Estamos em um ano interessante.
2018 não é exatamente o que nossos antepassados imaginaram para o nosso futuro. Não existem aliens e nem carros voadores. As pessoas não leem a mente umas das outras e ninguém pode mover objetos com a mente. Para minha própria decepção, pois isso seria muito interessante.

É intrigante pensar que há anos atrás as pessoas não imaginavam poder ter tecnologia avançada como hologramas, computadores inteligentes e sistemas biométricos de identificação. O que há milênios atrás a humanidade imaginava impossível conseguir, hoje não faz muita diferença para alguns humanos.

Hoje é um dia que daqui a alguns anos será considerado uma data histórica.

A televisão liga automáticamente na data prevista. Sento no sofá e vejo o presidente parar em frente a balaustrada da Casa Branca.
Ele pigarreia e começa a ler o discurso.

- Por motivos sigilosos, e pela situação avantajada ou desavantajada de muitos cidadãos Estadunidenses e Russos, as nações estão atualmente entrando em colapso... — ele respira fundo e mantém a expressão dura de ditador — Depois de várias tentativas de amenizar e manter a paz entre o nosso país e a Rússia, a Guerra é iminente.

Senti um arrepio percorrer minha espinha. Depois que a ditadura foi imposta no país, a vida de todos ficou difícil. Foram criadas milhares de proibições e as leis se tornaram mais rigorosas. Em parte isso era bom, a diminuição da criminalidade era benéfica, mas também era desastroso, pois ficou difícil conviver com as regras impostas duras e severamente.
Olhei para a televisão vendo o presidente continuar:

- Estarão sendo escoltados os melhores soldados, e também os cidadãos que quiserem lutar pelo seu país... — ele dizia — Esperamos que isso termine logo...Enquanto isso, aguardem mais notícias. Obrigado.

A tela ficou escura e a televisão desligou automáticamente.

Peguei minha mochila e o celular. O trajeto até a escola seria difícil.

Estávamos em guerra contra a Rússia. Era algo chocante. Uma Guerra Mundial. Há quanto tempo isso não acontece?

Caminho até a entrada da minha casa — uma grande propriedade estilo vitoriana com paredes brancas — e espero o ônibus da escola, que por ironia, nunca mudou.

A rua estava deserta, a não ser pelos policiais que faziam sua ronda matinal. Depois de alguns minutos, vejo uma sombra no final da rua. O garoto de cabelos loiros escuros chega depois de alguns minutos.

- Oi — ele diz.

- Oi, Seth.

Seth é meu amigo de escola, nos conhecemos no ano anterior, ele estudava na mesma sala que eu. Fiquei surpresa quando soube que estudaríamos juntos de novo esse ano.

- Viu o pronunciamento? — ele pergunta.

- Sim, não estou acreditando ainda — respondi.

Ele respira fundo. O dia estava frio e minhas mãos estavam congelando.

- Acha que eles vão atacar o país? — ele disse com falsa preocupação.

- Não seja estúpido — digo rindo.
Ele também sorri.

Depois de alguns minutos, o ônibus aparece. Nós chegamos na escola dez minutos depois.

Estudo na Murray Sams, uma escola que leciona apenas para ensino médio. Minha mãe achou a escola boa, mesmo sendo contra escolas públicas — que ela pensa ter alunos indiciplinados — , ela fez amizade com a atual diretora e me matriculou em duas semanas. Depois que cheguei, fiz alguns amigos. Entre eles, Seth, que se tornou meu melhor amigo.
O dia passou como um borrão. Assim como a semana. E logo, os meses.

Depois de dois meses de guerra fria, muitos soldados que haviam sido escoltados para lutar contra a Rússia, morreram. O país estava um caos e o clima tenso era sentido por todos. Muitos estavam perdendo seus entes queridos para uma guerra travada entre políticos por dinheiro. Alguns podiam se cegar, mas a maioria sabia o real motivo dessa guerra.

Há muitos anos, a pobreza já estava tomando conta. Enquanto alguns tinham dinheiro demais, outros tinham de menos. E quanto mais pessoas, menos dinheiro. O aumento populacional afetou a economia, e se tornou um grande motivo de guerra.

O por quê da Rússia eu não sei, mas que a guerra estava causando destruição ao quadrado, ela estava.

Eu estava em casa. Já estava na hora do jantar. Minha mãe, Georgia, estava sentada a mesa ao lado do celular, que emitia a luz azul de um holograma que parecia mostrar alguma página da internet. Provavelmente algo a respeito de trabalho.

Peguei o controle e liguei a TV.

Meu pai não jantaria conosco, iria trabalhar até a noite em seu projeto para uma suposta reunião.

Estava vendo o jornal local quando a luz da televisão se apaga. Depois de alguns segundos ela se acende e aparece a imagem do presidente Jimmy Duncun. Ele parecia mais frio do que de costume.

- Depois de dois meses, e devido a uma nova tentativa de vencer esta guerra, o governo está abrindo as portas da Casa Branca — disse ele, o brilho dos seus olhos era como o de um assassino.

Parei o que estava fazendo, minha mãe também. Aumentei o volume da TV e tentei prestar atenção ao que ele diria a seguir.

- A partir de amanhã, serão escoltados três adolescentes de cada estado americano para fazer parte de uma seleção. O escolhido terá a oportunidade de lutar por seu país de um novo modo. Ele ou ela, terá as glórias de um herói e se conseguir executar o feito com diciplina e obediência, nós venceremos essa guerra.

Ele esperou um minuto para continuar.

- O escolhido receberá o treinamento adequado de um soldado — ele dizia — A escolha é de você, jovem, que deseja ser aquele que talvez salve sua pátria. Obrigado. Boa noite.

As palavras dele ecoavam na minha cabeça.

Então eles estavam escolhendo um herói que os salvasse de ser liquidados no campo de batalha. Mas como esse suposto herói os salvaria?

Era algo difícil de entender. Mas acho que no fundo era uma proposta tentadora...

Notas finais
Foi só o primeiro capitulo pessoal o// digam o que acharam da introdução...obg bjuuss *-*