Radioactive

29 Chapter XXVIII - Welcome to Hell, baby


Chapter XXVIII — Welcome to Hell, baby
Peter

Soltei um suspiro cansado. É claro que eu ouvi a conversa de Alice e Jack, eu não sou tão idiota assim. Sei que ela não vai desistir dessa base militar tão cedo. Saio rapidamente da porta e corro para fora daquele corredor antes que fosse pego. Graças a minha útil memória fotográfica, eu conseguia me lembrar perfeitamente do mapa que minha loira trouxera, e segundo o mesmo, a tal base não parecia ficar muito longe. Também lembrava das coordenadas marcadas no mesmo: TX41 e RW98. Um local estava limpo, enquanto o outro indicava a entrada sul.

Caminhei pelo prédio sem prestar muita atenção ao meu destino, pensando no que poderia ter naquela base, e como poderia fugir daqui e chegar lá primeiro do que Alice. Eu preferia mil vezes me colocar em perigo do que expô-la a qualquer coisa que pudesse machucá-la. Pulei o muro dos fundos e sentei no mesmo, vendo que o Sol começava a se por bem rapidamente no horizonte diante mim. Minha mente trabalhava a mil, pensando em qualquer forma de sair daqui sem chamar a atenção e conseguir chegar inteiro até meu alvo. Se o que Kingsleigh dissera estivesse correto, aquela seria a chance de conseguirmos ter um arsenal completo, um estoque recheado, e mais alguns — quem sabe? — anos de sobrevivência.

Era decidido que eu sairia de noite, aproveitando-me da calmaria em que a cidade se encontrava, de forma que eu não teria problemas com nenhum "guarda noturno". Mas ainda sim, teria de passar por Jack e Dante, que pareciam nunca dormir. Se eu conseguisse passar por um, certamente seria pego por outro, e por aí vai. Não, não estou fazendo nada de errado, mas não quero dizer que vou sair durante a noite. Não quero que Alice, ou Merida, ou Finn me acompanhem, é perigoso demais e não vou deixar que se exponham à isso.

Desci do muro e praticamente voei até meu apartamento, zunindo pelos corredores do prédio atrás do meu lugar. Peguei uma bolsa de couro que estava jogada por ali e reuni um pouco de comida na mesma, além de uma caixa de munição, o walkie talkie e um isqueiro. Transpassei-a pelo meu ombro e observei rapidamente o ambiente lá fora através da janela; não haviam errantes, Dante e Jack não estavam a vista e eu tinha livre acesso pelo pátio dos fundos até chegar à rua detrás e dar a volta pelo quarteirão. Como minha "casa" era no segundo andar do prédio, eu tinha como contactar a grande lixeira de latão que tinha ali, além das caixotes velhos de madeira cheios de peças aleatórias de móveis quaisquer. Abri a janela e saltei da mesma, pousando com suavidade em cima da lata e finalmente chegando ao chão. Aproveitei das árvores que haviam naquele pátio para me esconder em suas sombras, e poder chegar ao muro de trás. Quando cheguei no mesmo, dei um salto e alcancei sua parte mais alta, pronto para descer e finalmente estar fora dos muros da nossa nova Cidadel, quando uma mão delicada tocou meu ombro e me impediu de pular. Fechei os olhos e soltei lentamente o ar pelo nariz, na melhor expressão de "merda, fui pego".

— Onde você pensa que vai sozinho?

— Akay? — franzi o cenho, enquanto ela sorria — Como você chegou aqui?

— Te observei pelas árvores. — ela deu de ombros — Eu costumava caçar quando não estava na faculdade. Mas não muda de assunto. Por que ia sair sozinho?

— Eu...

Por algum motivo, eu não conseguia esconder a verdade dela. Talvez fossem seus olhos avermelhados que tinham uma aparência enigmática, talvez fosse a forma como ela agisse, que me lembrava de Wendy. E eu nada podia esconder de Wendy...

— Me poupe do discurso de "eu não quero colocar ninguém em perigo". — ela sacudiu a mão casualmente, rapidamente puxando a Magnus que ganhou de Jack e verificando seu cano. Franzi o cenho mais uma vez — Eu sei que quer ir até a base que Alice encontrou, mas não quer ir com alguém porque acha que pode lidar com isso sozinho, e que não vale a pena colocar outros em perigo. Mas Peter, acredite em mim... Nós não sabemos quem está fora desses muros. Você não é um exército de um homem só, Pan, então, não tente sair em aventuras sozinho, beleza? Estou indo com você.

XXXXX

Liderei o caminho até a base com Akay em meu encalço. Não tivemos problemas para chegar até lá, visto que as ruas estavam limpas de errantes e não havia um único som em toda a cidade, além do próprio vento. Trocamos poucas palavras durante a viagem, afim de não revelar nossa localização à qualquer um que pudesse estar ouvindo. O lugar ficava um pouco mais longe do que imaginávamos, porém não fora tão difícil chegar, e em poucos minutos, a grande base militar surgia diante de nós, imponente e quase intocada, totalmente rodeada por muros de pedra e arames farpados em cima dos mesmos. Lembrei-me do bilhete no mapa de Alice: entrada sul, RW98. Fora um pouco irônico ver uma placa amarela com as mesmas coordenadas escritas acima de uma porta de ferro.

— Não estou gostando nem um pouco disso. — Akay murmurou, insegura, enquanto rodava sua trança com nervosismo.

— Ei, está tudo bem. Me dá retaguarda e eu entro, certo?

— Não mesmo, queridinho.

Uma voz fina extremamente irritante chamou minha atenção, fazendo-me virar para trás. Ali, com uma adaga e algo parecido com um cortador de pizza nas mãos, uma mulher de cabelos desgrenhados e roxos nos encarava com um sorriso de escárnio no rosto. Suas roupas eram frangalhos, ela tinha um crânio humano amarrado em sua cintura, marcas brancas espalhadas pelo corpo, um óculos de avidor na cabeça, e um pequeno gato também arroxeado pousado em seu ombro. Seu corpo era muito magro e ossudo, o que não ajudava muito, graças aos olhos bicolores e os enormes cílios dos mesmos. Sua boca estava repleta de sangue, o que me deixava cada segundo mais inseguro sobre tudo aquilo. Em sua frente, preso por uma coleira de ferro, um errante, que um dia fora um homem alto e forte, tinha os olhos leitosos, pele podre e azulada, os dentes tão decompostos quanto a pele mordendo violentamente o ar enquanto sentia nosso cheiro. Engoli em seco, enquanto a mulher-demônio gargalhava com escarnecimento na nossa direção.

— Sejam bem vindos ao inferno!

Notas finais
Olá olá gentinha! Eu sei que passei mto sem postar, mas to sem ideias. Enfim, quem será a mulher? O que essa nova área guarda? Descubram em breve! ¢ Kali ¢
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.