Rachaduras Duráveis
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Finalmente, finalmente eu contaria para ele que eu o amava… me vesti com a minha melhor roupa, passei a melhor colônia, me dediquei a arrumar meu cabelo rebelde e então pegando o buquê de tulipas segui de táxi até o endereço da festa.
Ele estava retornando de uma expedição no ártico, um grande cientista e tão lindo por dentro quanto por fora. Sua pele morena, os olhos castanhos esverdeados, os lábios carnudos, que eu só tive uma chance de experimentar e testavam a menta da bala que ela tinha, mas, infelizmente, eu não experimento esses lábios a mais de dez anos. Acabamos separados por inúmeros trabalhos e mantendo o contato somente via internet e ligações. Assim que coloquei meus pés onde a festa ocorreria percebi que um grande número de pessoas da alta classe se apresentavam, dois juízes estavam conversando mais à frente no bufê, assim como vários cientistas, e sem falar nos inúmeros repórteres que passeavam pelos corredores da magnífica mansão, que eu nem sei como foi possível alugar pela noite.
ㅡ Boa noite, nome?
ㅡ Boa, Mich Manson.
ㅡ Senhor Manson, só seguir pelo jardim até a entrada da casa. Fique à vontade.
ㅡ Obrigado, boa noite.
ㅡ Ao senhor também.
Caminhei por longos minutos até a entrada da grande mansão, o buquê na minha mão suada, e a outra eu enfiei no bolso tentando fazer com que parasse de tremer em ansiedade, eu estava preparado para o que eu precisava fazer, essa noite seria minha.
Adentrei o hall de entrada, todo enfeitado com flores de orquídea, o tapete vermelho destacava-se no chão do salão bege e branco, a estrutura com colunas imensas enfeitadas com as mesmas flores do hall com cores diferentes, roxas, rosas, amarelas e outras, as pessoas espalhadas pelo salão com suas taças de champagne e roupas de gala. Escaneei o ambiente procurando por ele, como não encontrei segui passeando pelo salão, acabei me encontrando com um antigo colega em comum e perguntei para ele onde se encontrava o anfitrião, notando que eles mesmos não sabiam.
Me aproveitei para conhecer pessoas, conversar com outras sobre ciências, explorações, e mais ainda sobre minha área geografia e sobre o meu último trabalho na minha área, o desenvolvimento das tribos astecas e sua contribuição para a sociedade moderna no continente. Estava tendo uma boa discussão com um professor de filosofia Senhor Dunthas, e com uma senhora professora de Sociologia Senhora Beirret, quando a entrada de Bill Mecbeth nos foi anunciada.
Todos aplaudimos a sua entrada no salão, o parabenizando pelo seu grande trabalho, Bill é um homem bonito, cabelos anelados pretos arrumados com gel para essa noite, pele negra delicada, olhos castanhos e um sorriso capas de cegar quem olhar por muito tempo. Ele é o homem dos meus sonhos, e por infortúnio do destino estava muito distante para que eu expressasse isso, agora que nos encontramos no mesmo continente, não tenho nada a temer de um homem que já me beijara uma vez.
ㅡ Agradeço a presença de todos vocês meus amigos, sei que passei muitos anos longe dessa minha casa, mas foram anos de tremendo descobrimento interior e exterior. Minhas viagens por outros continentes e países me presentearam com conhecimentos que eu nem mesmo sabia que precisava, conhecimentos espirituais, científicos e amorosos. Essa noite celebremos o meu retorno a minha morada, ao meu amado país e o descobrimento do meu amor por Fridja Mecbeth, minha amada esposa a ela toda minha devoção.
Ele a beijou, ali, na minha frente, diante de toda festa, festa essa que era para ela, senti meu corpo congelar, não vi quando soltei o buque de flores que caíram no chão para serem pisoteadas por outro homem que tentava avançar para frente. Voltei a realidade quando seus olhos se pousaram nos meus, o seu sorriso quebrou-se por um segundo antes dele voltar-se para sua esposa, e eu me deixei cair de joelhos vendo a sua felicidade fingida.
Sua mãe, Violett me sorriu, um sorriso mordas, antes de seguir em direção ao filho e a então nora… Ele as escolheu no final, escolheu as riquezas de sua família, o amor equivocado de uma dama desconhecida, e o orgulho pomposo de uma mãe não presente assim como o dinheiro de um falecido senhor que assim como ele escolheu o caminho do dinheiro… Escutei os gritos… Vi quando ele empurrou a mãe e a esposa para longe, olhei em seus olhos enquanto caia mais baixo do que nunca, ao que as rachaduras do meu coração árido pareceram ganhar vida… Fechei meus olhos depois de ver as estrelas uma última vez.
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