Radioactive
19 Capítulo 19
– Está anoitecendo — disse Noah passando a mão nos cabelos negros — Bom, eu vou indo. Se cuida.
Então antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele disparou em direção a porta. Deveria estar com pressa ou tinha um compromisso, não sei.
Segundos depois ele volta como se tivesse esquecido alguma coisa. Uma ruga de interrogação se formou na minha testa.
– É que esqueci de dizer que você tem que ir dormir. Saíremos amanhã bem cedo — ele disse me fazendo perguntar que horas seriam.
Então ele deu um sorriso tímido e disse "tchau" saindo do quarto. Noah tinha uma personalidade diferente de qualquer um que eu conhecia. Era engraçado, um médico de mais ou menos vinte anos ser tão...tímido. Me perguntei se ele teria alguém, uma namorada ou até mesmo família. Eu não imaginava sua vida fora do Centro de Pesquisas. Concluí que sua família devia morar fora da cidade ou algo parecido.
Olhei no relógio que ficava ao lado da cama vendo que eram sete horas da noite. Eu costumava dormir bastante então fiquei confusa ao pensar em como acordaria.
Resolvi esquecer e ir dormir. Minhas maiores preocupações eram pensar no que eu faria caso tivesse que ir ao Campo de Batalha — Groznyy, a cidade ou estado de nome esquisito situada na Rússia. Eu não deveria, afinal, eu era quase indestrutível. Então por que me sentia tão insegura?
Fechei os olhos e minutos depois eu dormi. Era bom descansar e não ter pesadelos ou nada parecido. Passaram-se muitas horas até que senti algo me cutucando.
– Alexandra — a voz disse, em meu delírio reconheci como a voz de Seth. Aquilo foi tão reconfortante.
– Oi — eu disse docemente em voz baixa, meus olhos se recusavam a se abrir.
– Vamos, você precisa levantar — disse novamente a voz. Levei um susto ao perceber que na verdade era a voz de Noah, e automaticamente me senti envergonhada enquanto abria os olhos e constatava que era ele.
– Ah, olá, Noah — eu disse tentando disfarçar a decepção.
Ele estava com os óculos novamente. Não pude deixar de concluir que ele ficava melhor sem eles.
– Vá se arrumar, são horas de viagem até a cidade — ele disse se levantando da minha cama e indo até a porta — São duas horas da manhã. Temos que estar no aeroporto militar às quatro para chegar ao Campo de Batalha às duas horas da tarde. Seja rápida. Vista suas roupas normais, você não precisa de proteção.
Levantei da cama sentindo o corpo implorar pelo conforto da cama macia. Mas contra seus protestos, eu tomei um banho quente e vesti meus jeans e uma blusa azul.
Fui até a sala encontrando Noah. Ele ficava o tempo todo comigo, acho que por algum pedido do governo, para que me acompanhasse já que sabia o que eu precisava na minha condição de Soldado. No fundo era bom, afinal, eu acho que podia considerar Noah um amigo.
Ele me acompanhou durante o trajeto até o aeroporto de Washington, o mesmo onde eu chegara há dias atrás. Eu respirava fundo, nunca havia estado tão nervosa. Mais algumas horas eu estaria na guerra, talvez dando fim a ela, talvez não.
Embarcamos num avião militar em uma plataforma paralela à de aviões sociais. Lá haviam mais sete aviões militares nos quais embarcavam soldados com uniformes das cores oficiais: verde-musgo.
Um homem alto, mais velho, porém de porte atlético, chamado Doyle, começou a dar instruções sobre como usar o pára-quedas e as últimas sobre como utilizar as armas.
Haviam mais ou menos quinze soldados no nosso avião. Alguns observavam atentamente o sargento Doyle, mas outros me lançavam olhares curiosos. Provavelmente haviam assistido a entrevista, deveriam estar me achando mais uma adolescente inexperiente que achava que poderia salvar o mundo. Me senti inferior então permaneci quieta ouvindo as instruções ao lado de Noah, que não participaria da guerra.
Depois de alguns minutos começamos a decolar. Senti um frio na barriga. A turbulência era constante e incomodava alguns.
Em minha mente, parte daqueles homens estariam mortos em algumas horas, outros estariam lutando e talvez receberiam medalhas por sobreviver. Já eu, não fazia ideia de como agir, não sabia como eu me encaixava naquele pelotão. Talvez eu salvasse a vida de alguns deles, ou talvez morresse junto com aqueles soldados, mas diferentemente deles só teria um modo de me abater...
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