Rachel Allard
3 Uma caçada diferente
Com o cair da noite me preparei para a caçada com Johan, me vesti com uma calça e blusa preta, um sobretudo cor de chumbo e botas longas para me misturar na escuridão, porém quando desci as escadas encontrei Charlie conversando animadamente com um Johan vestido socialmente, levantei uma de minhas sobrancelhas questionando qual seria o seu estilo de caça quando meu mestre notou minha presença e percebendo meu questionamento me explicou rindo:
–- Vejo que Johan não te contou sobre suas preferencias... Ele gosta de conquistar a presa, gosta de se alimentar e depois vê-la sofrer, pedir misericórdia e morrer lentamente... É seu jogo preferido.
–- Exatamente, minha presa foi escolhida antes mesmo da minha chegada e hoje vamos encontra-la em um restaurante e por isso acredito que a senhorita deveria trocar seu traje para esta noite.
Com todos os meus esforços para parecer educada e não surpresa com essa mudança brusca de costume, respondi docemente antes de me virar para voltar ao meu quarto:
–- Certamente irei me vestir adequadamente.
Eu sabia que eles estariam me ouvindo então controlei toda a minha raiva e frustração que teriam me levado a destruir o quarto, escolhi algum dos vestidos que Charlie insistia para que eu tivesse em meu guarda roupa, e o experimentei. O vestido era preto e tinha um decote um tanto grande, seu comprimento ia até meus pés onde havia dois longos cortes nas laterais que subiam até próximo às minhas coxas, calcei um par de sandálias salto alto pretas e escolhi um par de brincos que tinham a forma de uma gota, sempre imaginei aqueles brincos como duas gostas de sangue escorrendo de um pescoço... Peguei também um colar de cor prata, penteei meus cabelos castanhos escuros, desenhei minha boca com um batom vermelho como sangue e marquei meus olhos com um lápis preto que deixou meu olhar ainda mais intenso.
Desci novamente as escadas, um pouco mais devagar dessa vez, e com um sorriso no rosto Charlie depositou sua taça em cima da mesa antes de vir me receber esticando sua mão para que eu a segurasse enquanto eu descia a escada.
–- Está extremamente bela Rachel.
Sorri para Charlie pelo elogio e este me levou até Johan que me olhava da cadeira onde se mantivera sentado, eu o vi olhar para Charlie antes de falar:
–- Devo concordar com Charlie, está encantadora.
Mentira. Eu sentia isso na sua voz, mas ao contrario do que queria fazer, apenas sorri docemente, Johan se levantou, pegou as chaves do seu carro e me estendeu o braço, então foi a minha vez de olhar para Charlie antes de segura-lo. Meu professor parecia se divertir internamente, nos desejou uma boa caçada e pediu que eu me comportasse a me ver revirando os olhos, o que fez Johan rir e pela primeira vez prestei atenção no riso dele. Era frio e sem emoção, era quase uma risada sádica.
Lá fora o ar noturno cheirava a diversão, algo me dizia que esta noite seria uma caçada curiosa, Johan abriu a porta do carro e revirando os olhos novamente entrei no carro puxando a porta de sua mão e a batendo. Logo ele já estava sentado no banco do motorista dando a partida... Peguei-me refletindo o porquê de estarmos de carro devido a nossa velocidade e como se lesse meus pensamentos Johan se explicou:
–- Quando digo que meu estilo de jogo é diferente, me refiro a tudo... Não vamos perseguir e matar hoje, então por que não um pouco de classe?
–- Bem, como quiser...
Finalizei o diálogo com um pequeno dar de ombros e Johan também não fez nenhum outro dialogo começar, quando chegamos ao restaurante novamente mostrou-se um cavalheiro abrindo a porta do carro, me deu o braço enquanto entregava a chave do carro para o manobrista, atravessamos a calçada até a porta do restaurante e apurei todos os meus sentidos já que de jeito nenhum baixaria minha guarda em ambiente estranho, mesmo perto de um vampiro poderoso, a porta do lugar foi aberta e ali tive uma visão do lugar mais lindo que já tinha visto... Muito bem iluminado com enormes lustres, mesas espalhadas, um pequeno bar e uma parede espelhada que do lado direito se via o banheiro feminino e ao esquerdo, o masculino. Um dos garçons se aproximou do vampiro ao meu lado e disse algo em seu ouvido que não pude ouvir tamanha era minha admiração pelo lugar, Johan sorriu e disse em uma altura suficiente para que minha audição vampírica escutasse:
–- Rachel, vamos começar a jogar.
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