Radioactive
23 Chapter XXII - Just A Nightmare
Notas iniciais
Chapter XXII: Just A Nightmare
Alice
Ficar naquele lugar era deprimente.
O cheiro era horrível, não havia luz, e era possível sentir a aura da morte vagando por aquele estábulo. Nenhum de nós dormíamos a quatro dias, observando os doentes e tomando as devidas precauções. Era doloroso ver aqueles cujo qual vivemos juntos por tanto tempo morrerem. E doia mais ainda o fato de termos de matá-los. Graças ao chá de Malévola, Finn e Hiccup, os únicos que resistiram a doença até agora, começavam a ficar mais fortes. Hick parou de vomitar e o loiro voltou a ter sua cor normal. Punzie trazia comida e água continuamente, sempre ao meio dia e a meia noite. E toda vez que eu a via, perguntava por Peter e Merida. Era doloroso, agoniante e exaustivo ficar sem respostas. Eles poderiam estar em qualquer lugar, sozinhos, em perigo.
Balanço a cabeça. Não posso pensar assim. Não devo pensar assim. Pete e Meri vão voltar. Ficaremos bem e logo vamos sair desse buraco fétido e morto que é esse estábulo. Vou até a baia de Finn, que está apoiado num caixote e tira um leve cochilo. Eu havia contado a ele que Hayley estava morta a apenas quatro horas atrás e ele já havia se recuperado muito bem. Dei uma leve sacudida em seu ombro, o que o fez abrir os olhos azuis e se levantar num pulo, energético e disposto como eu nunca tinha o visto. Não havia um único traço da doença em seu rosto. Finn sorriu e começou a estralar o corpo, sua face voltando a ter a cor normal de sua pele e o inchaço ao redor dos olhos diminuirem imediatamente. Com o susto, eu havia caído pra trás e ficado sentada no chão, encarando o garoto a minha frente.
– O que diabos foi isso?!
– Eu não sei! — ele respondeu, elétrico — Só me senti muito melhor quando me acordou.
– Malévola, Jack, Kida!
Os três vieram correndo até a baia. Pareciam cansados e abatidos, assim como eu. Jack tinha olheiras enormes e roxas em cima das maçãs do rosto. Seu rosto também estava mais fino. Estavam tão assustados e confusos como eu, até que a voz de Hiccup chegou a nossos ouvidos, e ela estava forte e bem presente. Saímos correndo até lá, tropeçando e quase atropelando a si mesmos e irrompemos a baia do rapaz. Ele estava de pé, tão energético quanto Finn, e tinha uma aparência milhões de vezes melhor. Os olhos vivos, a pele em seu tom natural, os inchaços quase imperceptíveis e seu corpo em uma forma física incontestável. Eles estavam curados, definitivamente. Mas a maior dúvida era como.
– Como foi que isso...?
– Talvez o chá tenha os fortificado. — Mal suspirou — Os glóbulos brancos finalmente resolveram trabalhar.
De repente, batidas fortes no vidro da frente interromperam nossa conversa. Empunhei meu porrete enquanto Malévola, Jack e Kida apontaram suas armas. Senti meu estômago diminuir suas voltas quando vi ser Rapunzel, porém sua expressão não era nada amigável. Abri a porta com um chute, o que a fez se assustar. Arranquei a bandana que cobria minha boca e o amarrei no pescoço, ajudando Punzie a se levantar. Ela olhou para Hick e Finn, e sem se importar correu até o moreno e o abraçou. Logo, voltou até mim, com a expressão misturada entre alegria e desespero.
– O que foi, Punzie?
– Peter e Merida chegaram. — um sorriso enorme surgiu em meu rosto — Mas eles não trouxeram notícias nada boas.
***
A primeira coisa que fiz ao ver Peter foi abraçá-lo. Um grande sorriso estava preso em meu rosto, ver que ele estava bem e a salvo fazia meu coração se acalmar. O mais belo de todos foi quando Hiccup viu Merida. Sem se importar com as pessoas a volta, ele a segurou num abraço e a beijou. Foi a coisa mais "filme meloso" que eu já vi em minha vida, mas foi muito bonito de se assistir. Assim que nos reunimos na Hutaka, Milo virou para mim, Jack, Kida e Malévola e nos dispensou.
– Vocês três devem ir. — aconselhei — Eu estou bem, dormi mais tempo que vocês. Vão logo, por favor. — eles saíram do chalé, contrariados — Bom, ponham logo pra fora o que vocês têm a dizer.
– Conseguimos os remédios, apesar de parecer que não precisamos mais por hora. — Merida bagunçou os cabelos de Finn — Mas o pior é o que vimos na estrada.
– Tivemos de retornar e vir por trás de Atlantis. — Peter apoiou a mão na mesa — Hades e Tinker Bell estão vivos.
– Mas que porra! Será que não morrem?!
– E eles estão vindo direto pra cá.
– Os dois em si estão bem fodidos. — Meri se sentou na mesa — Mas conseguiram um tanque de guerra, carros e idiotas que os seguem.
– E armamento pesado.
– Isso. Conseguimos despistá-los dando a volta por Atlantis, e ainda deixamos o helicóptero em um lugar seguro, á dez quilômetros daqui. Se este lugar cair, temos uma ótima rota de fuga.
– Sabem mais ou menos a que distância eles estavam?
– Uns quinhentos quilômetros daqui. Nós precisamos nos preparar pra uma possível guerra.
– Eu e Merida achamos também um esconderijo provosório caso Atlantis caia. — Peter pegou o mapa e coloco em cima da mesa, expulsando a ruiva da sua "cadeira" — Bem aqui.
– Em Savannah? — roí uma unha — É meio distante, não acham?
– Tem um hotel muito bom que está inteiro. Tem um estoque de suprimentos que nós trancamos por proteção. Se nós formos atacados, vamos até o Pantera Atlantis e saímos de Arcade em direção a Savannah.
– Bom, vamos reforçar os portões e preparar os armamentos. — Milo encarou os monitores a sua frente — Isso vai ser guerra.
Saímos da Hutaka. Todos se disperçaram pra começar a trabalhar, e também estava pronta. Comecei a pregar uma tábua de madeira na saída Norte quando Peter me rebocou até meu chalé, dizendo que eu precisava dormir. Bati os pés no chão, insistindo que eu estava bem. Mas claro, completamente em vão.
– Você tem mais olheiras que um kraken sonolento. Vá dormir logo, garota.
– Idiota. Vá se foder, Pan.
– Não estou te ouvindo!
Joguei a coisa mais próxima na direção da porta que já estava fechada. O porrete caiu no chão e eu resolvi o deixar por lá mesmo. Deitei no colchão, que pareceu extremamente convidativo naquele momento. Em apenas dois minutos, eu apaguei.
***
"As correntes que me prendem ao chão rangem enquanto eu tento me soltar. As mechas azuis a minha frente parecem crepitar como uma fogueira. Com um sorriso cínico, o homem da pele cinzenta arrasta um corpo até minha frente. Os cabelos ruivos descendo em cachos pelo rosto denunciavam sua identidade. Merida tinha o rosto cortado, a pele descascando e pus amarelado pulando de seus ferimentos. Os olhos estavam vazios e sem vida, algo completamente do que eu havia me acostumado. O azul vivo e esperançoso havia dado lugar ao cinza apodrecido e vazio, com desejo de sangue. Merida havia se tornado um errante. Sua arcada dentária podre batia uma contra a outra enquanto mordia o ar, procurando e ansiando por carne.
Logo, pude ver Hiccup, Jack, Malévola, Kida, Milo e Finn iguais a ela. Virei o rosto para ter uma visão ainda mais grotesca. Rapunzel tinha uma corda no pescoço, seus olhos verdes haviam sido arrancados e eram comidos por ratazanas. Seu peito fora aberto, seus intestinos caíram no chão e foram incendiados. Minha visão estava completamente turva devido as lágrimas, mas eu me perguntava onde Peter estava. Um grito abafado cortou o ar, e eu voltei minha atenção ao centro.
Tinker Bell sorria sádica enquanto segurava o ruivo pelo pescoço. Hades tentava segurar os mortos presos em coleiras de aço. Pan estava um trapo. Seus olhos inchados, ferimentos extensivos pelo corpo, coberto de sangue, e a beira da morte. Comecei a gritar em desespero, o que fez o sorriso de Tinker aumentar.
– Bons sonhos, querido. — ela sussurrou dramaticamente alto para que eu escutasse — Te vejo no inferno.
E então, Hades soltara os errantes para cima de Peter. Sua carne fora despedaçada enquanto nós dois gritávamos de dor. Meus pulsos estavam em carne viva devido minhas tentativas de me soltar. Não parava de chorar, berrar e xingar os dois filhos da puta. Quando terminaram de o matar, os errantes vieram atrás de mim."
– Alice, Alice, acorda!
Abri os olhos, em puro terror. Eu estava chorando, com minha garganta em chamas, e Peter me abraçando. Eu o abracei de volta com força, e sem pensar, eu o beijei. Fora a melhor experiência que tive em minha vida. Era agridoce, delicado, mas ao mesmo tempo eletrizante, energético. Eu o soltei e o abracei de novo, ainda tremendo.
– Foi só um pesadelo, Alice. Só um pesadelo.
– Eu te amo, Peter. — soltei, o encarando — E tenho muito medo de te perder.
Foi apenas um pesadelo, Alice. Só um pesadelo.
Fale com o autor