Rachel
1 Mamãe e Papai
— Mamãe, o papai já foi!! Vamos?
Como eu me arrependeria dessa frase, naquela tarde ensolarada, eu só ia descobrir depois. Muito prazer! Meu nome é Rachel Yagami e hoje vou contar para vocês um pouco da minha triste história... Sou filha de um casal muito carinhoso e perfeito. Vanna, a mamãe, era uma charmosa Odalisca. Iori, meu pai, um imponente e poderoso Bruxo! Mamãe era linda e loira. Meu pai também é lindo, mas como é de Amatsu, tinha os cabelos tão negros quanto a noite que ele tanto gosta, mas quis pintar de ruivo. Eu não nasci como a mamãe. Todos sempre me diziam “olha só, mas é a cara do pai!”, apesar da cor dos olhos ser da mamãe.Ah sim, já repararam como os bruxos são orgulhosos? Descobri isso quando decidi que queria ter uma profissão. Ver meus pais sempre treinando, evoluindo em suas profissões me deu vontade de ser como eles. Mas eu não conseguia me decidir por uma profissão ou outra! Claro que meu pai insistia para eu ser uma maga e me tornar uma bruxa como ele, afinal, morávamos em Geffen, estávamos cercados por aquela gente impregnada de tradições e valores. Meu pai não era muito diferente, mas respeitava e cismava somente com o que achava correto. Não sei se por humanidade ou rebeldia, recusou todas as propostas de promessas de casamento para mim.Só que eu não queria ser uma bruxa... Eu era uma aprendiz ainda, e já fazia um mês que eu não treinava nem nada, porque não tinha mais o que evoluir. E também não conseguia me decidir que profissão seguir! Odaliscas e bruxos são legais, mas eu sempre os achei tão frágeis... Meu pai mesmo sempre odiou essa fragilidade, apesar de ter muito orgulho de sua profissão. Vou contar um segredo: um homem forte, musculoso e imponente como ele sofria muito ao não poder nem levar um beijo mais “quente” sem correr risco de vida. Por isso, as melhores amigas dele sempre foram as asas de mosca.E com isso os dias foram passando. Passaram bastante, porque meu aniversário chegou e eu não tinha conseguido uma profissão ainda! Então nem pude ganhar muita coisa... Da minha mãe ganhei uma festa com meus amigos e os amigos dos meus pais, e do meu pai, ganhei um lacinho. Tá, você deve pensar que foi um presente muito sem graça. Mas eu adorei! Fora que um lacinho de Familiar é tudo que uma aprendiz pode usar. Tenho sorte de ser menina, porque se fosse homem não tinha ganhado nada. E eu gostei tanto do lacinho que só tirava para tomar banho e dormir.Foi durante um passeio que eu enfim me decidi que profissão seguir: seria uma gatuna e um dia seria uma poderosa assassina! Decidi isso quando vi um grupo de assassinos derrotando o todo poderoso Baphomet! Fiquei admirada! E foi assim que tomei a minha tão demorada decisão.Certa vez, quando meu pai saiu para comprar as tão preciosas asas de mosca e poções eu fui falar com minha mãe. Meio assim, com a consciência pesada, falei baixinho com ela.— Mãe... Não conta para o meu pai, mas eu decidi que profissão seguir...Sorrindo carinhosa (como sempre era), ela me abraçou.— Que ótimo, filha! E o que nossa princesinha quer ser?Um pouco corada, eu sorri e respondi.— Eu quero ser uma assassina! Acho que vou até Morroc para fazer o teste de gatuna...Eu esperava um suspira totalmente desapontado da minha mãe como resposta, esperava ser repreendida por aquela escolha tão ousada, e por isso a encarei com dificuldade.Mamãe estava sorrindo compreensiva.— Ótima decisão, Rachel! As assassinas são charmosas e têm a sexualidade à flor da pele! Os garotos vão amar você!Fiquei surpresa, mas aliviada com aquela reação tão otimista. A abracei sorrindo, mas disse tristinha.— Mas me sinto mal pelo papai...Mamãe ficou pensativa. Só depois de algum tempo calada é que ela disse:— Vamos amanhã às pirâmides. Faremos uma surpresa ao seu pai!A olhei um pouco perplexa. Mamãe tinha uma expressão animada e espertinha de quem tramava um plano. Quando ela se deu conta de que eu a encarava com cara de quem não tinha entendido nada, pôs-se a explicar.— Quando ele for para Prontera amanhã para fazer compras, nós duas vamos escondidas às pirâmides, e enquanto ele não volta, você faz o teste de gatuna! Aí quando ele voltar já vai te encontrar como gatuna, e não vai poder brigar! Sem contar que com a surpresa ele nem vai se lembrar disso!Para mim pareceu um plano excelente! Com ele eu poderia ter a profissão que queria e não ia magoar o meu pai! Concordei, e combinamos apenas de agir naturalmente quando vi que meu pai estava chegando. Nosso plano seria posto em prática em breve! Assim que ele chegou, corri para seu colo e o beijei no rosto, lhe desejando as boas vindas. Depois de beijar a minha mãe, ele me pegou nos braços e fomos brincar. Naquela noite, dormimos abraçadinhos.
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