Radioactive
8 Capítulo 8
Acordei sentindo aquela dor de cabeça terrível. Provavelmente o golpe deixara um enorme machucado.
Eu estava deitada na cama, usava uma camisa cinza que com toda certeza não era minha, e meus jeans.
Ao lado da cama havia uma mulher sentada em uma cadeira. Os cabelos negros estavam presos em um coque, usava uma máscara parecida com a que os médicos usam, juntamente com as luvas.
Ela segurava uma seringa com a qual espetou meu braço. Mas eu estava muito fraca para reagir.
Ela retirou um pouco de sangue, me deixando mais fraca do que já estava.
Então ela colou um adesivo no pequeno frasco que continha meu sangue, e escreveu alguma coisa que provavelmente era o meu nome.
Então se levantou e se retirou do quarto, como um robô programado que faz as coisas sem pestanejar.
Aos poucos fui voltando ao normal. Olhei em volta vendo que no quarto havia mais uma cama. Deitada nela estava a garota de cabelos negros e pele pálida como sal.
Carly estava inconsciente e completamente imóvel. Usava a mesma camisa cinza que eu — devia ser algum tipo de uniforme.
A porta se abriu de súbito e um homem alto que usava um uniforme verde-musgo entrou.
- Levantem — ele disse um pouco alto demais, fazendo minha cabeça latejar. — É hora do almoço.
Aquele lugar ficava cada vez mais desagradável. Era como um pesadelo que não acabava quando você tentava acordar.
Levantei devagar vendo Carly acordar e ficar de pé antes de mim. Seu cabelo estava um emaranhado preso a um rabo de cavalo.
Fomos conduzidas por um corredor com paredes de concreto extenso, juntamente com mais uma multidão de garotas usando o mesmo uniforme.
Saímos para o pátio de concreto no qual havia ocorrido o levante. Não sabia ainda o que havia acontecido.
Do outro lado havia um portão como o que havíamos acabado de sair, mas dele saíram uma multidão de garotos. Pude jurar que haviam menos do que os que quando havíamos chegado.
O lugar parecia um presídio. Entre todos os jovens viam-se olhares tristes ou odiosos. A maioria ali sentia ódio. Afinal havíamos sido enganados, enviados para uma enrascada. O governo havia nos prometido uma chance de lutar como um soldado, no entanto nos enviara a um campo de concentração para ser cobaia de uma experiência científica.
Me sentia angustiada. Lembrei que minha mãe não queria me deixar vir, e imaginei se seria algum tipo de intuição materna. Eu devia ter ficado.
Notei que haviam mesas ao longo da área. Alguns se sentavam e os guardas os serviam com alguma coisa que devia ser comida, mas não tinha a menor aparência.
Meus olhos procuravam entre todos os garotos algum que se parecesse com Seth. Até que o encontrei.
Quando estava me preparando para ir até seu encontro fui impedida por um grupo de garotas que rodeavam duas adolescentes.
Pude ver de relance a mais velha atacar a mais nova ficando por cima dela. Entre os puxões de cabelo e os arranhões, socos e chutes, ouviam-se ofensas vindas das duas partes.
Todos observavam gritando e urrando, incentivando as duas a brigarem.
Até que um grupo de guardas apareceu. Eles separaram as duas que estavam machucadas e com olhares furiosos.
O soldado que pareceu ser o superior, olhou as garotas com desgosto.
- Detenção.
Bom, não sabia como seriam as punições naquela prisão, mas pelo jeito que foram levadas não parecia ser nada bom. As duas foram arrastadas aos gritos.
Foram gritos tão desesperados que ecoaram nos meus ouvidos por um longo tempo...
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