E o que ouviu?
—Sangue quente e resposta para tudo. Resumiu, dando de ombros, arrancando mais uma risada de Sofia – Quem me disse exagerou? Questionou, encarando a mulher, curiosa
—Talvez não. Respondeu, com um pequeno sorriso, apertando o botão do térreo
—Acredito que em breve vou ter certeza. Comentou, observando a morena de costas – Mas, você não ia ficar mais no escritório?
—Ia, mas se vou em uma missão e preciso aprender algumas coisas, preciso estar aqui amanhã cedo. Respondeu, a olhando por cima do ombro
—Tenho certeza que vão se dar bem. Vocês têm um jeito bem parecido. Afirmou, seguindo a morena para fora do elevador
—Espero que sim. Não quero ter outro inimigo aqui dentro. Disse, seguindo para fora do prédio
—Eu gostaria de poder te dizer o que houve com o Spence, mas eu nunca vi ele agindo assim com um colega de trabalho. Contou, se desculpando
—Tudo bem. Já lidei com coisas piores. Garantiu, com um tom frio, fazendo Penélope estranhar
—Quer carona? Perguntou, observando a expressão diferente no rosto da mulher
—Não, obrigada. Não moro longe daqui. Afirmou, tentando se recompor das lembranças dolorosas
—Eu insisto, Sofia. Não quero que conheça o quanto essas ruas podem ser perigosas. Alegou, a segurando pelo antebraço
—As ruas da minha cidade eram bem piores, posso te garantir. Garantiu, sendo levada para o estacionamento
—Eu não duvido, mas não é por isso que você tem que conhecer a violência daqui. Rebateu, tirando as chaves da bolsa e destravando o carro
Sofia apenas deu de ombros, cansada de argumentar, e entrou no carro. A viagem foi curta e silenciosa, já que a única coisa que a morena fazia era observar a paisagem pela janela. Penelope estranhou, mas não discutiria, não naquele momento.
—Obrigada por tudo. Vejo você amanhã. Se despediu, com um sorriso cansado, enquanto saia do carro
—Até amanhã. Disse, antes de arrancar com o carro
Sofia entrou calmamente em casa e soltando a bolsa na mesa e as roupas na cama, entrou no chuveiro, permitindo as lembranças lhe invadirem outra vez.
“-Isis, quem era aquele cara? Perguntou Marcos, furioso, a seguindo pela casa
—Eu já te falei. Era um amigo meu. Respondeu, digitando algo no celular
—Policial? Perguntou, parando na frente da mulher
—Sim, Marcos. Policial. Afirmou, erguendo os olhos rapidamente da tela, apenas para responder
—Você sabe que policiais não são bem-vindos aqui. Lembrou, entre dentes
—Policiais não são bem-vindos no morro quando estão prestes a invadir ou prender alguém. Daniel veio aqui como meu amigo. Rebateu, irritada, largando o aparelho
—Mulher minha não tem amigo homem, Isis. Muito menos policial. Lembrou, a segurando pelo braço com força
—Marcos, você está me machucando. Disse, olhando a mão do homem a apertando
—Você vai ligar para ele e vai falar que eu não quero ele aqui mais, porque se ele aparecer, eu não vou querer saber se é seu amiguinho, vou fazer ele amanhecer com a boca cheia de formiga. Ameaçou, lentamente, com o rosto a centímetros da morena, que lhe encarava horrorizada
—Ele tem família. Você não pode fazer isso. Gritou, furiosa, antes de levar um tapa do homem, a fazendo virar o rosto com o impacto
—Nesse morro, eu sou deus e eu faço tudo o que eu bem entender. Gritou, enfurecido, se aproximando da mulher que agora o encarava com a mão no local do impacto
—Você está enlouquecendo. Não é o homem com quem eu me casei. Disse, permitindo algumas lágrimas de saírem de seus olhos
—Não sou? Então por que não tenta ir embora daqui? Pede o divórcio, Isis. Desafiou, antes de sair da casa, com um sorriso confiante
A mulher aos prantos e ainda com a mão no rosto, caiu de joelhos no chão, com sua mente trabalhando freneticamente em uma forma de fugir daquele inferno, enquanto pela janela era observada pelo homem que mudaria todo o rumo da sua vida”
Desligando o chuveiro e colocando o roupão de banho, Sofia caminhou lentamente para a janela, ainda entorpecida com as lembranças tão dolorosas. A mulher havia deixado tudo para trás, uma carreira, sua casa e sua família, que ainda acreditava que a mulher estava morta. Tudo havia mudado e agora a mulher teria que lidar com tudo isso, mas mal sabia, que bem longe dali, alguém estava disposto a fazer sua vida piorar
*Rio de Janeiro – 12:30 PM
—Patrão, temos noticias pro senhor. Disse o homem, ajeitando o fuzil na mão
—Espero que realmente seja algo que preste dessa vez. Alertou, sem paciência
—É sobre a mulher do patrão.
—Isis? Perguntou, ficando alerta
—Sim senhor. Nós encontramos a família do policial que a ajudou e não precisou muito para ele confessar que a ajudou fugir do país.
—Eu sabia que a desgraçada estava viva. Para onde ela foi? Perguntou, se levantando, enquanto sorria vitorioso
—Ela foi enviada para um lugar do governo, chefe. O cara não tinha acesso a essa informação.
—Liga para o Senador. Ordenou, enquanto sua cabeça trabalhava milhares de planos diferentes
—E o que eu devo dizer?
—Fala que eu vou precisar cobrar aquele favor que ele me deve. Disse, sorrindo maldoso, já se imaginando ao encontrar sua pequena fugitiva
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